Passa já da hora o vosso despertar espiritual . . . Saiba que a tua verdadeira pátria é no mundo espiritual . . . Teu objetivo aqui é adquirir luzes e bênçãos para que possas iluminar teus caminhos quando deixares esta dimensão, ascender e não ficar em trevas neste mundo de ilusão . . .   Muita Paz Saúde Luz e Amor . . . meu irmão . . . minha irmã

quinta-feira, 17 de março de 2016

L - DESENVOLVIMENTO TELEPÁTICO – Livro: Vida Nova. Ditado por diversos espíritos – Psicografia de Diamantino Coelho Fernandes.





Acontece muito frequentemente em todos os mundos habitados na imensidade do cosmos, ser preciso operar modificações mais ou menos profundas em sua estrutura física, a fim de prepará-los para novos desenvolvimentos de suas populações. Tal como sucede em vosso próprio mundo com antigas construções que constituíram a alegria da geração que as construiu, e que passados os tempos se tornaram imprestáveis à moradia de novos habitantes, o mesmo sucede com os mundos, com períodos, entretanto, bem mais dilatados. As velhas edificações são por vós demolidas levantando em seu lugar novas e modernizadas moradias, tudo, evidentemente, em harmonia com as normas do progresso hodierno. Pois bem; com os mundos habitados verificamos o mesmo fenômeno transformatório, com objetivos semelhantes: adaptá-los à moradia de novas gerações bastante mais evoluídas que aquelas que neles viveram enquanto os mesmos lhes serviam de elemento de progresso para os seus Espíritos.

Já estais perfeitamente informados através da palavra iluminada de vários outros mensageiros do Nosso Mestre e Senhor Jesus, que o mundo terreno está em vésperas de sofrer também uma certa modificação de sua estrutura física, a fim de ser adaptado às necessidades das gerações que se preparam para o habitar no decorrer dos próximos séculos. A demolição não será, porém, total, como sucede às antigas e sólidas construções residenciais que conheceis, mas far-se-á sentir nos lugares escolhidos pelas Forças Superiores para se adaptarem às necessidades dos milhões de seres espirituais que aqui reencarnarão em breves anos. Dizendo-vos que esses seres espirituais reencarnarão em breves anos, eu desejo incluir nesse número alguns milhares de almas que, ou já se encontram nos lares terrenos em sua primeira infância e juventude, ou aí estarão chegando diariamente nos primeiros anos do século XXI.

E a propósito, eu farei aqui um parêntesis para deixar convosco algumas idéias acerca dessas almas já na sua primeira infância, muitas delas servindo de preocupação aos seus progenitores, face ao temperamento que lhes é peculiar como Espíritos já possuidores de grande evolução. 

Para que as crianças recém-ingressadas na Terra, bem como para aquelas que forem chegando, possam desenvolver as belas qualidades que possuem, e possam igualmente, atingir os elevados objetivos que  trouxeram à Terra, devem os progenitores ou responsáveis adotar regras de tratamento diferentes do comum das crianças do passado, bem menos evoluídas que as atuais. Estas almas que estão reencarnando necessitam de um tratamento sério, verdadeiro em tudo quanto se lhes disser ou ensinar, porque isso constituirá a base do seu desenvolvimento na Terra. Historietas em torno de fantasias mais ou menos absurdas não se lhes deve oferecer porque poderão retardar a sua compreensão e o desenvolvimento do próprio raciocínio. Estas crianças apreciarão imenso quanto se relacionar com as coisas do Espírito, assim como as conversas em que aprendam — ou melhor, recordem — que existem planos de vida extraterrenos onde vivem populações imateriais, isto é, sem o corpo de carne dos seres humanos, possuindo porém um corpo fluídico que lhes permite viver isentas de alimentação, e transportar-se aonde desejarem, apenas pela emissão de sua própria vontade.

Para atender o mais possível a este particular, estão sendo selecionados os lares terrenos constituídos por irmãos ou já declaradamente espiritualistas ou tendentes a sê-lo em breve, para neles promover a reencarnação de Espíritos da categoria a que me refiro. Isto não quer dizer que não reencarnem Espíritos desta categoria em outros lares formados por pessoas não espiritualistas ou sequer simpatizantes, porque as Forças Superiores estão preparadas para influir de muitas maneiras no sentido de que os responsáveis por esses outros lares venham a ingressar também no conhecimento e prática das coisas espirituais. E de que maneira? Eu vos direi que de muitas maneiras. Uma delas será, por exemplo, o despertar do ascendente mediúnico nas crianças que a Divina Providência lhes houver confiado para criar e educar na sua presente existência terrena. Tal ascendente tanto poderá despertar-se através da influência de Protetores espirituais em forma de incorporação, positivando-se dessa maneira o seu ingresso nas coisas espirituais, como poderá apresentar-se o fato por meio de alguma espécie de enfermidade rebelde ao tratamento específico, o que levará fatalmente os progenitores ou responsáveis a procurar o tratamento espiritual nas organizações existentes à sua volta. Em todos os casos que porventura ocorrerem desta maneira, haverá sempre um conselheiro amigo a sugerir tal forma de tratamento, como acontece desde muito, servindo a criança de ingresso da família inteira nas organizações espiritualistas. Concluirei então este parêntesis, recomendando aos pais conversarem com suas crianças à base da espiritualidade, ajudando-as assim a desenvolver mais rapidamente suas forças e poderes latentes.

Voltarei a falar do processo transformatório a ser executado neste pequeno mundo terreno. Estão em curso no Alto desde o início do século XX, as operações espirituais referentes ao processo em vias de execução na Terra. Talvez ignoreis que tudo quanto na Terra se materializa, foi primeiro positivado no plano invisível, também denominado Mundo das causas, sendo a sua verificação no plano físico apenas a parte material da operação. Isto acontece igualmente a quanto a vossa sensibilidade constata no plano físico, desde o nascimento da planta, da flor mais delicada, à erupção vulcânica com seu cortejo de destruição pelo deslizamento das lavas.

Todos nós, portanto, que nos encontramos engajados no serviço divino de Nosso Senhor Jesus, estamos de há muito cientes dos fatos que se encaminham para a sua realização na Terra, assim como de suas possíveis consequências e repercussão. E como estamos todos cientes do próximo desenvolvimento na Terra dos planos de há muito elaborados visando à modificação de parte da estrutura terrena, e que nos devotamos com todo o nosso ânimo ao serviço divino, e aqui viemos falar-vos por este meio para que possais estar de antemão informados e fazer o que só de vós depende para não serdes esmagados pelos acontecimentos, antes vos encontreis a salvo deles. Sim, irmãos meus; uma vez informados pela palavra iluminada de quantas Entidades se propuseram a conversar convosco por este meio, haveis certamente de concluir que elas não se abalariam do luminoso plano em que vivem, para mergulhar no ambiente da Terra, se não tivessem esta importante mensagem do Senhor Jesus a transmitir-vos: Preparai-vos enquanto é tempo; elevai ao Senhor o vosso coração a fim de serdes socorridos e salvos por Ele!

Falar-vos-ei em seguida de algo que, embora relacionado com a vossa vida terrena, há de interessar muito de perto a todos vós quando vos encontrardes de volta ao vosso plano de vida espiritual. Quero falar-vos a respeito dos meios de que dispõem os Espíritos desencarnados para as suas comunicações e entendimento entre si. Bem certo é que, enquanto permanecerem no ambiente terreno, mas desprovidos do corpo físico que foi levado à sepultura, os Espíritos escutam perfeitamente o que dizem os encarnados, embora não consigam fazer-se ouvir por eles. Nesta situação, já o sabeis, permanece um número quase incontável de Entidades, que por não haverem cultivado a ciência espiritual e terem seu corpo fluídico demasiado denso devido ao tipo de vida que viveram, não possuem meios de se elevarem a outros planos. Aqui permanecendo, tais Entidades apenas conseguem ouvir o que os encarnados dizem mas não podem fazer-se ouvir. Acorrem então às organizações espiritualistas ou são a elas conduzidas por outras Entidades a serviço do Senhor, donde em regra são conduzidas a outro plano, deixando em paz os encarnados. Em seu novo plano de vida, surge então a grande dificuldade de entendimento para aquelas Entidades levadas da Terra. Não aprenderam a manifestar-se por meio do pensamento enquanto na Terra, nem mesmo após a perda do corpo, encontrando-se aí numa situação algo penosa, muito semelhante à dos surdos-mudos do vosso mundo.

Foi-nos sugerido então pelo Senhor Jesus, convidar-vos a todos enquanto na Terra a procurardes desenvolver a faculdade mental desde agora, com apreciável vantagem para quando vos encontrardes novamente no mundo espiritual, onde a articulação da palavra não existe, pela não existência também do órgão vocal, existindo porém o processo mental, telepático, por meio do qual todos nos comunicamos tão clara e perfeitamente como se na Terra estivéssemos. A comunicação do pensamento no Alto é muito fácil de praticar, e todos os Espíritos se comunicam por esse meio, ao fim de um curto ou longo aprendizado. Para que os encarnados do presente não venham a sentir-se privados do uso dessa faculdade por algum tempo, nós aqui aconselhamos um pequeno exercício destinado a proporcionar a todos uma grande alegria no futuro. O exercício é aliás bem fácil de praticar. Será suficiente que cada um de vós passe a destinar alguns minutos diários à prática seguinte: — Antes de deitar, e tendo concluído a oração habitual e entrando no estado de meditação, procurar proferir mentalmente algumas palavras ou frase, como se se estivesse dirigindo a alguém. Preferivelmente se esse alguém for seu Protetor espiritual, que estará sempre presente nesse momento . Formulem então uma frase, um pedido em linguagem mental, o mais claramente possível. Formulem uma pergunta mesma por esse processo, pronunciando mentalmente o que desejarem dizer ou perguntar, com o que estarão exercitando convenientemente esta faculdade tão necessária às suas comunicações e entendimento futuro. Com esse exercício hão de colher seguramente estes dois resultados: desenvolverão sua mente telepática tão útil e necessária no mundo dos Espíritos, e esta agradável surpresa: com a continuidade do exercício passarão a ouvir respostas claras, compreensíveis, vindas de seus protetores espirituais, e até de parentes e amigos do outro lado da vida. Nosso Senhor deseja preparar da melhor maneira a quantos se encontram atualmente na Terra, para que não venham a sentir tropeços por ocasião do seu regresso, evitando ao mesmo tempo a repetição do que a respeito ocorre frequentemente a quantos daqui tem partido completamente leigos quanto às condições da vida no Além.

O exercício telepático praticado empenhadamente por quantos seres humanos o fizerem, há de acarretar-lhes ainda um sem número de alegrias em todos os sentidos, seja na recepção de um recado espiritual em ocasiões oportunas, seja no recebimento de esclarecimentos ou orientação de que precisem.

Imaginai, queridos irmãos, que em certo momento em que presencieis um fato, por exemplo, um irmão em estado grave de saúde sem saber o que fazer ou para quem apelar, e vós, que tendes desenvolvida a vossa mente telepática lançais um pedido ao Alto, e recebeis prontamente a resposta, numa orientação a seguir no tratamento desse irmão. Estou bem certo, certíssimo, de que só esse fato será motivo de vos considerardes compensados do pequeno esforço empreendido no desenvolvimento da vossa mente telepática. Eis aí um exercício que deveis praticar com empenho desde agora, resguardando-vos de o fazerdes mais tarde noutras circunstâncias. Assim vos falo, apresentando-vos uma apenas das oportunidades em que podereis usar com êxito a faculdade telepática enquanto na carne, porque todos sentimos no Alto a falta de irmãos em condições de bem receberem conselhos e orientações provenientes das Forças Superiores em favor de irmãos encarnados em situações por vezes aflitivas. Preparai-vos então para esse elevado mister, e Nosso Senhor vos retribuirá generosamente quanto puderdes fazer pelos vossos contemporâneos.

Encerrando aqui a tarefa que o Senhor me designou e muito agradável se tomou para o meu Espírito, desejo dizer-vos algumas palavras acerca de mim próprio, cujo nome acredito jamais tereis ouvido pronunciar. Direi então que minha última existência eu a cumpri no Extremo Oriente a serviço do Nosso Venerado Mestre Jesus, dedicando todos os meus dias ao aprimoramento do meu Espírito e de tal modo o fiz, de tal maneira consegui integrar-me na prática das Leis Celestiais, que meus últimos anos de vida terrena foram vividos unicamente pelo Espírito, desligado totalmente das exigências da matéria. Sei que consegui formar discípulos que por sua vez formaram outros, honrando sobremodo o nome do Senhor e Sua Doutrina de amor e fraternidade. Vindo dizer-vos o que escrevi para figurar neste grande livro, cumpro alegremente uma tarefa junto a vós, desejando eu próprio conduzir-vos algum dia em visita àquelas paragens grandiosas da Índia em que muito aprendi e ensinei. Bastará para isso que, uma vez no Alto, manifesteis pela mente telepática o desejo de falar com quem se assina
LAHIRI MAHASAYA

Not. biogr. Lahiri Mahasaya Um dos maiores instrutores que viveram na Índia. Nasceu em Benares no século XVIII. Um laço espiritual multimilenar entre ele e Babaji, só comparável ao existente entre os Espíritos de Jesus e João Batista, fez que Lahiri tosse identificado em Benares por Babaji desde os primeiros anos, não mais o perdendo de vista. Lahiri crescia e iniciava-se no trabalho como empregado de uma firma inglesa, quando esta recebeu de Londres uma ordem para que enviassem um funcionário a Ranikhet, uma povoação próxima aos Himalayas, onde os ingleses mantinham um posto de serviço. Lahiri foi o indicado . No primeiro fim de semana o jovem Lahiri, que muito já ouvira falar sobre a Montanha Sagrada, empreendeu pequena excursão montanha acima, a fim de satisfazer a sua curiosidade. Descansava então a uma sombra acolhedora quando ouviu chamarem-no de mais alto pelo nome, o que lhe causou grande surpresa, mas atendeu ao chamado. Alcançou uma clareira onde um homem de meia idade o abraçou com afeto, falando-lhe da amizade multimilenar que os unia. Aquele homem de meia idade era Babaji. Para sua melhor compreensão e recordação, Babaji transportou Lahiri a existências passadas vividas naquela montanha, onde conservava religiosamente vários objetos que foram seus. Lahiri Mahasaya assim transportado ao passado, tudo recordou . Assistiu então a um fato curioso.

Como tivesse manifestado em tempos idos a curiosidade de conhecer um palácio de ouro, seu antigo instrutor Babaji fez materializar-se ali um belo palácio de ouro que Lahiri percorreu em sua antiga personalidade, sentindo-se verdadeiramente encantado. Isto aparentemente durou horas, mas na realidade transcorreram oito dias - Transportado Lahiri novamente à realidade, despediu-se de seu antigo guru, desceu a Montanha Sagrada e apresentou-se no escritório, aonde já havia sido dado por morto ou desaparecido.

Retornando a Benares, Lahiri, embora desconhecido da sociedade, sentia que um renascimento espiritual começava a fluir na parte da cidade em que vivia, cujo centro era a sua pessoa. Vivendo a vida tranqüila do homem ideal, sentia-se verdadeiramente feliz com a sua glória. O chefe do escritório foi um dos primeiros a notar a mudança transcendental que se operara no seu empregado, a quem passara a chamar com carinho “extático Babu”.
Lahiri ao ver o chefe muito abatido uma manhã, perguntou-lhe a causa, tendo o mesmo respondido que estava muito triste por estar a esposa gravemente doente em Londres e ele tomado de grande ansiedade.
Eu lhe trarei dentro em pouco algum recado dela disse Lahiri, deixando a sala e sentando-se por algum tempo a sós num compartimento isolado. No seu regresso sorriu para o chefe dizendo-lhe:
Sua esposa está melhorando, está neste momento escrevendo-lhe uma carta. E citou algumas frases da carta.
O chefe satisfeito com a notícia, disse-lhe que só acreditava nela por notar nele “um Senhor Extático”. Por fim chegou a carta anunciada. O chefe do escritório ficou deveras surpreendido ao ver na carta as frases exatas que Lahiri lhe havia antecipado.

A esposa chegou da Inglaterra alguns meses mais tarde. Visitou o escritório onde estava tranqüilamente sentado à sua mesa Lahiri Mahasaya. A Senhora aproximou-se dele reverentemente e lhe disse:
Senhor! Era a sua forma, nimbada com um halo de luz gloriosa, a que eu contemplei há poucos meses ao lado da minha cama de enferma em Londres! Naquele instante fui imediatamente curada. Pouco tempo depois encontrei-me em condições de fazer esta grande viagem à Índia por mar!
A grande missão de Lahiri Mahasaya na Índia foi a de promover o ressurgimento da Kriya Yoga, cujo ensino se encontrava ali quase esquecido. Além dos seus deveres espirituais assim como os da família, o grande guru dedicou um interesse especial ao problema educativo, organizando grupos de estudo e desempenhando um importante papel no desenvolvimento de uma grande escola de cursos secundários em Bengalitola, um bairro importante da cidade de Benares, onde pregava diariamente sobre tópicos das Escrituras.
Conta-se como um fato significativo na vida de Lahiri Mahasaya, proporcionar a iniciação da Kriya Yoga a pessoas de todas as religiões, sem se limitar unicamente aos hindus, porque tanto muçulmanos como cristãos eram seus discípulos destacados. Monistas e dualistas, assim como outras seitas não organizadas ou reconhecidas, todas eram igualmente instruídas pelo grande guru universal. Eis um dos conselhos desse grande instrutor hindu aos seus discípulos:
“Recordai sempre que não pertenceis a ninguém, e que ninguém vos pertence. Meditai em que algum dia, inesperadamente, tereis que deixar tudo o que é deste mundo; assim, estabelecei desde agora vosso contato com Deus.”
Dizia-lhes ainda em sua pregação:
“Resolvei vossos problemas através de meditação. Trocai as especulações religiosas, sem nenhum proveito, pelo contato real e verdadeiro com Deus. Harmonizai-vos vós mesmos com a vossa Luz interna; a Voz Divina tem resposta para cada dilema da vida. Mesmo quando a ingenuidade do homem para manter-se em toda classe de dificuldades parece sem fim, o Auxiliador Infinito possui todos os recursos."
Entre os muitos santos que receberam a Kriya Yoga das mãos de Lahiri Mahasaya, é de citar-se o ilustre Swami Vhaskarananda Saraswati, de Benares, e Deogarh, o ascético de grande estatura, Balananda Brahmachari. Durante algum tempo, Lahiri Mahasaya foi tutor privado do filho do Maharajá Narayan Sinha Bahdur, de Benares. Reconhecendo tanto o Maharajá como seu filho a alta espiritualidade do Mestre, ambos buscaram a iniciação em Kriya como o havia feito o Maharajá Jotindra Hohan Thakur.
Eis alguns dos títulos concedidos a Lahiri Mahasaya por seus discípulos: Yoginar (o maior dos yogis), Yogiraj (o rei dos yogis), e Munibar (o maior dos santos); aos quais o Paramahansa Yogananda, de cuja autobiografia, d.v., foram colhidas estas notas, acrescentou o de Yogavatar (encarnação de Yoga).

XLIX - NOVO PLANO DE VIDA ESPIRITUAL - Livro: Vida Nova. Ditado por diversos espíritos – Psicografia de Diamantino Coelho Fernandes.





Os nossos estimados irmãos encarnados estão sendo alvo de atenções e cuidados por parte das Forças Superiores, como nenhuma outra humanidade já o fora em todos os tempos. As encarnações e reencarnações na Terra sempre se sucederam desde a criação do homem, ou melhor, desde que o planeta ofereceu condições de vida à espécie humana. Então aqui encarnavam e desencarnavam Espíritos em grau de aprendizado, vivendo suas vidas ao bel-prazer pautando-as segundo a vontade e possibilidade de cada um.

Regressando ao plano espiritual uma vez encerrada mais uma passagem pela Terra em corpo de carne, nenhuma outra exigência lhes era feita além do exame de consciência destinado a separar dos bons os atos maus ou menos bons que houvessem praticado na Terra. E isto para que as Forças Superiores pudessem transformar em luz os atos bons porventura praticados e preparar-lhes a recuperação dos maus em próxima existência terrena, sempre desejada por quantos se habituaram a expandir no plano físico suas maldades recalcadas em vidas anteriores, mas também por quantos sinceramente desejavam progredir espiritualmente. E tantos o foram nesta última classe, que os planos espirituais se regozijam já neste começo do terceiro milênio da era cristã com a permanência de um número incontável de Espíritos de Deus que atingiram o grau evolutivo mais elevado que a vivência terrena pode proporcionar.

Atingiu porém a Terra a um estágio evolutivo que necessita de operar certas transformações em sua estrutura física, que possam permitir a reencarnação duma humanidade bastante mais evoluída que a atual, em harmonia com a própria estrutura terrena. E para abrigar uma humanidade assim, necessária se torna a implantação de determinadas condições atualmente inexistentes, desde o tipo de alimentação à rarefação do ar a ser respirado pelos organismos físicos dos seres humanos a partir deste terceiro milênio.

Em tais circunstâncias, e segundo já fostes informados em capítulos anteriores, todos os viventes da atualidade na Terra estão sendo convidados a se prepararem para a viagem de regresso ao seu plano de origem, o que poderá suceder de maneira normal ou habitual, isto é, ao fim de alguma doença como sempre aconteceu, ou, o que é muito provável, de um momento para outro, inesperadamente, sem tempo suficiente para uma preparação normal como ocorre nos casos de enfermidade. Para tais circunstâncias que podem ocorrer a qualquer momento, foi que Nosso Divino Mestre Jesus determinou a vinda ao solo terreno de um grande número de emissários com o objetivo de dizer a todos os encarnados que despertem da letargia em que vivem mergulhados no mundo de interesses materiais, e se voltem sem tardança para o Alto, para Deus e Jesus, mas que o façam urgentemente, sinceramente, enquanto tiverem tempo de o fazer.

Isto que escrevo neste momento já ficou dito e repetido por outros emissários do Senhor em capítulos anteriores, e de várias maneiras mas com o mesmo objetivo. Estamos acompanhando do Alto as reações de muitas mentes humanas aos conselhos divulgados nos dois belos livros ditados pelo bom Irmão Thomé, e temos constatado com alegria que seus conselhos foram somente lançada em boa terra e na época própria, pois que uma sensível mudança já se operou em apreciável número de irmãos encarnados que aceitaram e vêm praticando quanto lhes ensinou o Irmão Thomé, o desbravador desse terreno.

Convidado que fui também pelo Senhor Jesus, a quem devotei meu coração de maneira total em minha última existência na carne, venho juntar minha palavra descolorida, é certo, porém animada de toda a minha fé na bondade imensurável da misericórdia do Senhor, para vos dizer por minha vez que a vida que viveis neste plano físico, pode bem ser comparada à dos calcetas que cumprem punições nas piores regiões do vosso mundo, em face da vida espiritual que aguarda no Alto a quantos souberem dividir o tempo de sua permanência na Terra entre o trabalho e a oração.

Uma circunstância a mais contribui para a deliberação tomada há vários séculos pelas Forças Superiores incumbidas de dirigir a vida dos Espíritos encarnados no solo terreno. É a quantidade enorme de religiões criadas pelos homens na melhor das intenções como caminhos abertos ao progresso moral dos encarnados, mas que, infelizmente não conseguiram até agora preencher a lacuna existente, seja por que motivo for. A grande verdade é que os homens se entregam profundamente à cadeia enorme de interesses materiais que passaram a constituir para eles o único objetivo de sua existência. A filantropia praticada pelas classes abastadas ainda poderia constituir um álibi para elas, se pusessem em sua prática um desejo sincero de ajudar o próximo. A que existe e quando existe serve mais a objetivos políticos do que ao amor do próximo, visto como a ostentação e a publicidade a acompanham em suas manifestações. Bem se poderá dizer em tais casos que não houve filantropia nenhuma mas apenas uma manifestação da riqueza e nada mais.

Isto posto, eu vos direi com todas as forças do meu Espírito que um grande e novo caminho se abre neste momento a todos vós, Espíritos encarnados da hora presente, que é este que encontrareis sob os vossos olhos nas páginas deste livro, o qual, conforme se diz no título, conduzir-vos-á a uma forma de viver que nem sequer podeis imaginar. Expresso-me desta maneira e o faço com propriedade, porque o plano de vida que está sendo preparado no Alto para vos receber, cada um a seu tempo, é inteiramente novo para todos, e não aquele que deixastes no Alto ao partirdes para a presente encarnação. Trata-se de um plano de vida destinado à vivência de Entidades possuidoras de determinado grau evolutivo, no qual podem e devem prosseguir no seu aprimoramento espiritual e científico. Os habitantes deste novo plano, em sua quase totalidade, atingiram aquele grau de aprimoramento após uma permanência mais ou menos longa nesse estágio, e estão sendo transferidos a outro mais elevado a que já fizeram jus. Deseja então Nosso Divino Mestre e Senhor Jesus de Nazareth, instalar em tão bela morada os Espíritos atualmente encarnados na Terra, na medida em que forem encerrando suas encarnações. Foi verificado, entretanto, que apenas uma minoria de vós se encontra em condições de ser promovida àquele plano de vida espiritual, que é constituído pelos irmãos que já se habituaram à oração e à meditação diárias, e as praticam com verdadeira devoção. Esses contam ou podem contar com sua promoção. O desejo, porém, do Senhor Jesus, é poder conduzir àquele plano de vida um número muito maior de seus guiados terrenos, e não apenas a minoria deles. Daí uma das razões da nossa vinda ao vosso meio para grafar estas coisas em letra de forma para que possais lê-las e relê-las muitas vezes e vos decidirdes a seguir o caminho que elas vos ensinam. E por que não? — pergunto-vos eu. Quero expressar-vos a minha convicção de que todos vós que tivestes a idéia e também o interesse de adquirirdes este livro, seja por havê-lo visto numa visita feita à livraria, ou seja em face da recomendação de algum amigo vosso, o fato é que essa decisão já vos identifica como pessoas possuidoras daquele anseio de aprimoramento que leva os homens a ler e estudar quanto se afine com os seus íntimos desejos de progresso espiritual, dado que todos somos unicamente Espíritos com esse objetivo. Assim pois, a circunstância de terdes adquirido este volume já se traduz pelo amadurecimento do vosso desejo de ingressar na ordem de conhecimentos que preponderou na vossa vinda mais uma vez à Terra em busca de luz e progresso para o vosso belo Espírito. Concluo então, que tantos sejam os meus irmãos encarnados leitores destes conselhos, como tantos serão os Espíritos com promoção assegurada ao plano onde a felicidade e o bem-estar constituem a sua constante. O meu desejo seria, então, e o do Senhor Jesus também o é, de que em todos os lares da Terra fossem lidos, pelo menos estes três grandes livros: este que tendes em mãos e os dois ditados antes pelo nosso querido Thomé, um dos mais dedicados servidores do Senhor Jesus. Desta maneira eu acredito que estaria assegurada a promoção de toda a população da Terra àquele mundo de felicidade, capaz de abrigar umas duas vezes o número de almas viventes atualmente na Terra. Para que tal coisa se torne em realidade, será suficiente que você meu querido irmão leitor, nos ajude nesta tarefa, comunicando o que deste livro consta aos seus familiares e amigos, os quais, fazendo o mesmo por sua vez, levarão esta boa nova a todos os lares terrenos.

Eu adivinho a observação que se desenha em sua mente, querido irmão leitor, achando que muitos lares hão de existir cujos habitantes, seguidores desta ou daquela seita religiosa, se oporão a seguir este caminho. Eu esclarecerei a todos os leitores, que tal recusa não terá lugar por um motivo muito poderoso e invencível que é este: as palavras que deste livro constam, assim como aquelas ditadas pelo apóstolo Thomé, estão totalmente impregnadas da misericórdia do Senhor, e por isso serão aceitas por todos com boa vontade. As condições que em breve se positivarão na Terra em virtude dos trabalhos transformatórios, devem despertar em todos os Espíritos encarnados um desejo ardente, talvez mesmo aflitivo e urgente de algo que seja também um bálsamo não encontrado alhures, e estes livros estarão para todos os seres humanos como esse desejado bálsamo consolador. Melhor será então, um milhão de vezes melhor, estar cada ser humano na posse antecipada do desejado bálsamo em vez de o procurar já em estado de aflição.

Possam as minhas palavras penetrar e ficar morando em vossos corações de bons filhos de Deus, e aí se transformarem em luzes para os vossos belos Espíritos. Eu não vos disse provavelmente nada que já não tenha sido dito nas páginas anteriores por Entidades de grande luminosidade. A repetição das aulas, como sabeis, é que contribui para a melhor compreensão dos alunos, sobretudo quando a repetição se faz por palavras e imagens diferentes. Foi o que procurei fazer neste capítulo que o Senhor me confiou, e muito feliz me sentirei se tiver contribuído por minha vez para reforçar o vosso sincero desejo de ascenderdes em breve ao plano de grande luminosidade, onde de certo nos encontraremos para celebrar em definitivo a nossa amizade espiritual.

Contando desde agora com esse desejado momento, vou regressar às minhas ocupações junto ao Divino Mestre e Senhor Jesus, onde podereis contar a partir de hoje com este dedicado irmão e amigo às ordens
J. M. DA SILVA PARANHOS JR
Barão do Rio Branco

Not. biogr. José Maria da Silva Paranhos Júnior — 1845-1912 — Barão do Rio Branco. Ilustre diplomata e estadista brasileiro. Filho do visconde do Rio Branco, José Maria da Silva Paranhos, eminente estadista do império. Diplomado pela Faculdade de Direito do Recife, onde concluiu o curso jurídico iniciado em São Paulo. Foi deputado geral pelo Estado de Mato Grosso (1871-1875); cônsul do Brasil em Liverpool, onde aprofundou estudos sobre a história e a geografia do Brasil; em 1884 foi nomeado comissário do governo imperial em Petrogrado à Exposição Internacional realizada na capital moscovita. Por falecimento do barão Aguiar de Andrade, Rio Branco foi nomeado chefe da missão especial encarregada de defender os direitos do Brasil na questão de limites com a República Argentina, submetida à arbitragem do presidente Cleveland, dos Estados Unidos. Rio Branco produziu uma notável “Memória Brasileira” durante oito meses de grande trabalho, fazendo-a acompanhar de valiosa documentação, cartas geográficas, demonstrações e argumentos irrespondíveis, que influíram de tal maneira no espírito do presidente Cleveland, que este deu ganho de causa ao Brasil em 5 de novembro de 1895, em virtude da qual ficaram definitivamente incorporados ao Brasil 30.622 quilômetros quadrados de território litigioso. Esta vitória do Brasil foi considerada uma autêntica vitória do barão do Rio Branco.

Outra questão de limites surgiu logo após no Oyapock, na fronteira com a Guyana Francesa, a propósito do território contestado do Amapá. Submetida esta questão à arbitragem do presidente da Suiça, foi também decidida a favor do Brasil, graças aos estudos e farta documentação apresentados pelo barão do Rio Branco, comissário do Brasil, anexando ao território brasileiro os 260.000 quilômetros quadrados de território que haviam estado em litígio. Esta grande vitória de Rio Branco foi celebrada com enorme entusiasmo em todo o país. O Congresso Nacional declarou-o benemérito e votou uma pensão anual para ele e seus filhos - Nomeado a seguir ministro do Brasil em Berlim, foi convidado em 1902 pelo presidente Rodrigues Alves a assumir a pasta das Relações Exteriores do Brasil, onde ficaria até à morte, em 1912.

A atuação do barão do Rio Branco à frente do Itamaraty foi altamente benéfica para o Brasil. Em novembro de 1903 surgiu grande agitação no Acre entre bolivianos e brasileiros - Rio Branco interveio com grande habilidade e tino diplomático, conseguindo da Bolívia mediante compensações territoriais e dois milhões de esterlinos, tornar território brasileiro os 200.000 quilômetros quadrados que formavam o território do Acre. Sua popularidade ultrapassou as fronteiras do Brasil, tendo cooperado ainda, decisivamente, para a solução amigável de outros litígios entre países vizinhos, notadamente Peru e Uruguai e entre este país e o Brasil.

O barão do Rio Branco foi também um grande jornalista em toda a sua vida O “Jornal do Commercio” do Rio de Janeiro possui em seu arquivo inúmeros artigos seus, ora em forma de “várias” redigidas no Itamaraty com repercussão na política sul-americana, ora em artigos assinados com pseudônimo, sempre para repor nos devidos termos assuntos relacionados com a política exterior do Brasil. Raro era o dia em que a figura imponente do Grande Chanceler não comparecia à redação daquele órgão da imprensa para uma agradável palestra e também para entregar a sua colaboração.
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São do ex-diretor do “Jornal do Commercio”, Dr. Elmano Cardim, as seguintes palavras sobre a morte de Rio Branco: “Foi numa manhã inesquecível, a 10 de fevereiro de 1912, quando a cidade ia começar o trabalho, que a notícia da desgraça se espalhou. Morrera o grande homem. Ou mais simplesmente: morrera o Barão. Desconhecidos, ao se cruzarem na rua, paravam e abraçavam-se. Muitos não venciam a emoção e ficavam com os olhos marejados de lágrimas. A romaria triste levou até ele a população que se habituara a vê-lo passar de carro aberto, com seu grande chapéu Chile e sua seriedade sem artifício.”

XLVIII - O INTERESSE PRIMORDIAL – Livro: Vida Nova. Ditado por diversos espíritos – Psicografia de Diamantino Coelho Fernandes.





Aqueles dos Espíritos presentemente encarnados na face da Terra que decidirem atender ao chamamento que lhes é dirigido pelos mensageiros de Jesus de Nazareth, no sentido de se prepararem para o dia de amanhã, estarão dando provas de haverem cumprido da melhor maneira sua presente encarnação. Já foi dito em páginas anteriores que de um modo geral todos os homens e mulheres do presente são Espíritos vividos e provados em múltiplas encarnações neste mesmo plano terreno, e portanto já possuidores de um maior ou menor grau evolutivo. Foram por isso escolhidos para viver na Terra na fase atual, embora um grande número tenha iniciado sua atual peregrinação no penúltimo quartel do século passado. Deseja então o Senhor Jesus poder recebê-los de volta ao Espaço dentro em pouco em condições de poder promovê-los a mais elevado plano de vida espiritual, conforme também ficou devidamente explicado na fala de outro mensageiro que me precedeu. Esta promoção, que depende muito mais dos Espíritos encarnados do que da vontade de Nosso Senhor Jesus, é o motivo principal desta Grande Cruzada de Esclarecimento que está sendo difundida de várias maneiras por toda a superfície terrena.

Minha presença neste momento no meio terreno, onde tive a imensa alegria de viver diversas encarnações a serviço do Senhor Jesus, sendo a última no Brasil, este grande e belo país que ficou para sempre gravado em meu coração, é também no sentido de dirigir minha palavra de fé a todos os leitores deste livro, sejam eles nascidos neste grande território iluminado noite e dia pela incidência do Cruzeiro do Sul, como aos filhos de todos os demais países do globo terrestre, dizendo a todos que o destino dos homens e mulheres da Terra é um só e único para todos, qualquer que seja a posição social de cada um no momento presente. O destino de todas as humanidades, tanto das que aqui viveram como da que ainda vive na Terra assim como o daquelas que evoluem em mundos mais e menos adiantados do que este, é igual em seus objetivos multimilenares, pois que consiste no aprimoramento constante de cada partícula dessas humanidades em todos os sentidos, moral e científico, aproximando-se passo a passo da desejada perfeição.

Os mundos que se movimentam no espaço cósmico, tão distantes entre si que mal podem ser enxergados pelos habitantes uns dos outros, abrigam todos eles o seu tipo de seres viventes, ou sejam Entidades espirituais selecionadas segundo a sua categoria e o estado evolutivo de cada mundo em que vão habitar, assim como procedeis em vosso minúsculo planeta com as crianças e os jovens na escolha das escolas em que devem matricular-se. Sendo as encarnações o meio dos Espíritos adquirirem novos e maiores conhecimentos da vida espiritual, elas se repetem tantas vezes quantas forem necessárias em cada mundo, para que os seus habitantes completem os conhecimentos e experiências que neles possam incorporar ao seu patrimônio espiritual.

Nós observamos do Alto a enorme preocupação a dominar os Espíritos encarnados na Terra desde os mais verdes anos, que é a de se tornarem ricos e poderosos mediante a aquisição e posse de bens terrenos, com o abandono daquela que os trouxe a Terra, não apenas nesta mas em todas as suas estadas anteriores. Com a preocupação de enriquecimento, da posse da fortuna terrena, a quase totalidade dos nossos queridos irmãos que lograram ver deferida pelo Senhor Jesus uma nova encarnação, se olvidam por completo do grande objetivo que antes formularam, que era e é alcançarem novas e mais portentosas luzes para enriquecimento do seu belo diadema espiritual. Mas Nosso Senhor compreende bem o fenômeno como peculiar à vida terrena, somente possível mediante a formação do corpo de carne para vivência do Espírito, sem o qual lhe não seria possível manter-se na Terra por tanto tempo. Nosso Senhor sabe perfeitamente disso, mas deseja a partir de agora mais do que no passado, que os homens e mulheres se desprendam um pouco mais dos interesses terrenos, perecíveis, para voltarem seus pensamentos para as coisas do Alto, peculiares ao plano dos Espíritos, ao qual terão de regressar a qualquer momento. Deseja o Senhor Jesus despertar nos seres humanos do presente, o conjunto de células espirituais que existem em todos os organismos humanos, a fim de se voltarem sem mais perda de tempo para o verdadeiro objetivo dos Espíritos encarnados, que é o de se interessarem a fundo pelo seu progresso espiritual, tal como no Alto o conceberam ao se prepararem para descer a Terra.

O interesse de cada um de vós, meus amados leitores, o interesse que eu designarei de primordial em todas as vossas existências de seres encarnados, é um e único através dos milênios: ascensão na escala espiritual. Eu não direi que estejais errados em vossa concepção de seres humanos, nem tampouco que vos encontrareis atrasados em vossa evolução. Não, meus amados irmãos leitores; neste particular as leis espirituais são bastante elásticas para permitir a existência de certa graduação na escala evolutiva de cada ser humano ou espiritual. Direi mesmo que todos vos encontrais na posição justa, correspondente ao máximo que pode cada um de vós adquirir ao longo das existências percorridas. É bem verdade que alguns companheiros de outras eras, que foram vossos condiscípulos durante séculos nesta grande escola terrena, já passaram a outros mundos, a outros planos de vida, mercê da determinação tomada em certa fase de sua última passagem pela Terra, conseguindo galgar de uma só vez os degraus que lhes faltavam, iluminando em conseqüência seus belos Espíritos.

É oportuno, porém, que tomeis conhecimento da situação em que já vos encontrais na Terra como Espíritos de Deus em busca de luzes e experiência, para que possais imprimir desde agora, desde o momento em que estas linhas vos caírem sob os olhos, o impulso definitivo ao vosso progresso moral e espiritual. Esse impulso está por assim dizer completamente definido através das páginas deste livro, não sendo necessário rememorá-lo aqui. Contudo, sempre vos direi algo a respeito. Sempre vos direi que a melhor maneira de imprimirdes uma diretriz realmente proveitosa à vossa encarnação atual, será firmardes em vossa mente o princípio de que sois presentemente na Terra nada mais do que um viajante desembarcado numa pequena ou grande cidade para tratar de interesses ocasionais. O viajante ali desembarcado dispõe-se a cuidar do assunto que tem em vista, e por isso se movimenta, repousa e se levanta com a preocupação de bem realizar os objetivos determinantes de sua viagem, sem, no entanto, se esquecer de sua morada em outra cidade desse ou de outro pais, à qual regressará tão logo haja concluído os seus negócios. Sabeis todos vós que a imagem é verdadeira, uns de experiência própria e outros pela sua dedução. Sabereis então que o viajante não esquece um instante sequer a sua procedência, a sua cidade na qual deixou outros interesses, sua família terrena, parentes amigos e conhecidos, mantendo viva a idéia de que voltará a eles tão logo termine a tarefa que o levou até onde se encontra. Pois, meus amados irmãos leitores, em vossa presente encarnação verifica-se uma situação que eu direi perfeitamente idêntica. Todos vós que vos encontrais na Terra podeis considerar-vos, antes de tudo, viajantes a serviço de interesses grandiosos porque da máxima importância para vós. Como viajantes procedentes de outro plano de vida, todos vós deixastes no local de procedência um lar estabelecido há milênios por vós mesmos, onde vos esperam alegremente de regresso não poucos parentes bastante caros ao coração, entre eles alguns que foram vossos pais, filhos ou irmãos ao longo da vossa existência milenar, e que, embora não recebam correspondência vossa como sucede com a família dos viajantes terrenos, com eles vos correspondeis espiritualmente, muito mais do que podereis supor. Durante o sono do vosso corpo vossos Espíritos se afastam em virtude das leis espirituais e se dirigem aonde desejem e lhes seja possível, encontrando-se então com aqueles entes queridos que permanecem no Alto, os quais acompanham de lá aos que na Terra se encontram e oram fervorosamente por vós.

Se, por conseguinte, nada mais sois que autênticos viajantes pela superfície terrena a tratar dos vossos interesses espirituais, deveis firmar nisto todos os vossos pensamentos construtivos, a fim de poderdes melhor aproveitar a presente viagem. Meditai então, queridos irmãos, sobre os objetivos que possam haver determinado o pedido que fervorosamente fizestes todos vós a Nosso Senhor Jesus, de nova existência terrena, a fim de apurardes algo que muito vos interessa no Alto. Esse interesse não pode ter sido em absoluto a construção na Terra de uma grande fortuna de bens materiais, porque da mesma nada ou muito pouco resultaria de útil para os vossos Espíritos. Podereis ter apresentado, provavelmente, a Nosso Senhor, planos de construção na Terra, de uma grande ou pequena indústria destinada a dar trabalho remunerado a muitos outros irmãos encarnados, prometendo ao Senhor remunerá-los de maneira justa, equitativa. Podereis ter apresentado a Nosso Senhor, planos de construção abundante na Terra de escolas destinadas a outros irmãos a encarnarem posteriormente, reconhecendo insuficientes as então existentes, e para que nelas se abrissem ao conhecimento as mentes de quantas crianças tivessem ensejo de as frequentar. Este é em verdade, um dos mais valiosos planos que podem ser elaborados por Espíritos desejosos de baixar à Terra, sempre aprovados e ajudados do Alto pelo Senhor. Podereis, enfim, ter apresentado a Nosso Senhor Jesus, um plano longamente arquitetado no Alto, visando à maior felicidade e bem-estar de uma nação, se as circunstâncias vos elevarem à sua direção. Um plano desta natureza é sempre recebido pelo Senhor com grande alegria, meus queridos irmãos. Tem acontecido porém, vezes inúmeras, infelizmente, que o planejador, uma vez autorizado a reencarnar e conduzido pelas Forças Superiores à chefia duma nação, ou esquece a promessa feita ao Senhor de promover a felicidade e o bem-estar dos seus governados, ou sobrepõe a essa promessa a sua própria felicidade e bem-estar terrenos, só muito mais tarde, por ocasião do seu regresso ao mundo espiritual, se inteirando de sua falência na Terra. Em casos desta espécie, que não são poucos infelizmente, o Espírito que houver falhado no cumprimento de sua promessa, ao regressar à sua morada no Alto é conduzido à presença do Senhor Jesus para testemunhar em Sua presença o que efetivamente realizou do quanto prometera realizar. Depois... tais sejam as contradições existentes entre a promessa e a realidade, alguns séculos ou milênios podem decorrer antes que essa Entidade venha a conseguir uma nova encarnação, mas jamais na situação de governante.

Este Espírito que vos fala no presente capítulo, teve a felicidade rara de receber de Nosso Senhor a aprovação total de atos praticados quando ocasionalmente se encontrou à frente da direção deste grande e belo país, atos estes que me dispenso de citar por serem todos do vosso conhecimento. Nascendo em terra brasileira como filha de um santo que foi o vosso grande e inolvidável imperador, e dele recebendo os mais belos ensinamentos cívicos e religiosos, coube-me a fortuna de o substituir no governo ocasionalmente, tendo praticado então o mais belo ato de toda a minha vida a 13 de maio de 1888, o qual ainda hoje recordo com grande emoção. Libertar do cativeiro uma geração inteira de irmãos nossos, porque filhos de Deus como nós, foi um ato que justificou e me compensou toda a minha existência, meus queridos irmãos leitores. Vós todos encontrareis oportunidades de praticar atos capazes de receberem também de Nosso Senhor sua divina aprovação. Aproveitai então essas oportunidades antes que elas vos fujam, e enriquecei vossa aura espiritual com seus reflexos, e vereis a seu tempo quão acertados andastes em os praticar.

Minha tarefa está finda com a exortação que vim trazer-vos por determinação do Nosso Divino Mestre e Senhor. Aqui me despeço desejando que cada um de vós possa libertar-se a si mesmo do seu cativeiro de maus pensamentos se for o caso, e marchar resolutamente na direção do Senhor e receber também o seu justo prêmio por isso. Atenderei a cada um em Espírito, no Alto, se de mim necessitardes, e me subscrevo afetuosamente aquela que foi
PRINCESA ISABEL

Not. biogr. Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gonzaga de Bragança — 1846-1921 — Princesa Imperial do Brasil. Filha do imperador D. Pedro II e da imperatriz  Teresa Cristina de Bourbon, nasceu no Rio de Janeiro em 29 de julho de 1846. Consorciou-se com o conde d’Eu, Luiz Philipe Gastão de Orléans, de cujo enlace nasceram três filhos: D. Pedro de Alcântara Luiz Philipe, príncipe do Grão Pará (1875), D. Luiz Maria Philipe (1878), e D. Antônio Gastão Francisco Luiz (1881).
No dia 25 de maio de 1871, a princesa Isabel, então na regência do império, na ausência de D. Pedro II, em viagem pela Europa, sancionou a lei que declarava livres os filhos de mulheres escravas, que o povo apelidou Lei do Ventre Livre. Regente pela segunda vez em 1875 e pela terceira vez em 1887, a princesa Isabel promulgou a 13 de maio de 1888 a chamada Lei Áurea, que aboliu para sempre a escravidão no Brasil. A 17 de novembro de 1889, com a proclamação da República, a princesa Isabel embarcava com toda a família imperial brasileira para a Europa, onde desencarnou em 1921.
Notas sobre seus descendentes No exílio o primogênito renunciou à sucessão, de acordo com a Constituição do império, revogada pela República. Com a morte de D. Luiz em 1920, esse pretenso direito teria sido transferido a seu filho mais velho, D. Pedro Henrique, nascido em 1909. Do casamento de D. Pedro de Orléans e Bragança com a condessa Dobrzensky de Dobrzenicz em 1908, nasceram os filhos: D. Isabel em 1911, D. Pedro Gastão em 1913. D. Maria Francisca em 1914, D. João em 1916, e D. Teresa em 1919.