Passa já da hora o vosso despertar espiritual . . . Saiba que a tua verdadeira pátria é no mundo espiritual . . . Teu objetivo aqui é adquirir luzes e bênçãos para que possas iluminar teus caminhos quando deixares esta dimensão, ascender e não ficar em trevas neste mundo de ilusão . . .   Muita Paz Saúde Luz e Amor . . . meu irmão . . . minha irmã

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

CAPÍTULO XXVI - Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. A Terra em novo ciclo evolutivo. — Nossa grande preocupação é o vosso encaminhamento seguro. — A montanha desmoronada e as pedras preciosas. — Vantagens da oração diária. — Uma estatística bastante elucidativa, bem digna da vossa meditação.




A vida das almas que estão descendo ao solo terreno para mais uma existência na carne, deve decorrer-lhes num ambiente bem mais espiritualizado do que o encontrado na Terra pelas almas que estão findando sua presente encarnação. Essa modificação das condições ambientes será a resultante do maior apego dos novos habitantes à oração, procurando viver mais para o Espírito do que propriamente para a matéria.
 
A Terra, por sua vez, entrará  muito brevemente em um novo ciclo evolutivo, em virtude das transformações que se operam também no seu interior, do que resultará uma nova irradiação magnética da sua estrutura envolver os seres que  habitarem a superfície. Este fato poderia ser descrito em termos e dados científicos, para melhor compreensão dos homens de ciência que muitos são em todo mundo, porém isso pouco adiantaria aos demais que constituem a grande maioria da população. Assim abordando o assunto de maneira sucinta como o estou fazendo, eu tenho por objetivo preparar as mentes humanas de todas as categorias para as modificações iniciadas na superfície, que é o que mais vem preocupando as Forças Superiores que as planejaram e dirigem. O mais importante, por conseguinte, de quanto se está realizando no solo terreno, não são propriamente suas eventuais transformações das áreas montanhosas em superfícies planas. Isto virá como objetivos materiais dessas operações em curso, evidentemente. Porém o nosso maior empenho, toda a nossa preocupação em torno das operações que despontam aqui e ali, é o encaminhamento seguro das almas que partirem do solo terreno, na direção que desejamos dar a todas, que é o plano espiritual a que pertenceram. Essa sim, minhas filhas e filhos queridos, é a nossa grande preocupação, e também a do Senhor Jesus, empenhado em que todas as almas sejam recolhidas e carinhosamente conduzidas ao seu plano no mundo espiritual. Foi esse o grande motivo da vinda ao solo terreno de um grande número de emissários do Senhor para dizerem ao coração das almas encarnadas que se apoiem na prece diária como condição imprescindível para serem socorridas no momento preciso. 

Parece-me oportuno dizer algumas palavras a respeito da conveniência que existe para as almas encarnadas se entregarem ao hábito da prece como condição necessária ao seu recolhimento pelas Forças Superiores no momento oportuno. Darei então aqui uma pequena explicação a respeito. Vamos imaginar uma pequena ou grande montanha atingida por um potente tremor de terra, e desabe fragorosamente até se desfazer de si mesma. E imaginemos em seguida que essa montanha possuía em sua estrutura, além dos elementos naturais de sua constituição, numerosas, milhares e milhares de pequenas pedras preciosas facilmente identificáveis pelo brilho de sua luminosidade. Muitos de vós que testemunhastes o desabamento do enorme volume desmoronado, acorrestes às proximidades para ver de perto o espetáculo. Vossa atenção foi então despertada pela multidão de pedrinhas luminosas em meio aos detritos da montanha, os quais vós logo tereis identificado como gemas de grande valor e tratastes de as recolher com a maior naturalidade. Vossos olhos não pararam sequer na contemplação da grande quantidade de outras pedras, grandes e pequenas, cuja falta de luminosidade vos levou a desprezá-las por inúteis, ou de nenhum valor. A vossa curiosidade e o vosso interesse se firmaram apenas nas pedrinhas luminosas, logo identificadas por seu brilho como preciosidades. As demais lá as deixastes e muitas até nem as vistes na sua opacidade, embora no seu conjunto pudessem existir numerosas delas apenas necessitadas de lapidação  ou polimento para poderem ostentar também a sua luminosidade inata.  

A imagem que aí fica poderá dar-vos uma idéia do que certamente ocorrerá nas operações de socorro e recolhimento das almas que vierem a desencarnar em meio às operações transformatórias do solo terreno. As almas afeitas à prática da oração diária serão rapidamente descobertas e identificadas em meio aos destroços provocados por aquelas operações, e assim facilmente recolhidas pelas turmas socorristas. Sabendo-se que o uso da prece diária produz a iluminação das almas, estas se apresentarão rebrilhantes, porque envolvidas em sua própria luminosidade, e serão as primeiras a serem recolhidas: pelas Entidades incumbidas desse serviço. E as demais? — indagareis vós. As demais, isto é, as almas que viverem entregues aos interesses puramente materiais e por isso não encontraram tempo de orar ao Senhor do Mundo, estas terão de ser procuradas de lanterna em punho, porque, não emitindo luminosidade ou a emitindo em grau demasiado débil, tal como aquelas perversas opacas da imagem precedente. Esta categoria de almas assaz numerosas em todo o planeta, vivendo só e só para a colheita de proventos de ordem material, uma parte delas por descrerem da sua própria existência como Espírito, e por isso sujeitas às leis divinas em suas vidas sucessivas, e outra parte pelo propósito de deixar para mais tarde, para a velhice mesmo, a sua preparação espiritual, costumam ser tomadas de surpresa pelos acontecimentos que as atingem. Esta categoria de almas é que irá constituir o número das pedras opacas da montanha desabada, podendo dar-se que algumas delas, por demasiado obscuras, não venham a ser encontradas senão decorrido algum tempo. Claro está, por conseguinte, que tudo aconselha o hábito da prece sincera elevada diariamente ao Senhor Jesus em favor do esclarecimento, proteção e socorro de cada um.  

Falarei em seguida de assunto que eu considero inteiramente novo para vós, envolvendo o interesse de quantos se encontram na Terra. Tratarei aqui do que ocorre nos planos espirituais onde uma respeitável população de almas desencarnadas se acumula, vivendo a vida de felicidade correspondente ao seu merecimento. Ocorreu então bem recentemente num desses planos a necessidade de proceder-se ao levantamento de uma estatística com o objetivo de conhecer-se a posição evolutiva dos habitantes do plano, em relação ao número de encarnações de cada uma das almas viventes nesse plano. Esse trabalho é realizado em todos os planos de tempos em tempos pelas Entidades dirigentes, com o fim de poderem avaliar o esforço desenvolvido pelas almas em suas múltiplas vindas ao plano terreno. Foi esse trabalho então realizado em todas as minúcias, recolhendo-se as respostas das almas viventes aos diversos quesitos formulados, representando verdadeiros testes ao desenvolvimento de cada uma. Recolhidas as respostas, foram estas entregues às Comissões encarregadas de sua análise para as necessárias conclusões. Dos resultados obtidos segundo estas conclusões, desejavam os dirigentes do plano aferir o esforço demonstrado pelas almas ali viventes, durante suas numerosas encarnações no solo terreno. Isto feito, chegou-se então a conclusões bastante curiosas e interessantes acerca da vida, capacidade, e desenvolvimento espiritual daquela população. Verificou-se, por exemplo, que uma notável porcentagem daquelas almas havia registrado um índice de aprimoramento moral estimado em 0,35 — trinta e cinco centésimos na média de suas encarnações no solo terreno. Uma segunda porcentagem de almas, havia conseguido, em número igual de existências terrenas, um índice bastante inferior, exatamente 0,18 — dezoito centésimos de aprimoramento moral, vivendo, como a porcentagem anterior, nos diversos países da Terra, dos menos aos mais desenvolvidos e em suas variadas regiões. Finalmente constatou-se da análise concluída que havia uma terceira porcentagem de almas, e esta bem maior do que qualquer das anteriores, que apenas havia alcançado pouco mais de 0,05 — cinco centésimos de aprimoramento moral em sua já longa existência de almas, e que deixou bastante a desejar, como é fácil de concluir.  

Uma das questões a serem respondidas pelas diversas categorias de almas do plano era sobre a posição econômica alcançada por elas em suas numerosas vidas terrenas, cujas respostas evidenciaram um menor índice de aprimoramento das almas que melhores posições econômicas desfrutaram em suas várias encarnações. Constatou-se desse levantamento estatístico, que as situações de grande prosperidade econômica contribuem muito pouco para o aprimoramento das almas, preocupadas exclusivamente com sua prosperidade, e por isso afastadas dos interesses espirituais. Do mesmo passo se verificou um acentuado progresso moral das almas, alcançado através de encarnações de média prosperidade na Terra, quando estas bastante se preocupam em obter o apoio espiritual para se manterem nessa posição. Esta categoria de almas que atingiu um grau médio de prosperidade terrena, mantém-se em maior contato com as Forças Superiores, temerosas de um possível desmoronamento de seus haveres. Desta maneira elas progridem realmente no seu aprimoramento moral, conforme se acaba de verificar.  

Os dados que eu estou oferecendo à vossa consideração estão ainda incompletos, dada a extensão da pesquisa concluída muito recentemente. Constatou-se, ainda, este fato digno de registro: uma alma que viveu na Terra, por exemplo, dez encarnações entre a classe pobre e média, alcançou nessas duas classes de suas encarnações um índice 0,27 — vinte e sete centésimos de aprimoramento moral, enquanto que ao longo de outras dez encarnações vividas em meio à prosperidade, apenas conseguiu atingir o índice 0,07 — sete centésimos de aprimoramento moral. Tirai vós próprios as vossas conclusões. As almas que percorreram existências nas três classes, pobre, média e rica, demonstraram seu maior índice de aprimoramento moral quando se encontraram na classe pobre, o segundo índice na classe média, e o menor deles quando desfrutaram da maior prosperidade na vida terrena.

Aquela porcentagem de almas que apresentaram o índice 0,35 centésimos viveu dois terços de suas vidas terrenas como integrante da classe pobre, lutando, por conseguinte, no dia-a-dia das suas dificuldades de toda a ordem, orando e trabalhando, trabalhando e orando, e o outro terço, aquele que o seu índice foi menor, viveu-o parte na classe média e parte em meio à prosperidade da classe rica. Daqui se infere que as almas que mais lutam pela vida na Terra são as que mais frequentemente se dirigem ao Senhor Jesus em busca de ajuda para vencerem as suas dificuldades, obtendo então este duplo resultado: recebem a ajuda que suplicam ao Senhor, que nunca falta com o seu auxílio àqueles que lho pedem, e mais luz para o seu Espírito, o que as leva ao maior aprimoramento moral.  

Vede, queridas filhas e filhos meus, como é interessante conhecer-se os resultados das numerosas existências terrenas das almas encarnadas, à luz do progresso que conseguem realizar. E vede, outrossim, que não são as posições em que as almas desfrutam maior prosperidade, aquelas que mais contribuem para o seu progresso espiritual. Absolutamente, meus queridos; nestas posições ocasionais, quantas almas perdem até centésimos de aprimoramento alcançados duramente em situações bastante inferiores. Lede novamente o que aí fica para melhor vos edificardes, e poderdes ajuizar a respeito.   

Deixo-vos aqui a bênção que o Senhor vos envia por meu intermédio, e a minha própria que eu vos ofereço de todo o coração.

CAPÍTULO XXV - Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. Acontecimento verificado na Turquia e suas consequências. — O casamento e a mortalha. — O meio de as almas se reconciliarem. — As almas que partem da Terra continuam a viver. — A finalidade das religiões. — A propósito do Inferno.



Os acontecimentos que já neste momento se estão registrando no subsolo em certas áreas do mundo terreno, provocando desmoronamentos e algumas desencarnações, não vos devem surpreender, uma vez que avisados estais através das mensagens que vos chegaram do mundo espiritual. Trata-se do início da transformação da topografia em várias regiões do planeta, no cumprimento do que foi planejado.

Não deve surpreender, por conseguinte, o que neste momento está sucedendo em países como a velha Turquia¹  onde muito há a fazer no sentido de oferecer ao seu povo valoroso melhores condições de vida. Os bens que vierem a ser atingidos pelos fenômenos telúricos, logo se reconstituirão em melhor forma, sendo isso motivo de atualização do que em verdade envelheceu na tradição. E quanto às almas que tiverem partido em consequência desses fenômenos, todas elas ingressaram  num plano de vida muito mais tranquilo e feliz do que este em que ora viveis. Podeis admitir então, para vossa maior tranquilidade desde agora, que nada acontecerá para o mal de quem quer que seja, porque o que for empreendido por determinação das Forças Superiores do ciclo terreno, só o será para o maior bem e felicidade de todos os seres humanos. Direi a propósito algumas palavras aos parentes das almas que partiram, ou que vierem a partir em virtude dos fenômenos telúricos. Direi em primeiro lugar que tudo estava devidamente previsto desde o momento da reencarnação de cada uma daquelas almas, dentro, por conseguinte, do velho adágio de que o casamento e a mortalha no céu se talham. Isto traduz uma perfeita realidade. Efetivamente, nenhuma alma desce à Terra à mercê dos acontecimentos que possam envolvê-la durante a sua permanência na carne. Cada ser espiritual traz consigo ao encarnar  uma vez mais,  uma espécie de mapa ou roteiro a ser por ele seguido neste plano físico, em seus pontos principais,  ficando  os  detalhes à descrição de cada um, para  que trace ele próprio as linhas pelas quais chegará ao cumprimento do seu programa. Nasce então a alma na Terra não ao acaso num lar qualquer, mas exatamente naquele que lhe houver sido indicado pelas Forças Superiores, após o necessário entendimento com as almas que hão de ser seus progenitores. É este um ponto muito importante para o desenvolvimento espiritual das almas encarnadas, o de ficarem sabendo que não nasce uma alma na Terra sem que aqueles que a recebem tenham sido previamente consultados. Muitos nascimentos ocorrem, inclusive, em  lares cujos pais acertaram no Alto, antes de o deixarem eles próprios, receberem em seu seio estas ou aquelas almas amigas ou não para as encaminharem em sua próxima encarnação. Eu disse almas amigas ou não, e disse bem, em face do que frequentemente sucede. Existem tantas e tantas incompatibilidades surgidas entre as almas que se encontraram na Terra, que é preciso eliminar. E o melhor meio para isso é fazê-las nascerem como filhos daqueles com quem se incompatibilizaram a fim de se reconciliarem. Há mesmo, infelizmente, almas que se inimizaram até à destruição violenta do veículo físico, cujo sentimento de ódio as acompanha em sua desencarnação. E como na lei divina só a harmonia e o amor devem prevalecer, necessário se torna aproximar as almas que se desentenderam em suas vidas terrenas. O meio para isso é então fazer essas almas nascerem no mesmo lar, seja na condição de filhos ou irmãos, a fim de se restabelecerem reciprocamente a simpatia e a cordialidade, esquecendo por completo suas desavenças passadas. Reparai, porém, minhas filhas e filhos queridos, que frequentemente ainda se registram desentendimentos bastante lamentáveis entre pais, filhos e irmãos consanguíneos, numa revivescência de ódios e discórdias antigas.  

Voltando, então, ao assunto deixado para trás, quero dizer-vos que as almas que vierem a desencarnar em consequência dos terremotos que se positivarem na Terra, já desceram ao solo terreno com essa condição e apenas regressadas ao seu plano no Alto imediatamente a confirmarão. As almas que ficarem, essas sim, sentirão mais fortemente a dor da saudade na ausência das que partiram, julgando provavelmente que as terão perdido do seu convívio para sempre. A essas almas que perderam parentes e amizades queridas, eu direi que em verdade não as perderam senão aparentemente, porquanto aquelas que partem continuam a viver uma vida muito mais positiva e real do que na Terra viviam. As almas que desencarnam encontram-se prontamente numa posição que apenas difere da que na Terra existia, pela ausência do organismo físico pesado, grosseiro. Mas sentem-se então tão vivas e atuantes como enquanto no corpo, porque possuidoras agora do seu corpo fluídico, muito mais leve do que o deixado na Terra. Neste corpo fluídico as almas desencarnadas oram pelos que deixaram em seus lares terrenos, assim como pelas almas amigas, visitando periodicamente seus antigos lares e parentes. Estes devem então apoiar-se na prática da prece pelas almas que partiram, como o melhor meio de as favorecerem, certas de as poderem visitar frequentemente durante as horas do sono, embora nem sempre o recordem. À medida em que as leis espirituais forem sendo estudadas pelas almas encarnadas, não só o fenômeno da morte irá perdendo a característica do horror que ainda causa a muita gente, pelo fato de supor que tudo acabou para aqueles que partiram da Terra. A convicção ainda arraigada no coração duma grande maioria de almas viventes na Terra, de que a morte encerrou para sempre a vida das almas que se foram, é devida unicamente à deficiência do ensino religioso apoiado em bases essencialmente materialistas, quando deveria apoiar-se nas realidades da vida espiritual. O ensino ainda disseminado em torno do curto lapso de tempo de uma vida, necessita de ser revisto e adaptado ao que diz respeito à lei das reencarnações sucessivas como meio de todas as almas se aproximarem moral e espiritualmente. Há necessidade de esclarecer as almas encarnadas acerca da sua presente existência, apenas mais uma em seu longo período de aprendizado, para que possam alcançar o máximo de luz e felicidade num outro plano de vida bem diferente deste plano terreno. Isto esclarecido por meio do ensino religioso desde os primeiros anos de vida do ser humano, certo é que muito irá influir na orientação da criança e do jovem, fornecendo-lhes elementos tais de formação moral, que muito hão de contribuir para o seu bom encaminhamento na vida. Ensinando-se às almas encarnadas que elas aqui se encontram com a finalidade de evoluírem espiritualmente através da prática de boas ações e do bom entendimento com todos os seus semelhantes, e ainda, que as grandezas da vida terrena não levam ninguém ao céu, o resultado será, infalivelmente, a criação e desenvolvimento nas almas encarnadas de um caráter moral bastante forte que as impedirá de falirem ao longo de sua presente existência.  

O capítulo das religiões na Terra está a exigir sérias modificações de estrutura, para que elas possam cumprir a sua finalidade. E qual é, então, a finalidade das religiões? — podereis talvez perguntar-me. Eu responderei que a finalidade das religiões criadas e multiplicadas por toda a superfície do globo terrestre não é outra senão a de despertar nas almas encarnadas os verdadeiros sentimentos de sua filiação divina, esquecidos do passado pela sua existência na carne. Sabendo-se que o fato de a alma se encontrar mergulhada numa espessa massa de carne lhe retira completamente a memória espiritual, é necessário então esclarecê-la acerca das leis divinas que regem a vida universal, ministrando-lhe os ensinamentos espirituais que possam ajudá-la a vencer com êxito espiritual sua presente existência terrena. Isto não se consegue apenas ensinando as almas a rezar e a decorar fórmulas que muitas não compreendem e apenas repetem mecanicamente, mas em breve esquecem de todo. Há então necessidade de esclarecer todas as almas desde os seus primeiros anos, que elas são Espíritos em tarefas de aprendizado na Terra, onde já viveram outras existências semelhantes. Ensinar-se-lhes-á então que é necessário verem no semelhante um irmão e não um concorrente, porque na realidade é um Espírito como o seu em busca de progresso espiritual. Dir-se-á às almas desde os seus primeiros anos na Terra, que Nosso Senhor Jesus é o seu grande amigo de todos os momentos, e que ao Senhor devem dirigir-se sempre que necessitem de ajuda espiritual em suas tarefas ou dificuldades. Dir-se-á ainda, como ensinamento religioso, que toda a criatura humana está acompanhada de um ou mais Protetores espirituais que a assistem em todos os momentos para lhe inspirarem boas idéias, e também protegê-la contra certos perigos invisíveis que se encontram disseminados pelos caminhos terrenos. A tarefa dos Protetores espirituais é, entretanto, um pouco mais dilatada. Cumpre-lhes, também, registrar os bons e maus atos das criaturas que protegem, dos quais dependerá o bom ou mau aproveitamento da vida terrena de cada uma. Sabendo disto as almas encarnadas desde tenra idade, elas tratarão de se precaver contra a prática de maus atos para se livrarem também de suas más consequências, esforçando-se em só praticarem atos que possam agradar aos seus Protetores espirituais, dos quais resultará um aumento da sua própria felicidade.  

Outro ponto importante a ser reformado no ensino religioso, por absolutamente inócuo, é a existência do Inferno como destino inapelável das almas faltosas em sua passagem por este mundo. Se esse local podia ser dado como existente pela religião de há dois milênios, e o temor de nele ingressarem teria desviado muitas almas da prática do mal, hoje em dia tal ensinamento não é mais admissível por absolutamente contrário às leis divinas. Sabendo-se que Deus é amor, e que só o amor constrói para o bem, não é admissível que sendo Deus amor em toda a sua onipotência, houvesse criado um lugar de terrível suplício para seus próprios filhos, como seria esse imaginário inferno. Quem é que iria purgar suas faltas no inferno? Quem? Somente as almas faltosas, evidentemente. E quais são essas almas faltosas destinadas ao suplício das labaredas infernais? Somente as almas ignorantes cometem infrações às leis divinas, todos os sabemos. As almas ignorantes, ou seja, as almas ainda pouco experientes, porque pouco vividas, são as almas jovens, recém-vindas de mundos inferiores para continuarem a sua evolução neste plano terreno. Como condenar então essas almas ainda inexperientes à exterminação nas caldeiras do imaginário inferno? Seria destruir seres espirituais como nós, só porque teriam errado em sua vida terrena por ignorância, pelo desconhecimento das leis divinas. Não, meus queridos; nenhuma alma jamais ingressou nesse inferno de chamas criado pela imaginação dos homens. Se é preocupação máxima do Nosso Senhor que nem uma de suas ovelhas se perca, como conciliar tal preocupação do Senhor com o lançamento de algumas dessas ovelhas às chamas da fogueira infernal?  

Não, meus queridos; nada disso existe no plano espiritual onde tudo é amor, amor e somente amor. Há urgência, por conseguinte, em substituir a ameaça do fogo infernal pelo esclarecimento das almas em novas bases que é o ensinamento espiritualista, para que todas se capacitem dos verdadeiros objetivos da vida terrena. No Alto trabalha-se intensamente neste objetivo, procurando-se de todas as formas tocar o coração das direções religiosas da Terra, para que destruam o quanto antes a imagem do inferno, construindo em seu lugar o edifício real, verdadeiro, do espiritualismo; disseminando urgentemente seus ensinamentos no mundo todo.   

Deixo-vos aqui a bênção que o Senhor vos envia por meu intermédio, e a minha  própria que eu vos ofereço de todo o coração.

¹ Este capítulo foi ditado no dia 29 de julho de 1967, quando a Cidade de Ancara fora abalada por um grave terremoto. Nota do Médium.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

CAPÍTULO XXIV - Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. Como vivem no mundo espiritual as Entidades evoluídas. — Em que se ocupam elas? — Existem tarefas as mais variadas a desempenhar. — A preparação das almas que vão reencarnar. — Devem renunciar a toda espécie de violência.





Os fatos programados para acontecer no solo terreno, não obstante a sua magnitude, em face dos efeitos que devem produzir, não devem ser tidos pelos viventes do momento, como desgraça, infelicidade, ou outros sentimentos de tristeza. Absolutamente, queridos meus. O que foi programado para acontecer no mundo terreno, visa, antes de tudo, à maior comodidade e felicidade dos seus habitantes, e jamais o contrário disto. A circunstância de virem a desencarnar, possivelmente, algumas almas em consequência desses fatos, todas elas verificarão a seguir que sua desencarnação terá ocorrido para sua maior felicidade no plano espiritual ao qual ascenderam. Não há, por conseguinte, devo repeti-lo, motivo para apreensões, mormente por parte daqueles que de há muito se prepararam com sua ligação ao coração magnânimo do Senhor. Por isso é que vieram ao meio terreno vários emissários do Senhor a esclarecer as almas encarnadas acerca da necessidade de que todas se entreguem à prática da prece e da meditação antes de se deitarem. Este é o ponto fundamental de todo o trabalho de esclarecimento que vem sendo difundido no meio terreno, onde, infelizmente, ainda se encontram algumas almas inteiramente devotadas aos interesses materiais, e que por isso necessitam deste esclarecimento.  

Isto posto, como assunto fundamental que é em todos os trabalhos de esclarecimento, eu passarei a tratar de outro assunto igualmente interessante e da maior utilidade para todas as minhas filhas e filhos presentemente encarnados. Tratarei então da maneira pela qual todas as Entidades evoluídas vivem no mundo espiritual, objeto certamente desconhecido de quantas almas vivem na Terra, olvidadas de sua memória espiritual. Em que se ocupam, pois, as Entidades evoluídas do mundo espiritual? Eu tentarei elucidar-vos a respeito, dizendo inicialmente que todas elas trabalham bastante tanto ou mais do que se na Terra se encontrassem.  

Existe no Alto uma perfeita organização incumbida de distribuir tarefas às diversas categorias de almas viventes no respectivo plano, de maneira a que todas possam empregar utilmente o seu tempo, alcançando, em consequência, novas e constantes luzes. Incumbe então às Entidades mais evoluídas supervisionar o desempenho das tarefas distribuídas às almas que desejam trabalhar, ajudando-as também, quando necessário, o que sempre acontece. E quais são essas tarefas? — podereis perguntar-me. Eu esclarecerei, em resposta, que existem no mundo espiritual, tarefas as mais variadas à escolha das almas que  desejam desempenhá-las. Há, por exemplo, a tarefa de ensinar as almas menos esclarecidas, as almas ainda bastante jovens, tal como se crianças fossem na Terra, embora já aqui tenham vivido várias encarnações. Trata-se de almas provindas recentemente de mundos inferiores a este, e portanto, portadoras dos hábitos e sentimentos peculiares aos mundos donde vieram. Estas almas são, então, internadas em estabelecimentos de ensino algo semelhantes aos que aqui existem, onde passam a receber ensinamentos que as esclareçam devidamente a respeito dos métodos de vida aos quais estão sujeitas desde que ingressaram  no ciclo de vida terrena. Esta espécie de tarefas é desempenhada principalmente pelas Entidades de maior evolução, cuja luminosidade elas irradiam sobre suas alunas para que melhor possam entender e assimilar os ensinamentos que lhes são ministrados. Como é fácil de compreender, as almas que  ingressam constantemente no ciclo de vida terrena, assim denominado este plano físico e os planos espirituais correspondentes, vêm bastante sobrecarregadas de exterioridades materiais que podem ser comparadas às camadas de carbono que recobrem as diversas preciosidades do vosso mundo, necessitando passar pelo processo de lapidação a fim de poderem ostentar toda a sua luminosidade. O processo de lapidação, porém, das almas recém-vindas de mundos inferiores, só pode ser realizado neste plano físico em contato com os diversos meios de vida peculiares a esta esfera. No Alto, contudo, estas almas são submetidas a uma preparação moral mais ou menos longa, durante a qual recebem ensinamentos que deverão utilizar em suas encarnações no meio terreno. Desejo assinalar, então, que nem todas aquelas almas jovens necessitam de permanecer o mesmo lapso de tempo internadas nos estabelecimentos de ensino. Acontece muito frequentemente verificar-se um tão rápido aproveitamento dos ensinamentos recebidos, que verdadeiramente surpreende, muito agradavelmente, aliás, às Entidades mentoras. Verifica-se então este fato bastante curioso enquanto numerosas daquelas almas se demonstram pouco mais do que impenetráveis aos ensinamentos recebidos, outras almas de sua categoria, recebendo os mesmos ensinamentos, apresentam excelente aproveitamento, sendo então selecionadas para encarnarem na Terra.  

Existe nisto um certo fenômeno que todos apreciamos estudar, que é o seguinte: se todas aquelas almas ingressaram  juntas no ciclo de vida terrena, e juntas viveram milênios no mundo donde provieram, como explicar o fato de algumas delas se demonstrarem possuidoras de faculdades assaz desenvolvidas e rapidamente aprenderam ensinamentos que outras levam séculos para assimilar? O fato tem despertado a observação atenta das Entidades mentoras, tendo sido pesquisado através do estudo das origens daquelas almas. Já se chegou, então, à conclusão de que, mesmo pertencentes aquelas almas à mesma onda de vida no mundo em que viveram, lutaram e progrediram em milênios de milênios, algumas delas se destacaram intelectualmente do grupo por meio do esforço próprio, enquanto as demais se deixaram conduzir pelas circunstâncias. Provado está, por conseguinte, que a alma humana tem possibilidades de avançar mais rapidamente na senda evolutiva, se nisto empregar esforços e determinação, podendo assim encurtar de muitos séculos a sua chegada onde outras só muito lentamente chegarão. Provado está, por conseguinte, filhas e filhos a quem muito estimo, que aplicado também na Terra o princípio do esforço próprio, que é o princípio do querer é poder, também podereis todos vós encurtar de muito a vossa caminhada que há longos, longos séculos, empreendestes.

Voltemos, porém, ao princípio deste relato. Uma vez constatado o aproveitamento demonstrado por certo número de almas internadas nos estabelecimentos de ensino acima referidos, são estas almas transferidas para estabelecimentos de nível mais adiantado, onde travarão conhecimento mais íntimo com o que necessitam de saber a respeito da vivência de todas as almas pertencentes ao ciclo de vida terrena. Em os novos estágios dessas almas, são-lhes ministrados ensinamentos relacionados com as qualidades morais a serem desenvolvidas no interesse de cada uma de cujo desenvolvimento resultará a própria felicidade, paz e harmonia em suas vindas ao plano terreno. É lhes ensinado mais ou menos demoradamente segundo a capacidade de assimilação de cada uma, que um dos princípios fundamentais a serem praticados na vivência terrena é o respeito aos direitos das demais almas encarnadas, e bem assim a tudo quanto a outrem pertença. Da perfeita compreensão destes princípios de ordem moral é que resulta o perfeito entendimento, harmonia e felicidade das populações terrenas, das quais aquelas almas deverão fazer parte mais cedo ou mais tarde. 
  
Outro ponto capital dentre os ensinamentos ministrados no Alto às almas em estágio de aprendizado, é a inviolabilidade do ser humano na Terra. Este ponto é assaz repisado em face das práticas da violência à qual se habituaram nos mundos onde ainda impera a lei do mais forte, em virtude da qual os choques e as lutas individuais se repetem quase diariamente. É lhes ensinado então, com a mais segura argumentação, que o fato de algum ser humano atentar contra a integridade física do seu semelhante, constitui o mais grave dos crimes, de dolorosa expiação. Explica-se-lhes amorosamente ao longo do estágio de internamento, que o sangue que circula no organismo humano constitui preciosa dádiva do Criador à humanidade encarnada, e que por isso incorrerá em grave infração às leis divinas aquele que ousar derramar uma gota que seja desse precioso fluido, causa e alimento da própria vida. É de ver o espanto, a admiração daquelas almas primárias ante o ensinamento supra, acostumadas como, estavam quase todas, para não dizer a totalidade delas, não só a derramar o sangue dos semelhantes por motivo de somenos, e, o que é mais grave, à consumação dos despojos. Em face, pois, do ensinamento ministrado por seus mentores, da grave infração às leis divinas contida nessa prática, muitas daquelas almas se demonstram horrorizadas em terem praticado não poucas daquelas infrações nos mundos donde provieram. Explica-se-lhes então amorosamente, que em seus mundos anteriores tal falta não acarretava a mesma responsabilidade que no mundo terreno, onde o respeito à integridade dos seres humanos é condição precípua para aqui encarnarem seguidamente as almas em busca de progresso espiritual. Desta maneira é que são preparadas longamente no Alto as almas que obtiveram a sua promoção à vivência na Terra, da mesma maneira que as viventes presentemente neste mundo terreno, serão também esclarecidas ao  ingressarem proximamente em mundos mais adiantados.  

A circunstância, pois, de ainda se praticarem homicídios, latrocínios e outras infrações às leis morais, explica a existência neste plano de almas ainda pouco desenvolvidas, dentre aquelas que no Alto receberam os ensinamentos referidos. Uma alma possuidora mesmo de mediana evolução já não pratica as infrações apontadas acima, não propriamente temerosa de ação da lei civil, mas principalmente porque isso lhe repugna fundamentalmente em face da luz espiritual que possui, alcançada ao longo de vidas e vidas de lutas e sofrimento. Desta maneira, identificareis nas criaturas que ainda se entregam à prática de determinadas infrações às leis morais, que são as leis divinas, almas em princípio de evolução quantas delas ainda em fase primária, devendo seus feitos condenáveis ser atribuídos principalmente ao seu atraso espiritual, como almas ignorantes que ainda são dos princípios divinos que regem a vida em todos os mundos.  

Aqui eu desejo sugerir-vos a todos, filhos e filhas a quem muito estimo este verdadeiro ato de caridade, que novas luzes atrairá para os vossos Espíritos: orai pelos nossos irmãos infratores das leis divinas na Terra, que são os criminosos de todas as categorias. Orai por eles em vossos momentos de prece, implorando luzes para o esclarecimento de suas almas, a fim de que, uma vez esclarecidos, eles não apenas se arrependam do mal cometido, como também se elucidem e não voltem a cometê-lo. Se assim procederdes, meus queridos, certos estareis de haverdes contribuído para a cessação dos crimes que tanto prejudicam a quantos vivem no mundo terreno, o que é necessário conseguir o mais depressa possível. Que os irracionais, na sua inconsciência, se atirem destruidoramente uns aos outros, tal como ainda se pratica nos mundos onde impera a lei do mais forte, admite-se; porém entre criaturas humanas que isso aconteça, é absolutamente condenável, mormente em se sabendo que todas as faltas, que são dívidas, terão de ser resgatadas até ao último centavo. Assim, pois, minhas filhas e filhos do meu coração, eu vos suplico orai também pelos criminosos, mas fazei-o de todo o vosso coração porque assim procedendo estareis contribuindo decididamente para eliminar o crime da face da Terra. Orai, pois, orai muito, orai sempre, e o Senhor vos recompensará generosamente pela vossa grande ajuda neste sentido.   

Deixo-vos aqui a bênção que o Senhor vos envia por meu intermédio, e a minha própria que eu vos ofereço de todo o coração.

CAPÍTULO XXIII - Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. Uma nova civilização surgirá na Terra a partir do próximo século. — Será constituída de almas pertencentes ao ciclo terreno como vós próprias. — A tarefa que lhes incumbe realizar. — Ainda a visita das almas juvenis.




Estando atualmente presente no ambiente terreno, onde venho com o objetivo especial de ditar este livro destinado ao esclarecimento das minhas queridas filhas e filhos que me distinguem com sua devoção, eu  só desejo que as minhas palavras possam encontrar acolhimento em seus corações. Com este grande desejo ora posto em prática, eu alimento em meu coração a esperança de poder receber a todos no plano em que vivo no Alto, no qual se preparam acomodações condignas para as almas viventes na Terra  fim de  civilização. Fim de civilização, digo bem, porque em verdade uma nova civilização surgirá na Terra a partir do início do século XXI.  A nova civilização que virá ocupar a Terra assim proximamente não será constituída de almas provenientes de outros mundos, como talvez a muitas pessoas possa parecer. Não, as almas que se preparam para descer à Terra, já aqui estiveram seguidamente, e aqui adquiriram os conhecimentos e experiências que muito as elevaram na escala espiritual. São, portanto, almas pertencentes ao ciclo terreno como vós próprias o sois, visto como também aqui tendes vindo seguidamente século após século. Eu não incidirei em erro se vos disser que se encontram grandes almas encarnadas bastante próximas da partida, pois que lograram dar cumprimento ao programa de trabalho que trouxeram ao reencarnarem. Esta classe de almas não será muito fácil de ser identificada enquanto na Terra, uma vez que a luminosidade que ostentam só pelas Entidades desencarnadas pode ser identificada. Contudo, se prestardes vossa atenção à conduta de numerosas pessoas que aqui vivem, à maneira pela qual se desempenham de suas tarefas e à elevação de suas atitudes em relação ao meio em que vivem, podereis ficar conhecendo algumas destas grandes almas. 

A nova civilização que então se aproxima deste vosso pequeno mundo terá uma tarefa bastante difícil quanto elevada a desempenhar, porquanto lhe incumbirá transformar, melhorando-as, as atuais vibrações do meio terreno. Uma nova idéia de solidariedade será instituída na Terra, uma idéia que deverá congregar todas as almas no sentido da solidariedade e do amor aos semelhantes, cessando as atuais divisões sociais em que uma parte usufrui o muito, enquanto a outra sofre as agruras do nada. A nova civilização será, entre outras coisas, a civilização da fraternidade e do amor ao próximo, aquele amor que o meigo Jesus de Nazareth veio pregar no início da era cristã. Provavelmente uma nova divisão geográfica deverá surgir também na Terra, para acomodar as populações que hão de vir, cessando de vez as lutas pela conquista de territórios que tanto sangue têm derramado. Partindo do princípio de que a Terra não pertence aos homens, mas à humanidade, servindo de moradia transitória a todas as almas que aqui reencarnam, ninguém ousará tentar expulsar de seus domínios ocasionais os grupos de almas que neles vivem, como tem acontecido em todos os tempos. E sabeis, acaso, qual será o fator máximo desta modificação dos sentimentos humanos? O conhecimento e a prática do intercâmbio espiritual, tão necessária à humanidade. O conhecimento e a prática dos princípios da espiritualidade, presentemente já em franco desenvolvimento, dará aos homens a consciência de sua transitoriedade na Terra, com a certeza dos verdadeiros objetivos de sua vinda periodicamente ao solo terreno. O atraso em que o mundo terreno ainda se encontra, dois mil anos após a vinda do Senhor a pregar a fraternidade e o amor ao próximo, pode ser debitado ao espírito de materialidade que tem imperado na quase totalidade das religiões criadas na Terra. Isto, porém, está prestes a se modificar pela adesão de algumas das mais importantes ao Espiritismo, aceitando e propagando seus elevados princípios, com o que muito se engrandecerão, pela afluência de novos adeptos de todas as classes sociais. Por que, pois, combater-se o Espiritismo e seus elevados princípios, se todas as criaturas humanas são Espíritos, vieram dos planos espirituais e para eles hão de voltar a seu tempo? Nosso Senhor Jesus conhece bem as causas originarias do combate a esta sábia doutrina espiritualista, as quais, entretanto, estão sendo também destruídas pelo esclarecimento das almas. Nosso Senhor alimenta bem fundadas esperanças de que a sua Igreja, aquela que resultou de sua vinda à Terra em corpo humano, seja uma das primeiras organizações religiosas a adotar as práticas espiritistas em seus cânones. Isto acontecerá, aliás, em breves anos, em face dos elementos que estão descendo à Terra, trazendo esse fato isento no seu programa de serviço divino. Com os esclarecimentos novos que estão sendo difundidos entre as populações terrenas, a transformação de certos dogmas e princípios religiosos será operada, podemos dizê-lo, do exterior para o interior, se o não for antes de dentro para fora. É que as almas viventes na Terra conhecem de experiência própria as belezas das práticas espiritualistas em seus próprios lares, onde recebem frequentemente a visita consoladora de suas almas queridas que partiram, sabendo por isso que a morte apenas termina a vida do corpo e jamais das almas. Assim, pois, todas as religiões que persistirem em condenar tais práticas, qualificando-as de vários modos, até mesmo como obra do demônio, apenas se estarão destruindo lentamente em face do afastamento daqueles que lhes davam crédito. Que em épocas passadas isto se fizesse com o objetivo de restringir o quanto possível certas práticas condenáveis porque bastante perigosas, compreende-se; hoje, entretanto, com as luzes difundidas no meio terreno pelos emissários do Senhor, e também pelos belos ensinamentos trazidos aos seus familiares por inúmeras almas que partiram da Terra, será de todo inútil insistir na condenação do Espiritismo, o bom, o são Espiritismo, que tanto consolo está proporcionando às almas encarnadas.  

Seria para desejar, inclusive, que as próprias organizações espiritistas meditassem um pouco em torno de algumas reformas em sua estrutura, com o fim de melhor se prepararem para novos e maiores lances em favor do esclarecimento das populações. Nós que do Alto nos preocupamos com o assunto, temos observado por vezes o estacionamento de muitas organizações espiritistas, permanecendo nos mesmos tímidos argumentos dos princípios do século XX. A estas organizações nós sugeriríamos a idéia de modificarem, por exemplo, os horários dos seus trabalhos doutrinários, passando a praticá-los também à luz do dia em reuniões matinais, em vez de somente à noite. E aqui vai uma idéia concreta do que poderão fazer as organizações espiritistas em horários matinais. Considerando a conveniência de muitas pessoas em frequentarem de preferência a sua organização doutrinaria durante o dia, ou porque não possam ou não desejem sair à noite, estabelecer-se-ia uma reunião pública, por exemplo, das nove às onze horas para difusão dos ensinamentos doutrinários a todas as classes e idades. Nessas reuniões se relatariam fatos esclarecedores acerca da existência do Espírito e sua responsabilidade em todos os atos da vida terrena, objetivando a manter sempre presente na mente dos ouvintes a sua responsabilidade e consequências por todos os atos que praticarem na vida, mas, sobretudo, a idéia de que eles e o próximo fazem parte da mesma família espiritual.  

Essas reuniões seriam inteiramente dedicadas ao esclarecimento dos ouvintes, mas isentas do fenômeno. Este só seria praticado, ou em reuniões vesperais dominicais, ou à noite nos dias de semana, o que é preferível. Nestas reuniões noturnas então, operar-se-ia o tratamento espiritual dos assistentes quando necessário, e o desenvolvimento dos ascendentes mediúnicos que se apresentassem. Isto, aliás, é o que constitui na atualidade o programa de trabalho da totalidade das organizações existentes. É um trabalho bom, esse, todos o reconhecemos, pelos enormes benefícios que proporciona aos assistentes em condições de recebê-los. Resta, então, a adoção de um programa dominical na parte da manhã e se possível também à tarde dirigido por mentores devidamente preparados para tocar o âmago das almas presentes. Eis aí, por conseguinte, uma idéia que muito contribuirá para difundir maior compreensão e felicidade entre as almas encarnadas.

A seguir eu direi algo mais acerca da visita daquelas almas juvenis ao meu plano, de quem já vos disse várias coisas. Direi então que os poucos dias que aquelas almas conviveram comigo, as encheram de verdadeira felicidade. Uma linda manhã combinei levá-las ao Templo de orações, que elas muito desejavam conhecer para compararem com aquele que diariamente frequentam no seu plano. A ele nos dirigimos então numa linda manhã, após percorrermos a pé uma curta distância ao longo de um caminho, por assim dizer, repleto de belas florzinhas, exatamente porque brotadas no próprio leito do caminho. As minhas visitas apreciaram sobremaneira este fato, estranhando que tão belas e perfumadas florzinhas brotassem exatamente no caminho que as almas do meu plano percorriam diariamente sem as molestarem. Eu expliquei-lhes então que isso se devia à nossa falta de peso específico, em nada afetando a vida das flores por onde passamos. Já no plano em que viviam as minhas visitas, sendo seu corpo fluídico algo mais denso do que o nosso, aquele fato não poderia existir, as flores sentiriam bastante ao serem pisadas pelas almas passantes. Expondo-lhes este fato, caminhávamos sempre em direção ao Templo, ao qual em breve chegamos. Entramos. O silêncio era completo. Centenas e centenas de almas lá se acomodavam em atitude de grande concentração quando nós ingressamos e nos dirigimos a um local onde eu costumo assistir aos ofícios religiosos que lá se celebram. Eu digo ofícios religiosos, para usar uma linguagem vossa conhecida, dando idéia de que essas ocasiões representam o objetivo principal da ida ao Templo, tanto na Terra como no Espaço. Naquele dia e àquela hora, realizava-se no Templo uma perfeita concentração de almas com o objetivo de emitirem vibrações de saúde, harmonia e felicidade, em favor de todas as almas encarnadas e desencarnadas do ciclo da Terra. Isto nós o fazemos invariavelmente uma vez na semana, pelo bem que então dali se irradia em todas as direções. Este espetáculo constitui a alegria de, quantas almas a ele comparecem, as quais se revezam sempre para que todas possam emprestar ao ato a sua cooperação mental. Faz-se a princípio um completo silêncio durante o qual os pensamentos se unificam, e passados alguns minutos, uma voz suave e terna se eleva, reunindo todas as vibrações das almas presentes conduzindo-as assim unidas na direção determinada. Essa direção consiste na citação, em primeiro lugar, deste plano terreno que é assim, percorrido em todas as direções, segundo a orientação daquela voz suave e terna. Essas vibrações são dirigidas inicialmente às almas necessitadas, sofredoras, às que se encontram nos hospitais, nas casas de saúde ou enfermas em seus lares, levando a todas uma sensível dose de alento espiritual, de saúde e felicidade a envolvê-las. Nossa grande alegria consiste então em poder apreciar o enorme bem que aquelas vibrações proporcionam às almas visadas, muito contribuindo para o seu pronto restabelecimento. Em continuação, aquelas benéficas vibrações da multidão de almas se dirigem aos vários planos espirituais a partir da Terra, em cujos mais próximos elas vão constituir a maior alegria das almas neles estagiárias. Eu vos direi rapidamente que em certo plano próximo à Terra, onde, na inferioridade vibratória das almas estagiárias a noite se lhes afigura permanente, as vibrações recebidas do nosso plano constituem a maior alegria para elas, porque as mesmas se lhes assemelham a um raio de luz solar a penetrar a penumbra em que vivem. Nós nos empenhamos sobremodo em ajudar a iluminação desta categoria de almas assim viventes na penumbra, consequência lógica do seu reduzido adiantamento espiritual. Trata-se de almas que procuraram viver sua existência terrena repleta de fatos nada condizentes com suas necessidades espirituais, atingindo a desencarnação privadas daquela centelha que as deveria conduzir a determinados planos espirituais. Dotados de sentimentos assaz grosseiros e desinteressadas do seu próprio aperfeiçoamento, uma vez desencarnadas tombam no abismo da ignorância por elas próprias cavado quando no corpo. O assunto é longo e riquíssimo de ensinamentos e eu prometo voltar a ele em futuros capítulos. 

Deixo-vos  hoje a bênção que o Senhor vos envia por meu intermédio, e a minha própria, que eu vos ofereço de todo o coração.

CAPÍTULO XXII - Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. Chegada e permanência das almas no plano espiritual. — Razão da demora de muitos em alcançá-lo enquanto outras o atingem instantaneamente. — A idade do corpo não tem relação com a idade do Espírito. — A fórmula mágica.





Acontecimentos de certa magnitude devem ser esperados neste mundo terreno dentro de breves anos, já estão disto informados muitos milhares de seres humanos que aqui vivem. Não necessitarei eu, por conseguinte, de repisar o assunto uma vez mais neste capítulo. As observações que estão sendo feitas no próprio meio terreno concluem pela confirmação de que uma boa parte da população já recebeu as notícias e conselhos trazidos à Terra pelos emissários de Jesus Nosso Senhor, e se está preparando devidamente para aqueles acontecimentos. Assim, desejo ocupar-me de assuntos outros igualmente interessantes e muito úteis a todas as minhas filhas e filhos presentemente na Terra.  

Tratarei então no presente capítulo do que se relaciona muito estreitamente com a chegada e permanência no plano espiritual, das almas  que vão encerrando sua vivência neste plano e dele se despedem para regressar ao seu lar espiritual. Para começar eu direi que o caminho a ser percorrido pelas almas que desencarnam é bastante longo para muitas delas, ao passo que bem curto se torna para outras, embora a distância que o separa da Terra seja uma só. Por que, então, essa diferença no percurso? — perguntareis vós com muita razão. A maior ou menor demora em percorrer o caminho que leva as almas de regresso ao seu plano espiritual está em relação com as condições morais de que sejam portadoras, as almas que diariamente se despedem do corpo físico pelo fenômeno da morte. Eu explicarei em seguida a razão.  

As almas que conseguiram vencer a sua encarnação neste plano através da prática somente de ações meritórias, segundo suas possibilidades, mantendo-se durante esse lapso de tempo numa linha de perfeita correção moral, e tenham, também, cumprido os preceitos constantes das leis divinas, essas almas ao se desprenderem da matéria seguem numa linha reta ascensional em direção ao seu plano no Alto, gastando nesse percurso um tempo tão reduzido em certos casos, que não ultrapassa uma fração de segundos. As almas que assim conseguem alcançar de regresso o plano espiritual ao qual pertencem, podem ser identificadas ainda no corpo, pelas pessoas com as quais conviverem, com um pouco de perspicácia. Efetivamente, ao convivermos na Terra com pessoas pacatas, sossegadas, amantes da paz e sempre  a amar e socorrer o próximo, seja por meio dos elementos peculiares ao meio terreno, seja por meio de um conselho, uma prece, ou ainda por outros meios ao seu alcance, identificaremos nessas criaturas, almas já bastante evoluídas, e por isso possuidoras de um coração repleto de amor para os seus semelhantes. Em geral verificaremos nessas criaturas uma grande simplicidade de hábitos, ausência de ambição e vaidade, o que as torna criaturas bondosas, simpáticas, com as quais todos gostam de tratar. Este tipo de almas conduzem-se invariavelmente de maneira pacata, por serem de todo incapazes de ferir sequer moralmente os seus semelhante. Isto sucede, convém frisar, pela circunstância de que esta categoria de alma já alcançou um nível evolutivo que inteiramente as despojou das qualidades negativas ainda existentes em muitas outras suas contemporâneas neste pequeno mundo. Convenhamos então que esta categoria de almas encarnadas vive e procede desta maneira elevada sem que lhes seja necessário algum esforço para isso, mas realmente porque já não possuem em seu coração o volume de maldades que ainda leva numerosas outras a procederem de maneira oposta. Estas outras, as que ainda se comprazem na prática de certas maldades por qualquer motivo, sem acreditarem no prejuízo que estarão proporcionando com o seu procedimento, estas almas, ao se desprenderem da sua matéria, permanecem ou em torno dela, assistindo horrorizadas à decomposição do corpo que fora seu, ou se perdem em meio às suas perturbações, podendo permanecer anos e anos no solo terreno sem atinarem com os caminhos que as hão de levar ao seu plano de repouso no mundo espiritual. Esta categoria de almas de um modo geral não utilizou os recursos da prece enquanto na carne. Tendo voltado o pensamento constantemente para os interesses ocasionais, arquitetando maneiras e modos de enriquecimento rápido, quantas vezes destituídas dos escrúpulos que devem presidir todos os atos da vida material, estas almas desprezaram ou esqueceram a oração, a prece que para milhões de outras almas constitui fator de êxito na vida, não possuindo então, ao desencarnarem, condições suficientes de elevação espiritual. E se os seus familiares, por sua vez, se esquecerem de orar por elas, ocupados também com os seus próprios interesses, estas almas estarão por si mesmas condenadas a permanecer no solo terreno, privadas da paz e bem-aventurança que poderiam estar desfrutando no mundo espiritual.

Isso que aí fica linhas acima é o resultado das observações feitas pelas Entidades incumbidas de acompanhar as almas encarnadas, anotando todos os detalhes de sua vivência na Terra. Eu registrei apenas as linhas principais desses dois tipos de vida, mas o bastante para que cada qual dos meus leitores possa escolher o que mais lhe convirá adorar em sua encarnação atual. Bem certo é, e todos o sabem, que não poderá  uma alma jovem, em fase de aprendizado recente neste mundo terreno, encaminhar e pautar seus atos com a mesma correção ou elevação que as almas vividas de muitos séculos, aquelas que também agiram em tempos com a mesma irreflexão das almas jovens. Dizendo eu aqui almas jovens e almas vividas de muitos séculos, eu não me refiro à idade do corpo, absolutamente. A idade do corpo, já o sabeis, não tem nenhuma relação com a idade do Espírito. Pode, por isto, encontrar-se uma alma ou Espírito jovem habitando um corpo já envelhecido, como encontrar-se habitando um corpo jovem uma alma  bastante vivida. Isto sucede em virtude da lei das reencarnações, possibilitando às almas a sua volta ao mundo terreno periodicamente numa nova reencarnação. As pessoas dotadas de espírito de observação podem facilmente identificar umas e outras destas almas, pelas idéias que manifestam, pela correção dos seus atos e pensamentos, principalmente ao atingirem a chamada idade da razão.   

Assim exposto o assunto, eu fornecerei às minhas estimadas filhas e filhos terrenos a fórmula mágica se assim me permitem expressar, a fórmula capaz de possibilitar às almas jovens, porque pouco experientes da vida em todos os seus aspectos materiais e espirituais, a maneira de poderem encaminhar a sua vida terrena sob os mais corretos preceitos de ordem moral, livrando-se de numerosos percalços que habitualmente assaltam as almas desprevenidas. Esta fórmula que, eu insistirei em denominar de mágica, consiste em tão pouca coisa, em tão reduzido esforço, que ninguém a desprezará em benefício mesmo de sua felicidade desde a Terra. E se eu digo felicidade desde a Terra, é que essa felicidade apenas se iniciará neste mundo para continuar e se ampliar no mundo espiritual. A fórmula em referência, pois, aquela usada por todas as criaturas que lograram alcançar na Terra uma vida pontilhada de acontecimentos felizes, afastando numerosos outros portadores de sofrimento em que é rico este pequeno mundo, é a prece. A prece constitui em verdade a fonte de maior ajuda a todas as criaturas de Deus, estejam elas vivendo uma vida de seres humanos no solo terreno, ou estejam livres da matéria, vivendo a vida de almas livres no mundo espiritual. Recomendando eu aqui o uso da prece a todas as criaturas que se encontram na Terra, tenho a mais absoluta segurança quanto aos seus resultados. Uma criatura que ora por devoção a si mesma, uma, duas ou três vezes ao dia, estará afastando de si as influências maléficas, perturbadoras, de que está cheio o ambiente terreno, e atraindo por meio da prece tudo quanto de bom exista para a realização de suas íntimas e justas aspirações ao longo de sua permanência na Terra.

Para apresentar uma imagem dos efeitos da prece em relação àquele que a faz, eu direi que ela pode ser comparada ao ato de acender uma vela numa sala inteiramente às escuras. Se penetrardes numa sala inteiramente às escuras, dificilmente podereis mover-vos nela mesmo conhecendo-a de antemão. O certo é que nada podereis realizar ali sem uma luz que ilumine o ambiente. Acendendo então uma vela, já podereis percorrer toda a sala e até realizar algum serviço. A prece pode então ser comparada à vela que acenderdes, a qual produzirá também uma luminosidade em torno de vós. Há apenas a seguinte diferença: a luz da vela se extingue com a própria vela, voltando a sala a ficar novamente às escuras; ao passo que a luminosidade produzida pela prece incorpora-se ao vosso Espírito, à vossa alma, e aí permanece para todo o sempre. Imaginai, pois, quanto crescerá a vossa própria luminosidade diariamente em consequência da prece que elevardes uma, duas ou três vezes, pondo-vos assim em ligação direta com as Forças Superiores, e recebendo das mesmas vibrações semelhantes àquelas que emitistes em vossa prece. 

Quando, no Alto, as almas se preparam para reencarnar, o objetivo que as anima é, exclusivamente, o de virem aqui em busca de mais luzes para o seu diadema espiritual. E a razão de numerosas delas regressarem quantas vezes no mesmo estado, após uma peregrinação de várias dezenas de anos, é que de tudo se aproveitaram neste plano de vida, para uso e gozo seu, menos desse lapso de tempo para engrandecimento de sua luminosidade. Essas criaturas podem ter adquirido diversos focos de luz através da prática de atos meritórios ao longo da sua vida, o que está igualmente no seu programa de vida elaborado no Alto. Isto é perfeitamente razoável e até obrigatório mesmo, tendo em vista que a prática de atos meritórios é condição sine qua para uma alma poder reencarnar. Se, por conseguinte, a par dos atos desta natureza que as almas encarnadas logrem praticar durante a vida terrena, se se dedicarem, por hábito ou devoção, à prática da prece com todo o seu coração, essas almas podem alimentar a certeza de que realmente venceram na vida terrena, tendo cumprido, se não todo o seu programa, pelo menos uma boa parte dele. Dizendo-vos assim em minúcias o que aí fica, eu só desejo esclarecer ao máximo as vossas almas bastante obscurecidas pela condição de se encontrarem encarnadas. Ao regressardes, porém, ao vosso plano quando isso acontecer, tenho eu a mais sólida certeza de que todas me haveis de agradecer estas palavras de esclarecimento que aqui ficam. O meu empenho torna-se ainda maior neste sentido, filhas e filhos a quem eu muito amo de todo o meu coração, em face do processo em andamento no meu plano espiritual, no sentido de só poderem ser nele recebidas a partir de certa época, almas portadoras de um determinado índice de luminosidade, em perfeita harmonia com a que possuem as almas que ali vivem. Este é um dos motivos pelos quais eu solicitei ao meu amado Filho a necessária permissão para vir ao vosso meio redigir este volume, onde estou depositando toda a minha  dedicação a quantas almas vivem neste momento na Terra. O meu desejo de receber a todas no plano em que vivo é tão grande e tão intenso, que eu me dispus a vir até vós a fim de vos dizer estas coisas em letra de imprensa, e isto, em parte, porque muitas de vós já são minhas conhecidas e particularmente afeiçoadas de outras eras, e de um modo geral eu desejo contribuir com a minha  palavra, o meu conselho, para que outras o sejam também dentro dos breves anos do porvir. Aconselhando-vos desta maneira à prática da prece ou oração fervorosa diária, eu viso a estes dois grandes objetivos: preservar-vos de sofrimento por ocasião dos acontecimentos que estão para chegar, e contribuir para a crescente luminosidade de todas, a fim de os receber oportunamente no mais belo de todos os planos do mundo espiritual. Será isto possível? — poderá alguma de vós indagar, ao considerar o que estou dizendo a respeito do plano em que ora vivo. É possível, sim, eu vos respondo, filhas e filhos do meu coração. Isto é perfeitamente possível, almas queridas. Certo é que algumas de vós já de lá vieram para a presente existência terrena, munidas de planos de serviço divino que estão executando. E são várias, muitas mesmo, as almas que aqui se encontram encarnadas, procedentes do plano em que vive o próprio Senhor Jesus. Estas vós as identificareis pela qualidade de suas atividades, pelos serviços que estão prestando à coletividade, pelos seus pensamentos e sua fé na ajuda das Forças Superiores. Talvez que você leitora ou leitor, seja uma dessas almas, sempre envolvida na sua modéstia de alma simples, evoluída. O meu empenho é, pois, muito grande com o objetivo de receber em nosso belo plano o maior número possível das almas que se encontram na Terra, onde deverão permanecer por longos anos ou séculos. De outra maneira teriam estas almas de regressar ao seu antigo plano de vida, desempenhando tarefas muito semelhantes às da Terra. Isto só acontecerá, contudo, àquelas que não conseguirem levar da Terra proximamente aquele número de onças de luz que vieram buscar. O meio, por conseguinte, de adquirirdes as onças de luz que possam estar faltando é, conforme ficou dito, o seguinte: a prática de atos ou ações meritórias e o hábito da prece diária elevada com toda a sinceridade e fervor dos vossos corações.  

Deixo-vos aqui a bênção que o Senhor vos envia por meu intermédio, e a minha  própria que eu vos ofereço de todo o coração.