Passa já da hora o vosso despertar espiritual . . . Saiba que a tua verdadeira pátria é no mundo espiritual . . . Teu objetivo aqui é adquirir luzes e bênçãos para que possas iluminar teus caminhos quando deixares esta dimensão, ascender e não ficar em trevas neste mundo de ilusão . . .   Muita Paz Saúde Luz e Amor . . . meu irmão . . . minha irmã

segunda-feira, 17 de julho de 2017

CAPÍTULO LIII – Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. Tratai de adquirir bens espirituais. — O Senhor acompanha atentamente as reações das almas encarnadas aos conselhos divulgados pelos seus emissários. — A prática do amor universal. — Intervenção do Alto no último conflito armado na Terra.




Gostaria de poder falar por este meio ao ouvido espiritual de todas as almas encarnadas na Terra, no gozo de uma encarnação que tiveram de aguardar muitos anos no seu plano do Além. Gostaria de poder dizer-lhes em palavras feitas de luz e amor, que tratem de adquirir o maior volume de bens espirituais que puderem, a fim de evitarem tantas decepções e desgostos que têm ocorrido a muitas e muitas almas no seu regresso ao mundo espiritual. Efetivamente, temos assistido chegarem da Terra ao fim de encarnações bastante longas, durante as quais de tudo cuidaram na Terra, menos do seu progresso espiritual, almas que tanto se haviam empenhado em vir à Terra em busca de maiores luzes, e no entanto regressam ao Alto de mãos vazias de bens do Espírito. É um espetáculo bastante triste para quantos o assistem, não restando nada mais fazer do que contemplar a tristeza das próprias almas que assim desembarcam no seu plano de vida espiritual. Para evitar espetáculos semelhantes é que eu desejaria poder falar ao ouvido espiritual das almas encarnadas, para lhes dizer que as encarnações são muito difíceis de conseguir, como foi dito em páginas anteriores. Eu diria tudo isto que venho escrevendo ao ouvido espiritual de minhas filhas e filhos encarnados, para que as minhas palavras nele se gravassem e ficassem orientando cada uma de vós, almas queridas.

Enquanto envolvidas pela carne na Terra, as almas em sua maioria costumam fazer da vida espiritual uma idéia muito diferente do que ela é, e por isso muito pouco se preocupam com a sua verdadeira vida, que não é esta que estão vivendo na Terra. A vida espiritual que é a verdadeira vida dos Espíritos em seus respectivos planos, é uma vida feita de luz e amor, envolvendo nesse amor toda a vida universal. Não existem na vida espiritual interesses particularistas tais como estes que cultivais durante a vossa permanência na carne. Na vida espiritual todas as almas alimentam um só e único interesse que é o de se engrandecerem nos trabalhos do Senhor, e ampliarem constantemente a sua luminosidade. Sendo a vida terrena, quando sinceramente vivida, um meio altamente eficaz de as almas poderem ampliar a respectiva luminosidade nas oportunidades que constantemente se oferecem para isso, decorre daí o empenho de todas as almas desencarnadas, de aqui voltarem com esse belo propósito. Mas eis que uma vez reencarnadas se esquecem desse belo propósito, em face da densidade do meio terreno, de ouvidos fechados também às influências espirituais que as cercam e acompanham a vida inteira. Há, felizmente, exceções a esta regra, e não poucas. Muitas almas aqui se encontram no cumprimento de tarefas recebidas no Além, e a elas devotadas com verdadeira sinceridade e amor. Temos a alegria de constatar o empenho de um bom número de almas encarnadas em dar o mais fiel cumprimento àquilo que no Alto prometeram às Forças Superiores, a despeito das grandes seduções da vida terrena em desviá-las desse propósito. Percorrendo as várias regiões do solo terreno como efetivamente temos percorrido em processo de investigação, temos tido grandes alegrias decorrentes do empenho de muitas almas em se manterem fiéis aos seus compromissos.

O final do século XX  assinalou, evidentemente, uma série de procedimentos em favor das almas encarnadas, que não existiam antes, e que continuam no início do século XXI. Tratando-se de uma fase decisiva para muitas das almas encarnadas, deliberaram as Forças Superiores presididas pelo Senhor Jesus, dirigir ao meio terreno esta Grande Cruzada de Esclarecimento, na tentativa de ajudar as almas presentemente encarnadas nos seus objetivos de maior iluminação. Esta Grande Cruzada está sendo cumprida por meio da palavra espiritual falada e escrita, da qual este volume faz parte por minha espontânea deliberação. Os efeitos benéficos produzidos pelos demais volumes recebidos por este instrumento, estão sendo colhidos no Alto com verdadeira alegria pelas Forças Superiores, havendo então fundadas esperanças no seu completo êxito. Se todas vós, almas queridas, vos dispuserdes a meditar um pouco nestas minhas palavras, haveis de chegar à conclusão de que as únicas beneficiadas com os conselhos, ensinamentos e advertências enfeixadas nos livros aqui mencionados, sois vós mesmas, pela direção correta que resolverdes imprimir aos vossos atos daqui por diante.

O Senhor Jesus está acompanhando de muito perto as reações favoráveis produzidas nas almas encarnadas pelos ensinamentos e conselhos difundidos através das obras do Irmão Thomé, de Paulo de Tarso e das Forças do Bem em Vida Nova, e tem registrado grande satisfação pela penetração que aquelas obras alcançaram até agora. São tão importantes os conselhos e ensinamentos enfeixados nas obras referidas, que o Senhor Jesus espera vê-las difundidas também em outros países, pelo grande bem que as mesmas levarão a todos os povos. O Senhor não alimenta, contudo, qualquer ilusão em relação ao juízo que adeptos de várias religiões possam despender a respeito de tais obras, dado que não tenham vindo à Terra por seu intermédio. Isto, entretanto, nada retira do valor que ditas obras possuem no encaminhamento certo das almas encarnadas, inclusive daquelas que porventura as recusem. Tudo quanto foi escrito pelos emissários do Senhor nas obras em referência é, por assim dizer, ouro espiritual do mais puro quilate, destinado a ornamentar o diadema de todas as almas.

Em nossos trabalhos de observação temos verificado com a maior alegria, leitoras e leitores das obras citadas, recomendá-las com empenho, ou mesmo emprestá-las a pessoas de suas relações, muitas das quais repetem tão bem o gesto, fazendo o mesmo a terceiros. É bem a imagem do precioso líquido se espalhando sobre a terra batida pelo calor dos raios solares, para ajudar o crescimento da boa planta. Em nosso caso, a difusão dos belos ensinamentos e conselhos através dos volumes já citados, pode ser comparada aos efeitos do precioso liquido, por sua ação altamente benéfica sobre as almas encarnadas, ajudando-as em sua trajetória em direção ao Senhor. Nós vos pedimos, pois, almas queridas, que procureis proporcionar às vossas almas amigas, um pouco da alegria usufruída com a leitura dos nossos livros, os livros da Grande Cruzada de Esclarecimento, inculcando-lhes sua leitura e meditação. Será este um belo trabalho que estareis prestando às Forças Superiores, minhas queridas, e que todas nós vos agradecemos.

Em seguida conversaremos um pouco sobre assunto inteiramente novo para todas vós, o que eu bem sei que ireis apreciar. Tratarei então do que nós no Alto denominamos a pratica do amor universal perante os nossos irmãos de outros planetas. Isto sucede constantemente, sempre que os Dirigentes de outros planetas necessitam do nosso apoio. O ato processa-se da seguinte maneira. Quando, por motivos vários, acontece algum planeta vizinho necessitar do apoio vibratório da Terra, para reforço do seu próprio em face de algum fato nele verificado, os Dirigentes espirituais do planeta apelam para o Senhor Jesus pelos meios de que dispõem, seja o seu serviço de comunicações habituais, seja pelo envio de uma Delegação de Almas com o propósito de expor a sua situação ao Senhor Jesus. Fatos dessa natureza podem ocorrer em todos os planetas habitados como a Terra, onde já têm ocorrido também, como, por exemplo, no decorrer das duas grandes guerras ocorridas no século XX. Em circunstâncias tais, as reservas vibratórias podem tornar-se insuficientes para ajudar o lado bom do conflito, isto é, as forças que se opõem às ambições do agressor, sendo então necessário apelar para a ajuda dos planetas vizinhos. Há bem poucos anos foi o Senhor solicitado por uma luminosa Delegação de Almas provindas de planeta próximo da Terra, no qual um terrível conflito se prolongava demasiado e era necessário extingui-lo. Necessitava-se de força magnética abundante para deter as hostes agressoras e encerrar o conflito sem mais demora. Fato bastante conhecido pela cúpula dirigente deste planeta, foi o mesmo atendido de forma a enviar o Senhor ao planeta vizinho todo o potencial requerido com a necessária presteza. Para esse fim reuniu o Senhor Jesus a sua corte de servidores de mais alto gabarito, a quem foi conferida a incumbência de processar a transmissão magnética solicitada pelo planeta vizinho. Para tanto, foram efetuadas no Alto, nos locais designados, concentrações mentais das almas estagiárias que duravam, em regra, de quatro a seis horas por dia, cujo potencial vibratório era dirigido através das várias torres magnéticas. Durante aproximadamente duas semanas este trabalho foi realizado com o êxito desejado, comprovado pelos Dirigentes espirituais do planeta vizinho, ao enviarem a mesma Delegação para agradecer ao Senhor Jesus a valiosa cooperação da Terra na extinção do terrível conflito de almas do seu planeta.

Vou tentar descrever aqui para o vosso conhecimento o processo por meio do qual pode um planeta socorrer a outro em casos graves, como sejam os conflitos armados infelizmente ainda existentes em vários planetas, a atestarem o grau de inferioridade moral dos seus habitantes. A maneira pela qual os Dirigentes espirituais conseguem atuar em favor da parte sã dos conflitos, assim designado o conjunto de forças que se opõem ao grupo agressor, é o apoio magnético projetado sobre a parte sã, inspirando-a em seus planos de defesa, enquanto se esgotam as forças contrárias em suas reservas magnéticas. Tal seja, porém, o potencial acumulado pela parte agressora, podem as suas forças exercer um tal domínio sobre o conflito, que estejam a pique de vencê-lo, para sofrimento mais ou menos longo do resto da comunidade. Em tal emergência torna-se necessário reforçar o potencial magnético das forças do bem, que são a parte sã do conflito, potencial este que, como no caso citado, estava a caminho de exaustão no planeta nosso vizinho. Solicitada então ao Senhor Jesus a sua ajuda, que era a ajuda da Terra em favor da paz no planeta vizinho, foi esta concedida imediatamente e com tal eficiência, que ao cabo de duas semanas estava o conflito dominado com a derrota das forças do mal, que eram, no caso, as forças agressoras. Tal ajuda, embora possa parecer demasiado débil em face de sua invisibilidade, foi bastante poderosa, como acabei de dizer. Seu poderoso volume, constituído pelas vibrações de muitas mentes reunidas, e daí encaminhadas à Direção do planeta vizinho, tiveram o mérito de, de um lado, ativar o poder magnético das Forças do Bem no referido planeta, e do outro o de dominar o poder agressivo das forças do mal, que logo entraram em decadência até à derrota completa.

No vosso mundo ainda recentemente, deveis estar lembrados, teve lugar um grande conflito armado, o segundo do século XX, movido por uma força agressiva no propósito de dominar o mundo com o seu maléfico poder. Aqueles que aqui se encontravam viveram sérios momentos de apreensão ante o avanço constante das forças agressoras por toda parte. Essas forças contavam com grande potencial magnético, advindo de um plano muito próximo do solo terreno, habitado por forças maléficas ligadas aos dirigentes das forças agressoras. Quando as Forças Superiores do mundo terreno verificaram a necessidade de ajudar a parte sã do conflito, aquela que tão vigorosamente se opunha às forças do mal, trataram então de suprir de potencial magnético aquela parte do conflito, ao mesmo tempo em que procuravam interceptar a corrente inspiradora dirigida às forças agressoras, procedente de elementos invisíveis muito poderosos, viventes naquele plano bem próximo do solo terreno. Interceptada aquela corrente inspiratória dirigida aos chefes das forças agressoras, ou forças do mal, começaram a rarear os êxitos guerreiros mais necessários à vitória, ao mesmo tempo em que o lado são do conflito se firmava cada dia mais. O resultado, que não devia ser outro senão o que realmente se verificou, deveu-se, pois, à ajuda magnética substancial projetada pelas Forças Superiores sobre o conjunto defensivo do conflito.

Gostaríeis de saber, ao final deste relato, de onde terão vindo as poderosas vibrações magnéticas utilizadas pelas Forças Superiores no segundo grande conflito mundial do século XX. Eu vos direi, em favor do vosso esclarecimento, que o enorme potencial magnético assim tão eficientemente utilizado, foi retirado de certa região deste País — o Brasil — para a qual o Senhor transportou há perto de meio século certos elementos antes depositados em algum ponto do Oriente. Esses elementos desde então transportados para este país, é que recebem e conservam as vibrações magnéticas produzidas pelas almas aqui encarnadas, precisamente para serem utilizadas em momentos como aquele em que se tornou necessário por um basta às forças agressivas do segundo grande conflito mundial. Deve isto servir de meditação para todos os chefes de povos na Terra, considerando que nem sempre o poderio bélico é suficiente para vencer um conflito, se o mesmo vier a pecar por falta de motivo justo, como acabais de testemunhar. As Forças Superiores conservam-se permanentemente atentas ao que na Terra se passa, reservando-se para intervir no momento oportuno em favor da justa causa, como tendes visto e assistido.

Falemos então, do poder magnético que todas possuís, minhas almas queridas. Se entenderdes de utilizar esse potencial em vosso próprio benefício, isto é, em vossas preces diárias ao Senhor, pedindo-Lhe a ajuda de que necessiteis para vencer os vossos próprios conflitos morais, podeis estar certas de que a recebereis, da mesma maneira que a receberam os nossos irmãos daquele mundo vizinho. Pedi, pois, e recebereis, almas queridas. Pedi com fé aquilo de que necessitardes, na certeza de que sereis prontamente atendidas.

Deixo-vos aqui a bênção que o Senhor vos envia por meu intermédio, e a minha própria que eu vos ofereço de todo o coração.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

CAPÍTULO LII – Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. Submersão, no passado, de uma parcela do solo com todos os habitantes. — Recepção e acomodação das almas no mundo espiritual. — O empenho das almas em voltar à Terra. — Firmai vossas mentes na malinha espiritual.



O pequeno mundo terreno no qual evoluem  pouco mais de sete bilhões de almas humanas, está para alcançar alguns novos degraus em sua escala progressiva, ao que faz jus a antiguidade de sua última modificação. Efetivamente, a Terra conserva sua estrutura atual por um período já bastante longo, desde que acontecimentos notáveis aqui se processaram. A maioria das almas que aqui vivem atualmente, ou presenciou ou teve notícia do fato, do qual resultou a submersão de uma parcela do solo com todos os seus habitantes com a consequente ampliação dos mares em derredor.

O que novamente se prepara para ter lugar em breves anos, conforme vem sendo anunciado pelos mensageiros do Senhor Jesus, também há de importar na submersão de várias áreas terrenas bastante populosas, como parte dos planos de há muito elaborados no Alto para execução. Esses planos prevêem inclusive a partida de um número regular de almas de regresso ao seu plano de vida espiritual, sem que isso importe de leve sequer na idéia de punição a essas almas. Ao contrário disso, os seres humanos que vierem a ser atingidos pelos acontecimentos em vias de realização na Terra, receberão na oportunidade uma merecida promoção em sua escala espiritual. Desejo afirmar uma vez mais a propósito, que as Forças Superiores que dirigem a vida terrena nada empreendem que não tenha por objetivo o bem e a felicidade das almas que aqui vivem, e se empenham na conquista de novas luzes espirituais, finalidade única de sua vinda à Terra.

Isto posto, como introdução necessária ao presente capítulo, em obediência às determinações do Senhor, eu passarei a um novo assunto que espero muito há de agradar a todos vós, filhas e filhos meus. Tratarei em seguida da maneira pela qual se processa no mundo espiritual a recepção e acomodação das almas que partem de todas as regiões, cidades, lugares e vilas deste pequeno mundo terreno. Já me referi em capítulo anterior às almas completamente despreparadas em assuntos de fé, as quais costumam permanecer bem próximas ao solo terreno, onde se estabelecem e passam a negociar com almas iguais, como se na Terra ainda vivessem. Falarei então daquelas que largam na Terra o invólucro físico e se elevam no Espaço em direção aos planos do Além, segundo o sentido espiritual que lograram adquirir em sua vivência na Terra. Uma grande maioria destas almas, que souberam cultivar o princípio da fé em seu coração, e tenham vencido uma existência terrena iluminada pela prece diária, nem chegam a sentir verdadeiramente o transe de sua separação do corpo. Assistidas muito de perto pelos seus Protetores espirituais, estes se incumbem de as conduzir em seus braços desde o plano terreno onde desencarnaram, ao plano espiritual a que pertencerem, sem que as mesmas se dêem conta desse transporte. Uma vez ali chegadas, esta categoria de almas é então acomodada, ou na residência de algum parente próximo a quem possam estar ligadas por laços de verdadeira amizade, ou então serão acomodadas numa das instituições ali existentes para tal fim. Em regra, o repouso dura de três a cinco dias, durante os quais as almas se refazem completamente do abatimento produzido na Terra pelo fenômeno da morte do corpo, e iniciam, ou melhor, reiniciam a sua vivência no Alto. Os primeiros trinta dias da desencarnação de todas as almas são os mais difíceis de passar em consequência dos pensamentos de saudade que lhes chegam dos seus familiares, e dos seus próprios também voltados para a Terra. Ao fim deste período, porém, a situação se ameniza e modifica em face das revelações que todas as almas passam a receber das suas vivências anteriores no mundo espiritual. Uma como vida nova se apresenta às almas recém-chegadas do plano terreno, onde todas elas se empenharam em trabalhos mais ou menos duros pelo pão de cada dia, realmente bastante difícil de conseguir na vida terrena. Do confronto natural surgido no Alto às almas recém-chegadas do solo terreno, resulta para elas uma indizível satisfação ao constatarem quão amena e feliz se lhes apresenta a vida espiritual comparada com as dificuldades da vida terrena.

Caberia aqui uma pergunta dos leitores, porventura desejosos de saber a razão de as almas desencarnadas se empenharem tanto em voltar à Terra, quando mais amena e feliz lhes decorre a vida espiritual. Seria uma indagação bastante oportuna esta, pela sua razão de ser. Eu considerarei então como feita a indagação e vou procurar esclarecer o assunto. Começarei dizendo-vos que a vida das almas no mundo espiritual é uma vida de estudo e repouso, onde aquelas que já possuírem um ideal podem preparar-se para realizá-lo quando a oportunidade chegar. Esse ideal, entretanto, sempre se dirige a este plano físico, que é o plano das realizações materiais. As almas, por conseguinte, já possuidoras de certo índice evolutivo, entregam-se no Alto ao estudo e preparação de seus planos de realizações futuras na Terra, para quando puderem conseguir a oportunidade de reencarnar. Nisto se empenham, aliás, muitos milhares de almas mais e menos evoluídas, ao mesmo tempo em que procuram ilustrar-se através das grandes bibliotecas existentes no plano em que vivem.

Isto é em regra o que se passa com as almas desejosas de contribuir para o progresso terreno, para quando lhes surgir uma nova oportunidade. Se bem permaneçam no Alto milhões de almas desencarnadas há mais de um século, algumas das quais não cogitam de voltar à Terra tão cedo, em face das recordações que conservam de sua última estada neste plano, há outros milhões delas que outra coisa não desejam nem pensam que não seja uma próxima reencarnação. É que, decorridas algumas dezenas de anos do calendário terreno, do regresso daquelas almas ao Espaço, um desejo ardente se lhes apresenta de mergulharem novamente num corpo de carne para nova vivência na Terra, onde, segundo cálculos e planos pacientemente feitos, pensam e desejam dar um novo e grande impulso à vida terrena. Esta impressão se apodera muito facilmente das almas desencarnadas, em razão de terem passado a apreciar as circunstancias que envolvem a vivência na Terra, do ponto de vista de sua visão espiritual. Realmente, uma alma desencarnada aprecia os fenômenos da vida terrena por um prisma que a transforma em aspectos aparentemente suaves e por isso fáceis de vencer. Isto se verifica em virtude de a visão espiritual abranger os fatos da vida terrena de uma maneira geral mais ampla e consentânea com as realidades idealizadas. O contato, porém, com essas realidades vividas no próprio ambiente, modifica-se sensivelmente, transformando completamente os planos pacientemente elaborados no Alto.

Vou tentar traduzir em palavras a razão desse fenômeno para vossa melhor compreensão. Quando a alma se encontra no seu plano de vida espiritual estudando, meditando e planejando sobre aquilo que pretende realizar na Terra, ela se preocupa fundamentalmente com a realização que concebeu com o fim de impulsionar o progresso da vida na Terra. Nesse trabalho paciente a alma se preocupa exclusivamente com os detalhes do seu plano, os quais aperfeiçoa e modifica segundo sua própria concepção e vontade, isenta, por conseguinte, da oposição ou resistência de outras Entidades. Uma vez, porém, mergulhada no ambiente terreno, já na posse de um novo corpo de carne, esta alma, animada dos mais elevados e justos propósitos, sofre as consequências peculiares da vida terrena, que são: primeiro o enfraquecimento do seu ímpeto de realizar o quanto elaborou pacientemente no Alto, isto em face do olvido de quanto haja registrado na sua memória espiritual. É este um fenômeno até hoje invencível pela maioria das almas encarnadas: o esquecimento de quase tudo quanto registraram em sua memória espiritual, para realizarem na Terra. Em segundo lugar têm as almas encarnadas de vencer a resistência do meio terreno à realização de suas grandes idéias de contribuírem para o adiantamento do progresso do meio terreno. É frequente a manifestação de dúvida das almas encarnadas a respeito de um plano de realizações projetadas por outras almas no mundo espiritual, isto pelo fato de não se encontrarem aquelas devidamente preparadas para entendê-lo. Mas surge também a oposição de muitas outras almas, as mais das vezes por não serem seus esses planos, o que é muito comum em certas almas encarnadas.

Nada disto constitui surpresa para nós no Alto, conhecendo como conhecemos os variados segredos das almas encarnadas. Os fatos, entretanto, poderão modificar-se completamente, se as almas encarnadas empenhadas em realizar grandes ou pequenas coisas na Terra souberem apelar para quem possa ajudá-las eficientemente nos seus projetos. Sabendo as almas encarnadas o quanto é diferente o ambiente terreno daquele que deixaram no Alto, em face da pressão vibratória peculiar ao ambiente material do plano físico, sabendo disto, e também do quanto este ambiente terreno é refratário à implantação das boas idéias, não terão mais a fazer para vencer em seus projetos, que apelar para o apoio das Forças Superiores. Se assim fizer, se souber invocar o apoio das Forças Superiores em favor de suas realizações, mas o fizer de coração puro, isento de ódio e malquerenças, poderá estar certa a alma que assim proceder, de ver concluído favoravelmente o que tiver empreendido de bom na Terra. O apoio das Forças Superiores terá o mérito de afastar das almas toda pressão vibratória negativa ou contrária aos seus empreendimentos, a qual, em certas circunstâncias, é capaz de anular a realização de belas coisas. É por conseguinte, do melhor alvitre, recorrerem as almas encarnadas ao apoio e proteção das Forças Superiores, sempre prontas e desejosas de ajudar as almas encarnadas que necessitem do seu apoio.

Em relação ao esquecimento tão comum nas almas encarnadas, daquilo que com tanto amor planificaram no Alto para empreender na Terra, há também um meio, um único e infalível meio, de poderem recordá-lo em sua memória física. Esse meio, eu já o apresentei em capítulo anterior mas é sempre bom repeti-lo aqui para sua maior firmeza em vossas mentes. O meio pelo qual todas as almas encarnadas podem recordar fatos e planos registrados em sua memória espiritual deixada no Alto, é a prece, minhas almas queridas. É a prece seguida da meditação que vos permite a todas penetrar no íntimo da vossa memória espiritual, e trazer de lá o que de importante tiverdes deixado nela guardado ao descerdes para a vossa vivência atual. E quantas de vós não terão deixado na memória espiritual, planos, idéias e projetos de importantes realizações na Terra, e aqui os olvidastes completamente. Procurai recordá-los então. Procurai avivá-los em vossa mente espiritual e transportá-los para a vossa memória física através da prece e da meditação, e talvez chegueis à realização de grandes coisas em vossa presente existência. Eu aqui vos declaro que em princípio nenhuma alma desce à Terra de mãos abanando, por assim dizer. Todas as almas que reencarnam são portadoras de algo que no Alto prepararam para realizar na Terra, e isso lhes valeu em parte a concessão da nova encarnação. Este princípio é obrigatório a todas as almas. As Forças Superiores que dirigem a vida terrena não concederiam a reencarnação duma alma sem que a mesma apresentasse os objetivos estudados e os planos de trabalho na Terra. Sem isso, minhas almas queridas, nenhuma alma poderá obter a desejada permissão para reencarnar. Por este motivo é que eu desejo insistir na necessidade de que todos vós, filhos e filhas que eu muito amo, vos empenheis em atrair da vossa memória espiritual os elementos que nela deixastes registrados ao partirdes para a Terra.

Imaginai-vos descendo um longo caminho entre o plano que deixastes no Alto e este plano terreno, portando delicada malinha debaixo do braço, na qual conduzistes vós todos os planos estudados e posteriormente aprovados pelas Forças Superiores, das realizações que pretendíeis implantar na vossa presente existência. Figurai então essa delicada malinha como sendo a vossa memória espiritual, e procurai firmar nela as vossas mentes, em seguida aos vossos momentos de prece e meditação. Fazei isto, minhas filhas e filhos queridos, mas fazei-o pondo nesse ato o interesse da alma antes que o do corpo, e certamente vos surpreendereis com o resultado. Se necessitardes de minha ajuda nesse ato que deve ser diário, bastar-vos-á chamar-me mentalmente, e eu vos ajudarei com a maior alegria. Se eu vos falo desta maneira, minhas almas queridas, é porque recebi instruções do Senhor Jesus, desejoso por sua vez de que realizeis já, a partir de agora, uma boa parcela do muito que no Alto vos comprometestes a realizar. Fazei isso, repito, e o Senhor vos recompensará em luzes, bênçãos e felicidade o que tiverdes conseguido realizar em benefício da coletividade.

Deixo-vos aqui a bênção que o Senhor vos envia por meu intermédio, e a minha própria que eu vos ofereço de todo o coração.


CAPÍTULO LI – Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. A constituição dos planetas. — Não existem problemas sem solução lógica, perfeita. — O suicídio é uma grande ilusão para quantos o cometem. — O meio de as almas solucionarem seus problemas. — Um plano de vida “sui-generis”.



Os fatos em perspectiva, programados desde séculos para acontecerem na Terra na época que estais vivendo, não são os únicos verificados no nosso sistema planetário, porque outros em tudo semelhantes se têm verificado em diversos planetas. Os planetas, como sabeis, são constituídos de matéria consolidada em superfícies irregulares resultantes do resfriamento que neles se produziu ab-início. Com o decorrer dos séculos e milênios, surgem oportunidades de modificações em quase todos, com a finalidade de adaptá-los às necessidades das respectivas populações. Estas marcham sempre em número crescente, requerendo certas modificações periódicas que permitam a vivência confortável das almas neles encarnadas, tal como se registra neste momento histórico da Terra. Sendo a totalidade dos planetas constituídos de matéria sólida muito semelhante ao vosso pequeno mundo, as modificações da sua estrutura só podem ser conseguidas com o emprego de meios mais ou menos violentos, cuja ação se produzirá também de modo violento. Isto que assistireis no vosso plano físico, tem sido registrado em quase todos os outros planetas, como disse, com objetividade de que possam melhor servir à vivência de suas populações.

Já foi dito e repetido suficientemente pelos luminosos mensageiros do Senhor ao vosso meio, que tudo quanto na Terra vier a acontecer, o será exaustivamente para o maior bem e felicidade de todos vós que aqui vos encontrais. A circunstância de tais fatos determinarem a partida de algumas ou muitas almas pela destruição provável dos respectivos veículos físicos, em nada diminuirá a felicidade de cada uma delas, porque só contribuirá para aumentá-la com o seu regresso ao respectivo plano espiritual. Fatos de natureza violenta sempre ocorreram neste e outros planos do Universo, determinando a desencarnação de almas por assim dizer cheias de vida. Essas almas, porém, constataram imediatamente após o fato ocorrido, que apenas retornaram felizes ao seu plano de vida espiritual. Isto tem acontecido pelos séculos e milênios em fora, inclusive a muitas das minhas queridas filhas e filhos que novamente aqui se encontram. E todas essas almas puderam verificar por si mesmas que tudo terá acontecido única e exclusivamente para o seu maior bem e felicidade espiritual. Numa única circunstância a destruição de uma vida física acarretará sofrimento à alma encarnada; é quando a destruição houver sido promovida pela própria alma, resultando esse ato num verdadeiro atentado às leis divinas, e portanto um crime praticado contra si própria. As leis divinas condenam tais fatos de maneira a que as almas neles envolvidas sinceramente se arrependam no decorrer duma vivência espiritual de profunda meditação no Além, em torno das circunstâncias que as tiverem induzido a atentarem contra si mesmas na Terra.

Para um esclarecimento rápido das vossas almas, eu vos direi que não existem absolutamente problemas sem solução lógica, perfeita, seja em que plano for da vida universal. O fato de vos surgir determinado obstáculo em vosso caminho, ao qual denominais de problema, nada mais é, por vezes, que a consequência de certos atos praticados anteriormente, ou, como sucede em muitos casos, uma espécie de barreira colocada em vossa frente para que sobre ela mediteis. Não há, porém, problema insolúvel, não apenas no ambiente terreno como em todos os demais planos do Universo. Se as criaturas levadas ao desespero, que atentam contra si mesmas na suposição de que pela fuga solucionam os seus problemas, meditassem bastante sobre eles, procurando captar uma inspiração antiga, decerto não mais haveria no mundo um único caso de suicídio. O suicídio, além de um crime contra as leis divinas, é uma evidente prova de fraqueza moral das pessoas que o cometem. Uma fraqueza apenas, não, meus queridos. O suicídio é ainda uma grande ilusão para quantos o cometem, na suposição enganosa de resolverem por esse meio as suas dificuldades momentâneas. Tão depressa essas almas se desligam do seu veículo físico, elas se convencem desta verdade, por se sentirem novamente envolvidas pelas causas que as levaram a assim proceder. E como tal procedimento não consiga solucionar os seus problemas, ei-las envoltas em novo sofrimento no mundo espiritual, onde não dispõem de meios para solucionar os problemas que deixaram na Terra.

Eu conheço apenas um meio hábil de todas as almas encarnadas solucionarem os seus problemas, por mais complexos que eles se apresentem: é o meio da oração sincera dirigida ao Senhor Jesus, rogando-lhe com humildade e pureza de coração uma inspiração salvadora. Este é o único meio que conheço, minhas almas queridas, pelo qual todas as criaturas receberão aquela inspiração salvadora para solucionar problemas aparentemente insolúveis. As dificuldades surgem na vida de todas as almas encarnadas, pela mesma razão que o aluno se defronta com um novo problema cada dia em suas matérias de estudo. Sabendo-se que tais problemas lhe terão sido postos em virtude de sua aptidão para os resolver, ele, com um pouco de raciocínio, logo alcançará a solução; e se esta não lhe chegar integral, os mestres ajudá-lo-ão a atingi-la. Na vida humana se processa o mesmo fenômeno constantemente. Quando o ser humano não conseguir por si mesmo a solução de seu problema, não terá outra coisa a fazer que apelar para as Forças Superiores, o Senhor Jesus, por exemplo, e a inspiração logo ocorrerá. O que é preciso, unicamente, é a criatura solicitar essa inspiração com humildade e pureza d’alma, como disse, para poder recebê-la. Eu confesso desconhecer outro meio tão pronto e eficaz como seja a oração. Ninguém que até hoje tenha apelado para ela cometeu ato de desespero. E todos quantos o fizeram estão aí para corroborar estas minhas palavras.

Passemos agora a outro assunto que eu desejo oferecer nestas páginas à vossa apreciação. Desejo tratar aqui do que se relaciona com a partida das almas despreparadas, ao fim de mais uma encarnação na Terra. Por almas despreparadas eu desejo definir aquelas que viveram a sua existência voltadas unicamente para os interesses da vida material, despreocupadas, por conseguinte, das coisas do Espírito, dos interesses da alma. Há muitas almas vivendo nestas condições, infelizmente, jactando-se quantas delas em não quererem saber de nada do Espírito. Deveis conhecer algumas todos vós, porque não fazem disso segredo, ao contrário, sentem prazer em assim se proclamarem na ilusão de uma falsa superioridade. Chegado o momento de sua partida, um momento que existe na vida de todos os seres espiritualizados ou não, chegado esse momento, esta categoria de almas sente-se projetada no vácuo sem ter para quem apelar. Tratando-se em regra de almas descrentes do que existe de puro, elevado, no mundo espiritual, estas almas não possuem meios de se elevarem sequer do solo terreno, uma vez que lhes faltam o que eu denominarei as asas da fé. Podem estas almas ter vivido em meio de crenças religiosas, destas que se empenham em destacar primordialmente o valor da pessoa humana, ensinando-a a cultivar e desenvolver os valores materiais como fator de grandeza neste mundo terreno. Este tipo de crença que existe em todas as religiões materialistas do mundo terreno, apenas consegue desviar as almas do seu verdadeiro caminho, o caminho que no Alto tanto se empenharam em seguir quando encarnadas, que é o caminho da fé, do amor e da luz espiritual. Uma vez encarnadas, porém, e dispondo do seu livre arbítrio, esta categoria de almas enveredou por caminhos outros que não aquele que prometeu seguir, e ei-las agora, finda a sua encarnação, a palmilhar o solo terreno como se encarnadas ainda permanecessem. Dada a densidade do veículo espiritual destas almas, construído de matéria fluídica bastante pesada, e não possuindo, como disse, as asas da fé para se elevarem acima do solo terreno, estas almas aí ficam por tempos esquecidos, supondo quase todas que ainda permanecem na carne. O resultado de tal situação é o sofrimento que delas se apodera ao se sentirem incapazes de continuar a dirigir os seus negócios, os seus interesses, em cuja administração não conseguem sequer ser ouvidas pelos seus familiares.

Passados os tempos, anos e anos, na situação descrita, surge para muitas das almas desta categoria um tipo de passatempo ao qual as mesmas se entregam que é o seguinte: sentindo-se perfeitamente integradas na sua personalidade e desejosas de fazer alguma coisa para viver, elas se adaptam a um tipo de vida intermediário entre o plano terreno e o espiritual. É este um plano fluídico que medeia entre o solo terreno e o plano espiritual, onde aquelas almas se instalam e nele passam a viver, digamos, por força das circunstâncias. Não possuindo mais o corpo físico que foi levado à sepultura, e não podendo ascender sequer ao plano inferior do mundo espiritual, estas almas criaram um plano de vida sui-generis onde passaram a viver por tempo indeterminado. Quem algum dia visitar este plano fluídico encontrará vivendo aí uma multidão de almas que se entregam ao mesmo gênero de ocupações que mantinham na Terra. Aí negociam muitas delas com jóias, bijuterias, alimentos, roupas, calçados e outros gêneros, com o mesmo apego ao lucro de antigamente. Existe nesse plano intermediário um pequeno mundo de coisas e objetos criados pela imaginação dos próprios habitantes, no qual os mesmos se mantêm por dezenas e dezenas de anos, até que a luz se faça em suas almas e elas se voltem então para o poder maravilhoso da oração e da fé.

Sucede organizarem-se periodicamente no Alto caravanas de missionários que se dirigem a este plano fluídico com o fim de pregar aquele maravilhoso poder da oração e da fé às almas arrimadas nesse mundo semi-materializado. Tais caravanas ali se demoram semanas e semanas nesse belo trabalho de despertamento da fé no âmago daquelas nossas irmãs, e graças a tão devotada dedicação dos luminosos missionários do Senhor, sempre conseguem conduzir no regresso algumas delas. É de entristecer, porém, ouvirem aqueles missionários, ao fim de suas pregações impregnadas dos mais belos sentimentos de amor fraternal para com as almas animadas naquele plano fluídico, expressões como esta:

— Vós sois Espíritos, bem o reconhecemos; nós, porém, nada queremos com o Espiritismo. Por esta manifestação bem podereis avaliar a densidade da treva que ainda envolve aquela categoria de almas.

Mas não será preciso ir-se até àquele plano fluídico bem próximo do solo terreno para ouvir expressões semelhantes. Aqui mesmo, expressões semelhantes são proferidas por pessoas possuidoras de alguma instrução, vivendo entre espiritualistas, sabendo que o espiritualismo é uma lei, porque todos os seres humanos são Espíritos revestidos de um corpo de carne, mas insistem em negar a existência do espiritualismo, o que equivale a negar a própria existência. Espiritismo, segundo a sábia definição do seu grande codificador, é a crença na existência do Espírito, e o intercâmbio das almas encarnadas com aquelas que permanecem no mundo espiritual. Até certo ponto justifica-se a oposição cerrada que na Terra se desenvolveu à prática desse intercâmbio, pelo temor dos males que daí pudessem advir, sobretudo pelo fanatismo em que poderiam incorrer alguns dos experimentadores. Hoje em dia, porém, mais de um século e meio decorrido da codificação, e provada à saciedade a influência que as práticas espíritas podem exercer no sentido da felicidade e bem-estar do ser humano, não podem subsistir as razões invocadas nos primórdios desta bela doutrina. Já está mais do que provada á excelência da doutrina espirita sobre as almas encarnadas, permitindo-lhes comunicarem-se com os entes que partiram da vida terrena, como se apenas se houvessem transferido para outra cidade ou país. Dessa nova situação de vida, os entes que partiram comunicam-se e dão idéias suas aos que ficaram na Terra, no que lhes proporcionam grandes consolações. Perguntemos então: a quem poderá prejudicar o estudo e prática da doutrina dos espíritos? As pessoas que ficaram na Terra? Não, absolutamente pela alegria e consolações que lhes trazem as mensagens das almas queridas que se foram. A quem, então, pode prejudicar tão bela doutrina?

A doutrina dos Espíritos não deve ser tida como concorrente de nenhuma crença religiosa ou filosófica existente no mundo. Podem os adeptos de quaisquer das correntes religiosas ser seus mais fervorosos seguidores e por isso praticantes dos seus preceitos, e praticar também o intercâmbio espiritual, recebendo carinhosas mensagens dos seus entes queridos. Nenhum procedimento desta natureza colide com o sentimento religioso de nenhum credo terreno, visto como, ao desencarnarem de seus veículos atuais, todos os seres humanos adeptos de todas as religiões se tornarão, Espíritos, tais como eram antes de reencarnarem. E se a doutrina dos Espíritos envolve estudiosos e praticantes em tão grandes alegrias espirituais, não há como continuar a oposição suscitada nos primórdios a tão consoladora doutrina. Estudai o Espiritismo, filhas e filhos meus, e vereis como se encherão das mais puras alegrias os vossos corações.


Deixo-vos aqui a bênção que o Senhor vos envia por meu intermédio, e a minha própria que eu vos ofereço de todo o coração.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

CAPÍTULO L – Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. Minha resolução de vir também à Terra mereceu a aprovação do Senhor. — Vossos mais úteis momentos. — O mundo invisível ou Mundo Divino. — Objetivo primordial da reencarnação. — Estuda-se no Alto novo conceito sobre reencarnações.




A minha determinação de vir ao ambiente terreno com a finalidade de ditar um livro de conselhos e ensinamentos destinados a ajudar as almas encarnadas no seu progresso espiritual, mereceu a inteira aprovação do Senhor Jesus, empenhado como está no esclarecimento de todos os seres humanos. Preocupada eu própria com o que possa vir a acontecer às minhas queridas filhas e filhos terrenos, no decorrer dos acontecimentos em perspectiva, eu tomei a resolução de vir também à Terra para aqui deixar enfeixados em livro, os conselhos e ensinamentos que eu julgo da maior utilidade para todos.

Uma vez transcorridos os fatos anunciados, e concluídas as operações transformatórias do planeta, estes conselhos e ensinamentos manterão a sua grande utilidade para as almas que vierem chegando do Alto, sabido como é que muito poucas delas conseguem recordar na carne o que aprenderam na espiritualidade. Por tal motivo é que eu considero este livro atualizado para quantos se dispuserem a estudá-lo. Isto porque os ensinamentos aqui enfeixados serão sempre novos e oportunos, uma vez que as circunstâncias não mudam no mundo espiritual, onde toda a vida obedece às leis divinas, sábias e eternas.

Gostaria de poder penetrar no âmago de todas as almas encarnadas neste pequeno mundo de Deus, e lá inscrever o quanto pudesse ajudá-las no cumprimento de suas tarefas, sem que seus pensamentos se desviassem um minuto sequer dos verdadeiros objetivos que trouxeram à Terra. Nenhuma de vós, minhas almas queridas, desceu ao solo terreno para aqui se distrair com as coisas peculiares a este plano de vida material. Deveis capacitar-vos de que todas trouxestes um belo programa de vida a ser cumprido durante a vossa permanência na carne, programa por vós próprias elaborado e aprovado pelas Forças Superiores que dirigem a vida na Terra. Há necessariamente tempo para tudo. Há tempo de trabalhar, tempo para descansar, e tempo para orar. O corpo físico, sendo como é um instrumento construído para servir de veículo ao Espírito, necessita de grandes cuidados, é verdade, durante sua atividade diurna, e do indispensável repouso ao fim de cada dia de trabalho. É pois necessário dar ao corpo todos os cuidados, a fim de prolongar ao máximo a sua utilização pelo Espírito. Terminado, então, o período de trabalho diurno e o repouso do fim do dia, eis que se apresenta para à alma — ao Espírito — o período mais interessante da sua vivência no corpo, que é aquele destinado à manutenção do seu contato com as Forças Superiores, sem o qual toda a vida terrena decorrerá de certo modo improdutiva para a alma encarnada. Os momentos em que as almas encarnadas se mantiverem em ligação mental com o Mundo Divino por meio da oração, podem ser considerados como os mais úteis da sua vida terrena. É nesses momentos que as almas recebem do plano espiritual ou Mundo Divino os eflúvios indispensáveis à conservação da saúde e fortaleza de sua matéria, embora muitas almas encarnadas ainda o ignorem. A ligação estabelecida diariamente com as Forças Superiores nos momentos de oração atrai dos planos superiores uma corrente fluídica que se irradia por todo o organismo físico da alma que ora, eliminando do mesmo um sem-número de elementos nele acumulados durante o dia, inteiramente contrários à saúde e bem estar. A corrente fluídica assim atraída dos planos superiores atinge o organismo em forma de chuveiro fluídico, sendo perfeitamente visível aos portadores da vidência espiritual, principalmente no estado de penumbra. Mas não penseis que exista nos planos superiores algum depósito de fluidos desta espécie, minhas queridas; absolutamente. A corrente fluídica mais ou menos intensa é produzida pelas próprias vibrações da prece quando realizada com verdadeira concentração e fervor pela alma que ora. Uma prece assim pronunciada produz no campo mental da alma uma condensação fluídica, a qual a seguir se derrama sobre a própria alma, com estes dois resultados: aumenta a intensidade luminosa da alma e beneficia-lhe o organismo físico, conservando-o limpo dos miasmas invisíveis de que está inundado o mundo terreno. Vede, pois, almas queridas, que quando recomendamos insistentemente o hábito da prece diária ao Senhor, nós visamos também outros importantes resultados, como acabais de ver. Se eu vos disser, então, que os vossos mais úteis momentos vividos na Terra são aqueles em que vos entregais à prece, estarei dizendo-vos uma grande verdade, porque realmente assim é. Por meio da prece solucionareis os problemas mais complexos que porventura defrontardes na vida, e mantereis saudável o vosso corpo. Será preciso dizer mais? Eu creio que não, minhas queridas.

A seguir vamos conversar um pouco sobre o mundo invisível ou Mundo Divino, que é a verdadeira morada de todas as almas. Sim; a verdadeira morada das almas é o Mundo Divino com todos os seus planos de vida mais e menos evoluídos, segundo a categoria das almas que neles moram. Residindo nesses planos em caráter permanente, as almas vêm à Terra periodicamente, assim como as crianças que deixam temporariamente os lares para se internarem nos colégios da Terra. Concluído o período letivo, ei-las que retornam aos lares para o necessário repouso, tal como sucede às almas encarnadas ao regressarem da Terra. A diferença consiste apenas na duração do período letivo das almas encarnadas. Enquanto as crianças regressam aos lares ao fim de apenas poucos meses de estudo, para novamente voltarem ao colégio, as almas têm um período certo de estudo que corresponde ao período de sua encarnação. Felizes serão por conseguinte, aquelas que se empenharem na aquisição do maior volume de conhecimentos nesse período, na certeza de que um outro lhes será bem difícil de alcançar antes que muitos e muitos anos tenham decorrido. O aproveitamento das almas em cada uma de suas vindas à Terra em corpo físico verifica-se muito facilmente pela sua luminosidade espiritual, ao regressarem da Terra. Essa luminosidade, como sabeis, decorre destes dois fatores principais: da continuidade do seu devotamento à prece diária, conforme expliquei linhas acima, e dos atos meritórios porventura praticados durante a encarnação. A luz resultante da prática de atos meritórios é conferida à alma pelas Forças Superiores, numa justa retribuição daquilo que houver feito de bom aos seus semelhantes, e que as Forças Superiores consideram integrado no serviço divino da Terra. Desta maneira é que temos a alegria de presenciar a chegada no Alto, de almas vindas deste plano físico, esplendidamente radiosas, graças aos dois fatores que acabo de citar. E isto é tão fácil de conseguir, minhas almas queridas, que eu desejaria poder assistir com a mesma alegria à chegada no Alto de cada uma de vós naquelas mesmas condições. Vamos, então, fazer um esforço neste sentido?
Considerando decisiva para muitas almas a sua encarnação atual, após um número bastante elevado de outras vindas à Terra, o Senhor Jesus manda-nos repisar o assunto luminosidade, que constitui o objetivo primordial da vinda de todas as almas à Terra. Com efeito, se o objetivo é adquirir luminosidade, e esta se encontra ao alcance da vontade de todas as almas encarnadas nesta sua última oportunidade, eu pediria aqui de todo o meu coração a todas vós, leitoras, e igualmente a todos os leitores, que mediteis seriamente nisto: tendo esperado um século ou mais no vosso plano de vida espiritual por esta encarnação que estais vivendo; e tendo elaborado pacientemente um belo plano de vida na Terra para do seu cumprimento alcançardes, possivelmente, o vosso milhão de onças de luz. para engrandecimento do próprio diadema, como, então, vos deixardes seduzir pelas enganosas visagens terrenas, em vez de vos preocupardes a fundo com o vosso verdadeiro e grandioso interesse espiritual? Já sabeis que daqui nada levareis além da luz que tiverdes adquirido. Os divertimentos, os bens de fortuna, a grandeza material, os prazeres das viagens e o regalo do Espírito, não passam de efeitos fugazes em vossa existência terrena, que nenhuma luminosidade produzem para engrandecimento do vosso diadema. A riqueza e a prosperidade terrenas são aquisições fáceis das almas fortes, materialmente falando, daquelas que a esse objetivo se dedicam em ação e pensamento em todos os minutos da vida. Isto, entretanto, em nada pode contribuir para a sua verdadeira felicidade, que é a felicidade espiritual, se daí não resultar a prática de atos meritórios, a juízo das Forças Superiores. Constitui motivo de grande tristeza para todas nós no Alto, assistir à chegada de almas que se tornaram ricas e poderosas de bens materiais em sua recente encarnação, e nada fizeram no sentido do próprio engrandecimento da sua personalidade espiritual. Perdem-se desta maneira encarnações ansiosamente aguardadas através de longos decênios, para, uma vez conseguidas, serem assim esbanjadas no gozo infrutífero da vida puramente material.

Conversava, não faz muito, no Alto, um pequeno grupo de Entidades já bastante evoluídas, cujo assunto era precisamente este de que venho tratando linhas acima. Emitia cada qual a sua opinião acerca das encarnações na Terra, através das quais nem todas as almas conseguem alcançar aquelas onças de luz que tanto desejavam e prometeram alcançar na Terra. A conversa prosseguia muito interessante, tendo-se manifestado a respeito quase todas as participantes do grupo, quando foi notada a aproximação de uma Entidade de grande luminosidade, acercando-se do pequeno grupo. Esta Entidade, saudada com grande reverência pelas demais, foi informada do assunto conversado, e convidada a emitir também a sua opinião a respeito das encarnações na Terra. A Entidade ouviu atentamente, e assim se manifestou:
— É tempo já, na minha opinião, de estabelecer-se um novo conceito a respeito das encarnações no mundo terreno. Sabemos todos, porque diariamente testemunhamos, dos enormes desvios de muitas almas que partem para a Terra decididas a batalhar pelo seu crescimento espiritual munidas dos mais belos projetos de trabalho com esse objetivo, mas que, infelizmente, lá se deixam empolgar e até dominar por verdadeiras quimeras, esquecendo-se totalmente do seu real objetivo. Isto acontece diariamente, como sabemos. Sabemos igualmente que o Senhor tudo tem empreendido no sentido de corrigir esse mal, seja por meio da inspiração transmitida na Terra ao ouvido espiritual dos encarnados, seja repetindo essa inspiração às almas, em suas horas de sono do corpo. Na minha opinião, portanto, parece-me que é necessário mudar o processo. Julgo necessário estabelecer-se uma determinada responsabilidade individual a todas as almas, antes de lhes ser concedida uma nova encarnação. Eu me explico. Consideremos a quantidade enorme de almas necessitadas de reencarnar, e a exiguidade de corpos existentes para isso, em face do controle que lá vem sendo exercido, com ou sem razão, que não nos cabe discutir. Tratemos apenas do fato em si. Para selecionar-se, então, as almas capazes de cumprir na Terra o seu compromisso com o Senhor, eu sugiro o seguinte:

— Cada alma distinguida com uma nova reencarnação assinará um compromisso relacionado com um certo período de tempo, para efeito duma nova reencarnação. Se se empenhar na Terra em dar fiel cumprimento ao mesmo, segundo o volume de onças de luz adquiridas, essa alma terá conquistado, concomitantemente, o direito de voltar à Terra quando desejar. Se, entretanto, continuar esse desvio até agora verificado na maioria das almas que vão à Terra, aquelas que não derem fiel cumprimento ao que no Alto prometeram ao Senhor, ver-se-ão privadas de reencarnar por tantos séculos, quantos forem os graus apurados do seu desvio daquilo que prometeram. O que não é possível, meus irmãos — prosseguiu a Entidade —  é continuarmos a assistir ao regresso da Terra de tão grande número de almas faltosas, após uma existência terrena de fartura material e desperdício de excelentes oportunidades de praticar a lei do amor aos semelhantes.

Usou neste momento da palavra um dos componentes do pequeno grupo:

— Querido irmão, como seria feito, na sua valiosa opinião, o cálculo dos pontos faltosos, porventura encontrados no desvio das almas, em relação ao Compromisso assumido aqui perante O Senhor Jesus?

A Entidade meditou um instante e respondeu:

— O cálculo poderá ser feito muito facilmente da seguinte maneira: assinalar-se-á o número 100, por exemplo, de pontos para cada compromisso assumido por uma alma em torno do plano de vida elaborado e aprovado para executar na Terra. No seu regresso proceder-se-á ao confronto do que tiver prometido cumprir com o que efetivamente cumpriu, e estabelecer-se-á a diferença. Deve-se considerar, natural uma boa percentagem como desvio natural e invencível pelas almas, face ao ambiente contrário que existe na Terra. Essa percentagem poderá ser tolerada até mesmo cinquenta por cento, o que representa uma boa tolerância. O que exceder a esse número será então considerado como desleixo da própria alma, que terá feito ouvidos moucos a todas as inspirações recebidas durante a sua estada na Terra. Contar-se-á então o número de pontos faltosos, dos quais resultará o número de séculos em que a mesma alma deverá ficar privada de voltar à Terra, e não impedir que outras mais atentas o façam. Essas almas frequentarão daqui por diante as nossas escolas mais assiduamente, sobretudo aquelas que ajudam a construir uma vontade determinada de vencer-se a si mesmas.

O assunto, de tão interessante, foi transferido para outras reuniões semelhantes, sendo aprovado pelo Senhor Jesus, como subsidiário das modificações a serem introduzidas no capítulo das reencarnações, em estudo pelas Forças Superiores.

Deixo-vos aqui a bênção que o Senhor vos envia por meu intermédio, e a minha própria que eu vos ofereço de todo o coração.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

CAPÍTULO XLIX – Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. A razão de certos obstáculos, sucessos ou insucessos defrontados em vossas vidas. — A aquisição de novas luzes pelas almas desencarnadas. — Todas as almas encontram ocupação remunerada no Alto. — As desencarnadas na idade infantil.



Desejo transmitir às minhas queridas filhas e filhos encarnados, no decorrer deste livro, o maior número possível de esclarecimentos em torno da vida das almas no Além, com o objetivo de que melhor se preparem para a oportunidade do seu regresso. Nestes esclarecimentos eu não estou trazendo nada que todas vós, almas queridas, já não conheçais, porque tendo vivido séculos e séculos no mundo espiritual, todas conheceis de sobra o que lá existe. Apenas se verifica que estando agora encarnadas na Terra, e não conseguindo recordar a vossa memória espiritual, é como se de nada soubésseis. Mas, tomando conhecimento de quanto eu vos escrevo nas páginas deste livro, tereis oportunidade de ajustar os vossos atos e pensamentos ao que verdadeiramente vos interessa como almas que realmente sois, e algum dia regressareis ao plano de vida espiritual a que pertencerdes. O conhecimento, por conseguinte, dos fatos e circunstancias que no Alto se verificam, muito útil será para todas vós, porque vos dará a noção constante de que não pertenceis à Terra, nada levareis da Terra no vosso regresso, mas apenas conduzireis como bagagem o maior ou menor volume de luzes que conseguirdes acumular ao longo da vossa existência terrena. Isto não sucederá pela primeira nem pela décima vez, minhas queridas, porque tem sucedido igualmente em todas as vossas vindas à Terra, que são muitas, embora não as recordais enquanto permanecerdes na carne. Regressando, porém, à vossa morada no Além, lá ireis encontrar, perfeitamente anotadas nas páginas do livro de vossas vidas, com uma clareza notável, tudo quanto tiverdes sido no passado; desde que vos tornastes almas conscientes até à vossa presente encarnação. E então tereis oportunidade de constatar vós mesmas todos os acertos ou desacertos cometidos por vós, e, consequentemente, a razão de certos obstáculos, sucessos ou insucessos defrontados em vossas vidas atuais.

Há no Alto uma lei regulando a convivência de todas as almas estagiárias, que são todas aquelas que lá se encontram no estado de desencarnadas. Determina a referida lei a obrigação das almas se preocuparem constantemente com a aquisição de maior volume de luzes para o seu diadema, assim denominada por nós a aura luminosa que se apresenta formando um pequeno círculo em volta da cabeça de todas as almas, tanto no estado de desencarnadas no Além, como quando encarnadas na Terra. É pela maior ou menor projeção dessa aura que nós podemos identificar o grau evolutivo de cada uma das almas encarnadas, o que, entretanto, nenhuma de vós pode fazer pela falta da necessária vidência espiritual. Este fato permite-nos, pois, a todas nós desencarnadas, verificar a existência neste vosso plano terreno, de almas já grandemente evoluídas, vivendo muitas delas vidas bastante modestas no vosso meio. Esta é uma grande verdade, minhas queridas. Pode dar-se, inclusive, que estejais relacionadas com pessoas absolutamente simples em sua modéstia, vivendo vidas algo difíceis porque assim as tenham solicitado, e no entanto, ostentando uma aura assaz luminosa, a atestar o seu grau evolutivo. Trata-se então de almas que desejaram voltar ao ambiente terreno com a missão de aconselhar e servir aos semelhantes, enquanto apuram ao máximo as suas próprias faculdades psíquicas por meio da oração diária ao Senhor do Mundo. As Forças Superiores utilizam-se muito frequentemente desta categoria de almas encarnadas para difundir idéias novas no ambiente terreno, pela circunstância de as mesmas se encontrarem quase sempre com suas antenas espirituais em estado de funcionamento.

Mas voltemos a falar da vivência das almas no Além, o nosso assunto inicial. Tendo por dever preocuparem-se as almas desencarnadas com a aquisição de novas luzes para o seu diadema, surge daí a necessidade de algo fazerem com esse objetivo. Mas não há nenhuma dificuldade nisto, porque muito há no Além em que as almas se ocuparem, e com verdadeiro prazer espiritual. Existe trabalho e ocupação para todas, e o mais variado, à escolha de cada uma. Há, por exemplo, a assistência à infância, na qual se ocupam milhares de almas no Além. Não vos admireis em eu vos falar aqui na assistência à infância no Além, quando sabeis que no mundo espiritual não há nascimentos como ocorre na Terra. Há por lá o que nós chamamos nascimentos, que são as almas que aqui desencarnam na idade infantil, e regressam ao Alto na sua condição de crianças. Tendo sido embora adultos anteriormente, mas tendo reencarnado e construído o seu corpinho de crianças, se essas almas vierem a desencarnar na infância, como infelizmente sucede por toda parte, essas almas infantis necessitam que se cuide delas como se crianças autênticas fossem. Existem então no Além grandes instituições destinadas a receber e cuidar dessas crianças espirituais, ocupando para isso milhares de almas adultas que escolheram esse tipo de prestação de serviço.
A lei, entretanto, que rege a permanência de almas infantis no Além, difere um pouco daquela que rege a permanência das almas adultas. Enquanto estas terão de aguardar dezenas de anos, séculos até, para poderem voltar à Terra, as almas infantis podem retornar muito mais cedo, sendo que muitas voltam a reencarnar no mesmo lar que deixaram aqui, para alegria dos seus pais que ficaram inconsoláveis. Isto acontece mais frequentemente em virtude do empenho das mães que perderam um filhinho, no sentido de o recuperarem para alegria do seu coração. São, em muitos casos, mães que possuíram um filho apenas, e vêem-no partir de um momento para outro, de volta ao plano espiritual. Estas mães inconsoláveis aproveitam as horas de sono do corpo e partem ao encontro do filhinho querido, suplicando-lhe que regresse, que volte ao seu coração na Terra, porque não podem viver sem a sua companhia. E tanto suplicam, vezes seguidas, que as Forças Superiores, sempre desejosas de atender aos pedidos justos das almas encarnadas, determinam o regresso das almas infantis ao lar materno, onde as mesmas retornam ao coração dos pais anteriores. Este fato é aliás muito frequente, sendo provável que conheçais alguns casos típicos, em que num lar recentemente abandonado por uma criança venha a nascer outra do mesmo sexo com feições inteiramente semelhantes às daquela que dali partira. Deve-se isto aos rogos, às súplicas da mãe inconformada, dirigidas com fervor ao Senhor Jesus, para conseguir a volta do seu filhinho. Pode acontecer então, e já tem acontecido, a um lar que apenas hospedara um filho, receber dois ou mais filhos, para maior alegria dos pais.

As almas infantis assim regressadas à vivência terrena são portadoras do mesmo plano de vida que antes trouxeram e não puderam cumprir por haverem desencarnado. Seu regresso pela desencarnação ao plano espiritual pode ter ocorrido por vários motivos, todos eles independentes da vontade da criança, a qual igualmente os terá lamentado e muito. Juntando-se então no Além, a súplica da mãe inconsolável ao mesmo anseio da alma em voltar à Terra, isto ajuda a determinação das Forças Superiores de autorizarem a respectiva reencarnação. Restam, entretanto, alguns milhares de outras almas infantis nos planos do Além, sendo necessário cuidar delas com o máximo de carinho. Disto se encarregam então as almas adultas que queiram prestar serviço neste setor, encontrando aí a sua oportunidade de aumentar a luminosidade do seu diadema.

Existem, porém, outros tipos de prestação de serviços para todas as almas que desejem servir ao Senhor. Ao Senhor, digo bem, porque todo o trabalho prestado nos planos espirituais é prestado ao Senhor, e por Ele retribuído em onças de luz a quantos o produzem. Há, por exemplo, o trabalho de esclarecimento das almas menos evoluídas, no qual se ocupa um número incontável de almas mais adiantadas, agindo cada qual na sua esfera de conhecimentos. Esta espécie de trabalho inicia-se, a bem dizer, no grau de primeiras letras, para as almas recém-vindas das esferas inferiores, e se estende aos cursos científicos mais adiantados, ministrados por verdadeiros mestres que passaram pelo vosso pequeno mundo. Impossível será dizer-vos aqui qual o número aproximado de almas dedicadas ao esclarecimento de suas irmãs no Alto, como impossível seria para vós dizer-me qual o número de professores em atividade em todos os setores da Terra. O ensino nos planos espirituais, ao contrário do que é ministrado nas escolas terrenas, não versa em absoluto sobre assuntos gramaticais nem teoremas matemáticos. No Alto procura-se desenvolver principalmente o intelecto das almas no sentido das realidades da vida universal, exercitando-as especialmente no discernimento entre o bem e o mal. Este tipo de ensino tem o mérito de desenvolver capacidade de raciocínio das almas, preparando-as para o domínio dos problemas que todas defrontarão no desdobramento de sua existência infinita. O domínio dos idiomas e dos problemas relacionados com as ciências positivas, as almas o conseguirão ao longo de suas vindas ao solo terreno de século em século, quando terão suas oportunidades de produzir algo em favor do progresso do mundo terreno. Aqui sim; as almas em geral se iniciam na escola primária e seguem segundo um conjunto de circunstâncias, em direção aos objetivos fundamentais que trouxeram no seu plano de vida terrena. Aquelas que tendes visto galgar em poucos anos certos postos de destaque, apenas os conseguiram em face de conhecimentos e desenvolvimento trazidos do Além, e aqui apenas despertados. Porque, em verdade, minhas queridas, as escolas terrenas o que fazem é despertar nas almas encarnadas os conhecimentos acumulados em suas mentes, do que resultará o maior ou menor êxito em seus empreendimentos. Esta é uma verdade autêntica, minhas almas queridas. Por esta razão se justifica, quantas vezes, o vão esforço de muitos pais em tentar impulsionar os filhos para a frente e para cima, sem que os filhos possam corresponder a tal esforço. Eu compararei esse fato a um belo automóvel estacionado à vossa porta, muito bem tratado, muito bem polido, mas carecendo de combustível. De nada vos adiantará tentar pô-lo em movimento em tais condições. Com os filhos, contudo, as coisas têm de ser algo diferentes. Aqueles que não puderem corresponder ao esforço dos pais, é claro que não o fazem por falta de combustível; uma vez que eles não são automóveis. A estes filhos faltar-lhes-á então substância, como é bem de ver. Faltar-lhes-á aquela substância resultante de experiências vividas anteriormente, das quais terá resultado a formação de um patrimônio espiritual. De tal patrimônio é que procede a substância à qual me refiro, de cuja posse em maior ou menor grau é que resultará o êxito das almas encarnadas.

Como, entretanto, nem todas as almas vêm à Terra para ascender aos mais altos degraus da vida terrena, mas para desempenhar um determinado papel em sua vida, não devem os pais deixar-se abater com o insucesso dos esforços que fizerem para impulsionar o êxito de seus entes queridos. Para o Senhor Jesus, o mérito de um filho não se encontra no fato de ter o mesmo ascendido às mais altas posições do mundo terreno, porém na linha do seu comportamento em relação aos seus deveres espirituais, segundo o compromisso assumido ao reencarnar. Eu direi, em acréscimo do que aí fica, que mais fácil será a uma alma encarnada cumprir integralmente o que no Alto prometeu, vivendo uma existência modesta ou quase apagada, do que àquela que o seu saber e as circunstâncias houverem guindado a posições de grande destaque. Estas, de muito visadas pela coletividade, e continuamente assediadas pela multidão de interesses contrariados, estão em regra mais sujeitas a se desviarem da rota que se traçaram, e por efeito disto a falirem mais facilmente. Aí está, por conseguinte, em palavras rápidas e simples, a razão de não poderem todas as almas encarnadas alcançar idênticos objetivos materiais na vida terrena, sem que isso as diminua perante o Senhor Jesus. A verdade, porém, é que todas a seu tempo serão provadas nas mesmas posições e circunstâncias, não importa a existência nem o século, minhas almas queridas.


Deixo-vos aqui a bênção que o Senhor vos envia por meu intermédio, e a minha própria que eu vos ofereço de todo o coração.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

CAPÍTULO XLVIII – Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. O desinteresse manifestado por muitas almas sobre o seu regresso ao mundo espiritual, fato certo, irremovível. — Quem bem pensa bem age. — Deveis preocupar-vos com o vosso regresso. — Palavras de verdadeira fé operam grande milagre.



As circunstâncias que rodearam no Além a elaboração dos planos transformatórios deste pequeno mundo de Deus, deram-nos a segurança de que todo esse movimento se há de processar com um mínimo de sacrifícios para as almas encarnadas. Alguns sacrifícios sempre os haverá, principalmente nas áreas densamente povoadas, nas cidades, por exemplo, que estiverem situadas nas regiões a serem atingidas pelas modificações do solo terreno. Isto tudo foi previsto pelas Forças Superiores na elaboração dos planos, mas foram planejados inclusive os socorros a serem prestados às populações, não havendo assim motivos de maiores preocupações por esse lado.

Os homens e as mulheres do momento histórico por que está passando a Terra, sendo como são, Espíritos de uma certa elevação, bem compreenderão os fatos quando eles se apresentarem, de modo a se ajustarem aos mesmos e neles se integrarem da melhor maneira possível. As advertências, os conselhos e os ensinamentos mandados divulgar na Terra pelo Senhor Jesus hão de contribuir decisivamente para que tudo se processe na mais perfeita ordem sob a égide das Forças Superiores que se encontram presentes junto a cada um de vós em todos os momentos. Apelai então para elas quando sentirdes que algo está acontecendo em torno, e tereis imediatamente a prova do que vos digo.

Dito isto à guisa de introdução ao presente capítulo, por ser esse em verdade o tema fundamental de todas as Entidades missionárias, eu tratarei de assunto do maior interesse para quantos se encontram na Terra no momento que passa. Referir-me-ei então ao que diz respeito ao cumprimento das tarefas de cada ser humano em sua vida terrena, tarefas relacionadas com os objetivos da sua vinda à Terra. Começarei por me referir à atitude de completo desinteresse manifestada por muitas almas encarnadas a respeito do seu regresso ao mundo espiritual, fazendo quase todas por não se lembrarem sequer desse momento, não obstante o considerarem certo, irremovível. Ora, exatamente por se tratar de um fato certo, irremovível na vida de cada ser humano, é que há necessidade de todos se preocuparem com ele e se prepararem devidamente para o seu dado momento.

De uma preocupação dos homens como das mulheres, com a sua partida da Terra, resultará um grande bem para as suas almas, pela circunstância de se firmar nelas a idéia do seu regresso mais cedo ou mais tarde, e tal regresso mais feliz se fará quando as almas o admitirem como um fato natural, tão natural quanto a sucessão dos dias com o aparecimento do sol no horizonte. A idéia assim alimentada pelas almas encarnadas terá ainda a virtude de as afastar de muitas práticas incompatíveis com a sua felicidade espiritual, e aí reside evidentemente um grande bem para elas. Uma alma consciente de sua estada transitória na carne, e que lhe cumpre aproveitar esse fato para se enriquecer de luzes espirituais, objeto de sua vinda ao solo terreno, surpreender-se-á ao regressar ao seu plano de origem quando isso acontecer, ao constatar quão proveitosa lhe fora a sua última vinda à Terra.

De estudos e observações procedidos por Entidades esclarecidas junto aos seres humanos, chegou-se no Alto à conclusão de que a circunstância de muitos não cogitarem sequer do seu regresso ao mundo espiritual, é que os leva à prática de muitos atos incompatíveis com a sua verdadeira felicidade. Deveis conhecer pessoas nestas condições, pessoas às quais apavora a simples idéia de sua transitoriedade na Terra, recusando-se terminantemente a falar nisso. Pois, minhas queridas, eu vos afirmo que melhor será que todas as almas mantenham esse fato sempre presente na memória, porque daí resultará um equilíbrio de pensamentos e de vida altamente benéfico para todas. As pessoas que se habituaram à sua prece e meditação diárias já se encontram no caminho certo, o caminho que as conduzirá à realização de suas aspirações terrenas, as mais puras, justas, elevadas, e jamais à prática daqueles atos inconvenientes ou prejudiciais à sua felicidade. Esta classe de pessoas, pelo seu justo proceder, está sempre acompanhada pelas Forças Superiores, desejosas de ajudá-las em suas realizações. Verifica-se então nesta categoria de pessoas a justeza daquele velho princípio que nos ensina que quem bem pensa bem age, que constitui uma verdade autêntica. Se o homem como a mulher são o produto dos seus pensamentos, e se esforçam por bem pensar, logicamente só poderão agir bem, no sentido construtivo, elevado, em harmonia com o conjunto vibratório das Forças Superiores. Eis um dos motivos pelos quais se aconselha a todas vós, almas encarnadas, a conveniência de vos preocupardes com a vossa partida de regresso ao mundo espiritual, ao qual ascendereis conduzindo como bagagem apenas luzes e bênçãos resultantes dos vossos atos e procedimentos terrenos. Só e exclusivamente isso, minhas almas queridas; o demais que houverdes acumulado em vossos trabalhos e canseiras, ficará na Terra, por fazer parte do patrimônio terreno.

A propósito do que acabo de dizer, vou relatar-vos um fato bastante elucidativo ocorrido em certa região do mundo terreno, não faz muito tempo. Vivia com sua família nessa região um homem bastante instruído dedicado ao cultivo das suas propriedades, cuja renda lhe permitia viver inteiramente despreocupado dos problemas comuns a muitas pessoas na Terra. Sendo uma criatura educada nos bons princípios religiosos que mandam amar o próximo como a si mesmo, aquele nosso irmão sentia em seu coração o dever de prover de alimentos e alguns recursos as famílias necessitadas da redondeza. Constituía então um agradável prazer para aquela Grande Alma reunir nas suas propriedades em certa época do ano, ou seja na época das colheitas, mais de uma centena de pessoas a ajudarem nesse trabalho de recolhimento da produção das terras dadivosas. No final desse trabalho de que todas as pessoas vizinhas participavam, ocorria então a grande alegria do proprietário das terras dadivosas: cada uma das pessoas que tomaram parte naquela tarefa, fossem adultas ou crianças, retirava-se conduzindo às costas ou na cabeça um saco maior ou menor dos produtos recolhidos na colheita anual. Era este o espetáculo que enchia de alegria aquela Grande Alma: assistir à partida de quantas pessoas haviam participado das tarefas concluídas, conduzindo cada qual a sua parcela que ele considerava muito justamente merecida.

Assim decorriam os anos na região habitada por aquele nosso irmão, recolhendo anualmente na abundância de suas colheitas o suficiente para viver tranquilo e feliz com os seus. Um ano porém se apresentou de todo desfavorável em toda aquela região. A inclemência do sol e a falta de chuvas impediram a continuidade das boas colheitas de sempre, surgindo já em vários lugares o espectro da fome para muita gente. As terras do nosso bom irmão, sentindo as consequências da seca, já demonstravam a improdutividade daquele ano. Os vizinhos vinham procurá-lo para se certificarem de sua próxima participação nos trabalhos habituais, mas voltavam abatidos ante o espetáculo gerado pela seca. Adivinhavam por isso o que teriam de passar eles próprios, ante a falta do donativo habitual.

Por sua vez o nosso bom irmão, igualmente preocupado com a situação visível dos vizinhos, tomou a sua resolução. Resolveu apelar para o Senhor Deus, como costumava referir-se ao Senhor do Mundo, a fim de que o inspirasse acerca de como proceder em tal emergência. Certa madrugada, ao fim duma noite em que não pudera conciliar o sono, levantou-se e saiu para o campo com a idéia de falar com o Senhor Deus em voz alta, para que melhor pudesse ser ouvido. Dirigiu-se a uma elevação à margem de suas terras, uma pequena montanha, e aí se sentou. Olhou para o nascente, onde o astro-rei começava a insinuar-se, e a ele se dirigiu em palavras de verdadeira fé. Traduziu da melhor maneira o grave problema do momento, esclarecendo em suas palavras, que semelhante problema era menos seu do que dos seus pobres vizinhos. Ele, dizia, possuía reservas que lhe permitiam atravessar o ano seguinte com sua família, Mas, e os vizinhos, que nada possuíam, como haviam de resistir à fome? O bom homem orou e falou durante algum tempo naquela pequena montanha, até que os raios solares, já intensos, o aconselharam a regressar. Durante todo o dia aquela Grande Alma orou e pediu constantemente ao Senhor Deus que o ouvisse, que o atendesse, atendendo assim a mais de uma centena de famílias que se avizinhavam da fome irremediável. O dia decorreu para o nosso bom irmão em meio a uma certa tensão nervosa, resultante de sua grande preocupação. Por fim, ao cair da noite, já um pouco abatido pela enorme tensão do dia, tratou de recolher-se com sua família, após orarem reunidos todos os membros, como de costume. Recordou o ensinamento evangélico: batei e se vos abrirá; pedi e se vos dará, e isto proporcionou à sua alma um grande conforto.

Pela madrugada seguinte ocorreu algo de extraordinário, de impressionante, ou mesmo aterrador nas propriedades daquela Grande Alma. Um estrondo despertara a família, que, assustada, veio para fora de casa; um segundo estrondo mais forte derramara o pavor em todos os corações. Ninguém atinava com a causa daquilo. Seria um castigo, indagava, silencioso, o bom irmão, por ter insistido tanto no seu pedido ao Senhor Deus? Seria então um castigo? Os minutos decorriam nesta incerteza para aquela Grande Alma, ao passo que os membros da família oravam, reunidos, pedindo, implorando clemência ao Senhor do Mundo em tão aflitiva emergência. As coisas passavam-se dessa maneira na Casa Grande, quando a presença de pessoas da redondeza despertou a todos aos gritos de água! água! Muita água! As pessoas que vinham chegando, tendo sido despertadas também pelos estrondos enormes que haviam estremecido as terras, haviam passado próximo da pequena montanha que ficava à margem das propriedades, precisamente o local onde havia orado ao Senhor Deus o proprietário das terras. E contaram então, tomadas de certo pavor, aquelas pessoas: água! muita água está correndo daquela montanha que se abriu pelo meio! Correram todos para ver o que havia. E constataram, o proprietário à frente, que os dois estrondos haviam aberto uma grande fenda na pequena montanha, liberando volumosa corrente líquida que procurava caminho através das propriedades que lhe ficavam abaixo. Isto constatado por todos, produziu grande alegria nos corações. Aí estava constatado o atendimento do Senhor Deus à rogativa cheia de fé daquela Grande Alma. Precisamente no local em que a rogativa fora elevada, era que o atendimento se constatava. As Forças Superiores, que também podem ser designadas Forças da Natureza, haviam providenciado a liberação daquele volume de água que atravessava a pequena montanha, para salvar da seca e da fome aquela centena de famílias adjacentes. Firmado ficou então, uma vez mais, o princípio que nos ensina a bater e pedir com fervor, porque a porta se abrirá e seremos atendidos.

O fato deve servir de exemplo para todas as almas encarnadas, a fim de que apelem, quando julgarem necessário, às Forças Superiores em suas dificuldades ou necessidades. É apenas necessário possuir a fé no coração, para que seus pedidos sejam recebidos, ouvidos e atendidos pelas Forças Superiores. O Senhor do Mundo, que tudo sabe e acompanha do seu plano de vida, deseja atender constantemente às necessidades das almas encarnadas, mas aguarda que as mesmas se manifestem claramente, que peçam o que desejem, para que o Senhor as atenda prontamente. O caso que venho de relatar não é o único que conheço, porque vários outros ocorreram em várias épocas, em condições semelhantes. Observais o desprendimento daquela Grande Alma, colocando acima do seu próprio interesse o atendimento às necessidades prementes daquelas famílias vizinhas que contavam com o produto de suas propriedades. Ele viu assim prontamente atendida a sua rogativa, e de uma maneira que a outras propriedades também beneficiou. Estabelecendo-se assim um belo córrego partindo das suas propriedades, depois de as beneficiar integralmente porque partia de mais alto, o precioso líquido foi encaminhado de maneira a irrigar todas as demais propriedades situadas em nível inferior, no percurso de alguns quilômetros. Vede, pois, almas queridas, como é grande a misericórdia divina! Atendendo ao justo pedido de uma só alma, pode beneficiar igualmente tantas e tantas outras também necessitadas. A corrente líquida oriunda daquela pequena montanha, por sugestão da Grande Alma, foi então batizada com a denominação de Riacho do Senhor, ainda existente na região em que surgiu em meados do século passado.


Deixo-vos aqui a bênção que o Senhor vos envia por meu intermédio, e a minha própria que eu vos ofereço de todo o coração.