Passa já da hora o vosso despertar espiritual . . . Saiba que a tua verdadeira pátria é no mundo espiritual . . . Teu objetivo aqui é adquirir luzes e bênçãos para que possas iluminar teus caminhos quando deixares esta dimensão, ascender e não ficar em trevas neste mundo de ilusão . . .   Muita Paz Saúde Luz e Amor . . . meu irmão . . . minha irmã

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

XVI - ESPÍRITOS RECALCITRANTES - Livro: Vida Nova – Ditado pelas “Forças do Bem”, psicografada por Diamantino Coelho Fernandes.





A vida terrestre representa para os Espíritos nela encarnados a verdadeira estrada da sua evolução, aos quais incumbe percorrê-la tantas vezes quantas forem necessárias ao aprimoramento moral de cada um. Espíritos há atualmente no Alto, desfrutando a vida livre, feliz, que viveram centenas ou até milhares de existências na carne só neste planeta, afora as que tiveram de viver noutros planos inferiores a este. Depois de cumprirem as etapas evolutivas de que careciam, ou foram promovidos à vivência em mundos mais adiantados, ou se encontram ao serviço de Nosso Senhor Jesus, em favor de quantos irmãos espirituais ainda se encontram na Terra.

Chegou porém o momento em que a própria Terra tem de passar por transformações profundas em sua estrutura física, com alterações sensíveis em todos os setores habitados, o que vem sendo planejado há mais de dois mil anos por necessidade de sua própria evolução. É por tal motivo que Nosso Senhor Jesus determinou o chamamento de todos os homens e mulheres à realidade de si mesmos, despertando seus Espíritos para as necessidades da vida espiritual, a fim de que comecem a desprender-se dos interesses puramente materiais que tanto os prendem a este plano físico. Bem sabe Nosso Senhor que esse apego dos encarnados aos interesses materiais é uma decorrência natural da vida terrena. É preciso porém, que se desprendam dessas cadeias e comecem a cuidar a sério de seu amanhã que não tarda, para que possam transferir-se tranqüilamente daqui para o Além.

Este enviado que vos fala sente-se profundamente feliz em ter sido designado para vos dirigir algumas palavras neste propósito, a fim de que possais capacitar-vos do empenho que vai pelo Espaço de Deus, em preservar todos os filhos encarnados de situações provavelmente terríveis ou apenas dolorosas, que podem ser perfeitamente evitadas.

Desde séculos e séculos que na Terra se fala em salvação das almas em meio às doutrinas aqui ensinadas, sendo este ensino até a pouco nada mais do que uma idéia puramente abstrata. Tem-se indagado por vezes: salvar como? — sem que se tenha dado resposta satisfatória à indagação. Os menos crentes por sua vez não encontram sentido na afirmativa de que o Senhor é o nosso Salvador, porque só Ele pode salvar, realmente, a todas as almas. Essa afirmativa possui em verdade uma autêntica realidade, e nos tempos que passam ela aí está em pleno vigor através dos conselhos que estão sendo divulgados neste país e que deverão percorrer todo o orbe terráqueo, a fim de que todos os homens e mulheres deles tomem conhecimento e se preparem devidamente para a sua próxima viagem de regresso ao mundo espiritual.

Se outros e mais positivos fossem os ensinamentos religiosos difundidos na Terra, talvez estes conselhos não fossem necessários, porque os seres humanos estariam permanentemente preparados para empreenderem a qualquer momento a sua viagem de regresso. Infelizmente, porém, aqueles ensinamentos, de tão superficiais, não chegam a incutir na mente dos encarnados a realidade de sua vida transitória na Terra, encarnação após encarnação, deixando os adeptos apenas cientes da existência de um Deus por vezes vingador, de Jesus, seu filho unigênito, em cujo poder muito poucos chegam a acreditar. Temos todos verificado que as pessoas que realmente pensam na misericórdia do Senhor Jesus, voltam seus pensamentos para o sacrifício do Calvário de há dois mil anos sem chegarem a meditar a sério na grandeza dessa misericórdia que não cessa um dia sequer de envolver a todos os filhos encarnados.

Com a aproximação do momento decisivo para a operação-transformação, deliberou o Senhor mandar emissários a Terra a despertar individualmente a todos, e eis o que estamos fazendo, percorrendo todos os caminhos e regiões habitadas, e batendo de porta em porta como quem tivesse de despertar os moradores para algum grande perigo iminente que estivesse a pique de os atingir. Esse perigo existe realmente, meus queridos e não é outra a nossa tarefa em procurar despertar-vos do sono da matéria que estais vivendo, o que esperamos conseguir por meio da palavra escrita e outros meios ao nosso alcance.

Poderá algum filho argumentar dentro dos limites de seu conhecimento, que não haverá necessidade deste chamamento a que se devotam muitos milhares de mensageiros do Senhor, visto como sempre se morreu na Terra sem necessidade de conselhos espirituais. Quem assim argumentar, por hipótese, está claro não deixará de estar certo, porque em verdade sempre se registraram desencarnações, normalmente ou não, sem que uma preparação se fizesse no sentido do esclarecimento dos encarnados. Está certo o argumento do ponto de vista da Terra, mas não o está do ponto de vista do Alto. Exatamente pela falta de preparação dos encarnados acerca de sua origem, finalidade e destino, é que tem resultado o desperdício de existências e mais existências para milhões de almas na Terra, regressando quase todas ao Espaço em condições algumas vezes inferiores àquelas em que reencarnaram. Disso tem resultado a falta de progresso daquelas almas na Terra, tendo necessidade de aqui voltarem seguidamente sem nenhum ou quase nenhum proveito para a sua evolução.

As circunstâncias são agora outras, porém, em face das modificações a serem introduzidas na estrutura da Terra e na vivência dos Espíritos encarnados, tornando-se necessário afastar deste plano quantos Espíritos já esgotaram os prazos que lhes foram concedidos para evoluírem na Terra — e quão longos tem sido! — tendo por isto de passar a outros planos de acordo com a sua categoria.

Estou a adivinhar uma pergunta que poderão formular alguns leitores menos compreensivos, desejosos de um esclarecimento acerca de como se poderá identificar esses Espíritos que persistem em viver afastados de seus compromissos e deveres espirituais. Eu lhes deixarei nestas linhas esse esclarecimento, porque muito útil poderá ser igualmente para todos os leitores, habilitando-os a, por sua vez, esclarecerem os demais. O processo é o seguinte: todo encarnado, homem ou mulher, cuja maneira de viver entre em choque com os postulados da sociedade humana; que, de modo próprio, incide e reincide na infração a esses postulados, ou para ser mais claro, que engana, prejudica, ofende o semelhante, está incorrendo não apenas na infração aos postulados da sociedade de que faz parte, como também das leis de Deus que mandam amar aos semelhantes como a nós mesmos.

Criaturas que por interesses malsãos vivem a se aproveitar da confiança, boa fé ou ignorância dos semelhantes para os prejudicarem, estão desde logo identificadas como Espíritos recalcitrantes na prática do erro, uma vez que sua consciência lhes diz continuamente que tais atos não são dignos nem corretos, e que um dia virão a pagar por eles. Isto é a pura verdade, visto como a lei nos ensina que teremos de resgatar todas as dívidas até ao último ceitil. Todas as criaturas nas condições descritas, assim procedem por inferioridade moral, por maldade, usando de astúcia ou de violência para prejudicar seus irmãos, contrariamente ao que no Alto prometeram antes que lhes fosse concedida a presente encarnação. Não sendo então a primeira vez que assim procedem, nem talvez a décima para muitos destes irmãos, tem de todo esgotada a tolerância que lhes fora creditada e terminarão desta vez suas vindas a Terra, onde tão pouco conseguiram de útil para o próprio progresso. Estes irmãos recalcitrantes não poderão, evidentemente, fazer parte de uma humanidade correta, cumpridora dos seus deveres espirituais de amor e bondade como será a humanidade, porque sua permanência na Terra constituiria nada menos que uma mancha negra sobre uma superfície alvanescente, característica dos atos e pensamentos da nova civilização que virá habitar a Terra.

A humanidade que já se encaminha para a Terra, distinguir-se-á da atual pelo alto nível moral de seus pensamentos, os quais, reunidos na atmosfera da Terra, hão de formar uma espécie de novo satélite destinado a fornecer aos viventes de então a força magnética de que eles possam carecer em seus empreendimentos. Será esse novo satélite ao mesmo tempo, um regulador indispensável da vivência planetária, assim como ao atual — a Lua — incumbe regular um sem número de atividades em vários setores da vida terrena.

Aí tendes meus queridos irmãos encarnados, em breves traços, um quadro que vos poderá habilitar a identificar ao vosso redor os irmãos cujos atos os impedirão de voltar a Terra por todo o sempre, uma vez que terão de seguir um caminho que os levará a encarnar em mundos onde poderão ensinar algo do que aqui aprenderam, a quantos outros filhos de Deus nesses mundos sofrem ainda a lapidação de seus Espíritos primários.

Eis o que veio dizer-vos por determinação do Senhor Jesus, um irmão vosso que também palmilhou como vós os mais áridos e sombrios caminhos da Terra, ao longo dos quais tanto amou e sofreu em prol de sua evolução. Hoje, distinguido com a graça do Senhor, aqui está e se despede
LÉON TOLSTOI 

Not. biogr. — Léon Nicolaievitch, Conde de Tolstoi — 1828-1910. Romancista e moralista russo. Nasceu em Iasmaia em 9 de setembro de 1828. Ficando órfão muito cedo, teve um preceptor francês, Saint Thomas, apresentado em suas recordações com o nome de Jerônimo. Em 1843 entrou para a Universidade de Kasan, dela se retirando quatro anos depois para Iasmaia Poliana, sua terra natal, onde pretendia residir. Em 1851, porém, foi mobilizado para o Cáucaso, sendo nomeado oficial de artilharia na guerra do Oriente. Aí escreveu sua primeira obra “A infância”, publicada em 1852 com as iniciais L. T. Sua atuação destacada no cerco de Sebastopol e na batalha de Tchernaia, valeu-lhe a nomeação para comandante da sua divisão. Terminada a guerra fixou-se em Petrogrado, onde se dedicou à literatura, escrevendo aí várias obras. Em 1858 percorreu vários países da Europa, onde escreveu mais algumas obras. Regressando à sua cidade fundou uma escola modelo para os camponeses e uma revista pedagógica, sendo nomeado juíz de paz. Casou-se em 1862, em cuja vida tranqüila do lar, escreveu “Guerra e Paz” e “Ana Karenina”, duas obras que bem prenunciavam as suas idéias futuras. Travando conhecimento com dois camponeses, Soutaiev e Bondarev, fundadores de duas seitas religiosas destinadas a demonstrar que a renovação do mundo se fará por meio do trabalho manual e individual, Tolstoi abandonou o mundo para se dedicar aos trabalhos da terra com suas próprias mãos. Tornou-se então vegetariano, vestiu a blusa do monjik e renunciou aos bens, mas não abandonou a pena, escrevendo a seguir várias de suas obras importantes, como: “Senhor e servo”, “A sonata de Kreutzer”, “O poder das trevas”, “A morte de Ivan de Illitch” e algumas outras. A 20 de dezembro de 1910, durante uma excursão iniciada dez dias antes, Léon Tolstoi desencarnava em Astapow, extinguindo-se aí uma vida inteiramente devotada ao aperfeiçoamento da maneira de pensar e de viver dos seus contemporâneos. Suas máximas prediletas eram: “Amai-vos uns aos outros” e “Não resistais ao mal pelo mal”. Para Tolstoi toda a esperança numa transformação social num sentido melhor, residia na reforma moral dos indivíduos. Suas “Obras completas” foram publicadas em 18 volumes (1893-1903).

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

XV - AJUDEMOS OS BOTÕES DE ROSA - Livro: Vida Nova – Ditado pelas “Forças do Bem”, psicografada por Diamantino Coelho Fernandes.






A vida dos Espíritos de todas as categorias, tanto daqueles que iniciam os primeiros passos como seres encarnados, seja neste planeta terreno já em certo grau de adiantamento espiritual, seja naqueles onde ainda impera a lei do mais forte, a vida de todos eles obedece aos mesmos princípios evolutivos, e há de os conduzir a todos ao mesmo alto grau de aprimoramento espiritual.

Aqueles que já mereceram viver na Terra e aqui têm vindo século após século, já se encontram numa fase que eu denominarei de média evolução, embora ainda se encontrem em seu meio almas bastante endurecidas. Por endurecidas eu desejo significar um não pequeno número de encarnados refratários aos ensinamentos esclarecedores da vida no Além e suas obrigações para com Deus e Jesus. São almas que ainda não abriram o coração aos ensinamentos do amor e da fraternidade, não podendo assim irradiar bondade e fé em torno de si, embora estes atributos se encontrem latentes em seu coração. É o mesmo que haveis de testemunhar ao tomardes nas mãos um minúsculo botão de rosa que em vão tentareis aproximar do olfato, visto como, sendo apenas botão, não pode exalar o delicioso perfume que somente a rosa perfeitamente aberta pode exalar.

Pois os nossos irmãos ainda na fase que chamamos endurecida, são outros tantos botões de rosa que ocultam no íntimo dos seus corações os belos sentimentos que hão de elevá-los um dia à categoria de Espíritos Superiores. Prosseguindo com a imagem dos botões de rosa, já sabemos que sua abertura plena depende entre outros fatores, de sua fase de crescimento e maior ou menor exposição aos raios solares. Também os nossos irmãos endurecidos hão de alcançar seu próximo estágio evolutivo de Espíritos de fé, segundo a circunstância em que se encontrarem em relação aos ensinamentos espirituais. Àqueles que tiverem a felicidade de conviver com outros irmãos esclarecidos, e ouvirem deles conselhos e ensinamentos para seus Espíritos, mais depressa se abrirá o coração ao amor e à fé, e mais depressa alcançarão também o seu próximo degrau espiritual.

Já os demais, os que viverem retirados dos centros de irradiação espiritual, e por isto privados do convívio com irmãos preparados que lhes ministrem os ensinamentos de que carecem, são botões de rosa criados à sombra, e só tardiamente poderão irradiar o perfume que se aninha em seus corações.

Disto se infere, por conseguinte, que não existem homens maus e homens bons porque assim tenham nascido, mas simplesmente porque diferente é o seu grau evolutivo, ou seja, a sua idade espiritual.

Nosso Senhor Jesus manda-me recomendar a todos os meus leitores, em face do exposto, que ajudem no que puderem a abertura dos botões de rosa que lhes estiverem próximos, por meio de pequenas palestras informais, conduzidas habilmente para esse objetivo, na certeza de que o que fizerem beneficiará igualmente a ambos: ao que recebe o ensinamento, iluminando-lhe o Espírito, e aos que o proferem, exercendo dessa maneira um mandamento divino: ensinar os ignorantes, estão com isso acrescentando luz aos seus Espíritos. É preciso contudo, agir com muita prudência e bastante paciência, não vão os ensinamentos que pretendem ministrar, provocar reação contrária da outra parte.

Nosso Senhor incumbiu-me ainda de recomendar aos estimados irmãos leitores deste volume, que se preocupem o que puderem com o nível de sua linguagem diária usada em suas atividades por que isso representa muito em relação ao maior ou menor brilho, de sua atual luz espiritual. Se um encarnado cujo Espírito se encontre classificado numa categoria bastante evoluída, usar habitualmente um tipo de linguagem incompatível com a sua categoria, devido quase sempre às circunstâncias do meio em que cresceu, uma certa névoa se formará em sua aura, empalidecendo-a de tal maneira que a mesma poderá ocultar-se aos próprios Espíritos Superiores. E quando este fenômeno se verifica, o que é deveras lamentável, esse encarnado poderá regressar a seu tempo ao plano espiritual de onde veio a Terra, em circunstâncias bastante desagradáveis para si próprio. Verificará então, que o desleixo com que viveu sua existência terrena, segundo o nível da linguagem que usou, ao invés de contribuir para o seu progresso, o que fez foi determinar o seu estacionamento sabe Deus por quantos séculos. Já tem acontecido que mesmo enquanto na Terra, encarnados que se afeiçoam ao uso de uma linguagem condenável por sua deselegância moral, encerraram sua vida física em situação bastante triste e dolorosa, com o corpo afetado por enfermidades produzidas exclusivamente pelos reflexos da má linguagem que tanto lhes agradava usar, julgando-se com isso originais. Acresce que um tal tipo de enfermidades a medicina terrena é impotente para curar porque entre vós não existem por enquanto certos medicamentos espirituais. Quer dizer: para enfermidades de origem moral, medicamentos espirituais; assim como para as de origem material, medicamentos terrenos.

Isto posto, meus prezadíssimos irmãos encarnados, quero oferecer-vos um ensinamento de grande utilidade para todos vós enquanto permanecerdes na Terra, e de experiência para os vossos Espíritos quando vos for dado regressar ao mundo espiritual. Quero referir-me ao costume bastante difundido entre os seres humanos de toda a esfera terrestre, de se dirigirem a Deus, o Pai Celestial, assim como a Jesus, o Senhor do Mundo, como se o fizessem a um igual, a um amigo que dispensasse certas normas de hierarquia ou demonstração do maior respeito vosso. Esse costume nós o verificamos largamente difundido, mais certamente por falta de ensinamentos por parte das diversas correntes religiosas existentes na Terra, do que propriamente pela índole de cada um. É necessário dizer a todos os encarnados que o ato de alguém se dirigir ao Pai Celestial ou ao Senhor do Mundo, e ainda às Entidades de sua devoção, deve ser precedido de uma demonstração de humildade tal, que uma vibração da maior pureza de sentimentos possa atingir no Alto a Entidade invocada. Costuma-se proferir uma prece, é verdade, antes do pedido. É necessário porém, que essa prece seja proferida pelo coração, mais do que pelas palavras declamadas porque essas palavras permanecem no ambiente e só o sentimento alcança o alvo visado — o Pai Celestial, o Senhor do Mundo ou as Entidades espirituais. Se aquele que necessita de algo e para adquiri-lo resolve dirigir-se às Entidades de sua fé, e o faz após a irradiação de uma prece verdadeiramente sentida e acompanhada de uma vibração harmoniosa de seu coração, e ainda isento daquela ânsia dos desesperados, mas tranqüila, serena, otimista, pode ficar certo de que o seu pedido se inscreveu por si mesmo nos arcanos espirituais, e seu atendimento já não necessita do beneplácito do Alto, porque o pedido levou toda a força requerida para se materializar sem mais demora. Argumentareis vós que em tal caso os aflitos, os desesperados, não poderiam ver-se atendidos em determinadas circunstâncias. Vosso raciocínio estaria certo por desconhecerdes o potencial enorme de um pedido feito por um ser encarnado em momentos críticos, num naufrágio ou grave perigo, por exemplo, em que não sobra tempo para a prece nem a meditação. Nesses casos, que são muitos por toda à parte, a vibração de socorro emitida pelos Espíritos em perigo é tão poderosa, que todos nós a identificamos no Espaço pelo traço luminoso característico produzido no éter que circunda a Terra.

Uma vez identificado esse traço, acorrem ao local as Entidades disso incumbidas, e o socorro é imediatamente prestado. Isto não quer dizer, contudo, que as vidas em perigo sejam todas salvas, mas algumas o serão, aquelas cuja hora de partir não tenha chegado para elas. As demais, as que não puderam ter sua permanência na Terra prolongada nesses momentos, são Espíritos cuja partida de regresso estava de antemão fixada, inclusive da maneira pela qual se verificar.

Isto sucede em virtude da lei que conheceis pela denominação de Causa e Efeito ou Lei do Karma. É ela que prescreve a maneira pela qual deverá desencarnar este ou aquele Espírito em peregrinação na Terra, cujos motivos o próprio conhece e conferirá em sua chegada de regresso ao seu plano espiritual.

Assim pois, desejo firmar ainda uma vez a necessidade de vos dirigirdes ao Pai Celestial, a Nosso Senhor, bem como aos vossos Santos preferidos, não em atitude de quem se sente em condições de ordenar que lhe enviem isto ou aquilo, mas em atitude de grande humildade, de muita bondade e doçura de coração, não se esquecendo de acrescentar ao pedido a condicional de se o merecerdes, inclusive se ele for justo e conveniente para vós. Quem assim a Deus se dirigir, quem assim pedir a Jesus seja o que for, demonstrará desde logo pela maneira por que o faz, que seu coração se encontra em perfeita harmonia com as Forças Superiores, e portanto em estado de merecimento. Muitas outras coisas eu desejaria ensinar-vos, meus queridos irmãos, para que mais depressa alcanceis a vossa meta espiritual. Como, porém, outros Instrutores aqui tereis depois de mim, eles certamente vos dirão o que faltar, e que tudo somado completará este valioso compêndio de ensinamentos espirituais que hão de ajustar-vos na vossa ânsia de alcançar a Luz Espiritual que ainda vos falta.

Adeus meus amiguinhos. Se porventura necessitardes de algum novo esclarecimento que em mim esteja, apelai mentalmente para o vosso dedicado irmão e amigo
ANTERO DE QUENTAL

Not. biogr. — Antero de Quental — 1842-1891 — Poeta-filósofo português. Nasceu em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, Açores, em 18 de abril de 1842. Foi um dos caracteres mais nobres e um dos Espíritos mais profundos do Portugal moderno. Pertenceu a uma família ilustre por títulos nobiliárquicos e também literários. Feitos os primeiros estudos em sua Cidade, foi enviado a Lisboa, onde cursou o colégio fundado e dirigido por Antônio Feliciano de Castilho, e mais tarde para a Universidade de Coimbra, onde se bacharelou em Direito. Uma inteligência invulgar iluminava o Espírito de Antero de Quental, levando-o à produção de uma obra poética notável, e ao seu engajamento em virulenta e prolongada polêmica com outros poetas e escritores da qual resultou bater-se em duelo a espada, no Porto, com Ramalho Ortigão, do qual resultou um ferimento leve no pulso de Ortigão.

Sua vivacidade e madureza intelectual positivou-se também na área política, com a organização em Lisboa de um programa de “Conferências democráticas”, iniciadas em maio de 1871, tendo por companheiros outras importantes figuras da época, entre as quais Eça de Queiroz, Oliveira Martins, Manoel de Arriaga e Teófilo Braga. Estas conferências, porém, foram proibidas pelo marquês de Ávila, então presidente do Conselho de Ministros, o que levou Antero a dirigir-lhe uma carta “escrita com o fogo de sua legítima indignação”, segundo a crônica da época. Desgostoso com a situação em Portugal, Antero dirigiu-se aos Estados Unidos e depois à França, onde necessitou de consultar alguns médicos, inclusive Charcot. Regressando a Portugal bastante doente, retirou-se para a sua Cidade natal, de onde uma triste notícia em breve surpreendia toda a população culta: suicidara-se o grande poeta a 11 de setembro de 1891.

XIV - PODER MARAVILHOSO DA ORAÇÃO - Livro: Vida Nova – Ditado pelas “Forças do Bem”, psicografada por Diamantino Coelho Fernandes.





Atendo com a maior alegria ao honroso convite com que me distinguiu Nosso Divino Mestre e Senhor, para vir ao ambiente terreno grafar algumas palavras dirigidas aos Espíritos que aqui se encontram no cumprimento de mais uma encarnação. Sejam pois minhas palavras que por este meio dirijo aos meus estimados irmãos de todo o mundo, um convite que por minha vez lhes faço eu no sentido de que abram os ouvidos às vozes que do Alto lhes chegam, porque outro objetivo elas não têm senão o de procurar acautelá-los dos perigos que podem chegar a qualquer momento.

Todos os encarnados já sabem de sobra que a vida na Terra tem o seu limite, e que ao fim dessa existência todos devem desaparecer das vistas dos que ficam, uma vez que a matéria ficou oculta no seio da Terra. Disso todos os seres humanos estão perfeitamente cientes porque a Lei da Vida assim o determina desde o início da vida humana neste pequeno mundo de Deus. O que certamente uma grande maioria ainda não sabe, porque não procurou saber, é o destino a seguir que o Espírito faz após o decesso do corpo. E por não conhecer este destino, seja por falta de oportunidade para isso, seja por sua provável filiação a alguma corrente religiosa que ensina erradamente, que tudo acaba no túmulo, ou seja ainda pelo temor que lhe cause o estudo das leis espirituais que regulam e superintendem a vida de todos os seres; por não conhecerem este particular é que essa grande maioria se assusta ao lhe falarem do futuro do Espírito ao deixar seu veículo na Terra.

É precisamente para esclarecer a todos os encarnados que Nosso Senhor está dirigindo uma Grande Cruzada já iniciada na Terra por um dos seus mais dedicados servidores, o antigo Apóstolo Thomé, cujos livros repletos de ensinamentos e generosos conselhos já circulam pelo mundo em fora. Este Espírito que hoje vos fala, interrompeu as suas atividades no Alto a serviço do Senhor Jesus, para a seu convite vir juntar aos conselhos do bom irmão Thomé, e de outros irmãos que neste volume me precederam, a minha sincera palavra de fé, a palavra de quem tanto se empenhou no século passado em cantar em verso e prosa as belezas da vida terrena, a minha palavra de fé, repito, para vos dizer a todos do íntimo do meu coração, que é necessário desperteis já e já, sem mais demora, para o cumprimento de deveres que solenemente aceitastes ao reencarnar mais uma vez.

Quero dizer-vos ao ouvido espiritual que não deis ouvidos àqueles que costumam apregoar que o que deste mundo se leva é apenas o que dele se aproveita à sua maneira. Nada mais errado do que semelhante conceito, emitido invariavelmente por Espíritos bastante atrasados com aspirações de orientar os demais. Nada mais contrário aos postulados da verdade, quando sabemos que exatamente do quanto haja pertencido à matéria, seja na satisfação de seus apetites alimentares, seja no que respeita a toda outra sorte de prazeres, nada disso pode contribuir para formar a bagagem daquele que foi chamado de regresso ao mundo espiritual. É em conseqüência de semelhante equívoco que uma aluvião de almas permanece ao léu da sorte em meio aos encarnados, ora prejudicando a uns, ora tentando prejudicar a outros, exatamente por haverem levado toda a existência finda na ilusão de possuírem apenas o corpo sensível que perderam.

Eu vos direi então, meus irmãos encarnados, que a única bagagem que acompanhará a cada um dos vossos Espíritos em sua partida deste plano material, tem de ser constituída pelo valor das boas ações que houverdes praticado ao longo da vossa existência terrena, da essência dos vossos bons pensamentos dirigidos a Nosso Senhor Jesus Cristo, quando iluminados pela prece sincera de todos os dias, partida do vosso coração.

O Espírito que vive uma nova existência na carne, recebeu para isso uma permissão prévia das Forças Superiores, já vossas conhecidas pela designação de Forças do Bem que o são realmente. Para essa permissão cada um de vós encarnados apresentou um plano de vida que prometeu cumprir na Terra, assim que lhe fosse permitido reencarnar uma vez mais. Confiadas nessa promessa foi que as Forças do Bem autorizaram a reencarnação solicitada, designando também Guias e Protetores para acompanhar, aconselhar e proteger individualmente a quantos aqui reencarnaram. Esperaram porém, e ainda esperam as Forças do Bem, o cumprimento de uma parcela mínima que seja, daquilo que todos vós prometestes, mas, infelizmente já decorreram algumas dezenas de anos sem que a maioria dos encarnados se disponha sequer a meditar neste particular. O resultado só poderá ser o que tem sucedido a essa aluvião de almas que perambulam pela superfície da Terra sem direção nem objetivo, nisto podendo levar anos e anos, se alguma mão amiga se não compadecer delas e vier em seu auxílio.

É infelizmente uma verdade o fato provado através dos séculos, de se julgarem os seres humanos uma espécie de pequenos deuses na Terra, e se dispensarem de orar ao Senhor do Mundo como tanto necessitam. Eu vos direi de todo o meu coração, porém, que mais necessária se faz a oração ao Espírito do que o alimento ao corpo. Se quiserdes experimentar esta verdade, o que eu entretanto, não aconselho, podereis viver normalmente de vinte a trinta dias sem vos alimentardes, orando diariamente ao Senhor com todo o vigor da vossa fé. A oração tem poder maravilhoso sobre todo o organismo humano, irradiando sobre ele poderosas vibrações capazes de o manter num estado permanente de saúde, e aumentar dia a dia a luz espiritual daquele que ora.

Então devo dizer-vos com todo o vigor da minha fé de Espírito que cumpriu todos os seus deveres espirituais na Terra, Espírito que em milhares de vidas neste planeta adquiriu todo o progresso que alguém aqui possa adquirir — eu devo dizer-vos que todos vós estareis em tempo de voltar as vossas energias mentais para o cumprimento dos vossos deveres espirituais, traçando um plano de ação a partir de agora, mediante o qual possais ainda alcançar a meta que vos traçastes quando ainda no Alto. O artigo primeiro desse plano de ação, se me permitis, deverá ser a vossa determinação de vos colocardes diariamente em contato com o Divino Mestre, a quem pedireis perdão pelo que até agora não houverdes feito e forças e determinação de o fazerdes nos dias que vos restarem. Poderá parecer utopia a alguns leitores esta minha orientação, dizendo-vos que vos coloqueis diariamente em contato com o Senhor, por estarem esses convencidos — mal convencidos — de que o Senhor Jesus deve estar muito longe ou muito alto, e que não irá dar atenção ao que lhe pedirem ou disserem estes pobres peregrinos da Terra.

Em contestação a essa teoria tão profundamente pessimista, eu vos afirmo que o Senhor Jesus recebe e atende a todos os pedidos de seus guiados terrenos, sempre que estes saibam dirigi-los. Para isso é necessário estabelecer cada um primeiramente o contato com o Senhor, o que se faz por meio da prece-sincera, partida do íntimo da alma em recolhimento, em vez e apenas pronunciada com os lábios enquanto o pensamento vaga pelas coisas frívolas da Terra. Elevada a prece em tais condições, abra cada um o seu coração ao Senhor e conte-lhe as suas necessidades reais, exatas, ou seja, aquilo de que realmente precisa para a sua tranqüilidade e a dos seus. Nosso Senhor aprecia sobremodo a atitude dos filhos que assim se lhe dirigem e jamais deixou ou deixará de atendê-los.

É preciso esclarecer que todos os viventes humanos têm direito ao conforto, bem estar e tranqüilidade de Espírito, para que bem possam cumprir a existência em que se encontram. É entretanto necessário esclarecer igualmente, que os desvios morais, as infrações porventura cometidas contra as leis divinas e humanas, só contribuem para reduzir o poder mental de cada um para chegar ao boníssimo coração do Senhor Jesus. Corrijam-se, pois, aqueles que a seu próprio juízo tenham infringido aquelas leis; meditem o quanto puderem em tudo o que possa contribuir de agora em diante para tornar o seu viver particularmente feliz; entreguem a Nosso Senhor os seus problemas espirituais ou materiais, mas faça isto cada um com verdadeira unção em seus momentos de recolhimento, e eu lhes asseguro que dia virá, e bem próximo, em que estarão repetindo a outrem quanto eu aqui lhes deixo grafado no papel.

O primeiro passo em tal sentido é apenas este: fazer de Nosso Senhor o seu verdadeiro confidente e grande conselheiro, falando-lhe a sós em seu recolhimento como se o fizesse ao próprio pai material ou ao seu maior amigo. Este é em verdade o primeiro passo: pôr-se em contato direto com o Senhor para que o Senhor saiba que esse filho existe e precisa de algo. Isto feito, irmãos meus, tudo o mais vos chegará por acréscimo, porque o Senhor anseia verdadeiramente por entrar em contato com os filhos que vivem na Terra. Nosso Senhor escolherá então esses filhos, pelo conhecimento que lhe deram de um coração dedicado, e não apenas os atenderá pressuroso, como também os designará para o desempenho de tarefas que só os filhos encarnados podem desempenhar. Esta, por exemplo, que o meu intermediário vem desempenhando com tanto amor e dedicação, grafando para a Terra a palavra dos emissários do Senhor, é uma das tarefas que muitos dos leitores poderão também desempenhar, prestando ao Divino Mestre um serviço que só os encarnados podem prestar.

Eis aí ao vosso alcance uma tarefa que apenas requer boa vontade e dedicação sincera à causa de Jesus na Terra. Procurai exercitar-vos também com amor e dedicação porque no Alto sobram Entidades sinceramente desejosas de encontrar na Terra irmãos encarnados em condições de poderem servir ao esclarecimento da humanidade, servindo igualmente ao Senhor Jesus. A recompensa, irmãos meus, é um verdadeiro fanal a ser entregue no Alto, oportunamente, a quantos assim fizerem por merecê-lo.

Ora bem, meus queridos irmãos. Creio poder dar por bem cumprida a minha missão junto a vós, nestas palavras que vos deixo, e que são um pedaço de mim mesmo. Peço-vos que não vos contenteis em as ler uma vez; lede-as várias vezes com o pensamento neste vosso irmão e amigo, e eu de onde estiver farei por as tornar mais e mais clara, para que a sua luz se incorpore aos vossos belos Espíritos. Aqui se despede e vos abençoa em nome do Nosso Divino Mestre e Senhor, este vosso amigo
LONGFELLOW

Not. biogr. — Henrique Wadsworth Longfellow — 1807-1882. Grande escritor e poeta norte-americano. Nasceu em Portland (Maine) e desencarnou em Cambridge (Massachusetts). Foi professor de línguas vivas no Colégio Bowdoin, em Brunswick, e mais tarde na Universidade de Harvard. Entre os numerosos trabalhos de sua autoria, destacam-se a tradução da célebre elegia de Manrique sobre a morte de seu pai (Coplas de Manrique) precedida de um estudo sobre a poesia moral espanhola; o poema Evangelina e o Canto de Hiawatha, nos quais descreveu com felicidade a natureza americana. Suas pequenas poesias são encantadoras pela delicadeza do sentimento um pouco melancólico e pela justeza da expressão. Entre os trabalhos de Longfellow encontram-se mais de trezentas traduções de autores de diversas nacionalidades, na série Poetas e poesias da Europa, publicada em 1845; uma bela tradução de Dante em 1867-1870, e a Divina Tragédia, drama tirado do Evangelho, em 1871.