Passa já da hora o vosso despertar espiritual . . . Saiba que a tua verdadeira pátria é no mundo espiritual . . . Teu objetivo aqui é adquirir luzes e bênçãos para que possas iluminar teus caminhos quando deixares esta dimensão, ascender e não ficar em trevas neste mundo de ilusão . . .   Muita Paz Saúde Luz e Amor . . . meu irmão . . . minha irmã

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

CAPÍTULO XXIII - Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. Uma nova civilização surgirá na Terra a partir do próximo século. — Será constituída de almas pertencentes ao ciclo terreno como vós próprias. — A tarefa que lhes incumbe realizar. — Ainda a visita das almas juvenis.




Estando atualmente presente no ambiente terreno, onde venho com o objetivo especial de ditar este livro destinado ao esclarecimento das minhas queridas filhas e filhos que me distinguem com sua devoção, eu  só desejo que as minhas palavras possam encontrar acolhimento em seus corações. Com este grande desejo ora posto em prática, eu alimento em meu coração a esperança de poder receber a todos no plano em que vivo no Alto, no qual se preparam acomodações condignas para as almas viventes na Terra  fim de  civilização. Fim de civilização, digo bem, porque em verdade uma nova civilização surgirá na Terra a partir do início do século XXI.  A nova civilização que virá ocupar a Terra assim proximamente não será constituída de almas provenientes de outros mundos, como talvez a muitas pessoas possa parecer. Não, as almas que se preparam para descer à Terra, já aqui estiveram seguidamente, e aqui adquiriram os conhecimentos e experiências que muito as elevaram na escala espiritual. São, portanto, almas pertencentes ao ciclo terreno como vós próprias o sois, visto como também aqui tendes vindo seguidamente século após século. Eu não incidirei em erro se vos disser que se encontram grandes almas encarnadas bastante próximas da partida, pois que lograram dar cumprimento ao programa de trabalho que trouxeram ao reencarnarem. Esta classe de almas não será muito fácil de ser identificada enquanto na Terra, uma vez que a luminosidade que ostentam só pelas Entidades desencarnadas pode ser identificada. Contudo, se prestardes vossa atenção à conduta de numerosas pessoas que aqui vivem, à maneira pela qual se desempenham de suas tarefas e à elevação de suas atitudes em relação ao meio em que vivem, podereis ficar conhecendo algumas destas grandes almas. 

A nova civilização que então se aproxima deste vosso pequeno mundo terá uma tarefa bastante difícil quanto elevada a desempenhar, porquanto lhe incumbirá transformar, melhorando-as, as atuais vibrações do meio terreno. Uma nova idéia de solidariedade será instituída na Terra, uma idéia que deverá congregar todas as almas no sentido da solidariedade e do amor aos semelhantes, cessando as atuais divisões sociais em que uma parte usufrui o muito, enquanto a outra sofre as agruras do nada. A nova civilização será, entre outras coisas, a civilização da fraternidade e do amor ao próximo, aquele amor que o meigo Jesus de Nazareth veio pregar no início da era cristã. Provavelmente uma nova divisão geográfica deverá surgir também na Terra, para acomodar as populações que hão de vir, cessando de vez as lutas pela conquista de territórios que tanto sangue têm derramado. Partindo do princípio de que a Terra não pertence aos homens, mas à humanidade, servindo de moradia transitória a todas as almas que aqui reencarnam, ninguém ousará tentar expulsar de seus domínios ocasionais os grupos de almas que neles vivem, como tem acontecido em todos os tempos. E sabeis, acaso, qual será o fator máximo desta modificação dos sentimentos humanos? O conhecimento e a prática do intercâmbio espiritual, tão necessária à humanidade. O conhecimento e a prática dos princípios da espiritualidade, presentemente já em franco desenvolvimento, dará aos homens a consciência de sua transitoriedade na Terra, com a certeza dos verdadeiros objetivos de sua vinda periodicamente ao solo terreno. O atraso em que o mundo terreno ainda se encontra, dois mil anos após a vinda do Senhor a pregar a fraternidade e o amor ao próximo, pode ser debitado ao espírito de materialidade que tem imperado na quase totalidade das religiões criadas na Terra. Isto, porém, está prestes a se modificar pela adesão de algumas das mais importantes ao Espiritismo, aceitando e propagando seus elevados princípios, com o que muito se engrandecerão, pela afluência de novos adeptos de todas as classes sociais. Por que, pois, combater-se o Espiritismo e seus elevados princípios, se todas as criaturas humanas são Espíritos, vieram dos planos espirituais e para eles hão de voltar a seu tempo? Nosso Senhor Jesus conhece bem as causas originarias do combate a esta sábia doutrina espiritualista, as quais, entretanto, estão sendo também destruídas pelo esclarecimento das almas. Nosso Senhor alimenta bem fundadas esperanças de que a sua Igreja, aquela que resultou de sua vinda à Terra em corpo humano, seja uma das primeiras organizações religiosas a adotar as práticas espiritistas em seus cânones. Isto acontecerá, aliás, em breves anos, em face dos elementos que estão descendo à Terra, trazendo esse fato isento no seu programa de serviço divino. Com os esclarecimentos novos que estão sendo difundidos entre as populações terrenas, a transformação de certos dogmas e princípios religiosos será operada, podemos dizê-lo, do exterior para o interior, se o não for antes de dentro para fora. É que as almas viventes na Terra conhecem de experiência própria as belezas das práticas espiritualistas em seus próprios lares, onde recebem frequentemente a visita consoladora de suas almas queridas que partiram, sabendo por isso que a morte apenas termina a vida do corpo e jamais das almas. Assim, pois, todas as religiões que persistirem em condenar tais práticas, qualificando-as de vários modos, até mesmo como obra do demônio, apenas se estarão destruindo lentamente em face do afastamento daqueles que lhes davam crédito. Que em épocas passadas isto se fizesse com o objetivo de restringir o quanto possível certas práticas condenáveis porque bastante perigosas, compreende-se; hoje, entretanto, com as luzes difundidas no meio terreno pelos emissários do Senhor, e também pelos belos ensinamentos trazidos aos seus familiares por inúmeras almas que partiram da Terra, será de todo inútil insistir na condenação do Espiritismo, o bom, o são Espiritismo, que tanto consolo está proporcionando às almas encarnadas.  

Seria para desejar, inclusive, que as próprias organizações espiritistas meditassem um pouco em torno de algumas reformas em sua estrutura, com o fim de melhor se prepararem para novos e maiores lances em favor do esclarecimento das populações. Nós que do Alto nos preocupamos com o assunto, temos observado por vezes o estacionamento de muitas organizações espiritistas, permanecendo nos mesmos tímidos argumentos dos princípios do século XX. A estas organizações nós sugeriríamos a idéia de modificarem, por exemplo, os horários dos seus trabalhos doutrinários, passando a praticá-los também à luz do dia em reuniões matinais, em vez de somente à noite. E aqui vai uma idéia concreta do que poderão fazer as organizações espiritistas em horários matinais. Considerando a conveniência de muitas pessoas em frequentarem de preferência a sua organização doutrinaria durante o dia, ou porque não possam ou não desejem sair à noite, estabelecer-se-ia uma reunião pública, por exemplo, das nove às onze horas para difusão dos ensinamentos doutrinários a todas as classes e idades. Nessas reuniões se relatariam fatos esclarecedores acerca da existência do Espírito e sua responsabilidade em todos os atos da vida terrena, objetivando a manter sempre presente na mente dos ouvintes a sua responsabilidade e consequências por todos os atos que praticarem na vida, mas, sobretudo, a idéia de que eles e o próximo fazem parte da mesma família espiritual.  

Essas reuniões seriam inteiramente dedicadas ao esclarecimento dos ouvintes, mas isentas do fenômeno. Este só seria praticado, ou em reuniões vesperais dominicais, ou à noite nos dias de semana, o que é preferível. Nestas reuniões noturnas então, operar-se-ia o tratamento espiritual dos assistentes quando necessário, e o desenvolvimento dos ascendentes mediúnicos que se apresentassem. Isto, aliás, é o que constitui na atualidade o programa de trabalho da totalidade das organizações existentes. É um trabalho bom, esse, todos o reconhecemos, pelos enormes benefícios que proporciona aos assistentes em condições de recebê-los. Resta, então, a adoção de um programa dominical na parte da manhã e se possível também à tarde dirigido por mentores devidamente preparados para tocar o âmago das almas presentes. Eis aí, por conseguinte, uma idéia que muito contribuirá para difundir maior compreensão e felicidade entre as almas encarnadas.

A seguir eu direi algo mais acerca da visita daquelas almas juvenis ao meu plano, de quem já vos disse várias coisas. Direi então que os poucos dias que aquelas almas conviveram comigo, as encheram de verdadeira felicidade. Uma linda manhã combinei levá-las ao Templo de orações, que elas muito desejavam conhecer para compararem com aquele que diariamente frequentam no seu plano. A ele nos dirigimos então numa linda manhã, após percorrermos a pé uma curta distância ao longo de um caminho, por assim dizer, repleto de belas florzinhas, exatamente porque brotadas no próprio leito do caminho. As minhas visitas apreciaram sobremaneira este fato, estranhando que tão belas e perfumadas florzinhas brotassem exatamente no caminho que as almas do meu plano percorriam diariamente sem as molestarem. Eu expliquei-lhes então que isso se devia à nossa falta de peso específico, em nada afetando a vida das flores por onde passamos. Já no plano em que viviam as minhas visitas, sendo seu corpo fluídico algo mais denso do que o nosso, aquele fato não poderia existir, as flores sentiriam bastante ao serem pisadas pelas almas passantes. Expondo-lhes este fato, caminhávamos sempre em direção ao Templo, ao qual em breve chegamos. Entramos. O silêncio era completo. Centenas e centenas de almas lá se acomodavam em atitude de grande concentração quando nós ingressamos e nos dirigimos a um local onde eu costumo assistir aos ofícios religiosos que lá se celebram. Eu digo ofícios religiosos, para usar uma linguagem vossa conhecida, dando idéia de que essas ocasiões representam o objetivo principal da ida ao Templo, tanto na Terra como no Espaço. Naquele dia e àquela hora, realizava-se no Templo uma perfeita concentração de almas com o objetivo de emitirem vibrações de saúde, harmonia e felicidade, em favor de todas as almas encarnadas e desencarnadas do ciclo da Terra. Isto nós o fazemos invariavelmente uma vez na semana, pelo bem que então dali se irradia em todas as direções. Este espetáculo constitui a alegria de, quantas almas a ele comparecem, as quais se revezam sempre para que todas possam emprestar ao ato a sua cooperação mental. Faz-se a princípio um completo silêncio durante o qual os pensamentos se unificam, e passados alguns minutos, uma voz suave e terna se eleva, reunindo todas as vibrações das almas presentes conduzindo-as assim unidas na direção determinada. Essa direção consiste na citação, em primeiro lugar, deste plano terreno que é assim, percorrido em todas as direções, segundo a orientação daquela voz suave e terna. Essas vibrações são dirigidas inicialmente às almas necessitadas, sofredoras, às que se encontram nos hospitais, nas casas de saúde ou enfermas em seus lares, levando a todas uma sensível dose de alento espiritual, de saúde e felicidade a envolvê-las. Nossa grande alegria consiste então em poder apreciar o enorme bem que aquelas vibrações proporcionam às almas visadas, muito contribuindo para o seu pronto restabelecimento. Em continuação, aquelas benéficas vibrações da multidão de almas se dirigem aos vários planos espirituais a partir da Terra, em cujos mais próximos elas vão constituir a maior alegria das almas neles estagiárias. Eu vos direi rapidamente que em certo plano próximo à Terra, onde, na inferioridade vibratória das almas estagiárias a noite se lhes afigura permanente, as vibrações recebidas do nosso plano constituem a maior alegria para elas, porque as mesmas se lhes assemelham a um raio de luz solar a penetrar a penumbra em que vivem. Nós nos empenhamos sobremodo em ajudar a iluminação desta categoria de almas assim viventes na penumbra, consequência lógica do seu reduzido adiantamento espiritual. Trata-se de almas que procuraram viver sua existência terrena repleta de fatos nada condizentes com suas necessidades espirituais, atingindo a desencarnação privadas daquela centelha que as deveria conduzir a determinados planos espirituais. Dotados de sentimentos assaz grosseiros e desinteressadas do seu próprio aperfeiçoamento, uma vez desencarnadas tombam no abismo da ignorância por elas próprias cavado quando no corpo. O assunto é longo e riquíssimo de ensinamentos e eu prometo voltar a ele em futuros capítulos. 

Deixo-vos  hoje a bênção que o Senhor vos envia por meu intermédio, e a minha própria, que eu vos ofereço de todo o coração.

CAPÍTULO XXII - Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. Chegada e permanência das almas no plano espiritual. — Razão da demora de muitos em alcançá-lo enquanto outras o atingem instantaneamente. — A idade do corpo não tem relação com a idade do Espírito. — A fórmula mágica.





Acontecimentos de certa magnitude devem ser esperados neste mundo terreno dentro de breves anos, já estão disto informados muitos milhares de seres humanos que aqui vivem. Não necessitarei eu, por conseguinte, de repisar o assunto uma vez mais neste capítulo. As observações que estão sendo feitas no próprio meio terreno concluem pela confirmação de que uma boa parte da população já recebeu as notícias e conselhos trazidos à Terra pelos emissários de Jesus Nosso Senhor, e se está preparando devidamente para aqueles acontecimentos. Assim, desejo ocupar-me de assuntos outros igualmente interessantes e muito úteis a todas as minhas filhas e filhos presentemente na Terra.  

Tratarei então no presente capítulo do que se relaciona muito estreitamente com a chegada e permanência no plano espiritual, das almas  que vão encerrando sua vivência neste plano e dele se despedem para regressar ao seu lar espiritual. Para começar eu direi que o caminho a ser percorrido pelas almas que desencarnam é bastante longo para muitas delas, ao passo que bem curto se torna para outras, embora a distância que o separa da Terra seja uma só. Por que, então, essa diferença no percurso? — perguntareis vós com muita razão. A maior ou menor demora em percorrer o caminho que leva as almas de regresso ao seu plano espiritual está em relação com as condições morais de que sejam portadoras, as almas que diariamente se despedem do corpo físico pelo fenômeno da morte. Eu explicarei em seguida a razão.  

As almas que conseguiram vencer a sua encarnação neste plano através da prática somente de ações meritórias, segundo suas possibilidades, mantendo-se durante esse lapso de tempo numa linha de perfeita correção moral, e tenham, também, cumprido os preceitos constantes das leis divinas, essas almas ao se desprenderem da matéria seguem numa linha reta ascensional em direção ao seu plano no Alto, gastando nesse percurso um tempo tão reduzido em certos casos, que não ultrapassa uma fração de segundos. As almas que assim conseguem alcançar de regresso o plano espiritual ao qual pertencem, podem ser identificadas ainda no corpo, pelas pessoas com as quais conviverem, com um pouco de perspicácia. Efetivamente, ao convivermos na Terra com pessoas pacatas, sossegadas, amantes da paz e sempre  a amar e socorrer o próximo, seja por meio dos elementos peculiares ao meio terreno, seja por meio de um conselho, uma prece, ou ainda por outros meios ao seu alcance, identificaremos nessas criaturas, almas já bastante evoluídas, e por isso possuidoras de um coração repleto de amor para os seus semelhantes. Em geral verificaremos nessas criaturas uma grande simplicidade de hábitos, ausência de ambição e vaidade, o que as torna criaturas bondosas, simpáticas, com as quais todos gostam de tratar. Este tipo de almas conduzem-se invariavelmente de maneira pacata, por serem de todo incapazes de ferir sequer moralmente os seus semelhante. Isto sucede, convém frisar, pela circunstância de que esta categoria de alma já alcançou um nível evolutivo que inteiramente as despojou das qualidades negativas ainda existentes em muitas outras suas contemporâneas neste pequeno mundo. Convenhamos então que esta categoria de almas encarnadas vive e procede desta maneira elevada sem que lhes seja necessário algum esforço para isso, mas realmente porque já não possuem em seu coração o volume de maldades que ainda leva numerosas outras a procederem de maneira oposta. Estas outras, as que ainda se comprazem na prática de certas maldades por qualquer motivo, sem acreditarem no prejuízo que estarão proporcionando com o seu procedimento, estas almas, ao se desprenderem da sua matéria, permanecem ou em torno dela, assistindo horrorizadas à decomposição do corpo que fora seu, ou se perdem em meio às suas perturbações, podendo permanecer anos e anos no solo terreno sem atinarem com os caminhos que as hão de levar ao seu plano de repouso no mundo espiritual. Esta categoria de almas de um modo geral não utilizou os recursos da prece enquanto na carne. Tendo voltado o pensamento constantemente para os interesses ocasionais, arquitetando maneiras e modos de enriquecimento rápido, quantas vezes destituídas dos escrúpulos que devem presidir todos os atos da vida material, estas almas desprezaram ou esqueceram a oração, a prece que para milhões de outras almas constitui fator de êxito na vida, não possuindo então, ao desencarnarem, condições suficientes de elevação espiritual. E se os seus familiares, por sua vez, se esquecerem de orar por elas, ocupados também com os seus próprios interesses, estas almas estarão por si mesmas condenadas a permanecer no solo terreno, privadas da paz e bem-aventurança que poderiam estar desfrutando no mundo espiritual.

Isso que aí fica linhas acima é o resultado das observações feitas pelas Entidades incumbidas de acompanhar as almas encarnadas, anotando todos os detalhes de sua vivência na Terra. Eu registrei apenas as linhas principais desses dois tipos de vida, mas o bastante para que cada qual dos meus leitores possa escolher o que mais lhe convirá adorar em sua encarnação atual. Bem certo é, e todos o sabem, que não poderá  uma alma jovem, em fase de aprendizado recente neste mundo terreno, encaminhar e pautar seus atos com a mesma correção ou elevação que as almas vividas de muitos séculos, aquelas que também agiram em tempos com a mesma irreflexão das almas jovens. Dizendo eu aqui almas jovens e almas vividas de muitos séculos, eu não me refiro à idade do corpo, absolutamente. A idade do corpo, já o sabeis, não tem nenhuma relação com a idade do Espírito. Pode, por isto, encontrar-se uma alma ou Espírito jovem habitando um corpo já envelhecido, como encontrar-se habitando um corpo jovem uma alma  bastante vivida. Isto sucede em virtude da lei das reencarnações, possibilitando às almas a sua volta ao mundo terreno periodicamente numa nova reencarnação. As pessoas dotadas de espírito de observação podem facilmente identificar umas e outras destas almas, pelas idéias que manifestam, pela correção dos seus atos e pensamentos, principalmente ao atingirem a chamada idade da razão.   

Assim exposto o assunto, eu fornecerei às minhas estimadas filhas e filhos terrenos a fórmula mágica se assim me permitem expressar, a fórmula capaz de possibilitar às almas jovens, porque pouco experientes da vida em todos os seus aspectos materiais e espirituais, a maneira de poderem encaminhar a sua vida terrena sob os mais corretos preceitos de ordem moral, livrando-se de numerosos percalços que habitualmente assaltam as almas desprevenidas. Esta fórmula que, eu insistirei em denominar de mágica, consiste em tão pouca coisa, em tão reduzido esforço, que ninguém a desprezará em benefício mesmo de sua felicidade desde a Terra. E se eu digo felicidade desde a Terra, é que essa felicidade apenas se iniciará neste mundo para continuar e se ampliar no mundo espiritual. A fórmula em referência, pois, aquela usada por todas as criaturas que lograram alcançar na Terra uma vida pontilhada de acontecimentos felizes, afastando numerosos outros portadores de sofrimento em que é rico este pequeno mundo, é a prece. A prece constitui em verdade a fonte de maior ajuda a todas as criaturas de Deus, estejam elas vivendo uma vida de seres humanos no solo terreno, ou estejam livres da matéria, vivendo a vida de almas livres no mundo espiritual. Recomendando eu aqui o uso da prece a todas as criaturas que se encontram na Terra, tenho a mais absoluta segurança quanto aos seus resultados. Uma criatura que ora por devoção a si mesma, uma, duas ou três vezes ao dia, estará afastando de si as influências maléficas, perturbadoras, de que está cheio o ambiente terreno, e atraindo por meio da prece tudo quanto de bom exista para a realização de suas íntimas e justas aspirações ao longo de sua permanência na Terra.

Para apresentar uma imagem dos efeitos da prece em relação àquele que a faz, eu direi que ela pode ser comparada ao ato de acender uma vela numa sala inteiramente às escuras. Se penetrardes numa sala inteiramente às escuras, dificilmente podereis mover-vos nela mesmo conhecendo-a de antemão. O certo é que nada podereis realizar ali sem uma luz que ilumine o ambiente. Acendendo então uma vela, já podereis percorrer toda a sala e até realizar algum serviço. A prece pode então ser comparada à vela que acenderdes, a qual produzirá também uma luminosidade em torno de vós. Há apenas a seguinte diferença: a luz da vela se extingue com a própria vela, voltando a sala a ficar novamente às escuras; ao passo que a luminosidade produzida pela prece incorpora-se ao vosso Espírito, à vossa alma, e aí permanece para todo o sempre. Imaginai, pois, quanto crescerá a vossa própria luminosidade diariamente em consequência da prece que elevardes uma, duas ou três vezes, pondo-vos assim em ligação direta com as Forças Superiores, e recebendo das mesmas vibrações semelhantes àquelas que emitistes em vossa prece. 

Quando, no Alto, as almas se preparam para reencarnar, o objetivo que as anima é, exclusivamente, o de virem aqui em busca de mais luzes para o seu diadema espiritual. E a razão de numerosas delas regressarem quantas vezes no mesmo estado, após uma peregrinação de várias dezenas de anos, é que de tudo se aproveitaram neste plano de vida, para uso e gozo seu, menos desse lapso de tempo para engrandecimento de sua luminosidade. Essas criaturas podem ter adquirido diversos focos de luz através da prática de atos meritórios ao longo da sua vida, o que está igualmente no seu programa de vida elaborado no Alto. Isto é perfeitamente razoável e até obrigatório mesmo, tendo em vista que a prática de atos meritórios é condição sine qua para uma alma poder reencarnar. Se, por conseguinte, a par dos atos desta natureza que as almas encarnadas logrem praticar durante a vida terrena, se se dedicarem, por hábito ou devoção, à prática da prece com todo o seu coração, essas almas podem alimentar a certeza de que realmente venceram na vida terrena, tendo cumprido, se não todo o seu programa, pelo menos uma boa parte dele. Dizendo-vos assim em minúcias o que aí fica, eu só desejo esclarecer ao máximo as vossas almas bastante obscurecidas pela condição de se encontrarem encarnadas. Ao regressardes, porém, ao vosso plano quando isso acontecer, tenho eu a mais sólida certeza de que todas me haveis de agradecer estas palavras de esclarecimento que aqui ficam. O meu empenho torna-se ainda maior neste sentido, filhas e filhos a quem eu muito amo de todo o meu coração, em face do processo em andamento no meu plano espiritual, no sentido de só poderem ser nele recebidas a partir de certa época, almas portadoras de um determinado índice de luminosidade, em perfeita harmonia com a que possuem as almas que ali vivem. Este é um dos motivos pelos quais eu solicitei ao meu amado Filho a necessária permissão para vir ao vosso meio redigir este volume, onde estou depositando toda a minha  dedicação a quantas almas vivem neste momento na Terra. O meu desejo de receber a todas no plano em que vivo é tão grande e tão intenso, que eu me dispus a vir até vós a fim de vos dizer estas coisas em letra de imprensa, e isto, em parte, porque muitas de vós já são minhas conhecidas e particularmente afeiçoadas de outras eras, e de um modo geral eu desejo contribuir com a minha  palavra, o meu conselho, para que outras o sejam também dentro dos breves anos do porvir. Aconselhando-vos desta maneira à prática da prece ou oração fervorosa diária, eu viso a estes dois grandes objetivos: preservar-vos de sofrimento por ocasião dos acontecimentos que estão para chegar, e contribuir para a crescente luminosidade de todas, a fim de os receber oportunamente no mais belo de todos os planos do mundo espiritual. Será isto possível? — poderá alguma de vós indagar, ao considerar o que estou dizendo a respeito do plano em que ora vivo. É possível, sim, eu vos respondo, filhas e filhos do meu coração. Isto é perfeitamente possível, almas queridas. Certo é que algumas de vós já de lá vieram para a presente existência terrena, munidas de planos de serviço divino que estão executando. E são várias, muitas mesmo, as almas que aqui se encontram encarnadas, procedentes do plano em que vive o próprio Senhor Jesus. Estas vós as identificareis pela qualidade de suas atividades, pelos serviços que estão prestando à coletividade, pelos seus pensamentos e sua fé na ajuda das Forças Superiores. Talvez que você leitora ou leitor, seja uma dessas almas, sempre envolvida na sua modéstia de alma simples, evoluída. O meu empenho é, pois, muito grande com o objetivo de receber em nosso belo plano o maior número possível das almas que se encontram na Terra, onde deverão permanecer por longos anos ou séculos. De outra maneira teriam estas almas de regressar ao seu antigo plano de vida, desempenhando tarefas muito semelhantes às da Terra. Isto só acontecerá, contudo, àquelas que não conseguirem levar da Terra proximamente aquele número de onças de luz que vieram buscar. O meio, por conseguinte, de adquirirdes as onças de luz que possam estar faltando é, conforme ficou dito, o seguinte: a prática de atos ou ações meritórias e o hábito da prece diária elevada com toda a sinceridade e fervor dos vossos corações.  

Deixo-vos aqui a bênção que o Senhor vos envia por meu intermédio, e a minha  própria que eu vos ofereço de todo o coração.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

CAPÍTULO XXI - Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. Aconteceu num mundo semelhante a este. — Realizado o esclarecimento prévio da população. — Uma parte concordou e preparou-se; outra parte pôs de quarentena; uma terceira recusou os conselhos recebidos. — Almas que se precipitam no cosmo.



Aconteceu certa vez num mundo habitado muito semelhante ao mundo terreno, haver necessidade de introduzir modificações na sua superfície, com objetivos também semelhantes aos estabelecidos agora na Terra. A população daquele mundo já excedia de certo modo as possibilidades habitacionais, sendo por isto necessário ampliar em boa parte as respectivas áreas. Isto, aliás, acontece de tempos em tempos em quase todos os mundos habitados, onde surgem essas necessidades. Poderá parecer a muitos dos habitantes atuais da Terra ser isto um fato extraordinário, porém eu lhes direi que a vida dos planetas em muito se assemelha à vida das criaturas, porque jamais estaciona; evolui e se modifica continuamente. 

Desejo então inferir para as minhas queridas filhas e filhos terrenos algo do que aconteceu naquele mundo de que falei em princípio. Havia, como há presentemente na Terra, diversas categorias de almas viventes, muitas das quais poderiam vir a ser atingidas pelos trabalhos empreendidos no solo e terem por isso de ser conduzidas ao plano espiritual em conexão com aquele mundo físico. As Forças Superiores incumbidas de dirigir a vida dos seres encarnados naquele plano físico, iniciaram o processo de esclarecimento das almas em toda a extensão do plano, alertando-as para o que se preparava no Alto, convidando a todas, sem distinção de categoria, a se prepararem para uma possível viagem de regresso ao Alto, sem tempo para disporem dos seus interesses materiais, tal como vem sendo feito pelos emissários de Jesus neste vosso pequeno mundo.  

As reações produzidas então pelas almas encarnadas, variavam entre a aceitação pronta das recomendações vindas do Alto, as atitudes menos crentes nessas recomendações, e a recusa de uma boa parte da população em acreditar no que lhes recomendavam as Forças Superiores daquele mundo. Acontece que quando no Alto se tomam deliberações a respeito do que deve ser feito em qualquer plano ou mundo habitado, isso é feito invariavelmente com uma grande margem de tempo, o suficiente para difundir o assunto por toda a superfície do mundo em causa, a fim de evitar a surpresa para os respectivos habitantes. Uma vez, porém, estabelecida a margem de tempo para a efetivação dos propósitos em vista, essa margem não mais se altera, e os dias a encurtam desde esse momento até que os fatos se produzam.  

Assim aconteceu, pois, no mundo em referência. A margem de tempo entre os prognósticos e a realização dos fatos, era mais do que suficiente para que todos os habitantes do plano tomassem perfeito conhecimento do assunto, e se preparassem devidamente, segundo as instruções vindas do Alto. As almas já possuidoras de certo índice de discernimento, receberiam como verdade o que se lhes dizia em nome das Forças superiores, e trataram de se preparar para as eventualidades. Entregaram-se com dedicação à sua preparação sobretudo moral, em ligação constante com o seu mundo superior, de maneira a poderem seguir um caminho certo em direção ao mesmo, quando isso viesse a acontecer. Esse estado evolutivo desta categoria de almas corresponde de certa maneira ao das que neste mundo vivem atualmente em ligação permanente com o Senhor Jesus, e por isto se encontram também preparadas para qualquer eventualidade que possa surgir. Havia a seguir a categoria daquelas almas que não acreditam facilmente senão naquilo que podem ver ou tocar, e por isso preferem pôr de quarentena o que do Alto lhes dizem os emissários de Jesus, a esperar pela confirmação. Esta categoria de habitantes do mundo em referência, constituída de cerca de metade de sua população, não tendo desprezado embora as recomendações vindas da parte das Forças Superiores, também não cuidou da sua preparação espiritual para uma partida imprevista. Vinha a seguir a categoria de almas absolutamente refratárias a toda espécie de ensinamentos, recomendações ou conselhos de ordem espiritual aos quais recusam intransigentemente dar ouvidos. São as almas encarnadas pertencentes à terceira categoria, muito semelhantes a numerosas das também viventes neste plano terreno, possuidoras de uma convicção bastante arraigada de que nada existe fora do que suas vistas alcançam, e que tudo se encerra para sempre na morte do corpo. Sucedeu, portanto, que esta terceira categoria de habitantes do mundo em referência recusou tomar conhecimento do que lhes anunciavam as Forças Superiores por considerarem de todo impossível que vida e inteligência pudessem existir em seres de contextura diferente, mormente porque, argumentavam, se alguém assim lograsse viver na imensidão do infinito, nenhuma ação inteligente jamais poderia exercer sobre criaturas possuidoras de um cérebro para pensar, refletir e agir com eficiência como era o seu próprio caso. Esta categoria de almas, que representava parcela sensível daquela população, recusou terminantemente as advertências e recomendações largamente difundidas em seu mundo, para que se preparassem para  enfrentar acontecimentos de monta, em tempos que se aproximavam.  

Assim como as nuvens se movimentam lentamente sobre as áreas nas quais vão descarregar suas torrentes de água a inundar o solo e quantas vezes destruir obras, haveres e vidas de modo impetuoso, assim se aproximaram do mundo referido os acontecimentos planejados para nele operarem modificações substanciais em sua superfície. Esse momento ocorreu ao fim do prazo preestabelecido pelas Forças Superiores, e as consequências, os efeitos produzidos, corresponderam exatamente às previsões de seus mentores do mundo espiritual. Enquanto os efeitos produzidos pelas torrentes se processam do alto para baixo, conduzindo em sua passagem o que exista sobre o solo, no caso em foco os fatos se processaram do interior da esfera para o exterior, logicamente com grande estrondo em face dos elementos mecânicos usados para esse fim. O que se observou então, passados os primeiros momentos de pânico entre a população? Passados esses primeiros momentos de terror pânico, um quadro bastante constrangedor era observado, principalmente nas regiões mais populosas. Montanhas fendidas umas, derrubadas outras, edifícios destruídos em grandes áreas habitadas, cursos de água interrompidos a procurarem caminho por sobre os escombros, cidades por assim dizer completamente arrasadas. E as populações, o que foi feito delas? Uma grande parcela das almas viventes nessas regiões fora libertada do corpo físico que era seu, e estava sendo recolhida e conduzida por outras almas em missão de socorro, ao plano onde devia estacionar no mundo espiritual. Para esse momento psicológico foi que as Forças Superiores haviam empreendido uma larga campanha de chamamento a todos os habitantes daquele mundo em processo de transformação. O que previsto fora pelas Forças Superiores estava acontecendo então, e todos os esforços eram empregados na tarefa de salvação de todas as almas que haviam sido atingidas em seus veículos físicos. Enquanto se tornava tarefa fácil recolher e conduzir as almas preparadas, aquelas que haviam aceito as recomendações do Alto e se preparado espiritualmente para aquela eventualidade, numerosas das que preferiram esperar pelos fatos ali se encontravam atônitas em face da confirmação dos fatos anunciados, e clamavam em altas vozes por socorro, embora este lhes estivesse sendo prestado. Estas almas, mesmo após recolhidas e acomodadas em veículos fluídicos ali estacionados para esse fim, persistiam em gritar por socorro, até que os mensageiros socorristas as aconselharam a orar em vez de gritar. Este conselho foi para aquelas almas aflitas o mesmo que uma caneca de água fria na fervura. Logo passaram a sentir-se calmas, tranquilas, cessando toda excitação provocada pelo inesperado. Disse então a estas almas em número bastante avultado, quando já se encontravam perfeitamente tranquilas na condução que as levaria ao seu plano espiritual, um dos mensageiros socorristas: 

— A oração, conforme acabais de constatar, tem o mérito de acalmar as almas e aproximá-las do Criador. Em muitos e muitos casos, a oração supera o próprio sofrimento. Milhares de outras almas que aceitaram as recomendações vindas do Alto, e as puseram em prática com dedicação e amor, ei-las que acabam de partir naqueles belos veículos que vieram busca-las e que nenhum sofrimento padeceram. Perfeitamente preparadas espiritualmente, aquelas nossas irmãs deixaram tranquilamente seus corpos físicos e instintivamente se aproximaram dos mensageiros socorristas que as recolheram nos seus veículos. Vão tranquilas, acomodadas confortavelmente, e felizes em busca do repouso a que fizeram jus pelo seu viver correto neste mundo físico. Orai, pois, minhas irmãs, orai muito, orai sempre, desde este momento, e certamente alcançareis, em breve um estágio semelhante ao das nossas irmãs que seguiram à frente. 

Havia, porém, o sério problema do socorro às almas endurecidas, aquelas que haviam recusado, de toda maneira, preparar-se para aquela eventualidade. Esta categoria de almas, das quais muitas haviam sido também atingidas pelos acontecimentos, jaziam sobre o solo em estado semelhante ao dos próprios corpos. Muitas destas almas não haviam conseguido separar-se do corpo e ali jaziam também como se houvessem morrido. Esta parcela de almas foi fácil de socorrer, principalmente aquelas que se encontravam livres dos escombros. Porque outras sem qualquer desenvolvimento espiritual, permaneciam ligadas ao corpo mesmo sob os escombros, havendo certa dificuldade em retirá-las dali e conduzi-las para o Alto. Isto, entretanto, se fez com maior ou menor duração de tempo, mas foram afinal socorridas também. Já não sucedeu o mesmo a uma certa parcela destas almas que, tomadas de pânico em face da positivação dos fatos anunciados, largaram violentamente o próprio veículo e saltaram no infinito com tal impulso que se precipitaram na região cósmica, onde só muito dificilmente puderam ser alcançadas.   

Precipitando-se no cosmo, estas almas inteiramente despreparadas espiritualmente, por falta, em grande parte, do hábito da oração, não conseguiram por isso emitir vibrações cujo sentido pudesse ser alcançado pelos mensageiros socorristas do seu plano. Assim peregrinaram algumas centenas ou milhares de almas por assim dizer dispersadas do rebanho a que pertenciam, sentindo-se inteiramente perdidas e para sempre no vácuo no qual se precipitaram. Uma vez mais, entretanto, a misericórdia divina se incumbiu de recolher aquelas almas então desesperançadas de recuperação pelas Forças Superiores do próprio plano. Isto ocorreu, porém, algum tempo decorrido, tempo que pode ser contado por anos e anos de padecimento moral nas regiões insondáveis do cosmo.  

Por iniciativa das mais ativas, resolveram aquelas almas dispersadas reunir-se num bloco compacto, para assim experimentarem a prática da oração em conjunto, esperançosas de poderem desta maneira alcançar o socorro espiritual e o próprio rumo a seguirem, visto como na profundidade do vácuo em que haviam caído, nenhuma orientação logravam ter acerca do rumo da salvação. Assim fizeram, recordando recomendações antes recusadas, quando nada acreditavam do que lhes fora recomendado. Reuniram-se assim em oração ao Criador de todos os mundos, implorando por aquele meio o socorro, a salvação, paz e tranquilidade de que tanto careciam. A idéia posta em prática surtiu o desejado efeito. A vibração espiritual emitida por aquele conjunto de almas alcançou os dirigentes do plano a que pertenciam, e também os de outro plano espiritual, donde partiram caravanas de socorro guiadas pela fonte emissora daquelas vibrações. As diversas caravanas socorristas passaram a emitir por sua vez vibrações orientadoras e ao mesmo tempo atrativas na direção daquelas almas, as quais celebraram com alegria a proximidade do socorro solicitado ao Criador. A operação foi então felizmente concluída, sendo aquele conjunto de almas antes endurecidas, recuperado para o plano a que pertenciam. A permanência vivida no insondável do cosmo operou sobre elas o efeito da sua lapidação, dado o lapso de tempo em que tiveram de esquecer os interesses materiais deixados no mundo físico, para apenas concentrarem suas forças mentais na magnanimidade das leis divinas. O lapso de tempo vivido por aquele conjunto de almas em desesperança lapidou várias de suas imperfeições anteriores, projetando-as alguns degraus acima em sua escala evolutiva.  

Este acontecimento que venho de relatar bem sucintamente, eu o considero bastante ilustrativo para todas as almas viventes neste mundo terreno neste fim de civilização. Existe uma grande coincidência entre os fatos ocorridos naquele mundo de que falei e os que devem ter lugar no vosso próprio mundo. Coincidência também existe entre as diversas categorias de almas  de outro mundo. Também se encontram presentemente na Terra pessoas que receberam como verdade as recomendações que vêm sendo difundidas através de livros para que se preparem para o que possa acontecer, e por isso se estão preparando espiritualmente para a viagem de regresso se isso lhes ocorrer. Estas pessoas podem ser consideradas integrando a primeira categoria de almas viventes no momento presente. Também temos constatado a existência de pessoas que pouco crédito emprestam aos conselhos e recomendações vindos do Alto por intermédio dos enviados do Senhor Jesus, julgando-as não raro apócrifas, sem autenticidade, sob a alegação de que a Terra é dos seus habitantes, a ninguém competindo nela interferir. Também considera, esta classe de pessoas, absolutamente inoperantes as Entidades espirituais no plano físico, e daí não darem ouvidos ao que vem sendo divulgado em livros iguais a este. Há, coincidentemente, a categoria dos endurecidos, que são almas ainda bastante jovens, carecentes de experiência porque pouco vividas, e que por isso se recusam a pôr em prática as recomendações espirituais. O que poderá vir a suceder bem proximamente na Terra, será a repetição do quadro citado em principio, sendo então para todos lamentarmos o que poderá vir a suceder às duas ultimas categorias de almas aqui especificadas.  

Filhas e filhos encarnados a quem eu muito amo de todo o coração: preparai-vos sem perda de tempo, com todo o fervor dos vossos corações, porque os fatos estão bem próximos e nada poderá impedir que eles se positivem, porque é urgente, é imprescindível adaptar o solo terreno às necessidades das gerações que se aproximam. Fazei isto, mas fazei de todo o coração, para que vossas almas, se atingidas pelos fatos, sejam recolhidas e carinhosamente conduzidas, frontalmente ao plano a que pertenceis, que é aquele mesmo em que habitamos eu, o senhor Jesus, e todos os Grandes Espíritos que evoluíram na Terra. Fazei isto, filhas e filhos muito amados, no interesse do vosso próprio bem, é o que eu vos peço e recomendo.  

Deixo-vos aqui a bênção que o Senhor vos envia por meu intermédio, e a minha própria que eu vos ofereço de todo o coração.

CAPÍTULO XX - Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. Do aprimoramento das qualidades morais. — Todas as ações produzem reflexo. — Uma chave que abrirá todas as possibilidades às almas encarnadas. — Novos detalhes sobre o parque celeste. — No vale das orquídeas: originalidade notável destas flores.





Desejo apresentar aqui às minhas queridas leitoras e estimados leitores um assunto de grande interesse para todos, não apenas enquanto estiverem vivendo a vida terrena, como também quando chegar o momento de retornarem à vida espiritual. É um assunto que toca particularmente à alma de cada um, devendo por isso contribuir bastante para a sua maior tranquilidade e felicidade. Desejo tratar então da maneira pela qual deverá cada alma encarnada preparar desde a Terra a sua ascensão aos planos mais elevados do mundo espiritual.  

A vida terrena, já o sabem todos os leitores das obras espiritualistas, tem por objetivo máximo o aprimoramento das qualidades morais das almas que obtiveram permissão para vir à Terra, e isto deve ser conseguido através de uma existência mais ou menos longa, em contato com outras almas também encarnadas. Há necessidade, portanto, do desempenho de atividades de ordem material para a obtenção dos meios de subsistência do corpo, já que a alma ou Espírito não necessita de outra espécie de alimento além da prece diária. É, pois, no desempenho das atividades materiais que as almas ou seres humanos devem tratar de aprimorar suas qualidades morais, o que vale dizer aprimorar e dar provas de suas virtudes. Para isso eu desejo deixar aqui os princípios por meio dos quais todas as filhas e filhos facilmente alcançarão grande progresso na Terra.  

Sabendo-se inicialmente que compete à alma a faculdade de pensar, raciocinar e agir no plano terreno, e que o corpo apenas executa aquilo que a alma lhe determina, segue-se que a idéia que a alma deve ter sempre presente em suas atividades diárias, é a de que todas as suas ações nesse terreno produzem um reflexo, uma consequência em sua vida e felicidade, não apenas neste plano, mas igualmente na sua vida espiritual. Assim sendo, cabe à alma raciocinar tranquilamente no desempenho de suas tarefas materiais, a fim de que nada ocorra em contrário aos princípios da maior correção moral, seja qual for o setor de suas atividades. Tendo presente a necessidade de obediência constante àqueles princípios, e agindo nesse sentido, estarão as almas encarnadas palmilhando na Terra o caminho certo e seguro que lhes há de permitir desenvolver as suas belas qualidades morais, e também o seu poder magnético, que lhes permitirá a realização de grandes e úteis objetivos.  

Já sabem igualmente as leitoras e os leitores deste livro, pelo que já adquiriram através de outras leituras especializadas, que se encontram bem perto das almas encarnadas na Terra, outras almas incumbidas de as acompanhar, ajudar e proteger contra os perigos invisíveis e outros mesmo visíveis, mas igualmente incumbidas de anotar em detalhes a maneira pela qual aqui se desempenham de suas tarefas, do que resultará o próximo futuro dessas almas. Eu fornecerei em seguida, para uso das minhas filhas e filhos terrenos, uma chave que muito os ajudará na sua vivência atual, abrindo-lhes todas as possibilidades futuras. Esta chave consiste em terem sempre presente em todos os seus atos ao longo da presente existência, que o Senhor Jesus estará presente onde quer que se encontrem, com o propósito de anotar os seus pensamentos registrar suas palavras e conversas, para deles ajuizar sobre o mérito de cada alma encarnada. Tal seja, por conseguinte, a maneira de agir, o comportamento, pensamentos e atos das almas assim assistidas pelo Senhor, maior poderá ser a ajuda recebida em suas atividades, ou, o que seria para lamentar, o abandono das almas à própria sorte. Procedendo, entretanto, como ficou dito acima, cientes da presença do Divino Mestre ao lado de cada alma encarnada, fácil lhes será ajuizar do que pode agradar ou desagradar ao Senhor, e, portanto, o que deixarão de fazer. Isto que aqui vos deixo minhas filhas e filhos queridos, é algo de muito importante em vossas vidas atuais, e de belas consequências em vossas vidas futuras. Se, ao tentardes empreender seja o que for, vos dispuserdes a refletir um instante acerca de como o Senhor apreciaria o vosso empreendimento, prontamente vos ocorrerá a resposta certa à vossa reflexão e podereis então decidir acertadamente. Se assim procederdes, submetendo antecipadamente à apreciação do Senhor tudo quanto desejardes empreender ou praticar, e se agirdes segundo a resposta recebida no vosso coração, então eu vos asseguro de antemão as maiores alegrias ao longo da vossa vida terrena, e a plena felicidade espiritual ao retornardes ao vosso plano no Além. Isto que sugiro custa bem pouco, porque apenas um instante de reflexão e nada mais. Mas isso feito, deveis obedecer ao sentido da resposta recebida do Senhor e agir de acordo, porque agindo de modo contrário, decerto muito vos arrependereis.  

Em seguida vamos conversar um pouco ainda sobre a vida e as coisas do Além, assunto que me parece despertar grande interesse em vossas almas. Para hoje eu direi algo mais a respeito da visita daquelas almas juvenis da qual tratei em dois capítulos anteriores. Prosseguirei então na descrição do passeio que lhes proporcionei ao belo parque celeste, do qual todos estais lembrados. Deixando para trás o imenso lago, o governante sugeriu visitarmos o vale das orquídeas um pouco adiante, para que as minhas visitas juvenis pudessem apreciar algo de maravilhoso para elas. Tomamos então a nossa condução e em questão de segundos descíamos numa planície situada no centro de um vale de grandes dimensões, todo arborizado de belas essências. Os nossos ouvidos foram tocados prontamente pelo gorjeio suave e harmonioso de alguns milhares de aves pousadas nas árvores, e muitas delas no meio da grama colorida ao longo do vale, parecendo-nos que aquele gorjeio assim de conjunto era bem uma saudação que as aves nos dirigiam pela nossa presença. Eu devo confessar que também me considerava em visita àquele sítio, não me recordando de quando lá tivesse ido anteriormente. Bastante ocupada nas minhas tarefas de atendimento aos milhares de pedidos que me chegam diariamente de todas as regiões deste pequeno mundo terreno, pouquíssimas vezes eu me afasto do meu posto para percorrer o nosso — meu e também vosso — belo parque celeste, onde poderíamos permanecer muito tempo em apreciá-lo. Saudadas assim tão alegremente pelo canto daqueles milhares de aves amigas, dirigimo-nos a convite do governante do parque ao setor das orquídeas, cuja cultura ocupa uma extensão que não me atrevo a avaliar, mas que eu considero uma área de quatro a seis quilômetros quadrados. Informou-nos o governante do parque, que aquele tipo de flores constitui a sua maior alegria, pela beleza e originalidade de muitas daquelas espécies. Minhas visitas mostravam-se verdadeiramente encantadas na contemplação das belíssimas orquídeas que seus olhos admiravam. O governante ia-nos informando acerca da originalidade de muitas delas. 

— Estas aqui, já me conhecem tão bem, que atendem prontamente ao que eu lhes digo. Vou pedir-lhes, por exemplo, que recolham suas bonitas pétalas por um instante, como uma saudação às visitas.   

Ele fez o pedido numa linguagem tão meiga, alegando a qualidade das visitas ali presentes, a quem as belas orquídeas deviam saudar recolhendo por um instante as suas pétalas. Numa fração de segundos isto aconteceu, apresentando-se-nos o belo espetáculo de numerosas daquelas lindas flores de pétalas enroladas sobre si mesmas. Parece realmente incrível que isto possa acontecer; dificilmente acreditável em verdade, mas aí tivemos oportunidade de poder avaliar o grau de evolução em que já se encontram determinadas espécies do ramo vegetal. Passados alguns segundos, eis que novamente se distendem as belíssimas pétalas daquelas orquídeas, voltando ao estado anterior, expostas ao calor dos raios solares. Minha emoção foi tal ao contemplar tão belo espetáculo, que eu me curvei e beijei algumas delas em reconhecimento e testemunho da minha  alegria.  

Eu pedi ao governante do parque que mostrasse às minhas jovens visitas o que mais houvesse nesse setor que pudesse proporcionar-lhes novas alegrias naquela manhã primaveril. Ele conduziu-nos então um pouco mais além para nos mostrar algo de inteiramente novo para todas nós. Mostrou-nos o governante do parque, numa longa depressão do vale inteiramente separada do setor das orquídeas, uma população incontável de pequenos seres animais, numa movimentação constante, em idas e vindas, numa harmonia de quem realmente se entende e estima. Imediatamente pudemos identificar a espécie daqueles pequenos ornamentos da classe animal. Eram o duplo etéreo dos delicados coelhinhos que conheceis na Terra, e que ao perecerem  às mãos dos caçadores ou nas garras de outros animais, voam também para o Alto em direção ao seu próprio núcleo. Minhas visitas sentiram-se surpresas com o fato, porém o governante do parque logo lhes satisfez a curiosidade explicando:  

— Todo animal, por mais ínfima que seja a sua classe, possui um duplo etéreo, que é o elemento instintivo que lhe dirige o corpo físico. Não podemos chamar-lhe Espírito, porque em verdade ainda não o é. É, portanto, um duplo etéreo da classe a que pertence, na escala evolutiva em que ainda se encontra. Cada vez que se verifica no mundo físico a interrupção da vida animal do corpo, o duplo etéreo se eleva em direção ao núcleo que pertence. Desta maneira é que recebemos aqui quase diariamente numerosos destes seres, que regressam ao núcleo que aqui está fixado. Também regressam diariamente à Terra muitos destes pequenos seres, atraídos pela vibração projetada pelo ato de fecundação que lá se operou. Desta maneira esta população se renova constantemente desde séculos com suas idas e vindas da Terra.

Nesta altura da explicação do governante, uma das jovens visitas pediu permissão para fazer uma pergunta, no sentido de saber se além dos coelhos, também retornariam àquele plano os duplos etéreos de outras espécies de animais. Eis a resposta do governante do parque:  

— A lei que preside ao regressos até nós desta espécie animal preside ao regresso de todas as demais espécies em iguais circunstâncias. Tal  seja a permanência das minhas belas jovens neste plano, eu terei a maior alegria em levá-las a vários outros setores, nos quais poderão contemplar numerosos exemplares do famoso e temido leão e outras espécies afins. 

— Ah! Leões não desejo visitar! Tenho muito medo de leões! — declarou prontamente a jovem visita.  

O governante, porém, logo esclareceu, dizendo: 

 — Os leões que voam para aqui no seu duplo etéreo, minha querida, não trazem a sua ferocidade tão temida no plano físico. São mansos, pacíficos. Apenas um pouco desconfiados a princípio. Ao receberem porém a nossa vibração amiga, suave, impregnada do nosso sentimento amoroso para com eles, logo se aproximam de nós e até nos proporcionam oportunidade de os afagarmos.  

— Eu não, não teria coragem de afagar um leão! Deus me livre deles! —  foi a reação da jovem visita à explicação dada pelo irmão governante.  

— Mas teremos outras espécies de animais que as queridas irmãs hão de gostar de apreciar. Temos aqui muito belos leopardos, completamente inofensivos, lindos gatinhos de espécies bastante raras na Terra, muitos daqueles de pêlos sedosos inteiramente brancos, tão estimados quanto mimados no plano físico; temos aqui os mais belos visons do mundo terreno, de cujas lindas peles lá se utilizam as grandes damas à custa da vida dos coitadinhos. Temos no setor respectivo muitos milhares de espécies animais que eu terei a maior alegria em vos mostrar durante a vossa presença neste plano, como hóspedes de nossa muito querida Mãe Santíssima, que por sua vez também não teve ainda oportunidade de visitar esses setores do nosso plano. 

Nossa jovem visitante concordou então em visitar esses setores povoados de animais que viveram na Terra, com exclusão, porém, fez questão de frisar do setor dos leões, lembrando-se do quanto se tornam ferozes no mundo terreno.  

Como tivéssemos caminhado bastante a esta altura do nosso passeio, decidimos regressar ao ponto de origem, donde me chamavam em pensamento os meus assessores para atender certo pedido chegado da Terra, com caráter de urgente. Respondi mentalmente que me apressaria em regressar, e transmiti daquele mesmo local algumas instruções acerca de como procederem desde logo até à minha  chegada. Regressamos pois, ao meu posto de serviço, por meio da condução que nos aguardava no vale das orquídeas. Minhas jovens visitas estavam imensamente felizes com o passeio, e até maravilhadas com o que haviam podido visitar. Dos fatos verificados, os que mais as impressionaram haviam sido: o gosto dos peixes pela música através das canções do governante do parque, a flor que entendia e respondia a perguntas, e por fim o fenômeno evidenciado pelas belíssimas orquídeas, recolhendo suas pétalas em sinal de saudação às almas visitantes.  

Deixo-vos aqui a bênção que o Senhor vos envia por meu intermédio, e a minha  própria que eu vos ofereço de todo o coração.