Passa já da hora o vosso despertar espiritual . . . Saiba que a tua verdadeira pátria é no mundo espiritual . . . Teu objetivo aqui é adquirir luzes e bênçãos para que possas iluminar teus caminhos quando deixares esta dimensão, ascender e não ficar em trevas neste mundo de ilusão . . .   Muita Paz Saúde Luz e Amor . . . meu irmão . . . minha irmã
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

XLVI - UM ESPETÁCULO MELANCÓLICO – Livro: Vida Nova. Ditado por diversos espíritos – Psicografia de Diamantino Coelho Fernandes.





Existem fases na vida dos planetas que se encontram disseminados na imensidade do espaço cósmico que não chegam a ser, em certos casos, percebidas sequer pelas humanidades que os habitam. Os planetas como as pessoas vivem uma existência somente conhecida das Forças Superiores do Universo, incumbidas de prover as necessidades de cada um através dos milênios de milênios de sua existência. Leis existem a regular a vida de todos os seres viventes, quer se tratem de homens, animais, ou dos próprios planetas, nada ocorrendo à vivência de quem quer que seja que possa acontecer por acaso, visto como tudo na vida está predeterminado com muita antecedência. Se assim não fora poderia vir a dar-se que certos acontecimentos não previstos poderiam determinar circunstâncias porventura incontroláveis, de consequências possivelmente fatais ou perturbadoras da normalidade que deve presidir a existência em todos os mundos do Universo.

Tudo na vida universal obedece, por conseguinte, a essa lei imutável e perfeita à qual freqüentemente nos referimos quando dizemos que não cai uma folha de uma árvore nem um cabelo da vossa cabeça que não obedeça a essa lei. E consiste o fato numa verdade inconteste, demonstrada e provada à saciedade com o nascimento, vivência e morte de todos os seres humanos assim como de todos os demais seres animados. Tudo se processa estritamente segundo as leis que regem a vida universal, nada ocorrendo, por conseguinte, que não esteja em perfeita harmonia com os postulados dessa lei divina que preside e dirige os destinos do Universo.

A circunstância de vos encontrardes todos vós presentemente na Terra vivendo cada um a seu modo esse período infinitesimal da vossa vida infinita, deve ser tomada como um minuto a mais em que permitido vos foi voltar a Terra para um novo impulso ao vosso progresso espiritual, como a única razão de ser, como a única coisa que conta em toda a vossa existência como seres conscientes de vós mesmos. E assim sendo, e assim devendo cada um compreender os motivos de sua presença na Terra, é necessário dedicardes um pouco de atenção ao que deva constituir em verdade a preocupação máxima de cada um, ou seja, a aquisição de novas e maiores luzes para o Espírito, que é a Entidade que vive em cada um de vós, a força que vos levanta cada manhã para iniciardes um novo dia de atividades, a força que produz os movimentos do vosso corpo, a chama que aquece e mantém em perfeito funcionamento todas as vossas células e órgãos, a fim de que o metabolismo funcione perfeito e ininterruptamente, por indispensável à vida do corpo. Quando algum de vós adoece, resultado é de que algo se processou em desacordo com as leis da vida, seja por ignorância, imprevidência, imprudência ou desleixo do Espírito, a quem incumbe o dever de alimentar e prover as necessidades de sua máquina, a qual deve igualmente ser usada com parcimônia e cuidados em todas as necessidades do Espírito, e jamais de maneira imprudente ou perigosa. Do mau uso que numerosos Espíritos fazem de sua máquina terrena, e também da maneira pela qual a alimentam, é que resulta o encurtamento do período de sua permanência na carne, retornando ao Espaço prematuramente. Há por conseguinte um dever de cada ser humano na preservação de sua saúde física, a fim de poder aproveitar o corpo que as Forças Superiores lhe concederam para mais uma etapa no caminho de sua evolução espiritual.

Bem sabemos, todos nós que neste livro nos dirigimos aos nossos estimados irmãos encarnados, que o mergulho do Espírito na carne para uma nova existência terrena, consegue obnubilar quase completamente os conhecimentos, idéias e experiências acumuladas em vidas anteriores, os quais se encontram registrados em sua memória espiritual. Em face disso, e não existindo geralmente uma modalidade de despertamento dessa memória na Terra, o que se verifica, é a dedicação absoluta dos encarnados aos interesses materiais do plano físico, com o abandono total da parte espiritual de sua vinda ao solo terreno. Há, porém, a partir de agora, uma necessidade premente, inadiável, de modificarem os seres humanos esse procedimento que se tornou hábito, para que possam cumprir, ainda que em sua parte mínima, os objetivos reais de sua presente vida terrena. Parta cada qual do princípio de que o que a Terra pertence nela terá de ficar, só aproveitando ao Espírito de cada um, isto é, a si mesmo, aquilo que haja podido construir através de atos e procedimentos verificados no seu campo moral. Por campo moral desejo significar tudo quanto a juízo de cada um possa contribuir para a sua elevação perante as Forças Superiores, nada portanto daquilo que possa ter feito no sentido puramente material da vida, como amealhamento de recursos financeiros, a ampliação de sua carga de bens terrenos ou propriedades, riqueza, enfim tudo quanto não possa conduzir em sua bagagem espiritual ao regressar da Terra.

As linhas acima procuram esclarecer um pouco mais os meus estimados irmãos encarnados em face da verdadeira razão de sua estada na Terra, o que fazemos todos nós, emissários do Senhor ao vosso meio, para que possam todos os homens e mulheres do presente momento histórico da humanidade terrena, alcançar em seu próximo regresso ao mundo espiritual aquele foco tão desejado por todos ao mergulharem no seio materno para a presente existência de seres humanos. Tantas vidas perdidas e outras que quase o foram, se acumulam nos arquivos espirituais de cada um dos viventes humanos do presente, e que o foram em muitos casos por falta de um esclarecimento oportuno, que as Forças Superiores decidiram empreender esta Cruzada de Esclarecimento por toda a Terra, na tentativa de trazer a cada homem ou mulher, todos os elementos de informação capazes de proporcionar a todos um esclarecimento novo e oportuno, sobre o aproveitamento de suas vidas atuais.

Tem constituído um espetáculo melancólico para todos nós que vivemos no Alto, assistirmos ao regresso da grande maioria dos Espíritos que encerram mais uma existência física, inteiramente obumbrados pela ausência de progresso moral ao longo de mais de cinquenta, sessenta ou oitenta anos em que permaneceram na carne completamente absorvidos pelas suas preocupações de ordem material, com desprezo de quanto lhes pudesse propiciar a aquisição de maior luminosidade espiritual. Regressam esses Espíritos ao seu plano no Alto sem uma noção que seja da vida no Além, por haverem vivido tão largo período na Terra dedicado exclusivamente aos interesses e prazeres da matéria. Sucede então a cada um destes irmãos ficarem por longo tempo imersos num estado de meditação em torno de sua própria existência como seres espirituais, até que consigam esclarecer suas mentes e readquirir a memória espiritual por eles deixada no Alto ao embarcarem para a Terra. Para eliminar estas situações bastante desagradáveis a todos os Espíritos de Deus, é que as Forças Superiores, representadas na Terra pela magnanimidade de Nosso Senhor Jesus, determinaram a vinda a este plano de um número talvez incontável de emissários seus, agindo de todas as maneiras junto a vós outros, estimados irmãos terrenos, tentando despertar em cada ser humano o necessário, urgente, inadiável interesse pela vida no Além, aquela em que todos nós reingressamos ao fim de nossas vidas na superfície da Terra.

Este vosso irmão que hoje vos fala, no atendimento a honroso convite do Divino Mestre Jesus, também conta em seu arquivo milenar um sem número de encarnações na Terra, vividas nas mais diversas regiões e circunstâncias. Para que possais fazer uma idéia aproximada da minha vida multimilenar, eu vos direi que apenas consigo recordar aquelas vidas que vivi nos últimos dezoito mil anos, que foi quando iniciei a construção da minha existência espiritual como ser consciente.

Desde então aqui estive nas mais diversas circunstâncias como ser humano, vivendo vidas que eu próprio me empenho em esquecer, tais os sofrimentos a que fui conduzido pela ignorância que então predominava em meu pobre Espírito. Para que possais avaliar o que representava a vida terrena há vários milênios, será suficiente estabelecer confronto com as condições que ainda hoje perduram em muitos lugares onde a civilização dos vossos dias ainda não chegou, e avaliar o que seria a Terra há dezoito, quinze ou doze milênios decorridos. Devo dizer-vos porém, que de degrau em degrau, de sofrimento em sofrimento, fui galgando os obstáculos da longa caminhada, até ao momento inesquecível em que me encontrei numa de minhas viagens com o Espírito querido de Jesus de Nazareth, a quem para sempre me liguei como a alma se liga ao corpo, e a quem me ufano de poder servir desde então, em quantos novos mergulhos na carne fui solicitado a realizar.

Devotado assim inteiramente ao serviço do Senhor, aqui estive como simples operário do bem em diversas encarnações procurando levar a palavra de Deus, que é a palavra do amor ao próximo, ao maior número possível de irmãos, colhendo em troca — quanto me pesa dizê-lo! — a incompreensão, a perseguição e a violência física em virtude da qual por duas vezes desencarnei. Sim, meus estimados irmãos terrenos; por duas vezes foi meu corpo submetido a toda sorte de violências por ordem de irmãos poderosos que apenas pensavam em termos de interesses puramente materiais e políticos, aos quais minha pregação e exemplos conseguiam prejudicar. Meu Espírito entretanto, ligado muito estreitamente ao meigo Nazareno, sentia-se fortalecido a cada golpe que na Terra eu recebia, utilizando-o como novo incentivo ao cumprimento de minhas tarefas. Que meus esforços não foram empregados em vão, atesta-o o número de seguidores que deixei na Terra, vários dos quais arrostaram sofrimentos idênticos no cumprimento da parte que espontaneamente assumiram. Todos eles, assim como eu próprio, ao regressarmos ao nosso plano ao termo de cada nova vida na carne, fomos agraciados com os mais belos galardões espirituais que podem ser concedidos aos Espíritos de Deus.

Encontrando-me momentaneamente entre vós no cumprimento de mais uma tarefa de serviço do Senhor, desta vez em Espírito, desejo exortar-vos a vos dedicardes também, com toda a força dos vossos belos Espíritos, ao serviço de Jesus, na certeza que eu aqui vos deixo de que, assim como me aconteceu a mim, um belo galardão de luzes espirituais no Alto vos aguarda para enriquecimento do vosso diadema.

O serviço do Senhor na Terra pode ser definido muito facilmente. São considerados integrados nesse serviço todos os irmãos que, a par de seus interesses materiais olham um pouco para aqueles companheiros de jornada menos agraciados em sua presente existência. Aqueles que souberam conjugar o verbo ajudar em relação aos seus semelhantes necessitados, estarão efetivamente integrados no serviço do Senhor. E se, além desse particular, decidirem fazer-se arautos dos conselhos que se encontram neste e nos livros de Thomé, ajudando igualmente a difusão de quanto o Senhor mandou escrever na Terra, neste caso a integração de cada um de vós no serviço do Senhor será completa, como completa será também a redenção dos vossos belos Espíritos ao fim da presente existência terrena.

Eis aí, amiguinhos meus, matéria suficiente para justificar minha estada entre vós neste momento. Somada àquelas que outros Instrutores vos deixaram antes de mim, tereis em mão tudo quanto podereis necessitar para a vossa total iluminação. E é isto, em verdade, o objetivo de minha estada entre vós. Aqui me despeço abraçando afetuosamente cada um de vós, meus estimados leitores, e oferecendo-vos meus modestos serviços no Alto com o nome de
PAULO DE TARSO

Not. biogr. — (conclusão do Cap. XXXV) — O trabalho de São Paulo foi imenso na difusão do Cristianismo nascente. Não transcorreu, entretanto, sem grandes dificuldades, enormes tropeços e muito sofrimento. Lugares houve em que adeptos de outras religiões conseguiram levantar o povo contra os missionários Paulo e Barnabé, chegando à expulsão de ambos desses lugares por meios violentos. A missão do Apóstolo dos Gentios durou aproximadamente quatorze anos, durante os quais ele percorreu repetidamente uma área de milhares de léguas em propaganda da consoladora doutrina de Jesus.

Visitando Roma no ano 66 em companhia do apóstolo Pedro, foram encerrados na prisão Mamertina, sendo Paulo conduzido daí à estrada de Óstia, no lugar denominado “Águas Salvianas”, onde, por ordem de Nero, foi-lhe decepada a cabeça com um golpe de espada, no mesmo dia em que Pedro era crucificado de cabeça para baixo na colina Vaticana.

O Espírito de São Paulo, como ele próprio nos informa neste capítulo, tem estado reencarnado na Terra em várias épocas, depois de seu encontro com o Senhor Jesus. De uma delas temos conhecimento através do livro “Vida de Jesus ditada por Ele mesmo”, cuja segunda parte foi psicografada por intermédio do Dr. Ovídio Rebaudi, a reencarnação mais recente do Espírito de Paulo de Tarso, segundo o Sr. H. Olivero, em discurso proferido na noite de 24 de outubro de 1937, na Associação Cristã “Providência”, de Buenos Aires, ao comemorar-se o sexto aniversário da desencarnação daquele culto e elevado Espírito.

O Dr. Ovídio Rebaudi (Paulo de Tarso) nascido no Paraguai, foi médico notável, pesquisador e cientista destacado, tendo sido reitor da Universidade, professor de biologia e química médica, diretor do Laboratório Químico e Bacteriológico de Assunção, e também diretor dos Laboratórios Químicos, Nacional e Municipal de Buenos Aires. Por seus múltiplos trabalhos científicos e seu saber demonstrado em livros e conferências públicas, o Dr. Ovídio Rebaudi era conhecido pelo nome de "Sábio Paraguaio’.

Foi a este grande amigo que Jesus procurou no princípio deste século em Assunção, para ditar a segunda parte daquela obra extraordinária que é “Vida de Jesus ditada por Ele mesmo”, cuja primeira parte havia sido psicografada em Avinhão, França, em fins do século XIX.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

XXXV - A FORTUNA IMPERECÍVEL - Livro: Vida Nova – Ditado pelas “Forças do Bem”, psicografada por Diamantino Coelho Fernandes.



Os povos que compõem a humanidade atual da Terra, diferenciados apenas pelas condições geográficas e mesológicas que os separam, são em verdade Espíritos oriundos do mesmo plano espiritual, e por isso possuidores do mesmo grau evolutivo alcançado através de encarnações anteriores, neste mesmo plano de vida. A única diferença que entre estes povos se assinala, consiste no seu grau de religiosidade, isto é, no maior ou menor sentimento de amor para com o semelhante. Nisto apenas consiste a diferenciação existente entre os atuais habitantes da Terra.

Sucede entretanto, que a diferença apontada não pode constituir nenhuma barreira ao estabelecimento de um verdadeiro espírito de fraternidade entre os filhos das várias regiões do globo terrestre, para que todos se irmanem no mesmo pensamento de devoção ao Governador da Terra, que por delegação multimilenar do Pai Celestial é Nosso Senhor Jesus, aqui nascido pela última vez na povoação de Nazareth, com o objetivo, já naquela época longínqua, de estabelecer a desejada união de pensamento nesse espírito de fraternidade.

Sabem os homens deste século o que então sucedeu ao filho de Maria de Nazareth, em resposta dos homens de então à pregação de Jesus pela harmonia de todos no mesmo sentido religioso, quando se esforçava em os convencer de que todos os homens são irmãos, por serem filhos do mesmo pai, o Pai Celestial. Seu esforço de então custou ao Senhor o sacrifício que persiste na memória de todos, não sendo necessário descrevê-lo aqui. E sabeis acaso, vós todos que tiverdes a ventura de manusear estas páginas, quem eram os homens e as mulheres que viviam na Terra à época em que Jesus desceu ao planeta para tomar um corpo de carne, com o fim de pregar a sábia doutrina da compreensão e da fraternidade? Eu vos elucidarei a respeito, dizendo-vos com perfeito conhecimento de causa que, com algumas exceções, são todos os Espíritos que na Terra se encontram presentemente em seu último ano do curso terreno, devendo em breve prestar exame final acerca do que vieram aprender neste plano de vida. Digo-vos que vos falo com conhecimento de causa porque assim é realmente, uma vez que eu próprio me inscrevia entre a humanidade de então, e tenho acompanhado bem de perto quanto até agora se registrou em relação a todos os seus elementos. Tendo tido uma ação de certo relevo na História do Cristianismo, por tê-lo aceito e pregado em circunstâncias as mais difíceis que imaginar se possa, a ponto de ter sofrido a amputação de minha cabeça como a melhor maneira que se encontrou de impedir a continuação do meu apostolado, eu venho hoje declarar de todo o coração aos homens e mulheres, que de tal sacrifício resultou a maior iluminação do meu Espírito. Apenas decepada a minha cabeça nos arredores da grande capital da Itália, senti-me instantaneamente aconchegado em macio leito de arminho, no qual fui conduzido ao plano espiritual a que meu sacrifício fazia jus. Desejo então relatar a todos os leitores deste livro, o que faço pela vez primeira, que vale a pena dedicar-se alguém ao serviço do Senhor na difusão de sua encantadora doutrina de amor ao próximo, ainda que na prévia certeza de receber dos homens como recompensa, o encarceramento por mais longo e doloroso, e até mesmo a pena que me foi imposta naquela fase tão distante de minha vida. Ajuntarei ainda, para maior esclarecimento dos leitores, que tendo vivido na Terra inúmeras encarnações anteriores, várias delas em condições bastante difíceis, foi aquela em que me dediquei para sempre ao serviço de Jesus, a em que comecei realmente a viver.

Meu coração enchia-se até então, dos sentimentos peculiares ainda hoje a muitos dos viventes humanos, abrangendo apenas o que se relaciona com a vida puramente terrena, na qual preponderam os interesses materiais, de grandeza e domínio sobre o semelhante, com lamentável desprezo pelos interesses espirituais, objeto e causa da vinda de cada um ao solo terreno. Numerosas encarnações vividas por mim até então, resultaram praticamente nulas para o meu Espírito, afeito como a grande maioria, à preocupação que a todos domina, apenas nascidos e desenvolvidos no ambiente materialista deste mundo terreno. Até que, usando eu da cultura material então adquirida, e desejoso de a demonstrar perante os meus contemporâneos, lancei-me à campanha de combate à doutrina de que fora portadora a maior figura humana de todos os milênios — Jesus de Nazareth — apresentando como argumento o fato de que um homem aparentemente despreparado como se apresentava o jovem carpinteiro de Nazareth, não teria autoridade para pregar uma doutrina que se baseava na humildade, no amor e na fé, quando as mais altas classes sociais da época rendiam sua mais destacada homenagem à cultura e à riqueza dos homens de então. Claro está que a pregação de Jesus tinha de suscitar a desaprovação, a revolta e o ódio dos potentados, como de fato sucedeu, a cuja campanha meu pobre Espírito se lançou com desenvoltura e denodo. Sobreveio, porém, para início de minha felicidade, aquele episódio inesquecível ocorrido na estrada de Damasco, episódio que todos conheceis, do qual resultou acender-se em meu Espírito a luz que fez de mim um dos mais intrépidos seguidores de Jesus, e desde então me haver dedicado pelos séculos em fora ao seu serviço.

Do que aí fica em relato sucinto, eu pretendo convencer a quantos na Terra se encontram na hora presente, que nenhum interesse puramente terreno, seja ele qual for, o de ascender aos mais altos postos de mando em seu ambiente ou região, seja o de acumular fortuna de bens perecíveis, seja enfim qual seja, nenhum interesse dessa espécie sobrepuja o verdadeiro interesse do Espírito, que é a sua maior iluminação, e esta só se consegue por meio da vivência de uma existência equilibrada entre o dever material da obtenção dos meios honestos da manutenção do corpo e a emissão de pensamentos sãos, elevados, em favor da paz e bem-estar dos semelhantes. A ninguém é concedida no mundo espiritual qualquer honraria pela aquisição que haja conseguido na Terra, dos mais altos padrões de cultura, se essa aquisição não tiver podido beneficiar a comunidade.

Nunca será demasiado insistir na grande verdade de que, sendo a humanidade constituída por um número ilimitado de indivíduos, cujo dever consiste, ou deveria consistir, em promover cada um em sua esfera o progresso da coletividade — não reconhecem as leis divinas qualquer mérito na preocupação daqueles que se empenham exclusivamente no próprio benefício. Daí a aplicação constante que todos vemos dos dispositivos da Lei de Causa e Efeito, conduzindo aqueles que apenas se preocupam consigo mesmos e se tornaram ricos, poderosos, numa encarnação, a situação contrária numa próxima existência, quantas vezes até carecente do indispensável à sua subsistência. Isto sucede tão freqüentemente e a tão grande número de almas, que verdadeiramente nos constrange, a quantos contemplamos do Alto o vosso panorama atual.

Chegou, porém, uma fase por todos os motivos ímpar na vida deste planeta, cujo transcurso impõe uma completa modificação na vida de quantos seres humanos aqui desfrutam atualmente uma nova encarnação. É que a semente lançada pelo Senhor há perto de dois milênios encontra-se em plena floração, e seus frutos devem ser colhidos. A semente lançada pelo Senhor com o enorme sacrifício que conheceis, por serdes vós todos, habitantes da Terra nos dias que passam, aqueles mesmos que subestimaram a pregação do puro e são Cristianismo, e que, mais de dois mil anos após, deveis encontrar-vos perfeitamente cientes e conscientes dos vossos deveres espirituais.

Está finda, por isto mesmo, a fase de aprendizado de que todos necessitáveis, e vos foi concedida ao longo destes mais de dois mil anos de idas e vindas a este plano de vida. E como a própria escola em que vos encontrais matriculados, necessita de reparos que a tornem capaz de abrigar novos alunos de mais adiantado curso, isto é, uma escola que vai passar deste grau de ensino primário que cursais à categoria de pré-universitária - está na dependência do vosso próprio juízo preparar-vos para ingressardes em novo curso, em companhia de quase todos os Grandes Espíritos que passaram pela Terra e aqui voltarão com a missão de promoverem o aparecimento de novos progressos à vivência humana, ou, se isto preferirdes, engajar-vos nas levas de almas que devem imigrar a planos-escolas inferiores.

Lamentável seria, meus amigos terrenos, se a última hipótese viesse a prevalecer para um ou dois que fosse, dos Espíritos atualmente encarnados, por qualquer motivo, em vez de se prepararem todos para ascender à luminosa categoria de universitários do amor e da fraternidade, juntamente com as almas que se preparam para reencarnar para a vida terrena. Estou bem certo de que não será preciso que aquele episódio que passou à história com a designação de Estrada de Damasco se repita em muitos ou alguns de vós, para que vos dediqueis também, e com todas as vossas forças morais, ao Nosso Divino Jesus que vos espera, confiante em vossa dedicação. Convencei-vos pois, de que da Terra apenas levamos as ternas e luminosas vibrações do nosso amor aos nossos irmãos encarnados, amando-os, ajudando-os e servindo-os em nome de Jesus, como se o fizéssemos aos próprios irmãos consangüíneos. Procedendo e agindo neste sentido, tendo em vista contribuir para que os mais necessitados possam amenizar dificuldades, mas fazendo-o com verdadeiro sentimento de fraternidade, estareis contribuindo em verdade para o vosso engrandecimento espiritual. Dizendo engrandecimento espiritual, desejo significar o aumento da luminosidade de cada um, cujo valor no mundo espiritual proporciona vantagens mil vezes superiores àquelas que a posse da mais vultosa moeda terrena pode proporcionar aos seus possuidores. E a diferença consiste em que a moeda terrena se desgasta pelo dispêndio ou se extingue no desperdício, enquanto que a luminosidade do Espírito representa fortuna imperecível que só tende a se ampliar, ampliando-se com ela a própria felicidade do Espírito. Vindo ao vosso plano redigir também um capítulo deste livro, o que faço desvanecido com o convite com que me distinguiu a imensa bondade de Jesus para comigo, procurei oferecer-vos um assunto absolutamente útil a todos os meus amigos terrenos, mediante cujo estudo encontrareis no que aí fica toda a sinceridade de quem muito vos ama e de longa data, desde quando palmilhamos juntos os mesmos caminhos terrenos do início do Cristianismo A iluminação que então consegui para o meu Espírito permitiu-me apreciar de um ângulo diferente daquele que então conhecia, a finalidade e a razão de se encontrarem ao mesmo tempo palmilhando idênticos caminhos, criaturas ricas, afortunadas, orgulhosas mas quantas vezes infelizes, e almas simples, humildes e afáveis, cuja aproximação e convívio tanto apreciamos. Reflete-se no campo mental dessas criaturas, tanto das orgulhosas como das simples e humildes o grau de sua iluminação espiritual: As primeiras restaram um caminho assaz longo a percorrer, ao longo do qual as urzes e os acidentes terão de retirar a camada espessa que as impede de refletir a luminosidade do diamante que possuem; enquanto as últimas, já inteiramente livres dessa camada espessa, conseguem transmitir aos outros os belos reflexos de sua luminosidade. Analisai-vos então, meus amigos terrenos, e deduzi vós mesmos qual a classe a que ora pertenceis.

Aqui me despeço de vós com grande saudade deste pequeno convívio, mas prometo estar convosco a qualquer momento em que me chameis. Deixo-vos a segurança de que no plano em que vivo, atenderei prontamente a quanto esteja ao meu alcance em vosso favor. Disponde, pois, queridos amigos terrenos, deste irmão que conheceis com o nome de PAULO DE TARSO


Not. biogr. — Paulo de Tarso — 24-66 — O Apóstolo dos Gentios, como foi cognominado em face do seu trabalho imenso na pregação do Cristianismo, após a sua conversão na estrada de Damasco, onde Jesus lhe apareceu em Espírito, nasceu em Tarso, Cecília, no ano 24 e desencarnou em Roma em 66. Naquela época, ainda com o nome de Saulo, ocupava um elevado cargo no sinédrio em Jerusalém, tendo sido incumbido de comandar a perseguição aos adeptos de Jesus de Nazaré em toda a Síria. Foi quando se dirigia a Damasco, cidade onde viviam muitos cristãos, que o Senhor lhe apareceu e lhe perguntou: “Saulo, Saulo, por que me persegues tu?” Saulo, caindo da montaria, levantou-se ferido de cegueira, mas iluminado interiormente pela Luz Divina. Jesus apareceu em seguida a Ananias, um dos seus seguidores, e lhe determinou que procurasse Saulo em Damasco e lhe aplicasse passes magnéticos na vista para recuperar a visão. Recuperado em poucos dias de tratamento, Saulo tornou-se um adepto entusiasta de Jesus de Nazaré e passou a difundir sua doutrina entre os próprios hebreus estupefatos ante a notícia da ressurreição de Jesus. Assim convertido e adotando o nome de Paulo, percorreu em companhia de Barnabé primeiramente a ilha de Chipre, a Panfília e a Galácia, onde fundou numerosas igrejas. Dono de uma grande cultura helênica e judaica, expunha aos gentios com sua palavra eloqüente os princípios fundamentais da doutrina cristã, conquistando-os de pronto para o Cristianismo nascente. 

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Capítulo XIV - Livro: Elucidário – pelo espírito de Paulo de Tarso através do médium: Diamantino Coelho Fernandes. Acontecimentos inéditos na História da Terra - Algum novo continente ou arquipélago - A constituição da família - A carta de vida de cada um - Providências relacionadas com a partida - A tranqüilidade espiritual de cada ser humano



Os acontecimentos em vias de se positivarem no mundo terreno, com a finalidade de operar modificações em toda a superfície do planeta, devem produzir efeitos que a História há de registrar como absolutamente novos em toda a vida desta pequena esfera terrestre. Desses acontecimentos resultará o aparecimento de novos detalhes geográficos em várias regiões, inclusive o deslocamento de grande volume de águas, cujo espaço será ocupado por algum novo continente ou arquipélago.

Nada acontecerá por acaso porque tudo foi pacientemente estudado e cautelosamente planejado para atingir os objetivos desejados, com esta exclusiva finalidade: fazer da Terra um mundo de condições de vida bem mais feliz do que a que aqui é vivida presentemente. Está prevista a partida do solo terreno de bem avultado número de seres presentemente encarnados, em virtude dos acontecimentos em curso, porém isto apenas favorecerá aqueles que partirem, em face de sua transferência para planos espirituais onde a vida supera de muito a que viviam na Terra. O Senhor do Mundo jamais planejaria fosse o que fosse para os seus guiados da Terra que não tivesse como conseqüência a sua maior felicidade. Não há, por conseguinte, por que se entristecer alguém com o que aí fica, visto tratar-se exclusivamente de promover aqueles que partirem a muito melhor situação do que a que atualmente vivem na Terra.

E a família? — indagarão alguns. A família é constituída milenarmente sob a égide de Forças Superiores incumbidas exatamente de organizar, orientar e prover os seres encarnados de todos os recursos e meios necessários à sua permanência no solo terreno, não dependendo nenhum deles, por conseguinte, da existência ou não daqueles a quem coube a construção dos respectivos lares. Assim, toda a vez que algum membro de qualquer família terrena é chamado de regresso ao plano espiritual, ele parte devidamente assistido e protegido, nada lhe faltando para a continuidade da sua vivência no plano a que for conduzido, segundo o grau evolutivo já alcançado. Quando isto acontece, podeis ficar certos, leitores meus, de que não foi por acaso, precisamente porque o acaso não existe na vida espiritual; tudo está devidamente previsto e anotado no registro espiritual de cada criatura. Se, pois, um chefe de família é chamado de regresso da Terra deixando no lar seres humanos a cuja manutenção ele provia, eles apenas sofrerão o traumatismo moral produzido pela partida do chefe ou responsável, porém continuarão a viver a sua vida, sendo não raro conduzidos por caminhos diferentes daqueles que poderiam seguir sob a direção de quem lhes deu o lar. Quando isto acontece é porque assim estava programado e jamais o será para infelicidade dos que ficarem. A Providência Divina nada faz que não seja em benefício exclusivo dos filhos a quem os fatos possam atingir.

Quanto ao fato de partirem da Terra Espíritos encarnados responsáveis pela manutenção de vários dependentes, isto se explica pelo cumprimento de desígnios igualmente previstos, inclusive não raro precisamente para que seus dependentes encontrem a oportunidade necessária de seguirem seu próprio caminho para o fiel cumprimento de tarefas que de outra maneira jamais ou dificilmente chegariam a cumprir. Isto em relação aos que ficam. Quanto aos que partem, um objetivo deve também existir se sua partida tiver sido das consideradas geralmente prematuras, mas que na realidade ocorrem no momento previsto na carta de vida de cada um. Quando isto acontece, quando um encarnado cheio de vida parte de regresso ao mundo espiritual, o fato se explica de duas maneiras: ou pela circunstância de deixar os que lhe foram confiados para iniciar na Terra, entregues ao seu próprio destino sob a proteção da Providência Divina, ou então pela necessidade de se preparar no Alto para o desempenho de nova missão no serviço divino. Neste caso, esses Espíritos encontram no plano a que pertencem o repouso necessário para se refazerem do dispêndio fluídico em sua vida terrena, o que constitui para todos uma etapa bastante agradável, ao mesmo tempo em que vão acumulando ensinamentos de que terão necessidade em sua nova descida ao plano físico.

Convém assinalar para que todos saibam, porém, que aqueles que partem do plano terreno jamais se sentem isolados dos entes que deixaram na Terra, se assim o desejarem. Vivendo no plano ou mundo espiritual os Espíritos podem fazer muito pelos entes queridos em virtude da amplitude de sua faculdade de servir. Eles oram em favor daqueles que lhes foram caros, junto a Entidades poderosas pelo grau evolutivo que possuem, e, se aqueles que deixaram na Terra, isso desejarem e orarem também pelos que partiram, então a ligação feita através da prece torna-se tão sólida e eficaz, que mesmo vivendo em planos diferentes, encontram-se uns e outros tão perto como se continuassem juntos na Terra.

Isto que acabo de descrever são detalhes da vida espiritual muito interessantes para o conhecimento dos encarnados, muito devendo contribuir para o seu desenvolvimento espiritual. Este desenvolvimento terá o mérito de preparar a mente de cada um dos meus estimados irmãos encarnados para quando tiverem de regressar da Terra, levando em sua mente espiritual uma idéia bem aproximada da vida que encontrarão no plano a que forem conduzidos. Para os encarnados há aqui, ainda, uma informação bastante útil: ficam sabendo que a oração em favor daqueles que partiram tem o mérito de reforçar os respectivos laços de amizade, e contribuir para que os seus queridos do mundo espiritual se engrandeçam continuamente e possam fazer sempre mais por aqueles que orarem por eles.

Resumindo: os encarnados oram pelos seus queridos que partiram, e estes, recebendo do Senhor Jesus as bênçãos e luzes provenientes das orações enviadas da Terra, têm aumentado a sua capacidade de ajudar os que oram por eles. E a Providência Divina, testemunha permanente junto a uns e outros, a todos abençoa e protege.

Falaremos em seguida de um assunto igualmente caro ao coração de todos os viventes deste mundo de Deus. Desejo referir-me ao que sucede geralmente quando algum irmão encarnado se aproxima de sua partida de regresso ao seu plano espiritual, e, consciente ou inconscientemente, toma providências relacionadas com esse acontecimento. Nem sempre, ou mesmo só muito raramente o homem como a mulher tem a noção de que sua partida se aproxima, porque isso poderia causar-lhes profundo abalo moral. Casos existem entretanto, em que isso acontece, mormente a Espíritos capacitados, os quais recebem a informação sem maior abalo. E quando, consciente ou inconscientemente, alguém inicia providências relacionadas com sua própria partida, uma interessante operação se processa em torno da personalidade psíquica desse alguém, com reflexos no respectivo plano espiritual. O homem ou a mulher que iniciarem providências relacionadas com sua partida, mesmo que o façam na absoluta ignorância do que está para acontecer-lhes, estarão em verdade preparando um regresso ditoso ao plano a que pertencem. Isto muitos encarnados o fazem em virtude de avisos recebidos no Alto durante o sono do corpo, ministrados por amigos ou Protetores espirituais, e noutros casos por inspiração de Entidades que os visitam, para que façam determinadas coisas em que não haviam pensado. Em qualquer dos casos, isto é, agindo em virtude de avisos recebidos durante o sono do corpo ou inspiração de Entidades amigas, estes irmãos deixarão sua matéria com a alegria de quem parte para uma viagem de recreio, na certeza de que tudo foi deixado em ordem. E isto representa muito para a sua tranqüilidade espiritual no plano em que passará a viver. Bom seria, por conseguinte, que todos os encarnados iniciassem a preparação de uma possível próxima partida deste plano, embora a mesma só se possa verificar daqui a um bom número de anos. Aqueles que assim procederem adquirirão desde logo uma certa tranqüilidade de Espírito, como é de hábito dizer-se, que em conseqüência poderão verificar mais tarde que até conseguiram prolongar de muito a sua permanência na carne. A razão é a seguinte: aquele ser humano que puser em ordem todas as coisas de sua vida, que possa considerar-se em condições de poder desencarnar a qualquer momento sem deixar problemas para os que ficarem, essa criatura adquire desse fato uma tranqüilidade espiritual que é capaz de prolongar sua vivência terrena por um período não imaginado. Da tranqüilidade espiritual decorre, por assim dizer, a própria saúde do corpo, pela ausência de preocupações de ordem espiritual ou moral, responsáveis em grande parte pelas enfermidades que tanto encurtam a vida de muitos seres humanos. Da tranqüilidade espiritual resulta, ainda, o perfeito funcionamento de todos os elementos de que é formado o organismo humano, prolongando a vida e saúde do todo. Mas ainda sucede algo muito importante para aqueles irmãos que conseguirem estabelecer a sua tranqüilidade espiritual. A tranqüilidade espiritual pode ser comparada às águas límpidas de um lago, permitindo que os olhares da margem consigam ver-lhe o fundo com perfeita clareza, sinal da absoluta serenidade das águas. Assim também, quantas idéias límpidas poderão beneficiar o ser humano que conseguir estabelecer sua tranqüilidade espiritual! Um Espírito tranqüilo está apto a captar no éter as muitas e muitas idéias inspiradas dia e noite pelas altas esferas da espiritualidade. Será difícil ao homem ou à mulher estabelecerem a sua tranqüilidade espiritual? — pergunto eu. E eu próprio responderei que absolutamente não. Esta tranqüilidade é tão necessária, aliás, a todos os encarnados, como o próprio ar que respiram ou a água que bebem, e pode ser estabelecida muito mais facilmente do que à primeira vista possa parecer. Bastará atentar cada um para o princípio regulador dos deveres para com o próximo. Um ser humano que se sinta em perfeita harmonia com o seu próximo, já estabeleceu um grau relativo de tranqüilidade espiritual. Aquele que não ofende, não engana, não trai, e não prejudica o seu próximo, está em verdade gozando já uma tranqüilidade espiritual relativa. Mas se, além do que ficou dito, o ser humano ainda diligencia no sentido de contribuir para que o próximo construa também um determinado grau de tranqüilidade espiritual, o resultado será um incremento da sua própria, pela satisfação que seu ato lhe proporcionará. Um novo grau dessa tranqüilidade resultará do cumprimento dos seus deveres para com o Divino Mestre, orando constantemente a fim de manter e ampliar seu contato com o Senhor. Essa prática, indispensável a todos os filhos de Deus, serve para ampliar de muito, também, a tranqüilidade espiritual de cada ser humano, quer se encontre momentaneamente vivendo na carne, ou como Espírito livre da matéria. São maneiras estas de ampliar cada um a sua tranqüilidade espiritual, o que equivale a dizer tranqüilidade de consciência. O cumprimento, pois, com alegria, dos deveres inerentes a todos os Espíritos encarnados, assumidos espontaneamente no Alto como condição essencial para uma nova vida terrena, é um dos fatores principais para o estabelecimento da necessária tranqüilidade espiritual de cada ser humano.

O homem ou a mulher intranqüilos por motivo de sua maneira agitada de viver, são pessoas que todos nós lamentamos, em nossas observações cotidianas. Seus Espíritos em muito se assemelham às águas turvas dos lagos, através das quais nada ou muito pouco se consegue enxergar. Se esses Espíritos pudessem experimentar alguns momentos de felicidade e bem-estar peculiares às almas serenas, justas, equilibradas, eu acredito que tudo fariam para que tratassem de construir desde logo também a sua tranqüilidade espiritual, eliminando de sua mente todos os pensamentos e atos que contribuírem para a sua intranqüilidade.


Acontece ainda o seguinte às pessoas aqui classificadas como intranqüilas: suas idéias acerca da vida, de imperfeitas, defeituosas ou malsãs, levam-nas à prática de atos também incorretos, defeituosos, prejudiciais a terceiros ou a si próprios, cujas conseqüências lhes acarretam quantas vezes sofrimento, prejuízo ou mesmo decepções. Esta classe de pessoas reúne os encarnados que desprezam, a oração ao Senhor como uma necessidade mesma de si próprios, e por isto não conseguem distinguir das boas, as más idéias, de cuja prática é que resulta o peso enorme de suas consciências ao regressarem ao mundo espiritual. Agindo de maneira oposta, e submetendo suas idéias ao crivo de um raciocínio espiritualmente elevado, estes irmãos conseguirão, não só um êxito feliz, duradouro, em sua vida terrena, como adquirir esta fortuna imensa que é a tranqüilidade espiritual que desejo sinceramente a todos os meus estimados leitores.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Capítulo XI - Livro: Elucidário – pelo espírito de Paulo de Tarso através do médium: Diamantino Coelho Fernandes. Todos os homens são irmãos - O heroísmo do Senhor Jesus - A semente do amor e da fraternidade - Minha insuspeição para falar - O encontro no caminho de Damasco – Detalhe inédito do acontecimento - A dependência dos filhos



Jesus de Nazareth veio a este plano físico em corpo humano, em decorrência de deliberação acertada no Alto pelas Forças Superiores do Universo, na persuasão de que a humanidade terrena de então, já estivesse preparada para as modificações a serem introduzidas na vida dos seres humanos na Terra. Trouxe o Senhor Jesus como lema e argumento fundamental de sua missão, o princípio espiritual de que todos os homens são irmãos, e por isso devem amar-se uns aos outros. Pregou o Senhor Jesus a necessidade do amor ao próximo como a chave mágica da vida de todos os seres, capaz de abrir todas as portas da felicidade eterna.

O que aconteceu ao Senhor Jesus de Nazareth todos o sabeis de sobra. Ao fim de 33 anos de estada na Terra em corpo humano e apenas três de sua pregação, foi seu Espírito expulso do mundo físico da maneira menos merecida, porque a sua Doutrina prejudicava os interesses de muitos e incomodava a quantos seguiam outros princípios religiosos. Para tudo, entretanto, devem existir atenuantes, e no caso de Jesus elas também existiram. O mundo encontrava-se inteiramente mergulhado no lodaçal dos interesses mesquinhos, que superavam por toda a parte as qualidades espirituais que começavam a despontar em muitos corações, volvendo a atenção daqueles que as possuíam, para o sentimento de fraternidade para com seus contemporâneos. A preponderância, entretanto, estava do lado egoísta dos dirigentes de então, a qual tinha de prevalecer em todos os acontecimentos da vida terrena.

Desejo assinalar, com isto, o verdadeiro heroísmo demonstrado pelo Senhor Jesus, em se decidir a percorrer o caminho mais perigoso e menos cômodo ao cumprimento de sua luminosa missão junto à humanidade encarnada, Ele, para quem não havia mistério algum quanto ao que lhe iria acontecer.

Lançou-se assim o Senhor ao desempenho da missão que o Pai Celestial confiou no Alto, sabendo embora que apenas estava rasgando um terreno demasiado endurecido, para lançar a semente luminosa do amor e da fraternidade entre os homens. Este Espírito considera-se absolutamente insuspeito para falar desta maneira, porque todos já conheceis demasiado a minha história, escrita posteriormente à partida de Jesus, é certo, porém com o melhor material para torná-la digna de ser conhecida pelas gerações que se sucederam na ocupação da Terra até aos dias presentes. Desejo, a propósito, confessar uma vez mais a minha convicção acerca do que possa ser dito ao ser humano ou ao Espírito que o anima. Aquilo que apenas for ouvido pelo homem e nele desperte embora um grande interesse, está longe de se comparar em assimilação com o que for entendido pelo Espírito do ser humano.

A minha própria experiência o atesta desde os idos tempos em que fui Paulo de Tarso, época em que, tendo ouvido falar de certo missionário vindo de Nazareth pregar em Jerusalém uma doutrina que aconselhava o desinteresse pelas coisas materiais, como o meio eficaz de alcançarmos o Reino do Céu, achei sua pregação contrária aos hábitos da época, que entronizavam a riqueza como o poder mais forte jamais conhecido. Tendo tido conhecimento dos princípios divulgados nas praças e no templo por aquele extraordinário personagem, não consegui interessar-me pelos mesmos, até ao momento em que, para a minha felicidade imensa, sucedeu o encontro histórico no caminho que me conduzia à cidade de Damasco, aonde eu me dirigia precisamente para combater, pela palavra e pela ação, tão luminosos princípios.

Verificou-se naquele acontecimento este fato extraordinário, que eu incorporei à minha vida: Jesus manifestou-se, não ao homem que seguia montado pela estrada, reunindo idéias prestes a serem exteriorizadas aos habitantes de Damasco, mas sim, ao Espírito daquele homem, única Entidade capaz de compreender Jesus. Foi pois a este Espírito que vos fala que o Senhor se dirigiu, e com tal poder de convicção o fez, que o resultado não se fez esperar, como sabeis. Agora eu vos darei um detalhe do acontecimento, detalhe não divulgado até hoje precisamente porque somente eu e Jesus o conhecemos. Trata-se da maneira como eu, Espírito, recebi e como reagi às palavras proferidas pelo Senhor.

Conforme sabeis, eu havia sido designado pelo Sinedrim para prender na região de Damasco os adeptos da Doutrina de Jesus. Como o Mestre se intitulava ser O Caminho, seus adeptos começaram a ser conhecidos como adeptos do caminho, que se tornava necessário impedir que continuassem a pregar o absurdo da renúncia aos bens materiais para amar como irmãos os outros seres humanos. Eu, como elemento de destaque junto à cúpula do Sinedrim, estava empenhado na tarefa ingrata, reconhecida mais tarde, de perseguir os homens do Caminho. Foi, portanto, nessa disposição que me dirigia em companhia de três ou quatro ajudantes e alguns soldados à cidade de Damasco. Já em suas proximidades, começamos a observar o fenômeno que passo a descrever. Era de tarde e o Sol ainda brilhava intensamente, iluminando toda a paisagem, num dia claro, sem nuvens. De repente, porém, uma espécie de nuvem branca, volumosa, em transformação para o róseo, se nos deparou bem próxima à nossa frente, deixando-nos de certo modo perplexos ante o inesperado. Continuamos porém a marchar um pouco mais devagar, os olhos postos no fenômeno. Este avançava também em nossa direção. Ao aproximar-se mais de nós, resolvemos fazer alto, dado que nossa visibilidade cessara de todo. No mesmo instante se nos depara a figura imponente, radiosa, do Senhor, o qual, pondo nos meus olhos a intensidade do seu olhar penetrante, pronunciou aquelas palavras que conheceis, com as quais transformou por completo a minha tarefa de perseguidor dos seus seguidores, em seguidor eu próprio de sua luminosa Doutrina pelos séculos adiante. O fato foi de tal modo intenso para a minha sensibilidade espiritual, que eu fiquei por momentos privado da consciência de mim mesmo. Meus companheiros atenderam-me prontamente, levantaram-me, e verificaram que minha visão se imobilizara, o que os deixou profundamente abatidos. Conduziram-me a Damasco, onde penetrei, não mais como perseguidor dos homens do caminho, mas como enfermo, quase aniquilado, em busca de socorro médico. Não tiveram, entretanto, os meus amigos que procurar nenhum facultativo. Antes que o fizessem, apareceu-nos um homem já idoso, anunciando que vinha procurar-me por ordem de Jesus de Nazareth, para tratar-me a vista. Fiquei deveras impressionado com o fato, uma vez que poucas pessoas sabiam do que me acontecera. Isto serviu para radicar em mim a convicção de que se tratava realmente de uma personalidade superior do Mundo Divino, aquele ser que em corpo humano, em meio à maior pobreza, acabava de cumprir sua elevada missão na Terra. O bom homem (*) que me procurara, visitou-me durante uma semana para me aplicar passes magnéticos nas duas vistas, ao mesmo tempo em que relatava fatos extraordinários da parte de Jesus. Confesso que à medida em que minha visão se restabelecia, confirmando o prognóstico do bom homem, crescia no meu Espírito a idéia de me lançar eu próprio, a partir desse momento, a difundir a consoladora Doutrina Cristã por todos os povos e países que minhas forças mo permitissem, o que realmente fiz, não quanto eu o desejara, mas na medida das minhas possibilidades.

Bem, amigos leitores. O que de novo existe nesta narrativa é bem pouco, e só aquilo que no meu íntimo se passou. Quis trazer o assunto para este livro, com o objetivo de firmar também no vosso entendimento a diferença que existe entre o que apenas penetra os vossos olhos ou ouvidos materiais, e aquilo de que o vosso Espírito toma conhecimento e se interessa. Pelo fato da humanidade não ter se esforçado em receber com ouvidos espirituais o mundo de conselhos e ensinamentos que lhe têm sido trazidos por verdadeiros amigos e conselheiros vindos daquele Mundo Divino de que falei, é que a vida terrena tem permanecido estacionária em níveis por vezes remanescentes da barbárie, procrastinando com isso o seu avanço na escala espiritual, a mundos muito mais felizes do que a Terra. O desapego das coisas puramente materiais é neste século absolutamente indispensável a todos os seres humanos, certos já de que a vida terrena é uma simples noite tempestuosa, para conduzi-los às claridades espirituais existentes em outros planos de vida. Para alcançá-los, porém, torna-se necessário um pequeno esforço por parte de cada um, no sentido de aplicar o Espírito em seus diversos passos diários, ouvindo-lhe as sugestões e conselhos que a todo momento ele está inspirando. Devem ter presente os homens e mulheres em todos os momentos de sua vida diária, que são Espíritos, apenas revestidos de carne para poderem suportar as vibrações um tanto grosseiras deste mundo terreno. E sendo Espíritos, bem farão em transportar para o plano espiritual quanto fizerem, disserem e ouvirem, a fim de se certificarem se estão ou não procedendo em harmonia com os ensinamentos e conselhos recebidos no âmago de seu coração.

Procedendo desta maneira ou semelhante, com o desejo firme de merecerem a estima de seus luminosos Guias espirituais, e mais hoje mais amanhã a própria graça do Senhor Jesus ao reingressarem em seu lar espiritual, assim procedendo, repito, uma segurança aqui lhes deixo: verão transformados em fonte de alegrias numerosos fatos ou acontecimentos que antes lhes davam preocupação ou tristeza só em neles pensarem. Para aqueles que isto fizerem, uma nova concepção da vida se abrirá, assim como nova idéia conceberão acerca de seus familiares, Espíritos designados pela Providência Divina para se tornarem parentes próximos na presente encarnação, com o objetivo de criarem ou consolidarem sentimentos de fraternidade e amor de que estarão todos necessitando. Podem ficar igualmente cientes os meus estimados irmãos leitores, que seus familiares do momento, são apenas um número infinitesimal de quantos já possuíram através de suas numerosas encarnações passadas, e um dia os receberão a todos quando a oportunidade chegar.

Um dever, contudo, se aponta aos responsáveis pelos lares da Terra, que consiste em dar aos seus os mais puros exemplos de dignidade e amor cristão, para que seus dependentes neles se apóiem, para os transmitir por sua vez aos que vierem depois. Daqui se conclui, por conseguinte, que os filhos só pertencem aos pais no consenso de seus dependentes, como irmãos espirituais que lhes foram entregues para criar, educar e encaminhar numa nova existência terrena, e jamais como propriedade sua. Os pais de hoje são os filhos de ontem, assim como os filhos de hoje serão os pais de amanhã. Há, por conseguinte, uma necessidade imperiosa de que os filhos de hoje recebam dos pais os conselhos e exemplos mais salutares e puros, para que, agasalhando-os em seus corações, possam transmiti-los por sua vez àqueles que a Providência Divina amanhã lhes confiar como filhos também, para, com seus exemplos e conselhos, ajudá-los a galgar alguns novos degraus de sua escala evolutiva.


Muito bem; o que dizer, então, daqueles que freqüentemente abandonam os filhos ou deles negligenciam, por se preocuparem exclusivamente com a realização de sentimentos ou procedimentos menos dignos? Ai desses queridos irmãos que assim procederem, porque duramente se arrependerão de o haverem feito. Nenhum interesse, por mais alto e caro que se apresente, pode justificar o abandono dos filhos que Deus confiou ao homem para encaminhar na vida. Aqueles que tal abandono praticarem, virão a sentir na própria carne a dor espiritual que o fato produz, não importando a encarnação nem o século em que as conseqüências se produzirão. Em apoio disto eu vos direi que vivem no plano espiritual alguns milhares — digo milhares para usar um termo modesto — de Espíritos que cometeram na Terra a infração às leis divinas, de terem deixado aos cuidados de outrem, filhos que Deus lhes confiou, mas que esses pais não quiseram criar e encaminhar por motivos diversos, mas todos injustificáveis. Nós que percorremos todos os planos espirituais em assunto de serviço, temos tido oportunidade de constatar a chegada de filhos abandonados pelos pais, e que estes reconhecem e se precipitam para eles no desejo de os abraçarem. Os filhos, entretanto, que nada lhes devem, os afastam, mesmo porque os pais nada podem apresentar para justificar a paternidade. Repelidos, lamentam-se dolorosamente, muitos deles, infelizmente.