Passa já da hora o vosso despertar espiritual . . . Saiba que a tua verdadeira pátria é no mundo espiritual . . . Teu objetivo aqui é adquirir luzes e bênçãos para que possas iluminar teus caminhos quando deixares esta dimensão, ascender e não ficar em trevas neste mundo de ilusão . . .   Muita Paz Saúde Luz e Amor . . . meu irmão . . . minha irmã

terça-feira, 28 de março de 2017

CAPÍTULO XXXIII – Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. Centenas de almas evoluídas se reúnem no plano espiritual. — Lentidão do progresso espiritual das almas encarnadas. — O verdadeiro objetivo da vida terrena. — Erro dos ensinamentos religiosos. Necessidade da vidência e audiência. — A confissão auricular.




Aconteceu certa vez encontrarem-se reunidas no plano espiritual onde viviam algumas centenas de almas já possuidoras de um grau assaz elevado de evolução, as quais se achavam preocupadas com a lentidão do progresso espiritual alcançado na Terra pelas almas aqui encarnadas. Sua reunião fora então convocada para debater este assunto, considerado altamente importante na vida de todas as almas. Embora as opiniões variassem em certos detalhes, havia unanimidade na circunstância de que o livre arbítrio concedido a todos os seres humanos na Terra, muito contribuía para a lentidão do progresso espiritual das almas encarnadas. Foram então expostos os pontos de vista das participantes da reunião, os quais iam sendo devidamente anotados para estudo das almas presentes. 

Dos diversos pontos de vista apresentados, todos eles refletindo observações e estudo aprofundado do assunto, eu procurarei reproduzir alguns realmente considerados fundamentais para o aceleramento do progresso evolutivo das almas na Terra. Opinou a respeito uma das almas presentes, portadora de um belo diadema de luzes espirituais alcançadas em milênios de trabalho neste mundo terreno, que na sua maneira de encarar tão sério problema, a causa da lentidão do progresso das almas na Terra devia ser debitada à incapacidade demonstrada pelas religiões terrenas. E argumentava aquela alma em apoio do seu ponto de vista:

— Temos verificado com tristeza que os ensinamentos divulgados pelas religiões terrenas nestes dois últimos milênios, muito pequena relação estabelecem entre o verdadeiro objetivo da vida terrena, preocupando-se mais com a vida material propriamente dita, do que com a vida espiritual. Temos verificado, inclusive, que os ensinamentos religiosos atualmente difundidos na Terra não só não admitem a evolução anímica através de vidas sucessivas no mundo terreno, como até se opõem à teoria espiritualista que prega a sobrevivência da alma. Uma tal atitude religiosa faz com que as almas encarnadas entrem a considerar sua existência como a única e definitiva, levando-as em muitos casos a se desinteressarem da vida espiritual, da qual não conseguem recordar-se no estado de encarnadas.

A alma em referência desenvolveu o assunto com muita justeza, terminando por apresentar a solução deste grande problema, que será, em sua opinião, a criação na Terra de centros de estudos religiosos onde possam apresentar-se, visíveis, Entidades missionárias, a ministrar os ensinamentos que possam esclarecer as almas encarnadas a respeito do seu progresso espiritual. Na opinião da alma em referência, os templos religiosos existentes em todo o mundo terreno seriam franqueados à palavra de Entidades imateriais, que neles se manifestariam para transmitir aos seus frequentadores a palavra do Alto, capaz de despertar nos corações humanos um ardente desejo de progredir espiritualmente. A idéia foi recebida pelas almas presentes com a maior simpatia, sendo considerada viável, quando se encontrarem em postos religiosos de destaque, Espíritos de grande evolução em vias de reencarnar. Belo seria, pois, se, antecipando-se à idéia aqui enunciada, a classe dirigente das várias religiões terrenas, decidisse colocar os respectivos templos à disposição do Senhor do Mundo, para que os seus mensageiros neles se manifestassem, para divulgar ensinamentos capazes de apressarem o progresso humano-espiritual.

Outras Entidades igualmente se manifestaram sobre o assunto, cuja palavra despertou o maior interesse. Na opinião de outra alma presente, o que muito virá contribuir para o mais rápido progresso das almas encarnadas, será a concessão das faculdades mediúnicas da vidência e audiência, permitindo às almas encarnadas ver e ouvir as desencarnadas, durante a sua permanência no corpo. Argumentava a alma em referência, que nenhum ensinamento divulgado na Terra pelas religiões terá a penetração e aceitação por parte dos encarnados, alcançada pelos que forem divulgados pelas almas categorizadas do mundo espiritual. E então, concluía, de posse destas duas importantíssimas faculdades — vidência e audiência —, as almas encarnadas não só se esclareceriam muito mais facilmente, como também poderiam ser advertidas pelo Alto, em todas as oportunidades em que estivessem na iminência de falir.

A reunião prosseguiu bastante animada, dado o interesse que todos nós temos no Alto, em podermos contribuir para o aceleramento do vosso progresso evolutivo. Porque, filhas e filhos a quem eu muito amo, não podeis sequer imaginar o quanto decepciona os vossos dedicados Protetores espirituais que vos assistem em todos os momentos, terem de testemunhar atitudes de todo incompatíveis com o vosso progresso e bem-estar espiritual. As almas encarnadas na Terra cometem às vezes faltas de tal modo prejudiciais à sua própria felicidade, que deixariam certamente de cometer se antes tivessem podido ouvir a voz amiga do seu protetor espiritual. O assunto foi igualmente anotado para ser continuado noutras reuniões. Foi, não obstante, deliberado pelas almas reunidas, levá-lo ao conhecimento do Senhor para a sua apreciação. Constituiu-se para esse fim uma comissão de almas, incumbidas de levar ao Senhor do Mundo as idéias e conclusões daquela reunião, como sucede, aliás, ao fim de todas as reuniões das almas interessadas em contribuir para o progresso da coletividade espiritual.

Como parte do resultado do debate dos assuntos levados à reunião em apreço, já posso antecipar-vos que importantes trabalhos estão sendo realizados no Alto, com vistas à concessão daquelas duas faculdades mediúnicas, se não a todas as almas em processo de reencarnação, a uma grande maioria delas. Este fato virá permitir aos seres humanos comunicarem-se de viva voz com os respectivos Protetores espirituais, deles recebendo em todas as oportunidades os conselhos e ensinamentos de que possam carecer, não só no desempenho de suas tarefas, mas, sobretudo, em matéria de espiritualidade. Preparai-vos, então, jovens do presente, para ouvirdes dos vossos irmãos encarnados dentro de breves anos a informação de que estarão vendo e ouvindo almas desencarnadas, inclusive os seus familiares que partiram.

Em matéria de religiões, contudo, algo de muito importante se operará em breves anos na Terra, em consequência da substituição natural de muitos dos seus mentores de hoje, por outros especialmente preparados para esse fim. Há necessidade, por assim dizer, de se espiritualizarem os ensinamentos religiosos ministrados aos seres humanos, com o objetivo de despertar neles a sua memória espiritual, adormecida desde que a alma ingressou no ventre materno. Este é que deve ser o objetivo principal dos ensinamentos religiosos na Terra, considerando que do seu despertamento é que resultará a integração da alma encarnada no seu verdadeiro caminho, para alcançar as luzes que veio buscar mais uma vez neste plano de vida.

Muito haverá, porém, que modificar no que diz respeito ao ensino e práticas religiosas do presente. Uma dessas práticas que está a exigir arquivamento urgente e definitivo, pela sua verdadeira inoperância, é a da confissão auricular, em que as almas confessandas são inquiridas em suas respeitáveis intimidades, desnecessária e imprudentemente. Nada de positivo resultou até hoje de semelhante prática milenar, criada precisamente para perquirir no íntimo das criaturas, pensamentos, atitudes, e até delações de terceiros. Isto não é religião. Semelhante prática dita religiosa precisa cessar de todo e o quanto antes. As almas encarnadas só podem encontrar um confessor autêntico em Nosso Senhor Jesus, a quem devem dirigir os seus pensamentos e os seus pedidos de perdão, sempre que se considerarem em falta. Nosso Senhor Jesus auscultará amorosamente o coração das almas que a Ele se dirigirem em orações fervorosas, sendo Ele a única Entidade com poderes para perdoar. O Senhor se regozijará, inclusive, com as almas que assim procederem, porque verificará nesse gesto o desejo sincero de caminharem para Ele. Que cessem, pois, as confissões auriculares ditas religiosas. Ouçam- me os responsáveis pela religião que tal prática conserva, na certeza de que eu aqui lhes transmito a própria palavra do Senhor. Abulam o quanto antes do número de preceitos a confissão auricular, aliás já hoje repelida pela maioria dos seus adeptos, por absolutamente desnecessária. A esta prática se deve atribuir, inclusive, o afastamento dos templos, de muitos milhares de famílias cristãs, discordantes de semelhante preceito. Que prevaleça o princípio da consulta ao sacerdote por quantos adeptos desejem um conselho amigo, em situações que isso lhes pareça necessário, é coisa perfeitamente admissível; mas que isso se realize fora do confessionário, e melhor ainda se em presença de terceiros, em benefício mesmo da religião, cuja missão deve ser ensinar, orientar, conduzir em voz alta, para que todos ouçam. Façam isso os responsáveis diretos pelas religiões atuais, e estarão servindo ao Senhor, como o Senhor deseja que O sirvam verdadeiramente.

Agora um pequeno detalhe para encerrar o presente capítulo. Todos quantos compulsaram a história religiosa sabem os motivos que levaram os mentores religiosos do passado a instituir no Ocidente a confissão auricular, como preceito religioso obrigatório para receber a comunhão. Todos vós que compulsastes a história religiosa verificastes que o verdadeiro objetivo desse estranho preceito era muito diferente do apontado e divulgado. E sabeis, por conseguinte, quantas criaturas de Deus foram encarceradas, martirizadas ou queimadas nas fogueiras inquisitoriais, em consequência de denúncias nem sempre verdadeiras, de atitudes contrárias ao pensamento religioso da época. Os responsáveis por semelhante procedimento, tanto delatores como executores, são hoje almas completamente redimidas dessas faltas graves do passado, após terem purgado no solo terreno, em vidas e vidas de sofrimento, tudo quanto impuseram às suas vítimas. É que a Misericórdia Divina, em sua infinita bondade, oferece a todas as almas, por mais enegrecidas se encontrem, oportunidades de lapidação e resgate, para que a luz espiritual brilhe intensamente em sua fronte, purificando-as de todas as suas faltas pretéritas.

Deixo-vos aqui a bênção que o Senhor vos envia por meu intermédio, e a minha própria que eu vos ofereço de todo o coração.

CAPÍTULO XXXII – Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. A convivência das almas no Espaço. — Classificação das almas por categorias. — Uma das características principais da vida no Além. — Recepções majestosas oferecidas pelas almas. — Um acontecimento extraprograma: a presença do Senhor Jesus.




Os fatos extraordinários programados pelas Forças Superiores  devem começar a ocorrer dentro de breves anos ou meses, em sua maior projeção, embora já nos dias presentes estejam ocorrendo os primeiros ensaios. São fatos destinados a transformar boa parte da superfície terrena, nivelando áreas até então inaproveitadas pelos seres humanos na produção de alimentos. O que vier a suceder em consequência, só o será para o bem e felicidade de todos, podeis estar certos disso. Muitos milhares ou milhões de almas acompanham do Além a ocorrência dos fatos na superfície terrena, pela ânsia em que se encontram, de poderem vir uma vez mais à Terra em busca de maior índice de progresso espiritual, o que se tem verificado impossível nas condições atuais.

Isto dito, como objetivo fundamental de quanto está sendo escrito na Terra, vamos tratar de outro assunto pertinente ao mundo espiritual, o qual todos vós apreciareis conhecer. Vou relatar-vos no presente capítulo um pouco do muito que haveis de encontrar mais tarde no Alto por ocasião do vosso regresso da Terra para um descanso merecido, minhas filhas e filhos muito queridos. Desejo tratar aqui do que diz respeito à convivência das almas nos respectivos planos, segundo a categoria a que pertencem. Devo explicar inicialmente que a classificação das almas por categorias não resulta de nenhuma escolha que no Alto se faça entre os milhões de almas que lá vivem no intervalo de uma e outra encarnação. Não, minhas queridas; essa classificação se processa automaticamente, para não dizer instintivamente. Para vossa melhor compreensão, imaginai uma grande multidão de pessoas numa determinada festividade, comemoração ou acontecimento social, vestindo, porém, trajes diferentes. Uma grande quantidade dessas pessoas vestiria, por exemplo, roupagem de um branco brilhante, outra quantidade vestiria roupagem de um branco opaco; outra e outra quantidade de pessoas vestiria roupagens diferentes, como cinza, amarelo-claro, amarelo-escuro, verde das duas tonalidades, até ao roxo, lilás, etc. Para selecionar esses milhões de criaturas nenhuma dificuldade ocorreria; seria bastante uma ordem geral para que se reunissem segundo as cores das respectivas roupagens. Como vedes por esta imagem bastante tosca, a seleção das almas no Alto se faz segundo a coloração da respectiva luminosidade, reflexo exato da sua categoria evolutiva. Ficais sabendo igualmente que a luz espiritual também difere de alma para alma segundo o grau evolutivo no qual se encontram. Não me compete entrar em detalhes a respeito da relação que existe entre as várias colorações da luz espiritual, mas espero poder fazê-lo ainda neste livro se isso me for permitido. Direi, contudo, que a luz espiritual alcançada pelas almas já bastante evoluídas não é a mesma ostentada por aquelas que se encontram nos primeiros degraus da escala ascensional, e isso todos vós o compreendeis facilmente.

Entraremos a seguir, então, no assunto que eu venho hoje revelar-vos, que é o seguinte: Uma das características principais da vida no Além, onde estagiam as almas nos intervalos de suas reencarnações neste pequeno mundo terreno, é a solidariedade, amiga muito íntima da cordialidade que todas as almas praticam. Para intensificarem estas duas belas qualidades, as almas de determinado plano oferecem recepções majestosas às almas dos planos vizinhos, durante as quais se estabelece uma perfeita confraternização. Em regra, as recepções deste tipo são oferecidas pelas almas habitantes de planos mais adiantados às suas vizinhas em grau imediatamente inferior. É a respeito de uma destas grandiosas recepções que eu desejo falar-vos nas linhas seguintes. 

Um dos planos já bastante adiantados resolveu comemorar certa data histórica do mundo espiritual, convidando as almas dos planos imediatamente inferiores para uma encantadora recepção em sua homenagem, a propósito, como disse, da comemoração de uma data histórica, ou seja, aquela data que assinala o regresso do Meu Amado Filho, após o martírio do Calvário que todos conheceis. Esta data que pelo vosso calendário atual é móvel, pelo calendário que nos rege no Alto é fixa, intransferível. De passagem devo dizer-vos que tanto a data do nascimento como aquela da partida do Senhor são na realidade bastante diferentes das convencionadas no vosso calendário gregoriano. Isso não quer dizer, porém, que sua comemoração, com o sentimento que lhes dedicais, não seja recebida no Alto pelo Senhor com verdadeira alegria e gratidão.

Realizava-se então a majestosa recepção oferecida pelas almas evoluídas às suas irmãs vizinhas, numa festividade que se estenderia por alguns dias, uma semana aproximadamente. As almas convidadas eram recebidas com cativantes demonstrações de alegria pelas suas anfitriãs tal o objetivo da festividade. Muitas e muitas almas aportavam em caravanas belamente ornamentadas, ao plano em referência, trazendo do seu próprio plano o que de mais expressivo houvesse, para oferecer às almas anfitriãs. Certo é que nada haveria nos planos algo inferiores que não houvesse também naquele que visitavam. É um costume também muito usado entre vós, as pessoas residentes nas regiões interiores, quando em visita aos amigos das cidades, levarem-lhes, como lembrança, artigos, objetos ou produtos da sua região. Eu mencionarei apenas alguns destes artigos ou produtos mais comuns, por exemplo, um queijo de qualidade, um litro de mel, uma bela melancia quando na época, um bonito exemplar da sua criação de cabritos, carneiros ou de outros animais, com aquele delicado sentimento de oferecer uma lembrança aos amigos que visitam. No caso em foco esse mesmo delicado sentimento de estima se manifesta através das quantidades de mimos e prendas trazidas pelas almas visitantes, recebidas pelas anfitriãs com demonstração de grande alegria e reconhecimento. Um dia inteiro durou a cerimônia das recepções às almas vindas de longe para a grande festividade.

O segundo dia era destinado às palestras entre as almas chegadas e as residentes no plano, para uma permuta de afetuosas declarações em torno da vida e experiências de cada uma daquelas almas ao longo de suas existências milenares. A programação deste detalhe pelos organizadores da festividade obedeceu ao propósito de se oferecer às almas visitantes algumas elucidações acerca da vivência nos diversos planos do Universo, segundo as experiências adquiridas pelas suas anfitriãs. Encarregaram-se dessa parte do programa de festividades, Entidades das mais destacadas do plano, pela sua já longa existência e consequentes experiências acumuladas. É fácil de imaginar o interesse despertado pelo assunto no coração das almas visitantes, ávidas de ouvir e aprender das irmãs bastante adiantadas, os ensinamentos que sua longa experiência poderia proporcionar a todas. Para esta cerimônia havia sido preparada uma área capaz de comportar de cem a duzentas mil almas reunidas ao ar livre, tendo por teto a encantadora abóbada celeste numa bela noite, assistida de muito alto pelos milhões de estrelas da Via-Láctea. Assim como usais proceder em vossas grandes assembléias em que uma grande parte dos ouvintes tem de ficar distante, foram instalados no local os excelentes serviços sonotransmissores, para que toda a assembléia pudesse ouvir os oradores. Assim reunida aquela multidão de almas na primeira noite dedicada às palestras, assomou à tribuna uma Entidade de grande luminosidade de cor azulada, característica de sua já bastante alongada experiência da vida universal, assim se dirigindo aos ouvintes:

— Este momento de excepcional alegria que estamos vivendo representa para todas nós a comemoração daquela data histórica em que o nosso amado Mestre e Senhor Jesus foi expulso da esfera terrena, após o martírio que sofreu em terras da Palestina. Esta data representa para nós, deste plano de vida, a nossa data máxima, por ser aquela em que o Divino Mestre aqui aportou de regresso da Terra, aureolado pelo enorme sacrifício a que se submeteu para levar um novo esclarecimento à humanidade daqueles tempos. Não desejamos, entretanto, condenar os homens que tal martírio impuseram ao Senhor Jesus, minhas almas queridas. Não estamos em condições de censurar os homens de então com a vibração da nossa condenação, pela circunstância de que se o fizéssemos, estaríamos condenando a nós mesmos. A nós mesmos, sim, minhas almas queridas, digo bem. E isto porque, com o perpassar dos séculos que longe vão, nós voltamos seguidamente à Terra em encarnações e encarnações bastante sofridas, até que conseguíssemos limpar da nossa consciência a negra mancha nela produzida pela nossa infeliz atitude de então. Fomos nós mesmos, muitas das almas que agora vivem neste elevado plano, as mesmas que contribuíram para o martírio do Senhor, o humilde filho do carpinteiro de Nazareth, no monte do Calvário, nos albores da era cristã, esta era que tanto tem contribuído para a iluminação da humanidade. Realizando então a presente festividade, desejamos todas nós, almas hoje bem-aventuradas, prestar-vos uma homenagem singela na recordação de tão gloriosa data, para que a recordeis conosco. Elevemos então, com todo o fervor das nossas almas, o nosso coração aos benditos pés do Senhor, cuja magnanimidade nos proporcionou durante séculos e séculos, felizes oportunidades de nos reconciliarmos com nós mesmas, através do resgate das nossas faltas daquele passado longínquo.

Apenas concluída a primeira oração daquela noite memorável, um acontecimento extraordinário ali se verificou, sem que estivesse programado, mas recebido com a maior alegria em todos os corações. O Senhor Jesus, assomando à mesma tribuna, instantes após haver falado o primeiro orador da noite, iluminou com seu olhar magnífico toda a imensa assembléia de almas, verdadeiramente maravilhadas. Proferiu então o Senhor Jesus, em síntese, as seguintes palavras, ouvidas pela assembléia de almas em recolhimento:

— Almas muito queridas do meu coração! Resolvi transportar-me até aqui, em face da emoção que de mim se apoderou, ao perceber as vibrações dos vossos belos corações, ao recordardes, reunidas, aqueles dias, meses e anos em que, por designação amorosa do Pai, eu desci ao mundo terreno há perto de vinte séculos. Não desejo sequer recordar o que de ruim fizeram os homens daqueles tempos que longe vão, porque todos eles, sem uma única exceção, já alcançaram o seu foco de luzes redentoras, e eu tenho hoje a alegria de contá-los entre os meus amigos e servidores mais dedicados. Que não se recordem, pois, jamais, os dolorosos dias do meu calvário, porque desde então belas sementes frutificaram na Terra, e frutos magníficos têm sido colhidos pelas humanidades que se sucederam. O que eu muito desejo, então, de todas vós almas estremecidas do meu coração, o que eu muito desejo de todas vós, é a vossa integral solidariedade nos empreendimentos em curso na Terra, com vistas a transformar aquele decantado vale de lágrimas num autêntico paraíso terrestre. Desejo, inclusive, oferecer a todas vós, almas estremecidas, tanto às habitantes bem-aventuradas deste plano, como igualmente às vossas valorosas visitantes, desejo oferecer a todas uma nova oportunidade de reencarnarem no solo terreno, a fim de lá se constituírem em verdadeiros esteios da reconstrução do mundo terreno. Isto dito, eu vos estendo a minha bênção muito carinhosa, e regresso ao meu posto de trabalho para servir-vos.

A enorme assembléia de almas ficou maravilhada, repito, ante a luminosa presença do Senhor e suas encantadoras palavras. E começaram a surgir ali mesmo o que eu denominarei inscrições das almas desejosas de atender ao desejo do Senhor para um novo mergulho na carne. E tão grande foi o número delas, pertencentes aos dois planos reunidos, que não será exagero dizer que aproximadamente umas duzentas mil almas das mais evoluídas estão reencarnando nos últimos dezoito anos para servir ao Senhor. O assunto é longo e rico de ensinamentos, e eu prometo voltar a ele em capítulos sucessivos.

Deixo-vos aqui a bênção que o Senhor vos envia por meu intermédio, e a minha própria que eu vos ofereço de todo o coração.

CAPÍTULO XXXI – Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. O hábito de vos reunirdes para matar o tempo. — Muitas enfermidades têm sido atraídas dessa maneira. — A leitura da Bíblia Sagrada. — O tratamento do vosso corpo. O sombreamento dos olhos apenas um falso embelezamento.




A circunstância de se encontrarem na Terra, almas em estado já bastante adiantado de evolução, ao lado de outras menos evoluídas, e ainda muitas outras em princípio de sua grande jornada, esta circunstância representa bem a situação da vida espiritual, nos diversos planos do Além. Tratando-se de uma escola evolutiva como é a Terra, há toda a conveniência na vinda dessas três categorias de almas conjuntamente, para que as mais adiantadas possam esclarecer as demais por meio do exemplo e do saber, ajudando-as a caminhar também na estrada da vida.

Acontece muito frequentemente nos dias que correm, registrarem-se fatos bastante significativos em várias latitudes do vosso pequeno mundo, envolvendo pessoas de maneira bastante trágica, demonstrativos do reduzido grau evolutivo de seus protagonistas². Esses fatos atestam em sua dura realidade o grau ainda bastante primário dos seus autores, almas que apenas iniciam o seu aprendizado nesta escola terrena, dignos da comiseração de todos vós. Mas não apenas da vossa comiseração são dignos os autores dos fatos delituosos que sucedem de vez em quando; também dignos são eles, e muito, das vossas preces, para que a luz divina penetre em seus corações ainda bastante empedernidos. Orai, pois, pelos delinquentes, com o que estareis praticando uma das maiores obras de caridade, filhas e filhos do meu coração.

Em seguida tenho hoje para vos dizer algo da maior importância em vossa vida presente, de almas em busca de luz espiritual. Tratarei assim do que diz respeito à convivência entre vós todos que vos encontrais na Terra, e a maneira pela qual muito podereis fazer em benefício do vosso progresso. Gostaria que abrísseis neste momento os vossos corações para que as minhas palavras neles possam penetrar e serem devidamente compreendidas. Desejo referir-me ao hábito muito comum em todos os meios sociais de as pessoas se reunirem para matar o tempo a pretexto de se distraírem, durante algumas horas do dia ou da noite. É para os assuntos preferidos nessas reuniões que eu desejo prender a vossa atenção. Sucede quase sempre tratar-se instintivamente nas palestras surgidas no ambiente, da vida, hábitos e maneiras de proceder das pessoas ausentes, nem sempre com intuito construtivo, mas, ao contrário, de apreciação crítica ao modo de viver dessas pessoas ausentes. Há nessa prática um inconveniente tão grande para quem dela se ocupa, que pode resultar até em perigo de vida. A lei mental nos ensina que devemos ter o maior cuidado na movimentação dos nossos pensamentos; que seguem sempre a direção das nossas palavras. Se nos ocuparmos, por exemplo, de alguém distante de nós, ao fazê-lo estaremos ligando-nos a esse alguém por meio do pensamento, ou seja, atraindo para nós as perturbações porventura existentes no seu campo mental, nem sempre favoráveis nem benéficas. Isto acontece sempre que alguém mentalize pessoas conhecidas, ao envolvê-las em sua crítica ou palestras muito comum no meio terreno. Dessa prática pode resultar para quem à mesma se entregue, a atração de influências espirituais de nível inferior, cujo mal não poderá sequer avaliar. E isso tanto pode acontecer às pessoas que usarem da palavra para criticar a terceiros, como àquelas que apenas façam parte do grupo. Muitas e muitas enfermidades têm tido origem atraídas dessa maneira, transmitidas por influências (almas) que delas foram portadoras em sua vida terrena. Encontrando-se em certo momento ao lado de pessoas alvo de comentários feitos por outras, as influências mórbidas podem acorrer ao local donde partem os comentários, e ali se ligarem àquelas em quem encontrarem afinidades vibratórias, passando a perturbá-las a partir desse momento.

Tudo aconselha, por conseguinte, às pessoas sensatas a se absterem do hábito desse tipo de comentários com o fim de encher ou matar o tempo, em benefício de sua própria saúde, paz e felicidade. Uma excelente maneira de passarem as pessoas momentos de alegria ou mesmo de distração para o Espírito, aliviando possivelmente a carga de suas constantes preocupações, seria ocuparem-se de temas realmente interessantes à sua ilustração, e à de quantas outras pessoas assim se reúnam. Eu darei a seguir algumas sugestões nesse sentido. O assunto, por exemplo, relacionado com a vida de grandes personalidades da história terrena é um dos que certamente agradarão a um grande número, pela soma de conhecimentos que proporciona a todos os ouvintes. Sabe-se que o conhecimento de muitos detalhes da vida das grandes personalidades que viveram na Terra, tem grande utilidade para todas as pessoas em determinados momentos, dado que a História e os fatos se repetem constantemente. Seria então uma oportunidade excelente de ilustração para muitos, se não para todos, reunirem-se as pessoas em suas horas de lazer para se ilustrarem no conhecimento de vidas célebres da Terra, elevando com isso o nível de seu próprio Espírito ao da vida comentada.

Outra bela maneira de passar algumas horas numa tarde de lazer será o manuseio desse formidável manancial de ensinamentos que é a Bíblia Sagrada. Há nesse grande livro tais e tão úteis ensinamentos, que são capazes de elevar as almas a um nível vibratório surpreendente. A simples leitura da Bíblia, feita em reunião de pessoas a título de passar o tempo, além do conhecimento do fato histórico em si, pode mudar o rumo terreno de muitas almas para o caminho que verdadeiramente convém à sua maior felicidade. E por que pode isto acontecer? Isto pode acontecer, e acontece efetivamente, em virtude da luz projetada na alma por esse tipo de leitura, esclarecendo-a. Uma alma esclarecida, muito facilmente coordena as suas tendências e aptidões no sentido do respectivo êxito, tanto no sentido material de sua existência terrena, como e principalmente do seu progresso espiritual. Uma alma esclarecida pode ser comparada à superfície límpida dum grande espelho, onde a criatura poderá mirar-se em todos os detalhes. Ao passo que se a luz do espelho estiver opacidada no todo ou em parte, a criatura terá dificuldade em mirar-se nele, enxergando-se apenas parcialmente.

A leitura da Bíblia pode ser então comparada a um grande e límpido espelho, a transmitir ao leitor uma luz clara e brilhante a iluminar, pelo conhecimento, os numerosos detalhes do seu caminho na vida. É fácil explicar por quê. Nesse livro monumental que é a Bíblia se encontram exarados, se bem que em linguagem velada, todos os ensinamentos necessários à trajetória das almas na Terra. Conhecendo-se, então, desde o Velho ao Novo Testamento através duma leitura atenta, as almas encarnadas adquirem um tal foco de luzes em sua trajetória pela Terra, que instintivamente se projetam e engrandecem as suas luzes espirituais. Aqueles que se entregarem de boa mente à leitura do livro dos Séculos que é a Bíblia encontrarão em suas páginas uma solução para cada problema, um conceito para cada situação, um conselho para cada dificuldade, sem falar na grandiosidade dos ensinamentos existentes em forma de provérbios, que são verdadeiros focos a iluminar a consciência dos leitores em todas as eventualidades. 

Aí ficam estas sugestões para as vossas almas, filhas e filhos a quem eu muito quero, as quais podereis adotar, não para matar, mas aproveitar o vosso tempo, seja de descanso no lar, ou nas vossas pequenas reuniões sociais. Poderão alguns de vós considerar estranho ou de possível mau-gosto, ocuparem-se as pessoas na leitura da Bíblia ou de vidas célebres, nas reuniões de puro lazer. Eu vos direi, porém, que se o vosso sentido material assim pensar, não pensará outro tanto o vosso Espírito, ávido dessa ordem de conhecimentos. Ao vos preparardes no Alto para reencarnar, tanto da presente como das vezes anteriores, todas vós elaborastes o vosso programa de estudos na Terra, mencionando com particularidade o estudo das coisas sérias da vida, com o fim de errardes o menos possível. E a maneira mais indicada que se apresenta a todas as almas encarnadas é o conhecimento das verdades históricas de que está repleta a Bíblia, pela luz que seus ensinamentos projetam no Espírito dos leitores. Estes encontram em suas páginas tais e tão belos ensinamentos, que têm, só por si, o mérito de impedir sua incidência nos erros praticados constantemente por quantos não tiveram a felicidade de compulsar esse tesouro. Isto se dará pela presença constante dos numerosos conceitos, provérbios e sentenças bíblicas no Espírito de seus leitores a iluminar-lhes o raciocínio, a fortalecer-lhes a memória e o coração em todas as fases da vida, como se um conselheiro fora em todos os momentos presente, a indicar-lhes qual o caminho a seguir.

É tal a projeção dos ensinamentos bíblicos nas almas, que quantas os tiverem estudado em sua passagem pela Terra, constroem com eles um poderoso facho de luzes da maior utilidade, não apenas enquanto na Terra, como também a engrandecer-lhes o patrimônio espiritual que as acompanha de regresso ao seu plano de vida no Além. Poderei mesmo dizer aqui às almas que pautarem seus atos neste plano terreno segundo os conhecimentos adquiridos através do estudo da Bíblia, tornar-se-ão muito mais rapidamente que as demais, possuidoras daquele desejado grau evolutivo que há milênios perseguem.

Para encerrar o presente capítulo, ainda quero tratar de outro assunto igualmente interessante para todas vós, minhas filhas queridas. Refiro-me ao que diz respeito ao tratamento do vosso corpo, como santuário que é da vossa alma. Muitas inovações se apresentam sob o pretexto de embelezamento físico da mulher, algumas bastante esquisitas, no sentido de sua impropriedade para uso de uma alma de Deus em passagem pelo mundo terreno. Observo com tristeza, nestes dias em que venho ditar este livro, um novo hábito ou mau-gosto desse tipo de pintura em torno dos vossos olhos, emprestando a eles certas tonalidades que só podem prejudicá-la. Enquadrardes os vossos olhos, de natureza tão belos e expressivos, em tonalidades que só fazem afeiá-los, é procedimento que atenta contra a vossa beleza natural se não até contra a própria Natureza, que vos dotou de todos os necessários encantos, minhas filhas do coração. Eu vos peço com todo o amor, que abandoneis esse feio método de falso embelezamento, pelo que ele tem de inconveniente e prejudicial. Esse círculo artificial dos vossos olhares entristece a expressão da vossa alma que é límpida, clara, e só deseja manifestar-se através do vosso olhar apenas rodeado dos ornamentos traçados pela mão da Natureza. Pinturas em volta dos vossos olhos? Jamais, filhas queridas! Tudo não passa duma criação industrial de enriquecimento à custa do vosso mau aspecto. Ouvi-me, pois, filhas do meu coração. Jogai fora, para bem longe de vós, esse tipo de pinturas, para que o vosso olhar passe a brilhar com todo o fulgor da sua natureza, como reflexo que é da vossa bela alma. É este um conselho e um pedido que eu aqui vos deixo, minhas queridas, incluídos neste livro que eu programei no Alto para tratar exclusivamente dos interesses espirituais das almas encarnadas na Terra. Falo-vos com o coração, pelo muito que vos estimo de longos séculos, porque a todas eu conheço de um passado distante, e de vossas frequentes idas e vindas a este plano. Sabendo-se que o corpo fluídico correspondente a cada ser humano reflete, ao voar para o seu plano, as características, usos e hábitos dos corpos físicos, imaginai, minhas queridas, que ao regressardes por vossa vez ao mundo espiritual, levásseis convosco esses enquadramentos negativos dos vossos olhos, e os tivésseis de suportar todo o vosso tempo no Além. Estou certa de que muito grande seria então o vosso desgosto em tais circunstâncias. Atendei, então, ao meu pedido que aí fica. Repeli essa inovação que tanto afeia a limpidez do vosso olhar, ao mesmo tempo em que reduz a vossa personalidade espiritual. Mantende o vosso rosto isento de artifícios como este ao qual me venho referindo, para que o vosso magnetismo pessoal possa manifestar-se em toda a sua potencialidade, mas, sobretudo, não sombreeis a limpidez dos vossos olhos, como espelho que são da vossa alma. 

Perdoai-me, minhas queridas, se assim me manifesto neste momento, mas eu o faço no vosso próprio interesse, depois de ter auscultado atentamente a reação que produz no sexo oposto esse tipo de pinturas ao redor dos vossos olhos, de seu natural tão belos e tão límpidos.

Deixo-vos aqui a bênção que o Senhor vos envia por meu intermédio, e a minha própria que eu vos ofereço de todo o coração.

² O presente capítulo, psicografado no dia 19 de agosto de 1967, deve relacionar-se com o fato delituoso ocorrido 4 dias antes na localidade de Shell Lale, Canadá, onde foi chacinada uma família de granjeiros composta de nove pessoas, seguido de outro não menos trágico, ocorrido na localidade de St. Cloud, perto de Mineápolis, EUA, quando um grupo de desconhecidos amarrou o chefe da família, ferido, a um poste, e ateou fogo à habitação onde dormiam a esposa e seus 4 filhos menores, perecendo todos em consequência do incêndio. Nota do Médium.

terça-feira, 14 de março de 2017

CAPÍTULO XXX - – Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. A vinda das almas à Terra deve ser considerada uma graça. — Certas disto, muitas coisas deixaríeis de fazer. — A prática do espiritualismo e as saudades dos entes queridos. — Justificadas reservas da Igreja de Roma.




As almas que permanecem no mundo espiritual, aguardando novas oportunidades de voltar à Terra em prosseguimento do seu aprendizado, acompanham com ansiedade aos trabalhos preparatórios das modificações projetadas para o solo terreno, desejosas de que delas resultem o mais breve possível as novas oportunidades de aqui reencarnarem. Sendo muito pequeno o mundo terreno em relação ao número de almas que nele necessitam de evoluir, só mesmo após as modificações em curso, será possível atender ao desejo de alguns milhões de seres espirituais que aguardam nos planos do Além a sua vez de retornarem à Terra.

Vós todos que aqui vos encontrais não podeis avaliar por enquanto todo o bem de que sois alvo, pela circunstância de haverdes logrado permissão das Forças Superiores para a vossa presente encarnação. Se isso pudésseis avaliar, cientes, também, de que a vinda das almas à Terra deve ser considerada uma graça, decerto deixaríeis de fazer muitas coisas e outras faríeis, no vosso maior interesse. Quais seriam, porventura, as coisas que deixaríeis de fazer? Eu apontarei algumas com o propósito de vos esclarecer. Não faríeis, então, nada do que, a vosso próprio juízo, pudesse desagradar ao Senhor, se presente o tivésseis nesses momentos. Não faríeis, portanto, senão aquilo que pudesse contribuir para o vosso adiantamento espiritual, granjeando novas luzes para o vosso Espírito. Não usaríeis jamais da violência nem da injustiça para com os vossos companheiros de jornada, porque sendo vossos irmãos espirituais, aqui se encontram como vós mesmos, em busca de novas luzes para o seu diadema. Instituiríeis, então como lema da vossa vida terrena aquele sábio princípio propagado pelo Divino Mestre em sua estada na Terra há vinte séculos: não fazer aos outros senão o que desejardes que vos façam. Instituindo este sábio princípio como norma de vida, certos estejais de que uma nova e poderosa luz se juntará àquelas conquistadas no passado através de lutas sem conta, podendo suceder em muitos casos concluirdes nesta viagem o vosso curso de aprendizado neste pequeno mundo físico. Este é realmente o desejo intenso do Senhor Jesus, e das Forças Superiores, no seu esforço atual de esclarecimento das almas encarnadas, contando poder promover uma grande maioria delas à vivência em outros planos de luz e bem-aventurança.

Assim, pois, eu quero juntar o meu esforço de agora ao de vários emissários do Senhor junto a todos vós, filhos e filhas do meu coração, dizendo-vos que só mais tarde podereis avaliar devidamente todo o valor que estes esforços representam para vós. A circunstância de estarem sendo preparadas modificações na superfície deste vosso mundo só deve ser encarada como meio de melhorar, ampliando as condições de habitabilidade do solo terreno, possibilitando a vinda de mais alguns milhões de almas necessitadas de evolução como vós mesmos. É uma escola que se amplia e modifica para permitir o ingresso de maior número de alunos em idade escolar. Quanto ao que daí possa resultar, com a partida provável de muitas almas deve o fato ser considerado como conclusão de curso para esses alunos que partirem, e nada mais. Sabido como é que a vida neste mundo sempre foi e será eternamente de caráter transitório, e também que as almas viventes na atualidade já aqui estiveram numerosas vezes, não há como alguém se impressionar com o fato, julgando-o possivelmente uma infelicidade. Não, minhas filhas e filhos muito queridos. A única coisa que realmente deve preocupar os vossos pensamentos da hora presente é a vossa preparação moral para enfrentar e vencer os acontecimentos do porvir. Porque a circunstância de alguns de vós poderem ser conduzidos de regresso ao plano de vida espiritual donde viestes à Terra, isso representará em verdade uma felicidade maior, porque também uma promoção merecida a mais altos planos espirituais.

Todos sabemos de experiência própria o quanto a vida terrena prende as criaturas, ao ponto de as mesmas considerarem com verdadeira apreensão a possibilidade de sua partida deste plano. Isso acontece, entretanto, exclusivamente em consequência do esquecimento total operado na memória física dos seres humanos, das condições de vida nos planos do Além que deixaram ao reencarnar. Família, amigos, propriedades e fortuna, tudo isso constitui mera ilusão da vida terrena a envolver as criaturas. A Família, por exemplo, continuará a existir pelos milênios em fora, somados os elementos de cada uma das nossas vidas, os quais encontraremos sempre reunidos, e a tal ponto esse número se amplia, que chegaremos a considerar membros da nossa família todas as almas do Universo. Aquelas que a Divina Providência reúne periodicamente no mesmo lar terreno são almas que necessitam de aproximação, ou reconciliação em vários casos, constituindo-se membros da mesma família. Ao regressarem, porém, ao Alto, todos esses elementos verificarão quão grande é o numero dos seus parentes e afins, em muitos e muitos casos excedendo a centenas de milhares de almas. Com o correr dos milênios e de acordo com o grau evolutivo de cada uma, todas as almas hão de considerar-se verdadeiramente irmãs e nesta condição se hão de amar e estimar. O fato de duas almas construírem um lar na Terra e nele receberem como filhos outras almas, não quer dizer que as duas almas pai-mãe assim o sejam eternamente. Almas nascidas numa encarnação como filhos podem ter sido algumas vezes, ou sê-lo-ão no futuro, os pais dos seus pais de hoje, num encadeamento de amor e ternura que não terá mais fim.

Desta maneira, se almas partirem da Terra deixando outras almas no lar, como membros queridos de sua família, podem estar seguros de que a Divina Providência tudo assim determinou e se incumbirá de prover e conduzir as almas remanescentes, segundo as próprias conveniências. A lei do amor universal não desampara a nenhum dos filhos onde quer que ele se encontre, e sempre os conduz pelo caminho que melhor corresponda às necessidades evolutivas de cada um. A morte, é preciso dizer e repetir sempre, nada mais é do que o meio pelo qual uma alma se retira do solo terreno para regressar ao seu plano de vida espiritual, e jamais o seu fim. Não existe, por conseguinte, separação definitiva entre as almas que partem e aquelas que ficam na Terra, porque estas, à sua vez, hão de regressar também ao seu plano de vida espiritual, onde encontrarão a esperá-las, as almas afins que partiram antes.
À proporção em que os ensinamentos espiritualistas forem sendo ampliados a todos os lares terrenos, e a prática do intercâmbio se desenvolver entre os membros do lar, diminuirão muito as saudades dos entes queridos que partiram da Terra, porque eles próprios se empenharão em confortar os parentes e amigos, dizendo-lhes que continuam a viver mais felizes no plano onde se encontram, de que o eram na vida terrena. Hoje em dia esta prática já está bastante desenvolvida, sobretudo neste grande País, onde muitos lares se transformaram em postos de intercâmbio espiritual. O lar, por exemplo, no qual estou ditando este livro é um deles, aqui comparecendo frequentemente todos os entes que ao mesmo se encontram ligados por laços de parentesco ou de afeto, para dar a sua mensagem de amor, numa afirmação constante da continuidade da vida depois da morte. Eu recomendo a todos os meus filhos e filhas encarnados o estudo da doutrina espiritualista, como um novo elemento de progresso para seus Espíritos. Esta doutrina pode ser considerada o passo mais avançado no conhecimento do mundo espiritual pelos encarnados, esclarecedora como é dos fenômenos até agora inexplicados pelas religiões.

Eu absolvo de todo o meu coração a Igreja de Roma pelas reservas que sempre impôs à divulgação dos princípios espiritualistas no Mundo Ocidental, pelo justo receio de um possível desregramento na sua prática, pelas populações menos preparadas e por isso muito fáceis de se fanatizarem. Será bastante lançarmos as nossas vistas para um passado não muito remoto, para darmos o nosso apoio total ao procedimento cuidadoso da Igreja católica a este respeito. No século em que nos encontramos, porém, aquelas reservas não são mais necessárias, dado o grau de conhecimentos já revelado pela quase totalidade dos povos do Ocidente. Não há, por conseguinte, nenhum inconveniente em se recomendar a estes povos o estudo dos ensinamentos espiritualistas difundidos por aquele grande servidor de Jesus que tanto conseguiu realizar sob o pseudônimo de Allan Kardec no século XXIX. Espírito dos mais valorosos e grande amigo e dedicado servidor do Senhor Jesus, veio precisamente à Terra para afirmar solidamente as bases da doutrina espiritualista, tendo como fundamento principal a lei das reencarnações. Resta apenas que as demais religiões se disponham a apoiar aquele belo princípio, em virtude do qual vêm à Terra seguidamente as mesmas almas em busca de novos conhecimentos e experiências, neste grande laboratório que é o mundo terreno.

O princípio espiritualista teria de defrontar-se em sua expansão no mundo terreno com as barreiras de um obscurantismo atroz provindo de muitos séculos ou milênios, num mundo relativamente novo como é este mundo terreno. Sucede, porém, que os tempos têm contribuído para que maiores luzes se façam sobre este belo princípio, cujo estudo e observação sinceros proporcionam às almas encarnadas uma grande consolação, ao se convencerem de que aqui se encontram transitoriamente vivendo mais uma existência, ao termo da qual regressarão ao seu plano de vida no Alto, na continuidade de uma vivência infinita como a própria Divindade. Divulguemos, por conseguinte, tão consoladora doutrina espiritualista, através de cuja prática chegamos a momentos de felicidade como eu própria estou vivendo no momento em que desço do meu plano de vida no Alto para ditar este livro que eu desejo considerar um verdadeiro presente do Senhor Jesus às almas encarnadas na Terra. Exatamente, filhas e filhos do meu coração. Se a lei espiritualista não existisse, se a nossa vida se encerrasse no túmulo juntamente com os nossos despojos, eu, que tive a ventura de reencarnar várias vezes no mundo terreno, não poderia vir agora a dar-vos o meu conselho nesse sentido. A vida espiritual é a continuação da vida terrena, sendo esta um momento apenas na vida infinita das almas. Na vida espiritual as almas procuram assimilar o que aprenderam e praticaram na Terra, enquanto se preparam para um novo mergulho na carne. Este mergulho que tantas almas desejam e imploram às Forças Superiores tornou-se particularmente difícil em face da exiguidade crescente das áreas habitáveis no mundo terreno. Daí a necessidade das modificações em curso, com o fim já bastante divulgado de ampliar algumas e construir novas áreas destinadas aos milhões de almas que necessitam de voltar à Terra em existências de aprendizado. Isto é assunto decidido desde muito no Alto, e deveria ser iniciado há cerca de dois milênios com a vinda do Senhor à Terra em corpo humano. A reação oposta, naqueles tempos, à doutrina do amor e da fraternidade pregada por Jesus, é que determinou o adiamento dos trabalhos agora em curso. Preparai-vos, pois, para assisti-los, é o que eu venho recomendar-vos, filhas e filhos encarnados que eu muito amo.

Deixo-vos aqui a bênção que o Senhor vos envia por meu intermédio, e a minha própria que eu vos ofereço de todo o coração.