Passa já da hora o vosso despertar espiritual . . . Saiba que a tua verdadeira pátria é no mundo espiritual . . . Teu objetivo aqui é adquirir luzes e bênçãos para que possas iluminar teus caminhos quando deixares esta dimensão, ascender e não ficar em trevas neste mundo de ilusão . . .   Muita Paz Saúde Luz e Amor . . . meu irmão . . . minha irmã

quarta-feira, 21 de junho de 2017

CAPÍTULO XLVIII – Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. O desinteresse manifestado por muitas almas sobre o seu regresso ao mundo espiritual, fato certo, irremovível. — Quem bem pensa bem age. — Deveis preocupar-vos com o vosso regresso. — Palavras de verdadeira fé operam grande milagre.



As circunstâncias que rodearam no Além a elaboração dos planos transformatórios deste pequeno mundo de Deus, deram-nos a segurança de que todo esse movimento se há de processar com um mínimo de sacrifícios para as almas encarnadas. Alguns sacrifícios sempre os haverá, principalmente nas áreas densamente povoadas, nas cidades, por exemplo, que estiverem situadas nas regiões a serem atingidas pelas modificações do solo terreno. Isto tudo foi previsto pelas Forças Superiores na elaboração dos planos, mas foram planejados inclusive os socorros a serem prestados às populações, não havendo assim motivos de maiores preocupações por esse lado.

Os homens e as mulheres do momento histórico por que está passando a Terra, sendo como são, Espíritos de uma certa elevação, bem compreenderão os fatos quando eles se apresentarem, de modo a se ajustarem aos mesmos e neles se integrarem da melhor maneira possível. As advertências, os conselhos e os ensinamentos mandados divulgar na Terra pelo Senhor Jesus hão de contribuir decisivamente para que tudo se processe na mais perfeita ordem sob a égide das Forças Superiores que se encontram presentes junto a cada um de vós em todos os momentos. Apelai então para elas quando sentirdes que algo está acontecendo em torno, e tereis imediatamente a prova do que vos digo.

Dito isto à guisa de introdução ao presente capítulo, por ser esse em verdade o tema fundamental de todas as Entidades missionárias, eu tratarei de assunto do maior interesse para quantos se encontram na Terra no momento que passa. Referir-me-ei então ao que diz respeito ao cumprimento das tarefas de cada ser humano em sua vida terrena, tarefas relacionadas com os objetivos da sua vinda à Terra. Começarei por me referir à atitude de completo desinteresse manifestada por muitas almas encarnadas a respeito do seu regresso ao mundo espiritual, fazendo quase todas por não se lembrarem sequer desse momento, não obstante o considerarem certo, irremovível. Ora, exatamente por se tratar de um fato certo, irremovível na vida de cada ser humano, é que há necessidade de todos se preocuparem com ele e se prepararem devidamente para o seu dado momento.

De uma preocupação dos homens como das mulheres, com a sua partida da Terra, resultará um grande bem para as suas almas, pela circunstância de se firmar nelas a idéia do seu regresso mais cedo ou mais tarde, e tal regresso mais feliz se fará quando as almas o admitirem como um fato natural, tão natural quanto a sucessão dos dias com o aparecimento do sol no horizonte. A idéia assim alimentada pelas almas encarnadas terá ainda a virtude de as afastar de muitas práticas incompatíveis com a sua felicidade espiritual, e aí reside evidentemente um grande bem para elas. Uma alma consciente de sua estada transitória na carne, e que lhe cumpre aproveitar esse fato para se enriquecer de luzes espirituais, objeto de sua vinda ao solo terreno, surpreender-se-á ao regressar ao seu plano de origem quando isso acontecer, ao constatar quão proveitosa lhe fora a sua última vinda à Terra.

De estudos e observações procedidos por Entidades esclarecidas junto aos seres humanos, chegou-se no Alto à conclusão de que a circunstância de muitos não cogitarem sequer do seu regresso ao mundo espiritual, é que os leva à prática de muitos atos incompatíveis com a sua verdadeira felicidade. Deveis conhecer pessoas nestas condições, pessoas às quais apavora a simples idéia de sua transitoriedade na Terra, recusando-se terminantemente a falar nisso. Pois, minhas queridas, eu vos afirmo que melhor será que todas as almas mantenham esse fato sempre presente na memória, porque daí resultará um equilíbrio de pensamentos e de vida altamente benéfico para todas. As pessoas que se habituaram à sua prece e meditação diárias já se encontram no caminho certo, o caminho que as conduzirá à realização de suas aspirações terrenas, as mais puras, justas, elevadas, e jamais à prática daqueles atos inconvenientes ou prejudiciais à sua felicidade. Esta classe de pessoas, pelo seu justo proceder, está sempre acompanhada pelas Forças Superiores, desejosas de ajudá-las em suas realizações. Verifica-se então nesta categoria de pessoas a justeza daquele velho princípio que nos ensina que quem bem pensa bem age, que constitui uma verdade autêntica. Se o homem como a mulher são o produto dos seus pensamentos, e se esforçam por bem pensar, logicamente só poderão agir bem, no sentido construtivo, elevado, em harmonia com o conjunto vibratório das Forças Superiores. Eis um dos motivos pelos quais se aconselha a todas vós, almas encarnadas, a conveniência de vos preocupardes com a vossa partida de regresso ao mundo espiritual, ao qual ascendereis conduzindo como bagagem apenas luzes e bênçãos resultantes dos vossos atos e procedimentos terrenos. Só e exclusivamente isso, minhas almas queridas; o demais que houverdes acumulado em vossos trabalhos e canseiras, ficará na Terra, por fazer parte do patrimônio terreno.

A propósito do que acabo de dizer, vou relatar-vos um fato bastante elucidativo ocorrido em certa região do mundo terreno, não faz muito tempo. Vivia com sua família nessa região um homem bastante instruído dedicado ao cultivo das suas propriedades, cuja renda lhe permitia viver inteiramente despreocupado dos problemas comuns a muitas pessoas na Terra. Sendo uma criatura educada nos bons princípios religiosos que mandam amar o próximo como a si mesmo, aquele nosso irmão sentia em seu coração o dever de prover de alimentos e alguns recursos as famílias necessitadas da redondeza. Constituía então um agradável prazer para aquela Grande Alma reunir nas suas propriedades em certa época do ano, ou seja na época das colheitas, mais de uma centena de pessoas a ajudarem nesse trabalho de recolhimento da produção das terras dadivosas. No final desse trabalho de que todas as pessoas vizinhas participavam, ocorria então a grande alegria do proprietário das terras dadivosas: cada uma das pessoas que tomaram parte naquela tarefa, fossem adultas ou crianças, retirava-se conduzindo às costas ou na cabeça um saco maior ou menor dos produtos recolhidos na colheita anual. Era este o espetáculo que enchia de alegria aquela Grande Alma: assistir à partida de quantas pessoas haviam participado das tarefas concluídas, conduzindo cada qual a sua parcela que ele considerava muito justamente merecida.

Assim decorriam os anos na região habitada por aquele nosso irmão, recolhendo anualmente na abundância de suas colheitas o suficiente para viver tranquilo e feliz com os seus. Um ano porém se apresentou de todo desfavorável em toda aquela região. A inclemência do sol e a falta de chuvas impediram a continuidade das boas colheitas de sempre, surgindo já em vários lugares o espectro da fome para muita gente. As terras do nosso bom irmão, sentindo as consequências da seca, já demonstravam a improdutividade daquele ano. Os vizinhos vinham procurá-lo para se certificarem de sua próxima participação nos trabalhos habituais, mas voltavam abatidos ante o espetáculo gerado pela seca. Adivinhavam por isso o que teriam de passar eles próprios, ante a falta do donativo habitual.

Por sua vez o nosso bom irmão, igualmente preocupado com a situação visível dos vizinhos, tomou a sua resolução. Resolveu apelar para o Senhor Deus, como costumava referir-se ao Senhor do Mundo, a fim de que o inspirasse acerca de como proceder em tal emergência. Certa madrugada, ao fim duma noite em que não pudera conciliar o sono, levantou-se e saiu para o campo com a idéia de falar com o Senhor Deus em voz alta, para que melhor pudesse ser ouvido. Dirigiu-se a uma elevação à margem de suas terras, uma pequena montanha, e aí se sentou. Olhou para o nascente, onde o astro-rei começava a insinuar-se, e a ele se dirigiu em palavras de verdadeira fé. Traduziu da melhor maneira o grave problema do momento, esclarecendo em suas palavras, que semelhante problema era menos seu do que dos seus pobres vizinhos. Ele, dizia, possuía reservas que lhe permitiam atravessar o ano seguinte com sua família, Mas, e os vizinhos, que nada possuíam, como haviam de resistir à fome? O bom homem orou e falou durante algum tempo naquela pequena montanha, até que os raios solares, já intensos, o aconselharam a regressar. Durante todo o dia aquela Grande Alma orou e pediu constantemente ao Senhor Deus que o ouvisse, que o atendesse, atendendo assim a mais de uma centena de famílias que se avizinhavam da fome irremediável. O dia decorreu para o nosso bom irmão em meio a uma certa tensão nervosa, resultante de sua grande preocupação. Por fim, ao cair da noite, já um pouco abatido pela enorme tensão do dia, tratou de recolher-se com sua família, após orarem reunidos todos os membros, como de costume. Recordou o ensinamento evangélico: batei e se vos abrirá; pedi e se vos dará, e isto proporcionou à sua alma um grande conforto.

Pela madrugada seguinte ocorreu algo de extraordinário, de impressionante, ou mesmo aterrador nas propriedades daquela Grande Alma. Um estrondo despertara a família, que, assustada, veio para fora de casa; um segundo estrondo mais forte derramara o pavor em todos os corações. Ninguém atinava com a causa daquilo. Seria um castigo, indagava, silencioso, o bom irmão, por ter insistido tanto no seu pedido ao Senhor Deus? Seria então um castigo? Os minutos decorriam nesta incerteza para aquela Grande Alma, ao passo que os membros da família oravam, reunidos, pedindo, implorando clemência ao Senhor do Mundo em tão aflitiva emergência. As coisas passavam-se dessa maneira na Casa Grande, quando a presença de pessoas da redondeza despertou a todos aos gritos de água! água! Muita água! As pessoas que vinham chegando, tendo sido despertadas também pelos estrondos enormes que haviam estremecido as terras, haviam passado próximo da pequena montanha que ficava à margem das propriedades, precisamente o local onde havia orado ao Senhor Deus o proprietário das terras. E contaram então, tomadas de certo pavor, aquelas pessoas: água! muita água está correndo daquela montanha que se abriu pelo meio! Correram todos para ver o que havia. E constataram, o proprietário à frente, que os dois estrondos haviam aberto uma grande fenda na pequena montanha, liberando volumosa corrente líquida que procurava caminho através das propriedades que lhe ficavam abaixo. Isto constatado por todos, produziu grande alegria nos corações. Aí estava constatado o atendimento do Senhor Deus à rogativa cheia de fé daquela Grande Alma. Precisamente no local em que a rogativa fora elevada, era que o atendimento se constatava. As Forças Superiores, que também podem ser designadas Forças da Natureza, haviam providenciado a liberação daquele volume de água que atravessava a pequena montanha, para salvar da seca e da fome aquela centena de famílias adjacentes. Firmado ficou então, uma vez mais, o princípio que nos ensina a bater e pedir com fervor, porque a porta se abrirá e seremos atendidos.

O fato deve servir de exemplo para todas as almas encarnadas, a fim de que apelem, quando julgarem necessário, às Forças Superiores em suas dificuldades ou necessidades. É apenas necessário possuir a fé no coração, para que seus pedidos sejam recebidos, ouvidos e atendidos pelas Forças Superiores. O Senhor do Mundo, que tudo sabe e acompanha do seu plano de vida, deseja atender constantemente às necessidades das almas encarnadas, mas aguarda que as mesmas se manifestem claramente, que peçam o que desejem, para que o Senhor as atenda prontamente. O caso que venho de relatar não é o único que conheço, porque vários outros ocorreram em várias épocas, em condições semelhantes. Observais o desprendimento daquela Grande Alma, colocando acima do seu próprio interesse o atendimento às necessidades prementes daquelas famílias vizinhas que contavam com o produto de suas propriedades. Ele viu assim prontamente atendida a sua rogativa, e de uma maneira que a outras propriedades também beneficiou. Estabelecendo-se assim um belo córrego partindo das suas propriedades, depois de as beneficiar integralmente porque partia de mais alto, o precioso líquido foi encaminhado de maneira a irrigar todas as demais propriedades situadas em nível inferior, no percurso de alguns quilômetros. Vede, pois, almas queridas, como é grande a misericórdia divina! Atendendo ao justo pedido de uma só alma, pode beneficiar igualmente tantas e tantas outras também necessitadas. A corrente líquida oriunda daquela pequena montanha, por sugestão da Grande Alma, foi então batizada com a denominação de Riacho do Senhor, ainda existente na região em que surgiu em meados do século passado.


Deixo-vos aqui a bênção que o Senhor vos envia por meu intermédio, e a minha própria que eu vos ofereço de todo o coração.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

CAPÍTULO XLVII – Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. A primeira preocupação do Senhor. — Minha tarefa no momento. — Pequena multidão vos espera no Alto. — Um pedido de perdão às almas prejudicadas. — Nada consegue resistir no Universo à força do amor. — Um exemplo edificante.




Quando o Senhor Jesus deliberou empreender as reformas em andamento no solo terreno, e isto já faz muitos séculos, a sua primeira preocupação consistiu em preservar as almas encarnadas de qualquer sofrimento, em virtude dessas reformas. O Senhor reuniu, então, e por várias vezes, o seu corpo de assessores e conselheiros aos quais pediu sugestões das medidas a serem tomadas antes do início das reformas em todo o solo terreno. O resultado dos estudos e meditações daquelas elevadas Entidades é exatamente o que vem sendo posto em prática na Terra através dos livros já divulgados e deste inclusive, para que avisadas sejam as almas encarnadas em todas as regiões da esfera terrena, e assim se preparem para o que possa acontecer. O Senhor Jesus sofreria muitíssimo, por conseguinte, se um pequeno número de almas que fosse viesse a encontrar-se em dificuldades decorrentes da falta de conhecimento do que está acontecendo ao longo do solo terreno e não pudesse ser socorrido pelas Forças Superiores. Algumas ou talvez mesmo muitas almas encarnadas poderão vir a encontrar-se em tal situação num momento dado, mas isto acontecerá unicamente pela sua resistência aos conselhos que estão sendo divulgados, não acreditando neles, ou por outros motivos que não vêm ao caso. Essas almas, contudo, conseguirão afinal também o socorro desejado, mas poderão padecer um pouco antes disso, em face da sua resistência ou descrença no que está sendo divulgado pelos emissários do Senhor.

Minha tarefa no momento, solicitada ao meu Amado Jesus, consiste em tentar falar diretamente ao coração das minhas queridas filhas e filhos encarnados, para lhes dizer que as grandes coisas anunciadas para acontecer na Terra têm a finalidade de operar modificações que se tornaram indispensáveis à vivência das almas que estão chegando em todos os lares terrenos. A Terra, assim como todos os demais planetas disseminados na imensidade do cosmo, também está sujeita ao progresso evolutivo, a fim de poder receber e alimentar populações sempre mais evoluídas espiritualmente. É por tal motivo que o início do terceiro milênio da era cristã foi escolhido para a realização das reformas em curso. O fato de poderem estas reformas importar na partida de muitas almas presentemente encarnadas, só lhes trará vantagens, porque ascenderão imediatamente à categoria espiritual imediata. Quando tais reformas estiverem concluídas, haveis todas vós, almas queridas, de contemplar com alegria, donde quer que vos encontreis, a bela transformação operada no planeta e também nos hábitos de vida de sua nova população. Uma aura assaz luminosa então se levantará da Terra, como reflexo da harmonia e entendimento que hão de reinar entre as populações terrenas.

Isto posto, minhas queridas, eu quero dizer-vos algo a respeito do que ireis encontrar no vosso plano de vida espiritual, uma vez fechados os olhos do corpo que carregais, sabe Deus com que sacrifício muitas de vós o fazem. Encerrada, por conseguinte, a vossa atual peregrinação pelos caminhos terrenos, e desprendidas dos liames que aqui vos prendem ao meio terreno, logo empreendereis um vôo mais ou menos longo, em direção ao vosso plano de vida no Além, donde viestes para a Terra. Lá ireis encontrar, então, uma pequena multidão que vos espera sorridente ao fim de uma nova encarnação vivida neste plano, e muitos abraços recebereis por motivo do vosso regresso da Terra. E quem serão, porventura, os componentes dessa pequena ou grande multidão? Quem será que assim se interessa em receber uma alma de volta da Terra, ao fim de uma existência de trabalhos, lutas, dificuldades e sofrimento? Eu vos direi, minhas almas queridas, que tal multidão é constituída pelas almas que foram vossos parentes em muitas encarnações e não apenas na atual. Naquela multidão de almas que vos receberão sorridentes no Além, haveis de reconhecer pais, mães, irmãos, irmãs, filhos e filhas do vosso ser em vidas pretéritas, agora ligadas à vossa alma por sólidos laços de afinidade e parentesco. Verificareis que vos esperam também, em maior ou menor número, outras almas com as quais tereis convivido na Terra e que partiram antes ou lá permaneceram enquanto vós descestes ao solo terreno. Nesses momentos pode suceder encontrar-se também à vossa espera, algo afastada da multidão das vossas almas afins, parentes ou amigas, uma ou outra criatura cuja intenção não seja a de abraçar-vos. Poderá encontrar-se à vossa chegada, certamente em atitude nada amiga, alguma ou algumas almas que se julgam prejudicadas por vós na Terra, seja em que circunstâncias forem. Certos fatos ocorridos na Terra entre seres humanos alcançam quase sempre repercussões nos planos extraterrenos, sobre o que devem estar esclarecidas todas as almas encarnadas. É por isso de toda a conveniência para todas vós, almas que eu muito estimo, que procedais a uma espécie de exame diário em torno dos vossos atos e procedimentos; não vá existir algo cujo reflexo possa vir a incomodar-vos por ocasião do vosso regresso ao mundo espiritual. Pode suceder, e sucede realmente, muito frequentemente, que no tumulto da vida diária de todas as almas algo possa ocorrer em desacordo com as boas normas da vida, e assim se tornar prejudicial a terceiros. Isto sucede em meio à chamada luta pela vida, em que cada qual trata de cuidar exclusivamente de si, dos seus próprios interesses, com o que é comum sacrificar algumas vezes os interesses de companheiros de peregrinação terrena. São estes, ou estas almas, que frequentemente se postam no Além à chegada ou passagem das almas regressadas da Terra para as injuriarem ou admoestarem por aqueles fatos que não conseguiram esquecer. Eu venho trazer-vos então um conselho no sentido de poder cada qual ir apagando as arestas que porventura existiam ao longo dos dias decorridos. O conselho que aqui vos dou a todas, minhas filhas e filhos queridos é bem simples e fácil de praticar. Consiste em incluirdes nas vossas preces diárias ao Senhor um pedido de perdão às almas que, consciente ou inconscientemente, possais haver prejudicado. E acrescentareis então um pedido ao Senhor, de luzes e bênçãos para todas elas, a fim de transformá-las, pelo amor, em vossas amigas. Não necessitarei de dar aqui uma fórmula para essa vossa prece, porque a melhor fórmula deve partir do vosso coração. Nesses momentos o pensamento percorre instintivamente os diversos caminhos percorridos, onde a memória de quem ora consegue recordar fatos ou atitudes que justifiquem a prece. Orai então com sinceridade pelos vossos semelhantes porventura prejudicados, ou sequer desgostosos pelas vossas ações, e haveis de surpreender-vos bem agradavelmente ao regressardes ao Além, encontrando essas criaturas integradas na multidão de parentes e amigos ansiosos em receber-vos.

Vedes pelo que acabo de dizer-vos, quão poderosa é a força da prece impregnada do sentimento de amor aos semelhantes. Poderei, acrescentar, mesmo, que nada no Universo consegue resistir à força do amor. O amor enche, repleta e faz vibrar todos os corações, inclusive os mais endurecidos. Estes, pela continuidade das amorosas vibrações que recebem, amoldam-se, abatem-se, transformam-se, com o tempo, em novas fontes de amorosas vibrações. Dos homens que a história registra como maus, violentos opressores, quando encastelados em altas posições do mundo terreno, nenhum deles sequer reconhecereis hoje como tal. A grandiosidade da misericórdia divina penetrou algum dia no âmago de seus corações, eliminou de lá os maus sentimentos que os faziam tão maus, e neles plantou a minúscula sementinha do amor, em circunstâncias várias, onde o amor então se desenvolveu e prosperou. Eu vos relatarei um desses casos para vossa edificação.
Tratava-se se um potentado como existiram muitos na Terra. Tendo nascido rico como costumais dizer, em berço de ouro, esse homem cresceu em meio da fortuna e da riqueza, habituando-se a ver nos semelhantes apenas criaturas miseráveis destinadas a servi-lo. O pai, imperador poderoso, usava os súditos como elementos escravos na formação de seu exército de conquistas sem fim. Sua alma afeita ao mando incontestável, respeitada e temida em derredor, era obedecida por bem ou por mal, uma vez que dispunha da força para fazer-se obedecer. Um dia que sempre chega na vida de todos os encarnados, pressentindo a chegada do fim, chamou o filho mais velho e assim falou:

— Meu filho. Eu deixarei este mundo dentro em pouco, estou bem certo disto. Desejo fazer-te então a seguinte recomendação, a ti que serás o meu sucessor: jamais te deixes humilhar, seja por que motivo for. Reage sempre e com toda a violência à humilhação. Serás tu o próprio Deus na Terra. Combaterás sempre, continuadamente, até implantares teu domínio em toda a Terra. Uma única vida terá valor na Terra de ora em diante, que é a tua. Adeus.

O poderoso imperador fechou os olhos do corpo para sempre. Abriu, porém, os olhos da alma, ao transpor as fronteiras do mundo espiritual, começando nesse momento a perceber a verdadeira realidade das coisas. No plano terreno, o filho, aclamado novo imperador, não teve escrúpulos em dar cumprimento às insensatas recomendações do pai. Lançou os seus exércitos à conquista do mundo em volta, regozijando-se com a sucessão de vitórias assim alcançadas. Esta era em verdade a sua maior preocupação: engrandecer continuamente o império, até que conseguiu considerar-se maior do que o próprio pai.

Deus, porém, não dorme, como sabeis. Deus, o Criador do Universo, vela permanentemente, e sempre opõe um basta! quando isto lhe parece necessário. Assim aconteceu ao herói desta narrativa. Numa de suas batalhas mais árduas, após haver engrandecido de muito o seu império, viu-se envolvido pelo inimigo numa forte armadilha, com todo o seu exército. Caiu também prisioneiro, e em que condições! Era, porém, muito grande o seu orgulho para se conformar com a situação. Ofereceu ao inimigo devolver-lhe as províncias e países conquistados por seus exércitos, em troca de sua liberdade. A proposta foi recusada. Prometeu devolver igualmente as províncias e países conquistados por seu pai, nos derradeiros vinte anos do antigo imperador. A proposta foi também recusada pelo inimigo, que o tinha feito prisioneiro. Era, porém, tão grande o seu desejo de liberdade que o jovem imperador resolveu oferecer tudo o que possuía: o seu luxuoso castelo ricamente instalado, em cujo subsolo existiam grandes blocos de ouro, produto dos saques executados durante as suas e as conquistas de seu pai, nos países submetidos. Tudo isto, ele, jovem imperador, transferiria ao inimigo em troca de sua liberdade pessoal. A resposta do inimigo foi simples e categórica: — “tudo quanto nos ofereces, jovem imperador, já é nosso, inclusive o teu próprio país, que se nos entregou. Assim, tudo quanto apenas desejamos é a tua própria pessoa. Tua pessoa em nossas mãos é para nós a maior garantia de que jamais ordenarás novas matanças pelos teus exércitos”.

O jovem imperador tomou-se de profundo abatimento moral e entrou num estado tal de depressão orgânica que em breves anos, dois talvez, levou sua alma a desencarnar. Não podia conceber o jovem imperador que houvesse na Terra uma força mais poderosa do que a sua, uma vez que o pai lhe dissera ser ele próprio o Deus da Terra. Esta circunstância levou aquela alma à depressão total, e ao consequente regresso ao mundo espiritual. Como disse em princípio, e sucede habitualmente, aguardava a alma do jovem imperador uma grande multidão de almas que não vieram esperá-lo como parentes nem amigos, mas desejosas de vingança, em face dos sofrimentos por que haviam passado sob sua ação guerreira. Esta alma, apavorada, clamava por seu pai, seu mestre na Terra, em cuja proteção unicamente confiava então. Passados instantes de chamamento e espera, eis que o velho imperador se aproxima, tão abatido pelo sofrimento, que se tornara irreconhecível ao filho. Este, ao certificar-se da realidade, atirou-se-lhe nos braços em pranto, lamentando do fundo d’alma o infortúnio que o envolvera. O velho imperador, entretanto, dando mostras de que se esclarecera no Alto, assim lhe falou:

— Tranquiliza-te, filho meu. Tranquiliza o teu coração e regozija-te no Senhor. Recebe esse infortúnio aparente como uma graça do Senhor que nos dirige em nossas vidas, seja no mundo terreno, seja neste mundo de luz. Devo dizer-te que me considero responsável pela tua sorte e a do nosso povo, pelos conselhos e ensinamentos que na Terra te proporcionei. Regressando, porém, a este plano de vida, tive abertos os olhos da alma pela graça e misericórdia do Senhor, e pude enxergar então a extensão do mal que havia praticado. Arrependi-me sinceramente e passei desde então a orar por quantas almas eu prejudiquei com minhas ações na Terra. Por fim, incumbiu-me o Senhor de me aproximar de ti com a missão de sustares também as tuas ações guerreiras, no teu próprio bem. Foi o que fiz, filho do meu coração.

O velho imperador silenciou por instantes para refazer as energias combalidas e assim concluiu:

— Foi, pois, por minha inspiração que os teus inimigos prepararam a armadilha em que caíste com os teus exércitos naquela garganta sem fim entre as duas montanhas, para que cessasses também as tuas ações guerreiras de uma vez. Repousa, então, nos meus braços meu filho, e eleva também as tuas graças a Nosso Senhor Jesus.

Deixo-vos aqui a bênção que o Senhor vos envia por meu intermédio a minha própria que eu vos ofereço de todo o coração.

CAPÍTULO XLVI – Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. As almas fazem seu próprio julgamento no Alto. — Devem prevenir-se desde agora. — Inconformismo impressionante. — A grandeza do amor materno — Ajudar, ajudar sempre. — Este livro não foi improvisado, mas projetado há mais de setenta anos.




As almas presentemente encarnadas neste mundo terreno, depois de aguardarem no alto cerca de um século a sua oportunidade, já podem considerar-se bem próximas da conclusão do seu curso de aprendizado terreno, tantas foram já as suas vindas a este plano físico. Ao regressarem desta vez ao mundo espiritual, onde irão rever todos os detalhes de sua vida presente, hão de ter oportunidade de ajuizar o que tenham feito de bom, de útil, para o seu progresso moral, assim como o que tinham feito contrariamente ao seu progresso. Nesse momento que ocorre invariavelmente a todas as almas, é que lhes cumpre fazer o seu próprio julgamento, em presença dos seus Protetores espirituais, testemunhas que foram de todos os seus atos na Terra. Não será, portanto, fora de propósito chamar a atenção de todas as almas encarnadas para esses momentos históricos de suas vidas, prevenindo-se desde agora contra a prática de quanto possa trazer-lhes desgosto nos dias porvindouros. Conhecedoras desde agora do que terão de viver no Alto quando lá chegarem de regresso, bem fariam as minhas filhas e filhos muito estimados em procurarem cercar-se de atos bons, métodos, para que o prato da balança no julgamento esperado venha a pender com decisão a seu favor. Se tal procurarem fazer desde agora, só terão motivos de alegria e felicidade ao se encontrarem de regresso ao seu plano no Além, numa tranquilidade do aluno que se encontra perfeitamente preparado para enfrentar a banca examinadora.

No meu objetivo de enfeixar neste volume o maior número de esclarecimentos para as minhas filhas e filhos encarnados, eu abordarei a seguir um assunto que eu considero de grande interesse para todos os meus leitores. Falarei então do que nós testemunhamos frequentemente nos diversos planos do Além, à recepção de grande número de almas que regressam da Terra, numa situação tal de inconformismo que impressiona as almas presentes. Ocorre frequentemente aportarem no Além, almas que cumpriram existências mais e menos longas na Terra, onde se dedicaram inteiramente ao interesse dos seus familiares, e muito pouco com elas mesmas em relação à vida futura. Isto sucede, aliás, à grande maioria das almas encarnadas, que, por se encontrarem na posse de um corpo de carne, se esquecem totalmente do mundo espiritual donde vieram e para onde hão e voltar mais cedo ou mais tarde. Totalmente envolvidas pelas coisas ilusórias do mundo terreno, muitas almas nem sequer dispõem de tempo para orar ao Senhor, para que Ele saiba que existem e se encontram na Terra. Todo o tempo destas almas se escoa na luta pela vida como alegam algumas, e nas diversões da noite, onde comparecem com o propósito de distrair o Espírito. Ao regressarem tarde da noite, abatidas pela fadiga, atiram-se diretamente ao leito, sem tempo, portanto, para darem sequer boa noite ao Senhor. A esta classe de filhas que eu muito estimo em meu coração, é que eu desejo dizer algumas palavras de mãe amantíssima como eu me esforço ser para quantas almas se encontram na Terra em todos os tempos. O termo amantíssima, eu o justifico com a concordância de que vos amo a todas de todo o coração, minhas almas queridas, e procuro velar por vós em todos os momentos. Não podereis sequer imaginar, enquanto estiverdes na Terra, a minha preocupação em proporcionar-vos uma vivência tranquila, onde quer que vos encontreis, filhas e filhos queridos, mesmo àqueles que não se lembram de que eu existo e muito me preocupo com suas situações. É comum dizer-se entre vós, e com todo o acerto, que um coração de mãe pôde abrigar igualmente a todos os filhos sem menosprezar a nenhum e isto é uma pura verdade. Podeis constatá-la facilmente nas grandes famílias da Terra, se perguntardes a qualquer dessas mães a qual dos filhos ela mais quer ou estima. Sua resposta será bem difícil porque em verdade nenhuma mãe terrena sabe distinguir no seu amor e cuidados a nenhum filho. Em muitas delas encontrareis até este detalhe da grandiosidade do coração materno: um filho às vezes menos dócil, porque mais rebelde aos conselhos e votos maternos, é justamente o que mais desperta os zelos de sua mãe, em sua grande preocupação pelo futuro do filho. Transportai agora a grandiosidade deste sentimento sacrossanto para o plano espiritual onde me encontro, em posição de acompanhar os passos de todas as almas encarnadas que eu me empenho em considerar filhas e filhos do meu coração, e podereis então avaliar toda a extensão do meu amor por vós. Deus é amor, já o sabeis, e esse amor se irradia da Divindade em todas as almas do Universo, tocando-as, envolvendo-as, a tal ponto que ao atingirem determinado grau de pureza, elas passam a viver amor, amor, e somente amor. Essa é bem a situação em que eu me encontro em relação a todas vós, filhas e filhos do meu coração. O meu amor se expressa neste desejo imenso que eu nutro de vos ajudar em vossa vivência terrena, de estar bem perto de vós em todos os momentos de alegria ou de dor, não esperando sequer que me chameis. Bem certo é, porém, que muito mais eficiente se torna a minha ajuda quando uma alma encarnada me chama em seu coração, porque nestes casos eu posso neles penetrar mais facilmente pela porta que seu chamado me abriu. Podeis, ficar certas todas vós, almas queridas, que toda a minha atividade no mundo espiritual consiste exclusivamente em ajudar, ajudar, ajudar sempre.

A graça que em tempos recebi do Pai Celestial, de trazer à Terra a figura ímpar do Senhor, produziu em meu ser um índice tão elevado de refinamento, que todos os meus sentimentos e vibrações passaram desde então a ser dirigidos à coletividade espiritual de que faço parte. Passei naquela fase de minha vida multimilenar a uma situação que eu denominarei de auto suficiência, de nada mais necessitando para eu própria. Meus trabalhos e compromissos, porém, cresceram e se ampliam constantemente, minhas filhas e filhos queridos. Minha própria felicidade passou a depender da vossa, o meu progresso dependendo do vosso, e minhas alegrias maiores ou menores em perfeita consonância com as vossas. Assim, se vos sentirdes ditosas nos vossos dias terrenos, eu, que me encontro junto aos vossos corações, participo convosco dessa alegria e felicidade, mas me abato, e muito, quando o sofrimento vos atinge.

Vindo neste momento histórico da Terra escrever um livro para nele vos falar mais de perto ao coração, eu desejo abordar quantos assuntos possam interessar ao progresso que todas viestes buscar neste pequeno mundo terreno. Desejo afirmar-vos de todo o coração, que recebo no Alto os vossos pensamentos com a rapidez do relâmpago, todas as ocasiões em que vos lembrais de mim. E por maior que seja o volume dos pensamentos que recebo de todas as partes do mundo, quero dizer-vos que nenhum deles se perde ou deixa de ser atendido a seu tempo. Já vos expliquei em capítulo anterior que muitas e muitas vezes me pedem coisas muito além as minhas possibilidades, levando-me a pleiteá-las junto ao Meu Amado Filho. Ainda assim tenho conseguido atender a esses pedidos com a graça do Senhor. Vedes pelo que digo, que eu não meço dificuldades para atender aos vossos pedidos, em princípio, porque sois almas encarnadas necessitadas de luz e progresso, e depois porque conheço de sobra o ambiente terreno, onde tenho estado numerosas vezes palmilhando como vós estes áridos caminhos. Continuai, então, a dirigir-me os vossos apelos sempre que vos aprouver, na certeza que aqui vos dou de me esforçar em atendê-los com a brevidade permitida pelas circunstâncias.

Este livro que tendes à mão não foi improvisado, absolutamente, como talvez possa parecer a alguém. Este livro foi projetado desde o momento em que o meu intermediário se preparou para descer à Terra nos últimos anos do século XIX. O Senhor necessitava de dispor de um elemento da sua confiança na Terra, que pudesse começar a trabalhar na segunda metade do século XX, precisamente para servir de intermediário das Entidades designadas também desde então, para divulgar os conselhos e advertências que estão circulando, recebidas psicograficamente por este instrumento. Nessa ocasião, isto é, eu projetei também o livro que ora compulsais, através do qual eu pudesse conversar com as minhas filhas encarnadas para lhes dizer estas coisas ao coração. Mas não foi assim tão fácil realizar este propósito. Muitos tropeços surgiram na vida deste querido instrumento, antes que ele pudesse realizar a presente tarefa. Ele contava então com mais de setenta anos, sendo fácil imaginar então o longo caminho percorrido e as dificuldades vencidas pelas Forças Superiores para o livrar dos perigos. Além de outros, surgiu uma enfermidade tão grave na juventude do instrumento, que ele fora dado por morto sob os efeitos da terrível febre-amarela que ainda assolava este País, na primeira década do XX. E efetivamente ele teria desencarnado se não estivessem tão atentas as Forças Superiores. Por sua influência um enfermeiro lembrou-se de experimentar no enfermo um medicamento novo para casos extremos, o que resolvera fazer por sua exclusiva responsabilidade. O enfermeiro, uma bela alma que está presentemente em nosso plano, raciocinara da seguinte maneira:

— O rapaz vai morrer mesmo, se já não estiver morto. Assim, vou tentar o recurso extremo deste remédio. Quem sabe se dará resultado.

E aplicou a injeção no enfermo. Com surpresa verificou que o mesmo deu sinais de vida, e resolveu aplicar uma segunda dose. A reação foi então a mais satisfatória. O enfermo abrira os olhos e continuava a viver. Maior foi, porém, a surpresa do médico, quando na manhã seguinte, ao fazer a visita habitual, recebeu a notícia do ocorrido. Somente as Forças Superiores sabem, porém, avaliar os esforços empregados para salvar a vida do meu instrumento, para que o mesmo pudesse chegar aos dias presentes, em que tão importante serviço está prestando ao Senhor Jesus. Não foi, entretanto, aquela a única oportunidade em que as Forças Superiores necessitaram de intervir em favor da saúde do instrumento. Foram várias essas oportunidades ao longo da sua trajetória. A última verificou-se, quando se tornou necessário operar as duas vistas, que se iam extinguindo lentamente. Tudo foi feito então no plano espiritual para recuperá-las, precisamente nas vésperas de dar início à tarefa que tantas bênçãos e luzes está acarretando para a sua grande alma.

Todo este relato que faço tem o objetivo de demonstrar a todas vós, almas queridas, o monte de obstáculos que sempre se antepõem na Terra aos desígnios do Senhor. Ele serve inclusive para que fiqueis certas também de que, quando uma alma desce à Terra no desempenho de missão de serviço divino, ela vem acompanhada da maior proteção possível, para que possa desempenhar sua missão. Da mesma maneira, quando uma alma aqui se dedica de coração ao Senhor Jesus, e procura servi-lo com dedicação e amor, ela atrai imediatamente do Alto a proteção de que possa necessitar para bem servir ao Senhor. O Senhor necessita tanto de bons servidores na Terra, que ao primeiro sinal de devotamento por parte de uma alma encarnada, logo as Forças Superiores se movimentam para ampará-la e protegê-la. Quem sabe então, almas queridas, quantas de vós vos encontrais em tal situação. Se acaso estas palavras lograrem despertar em vossos corações o desejo sincero de vos constituirdes novos servidores do Senhor, não tendes mais do que dizer-lhe isso em vossas preces, e rogar que vos seja indicada a vossa tarefa. O Senhor dispõe de tarefas para todos, uma vez que bem conhece as possibilidades de cada alma. Se isso vos agradar, almas queridas, dirigi-vos hoje mesmo a Jesus, Nosso Mestre e Senhor, e já amanhã iniciareis a vossa tarefa. E contai também comigo ao vosso lado, com todo o meu amor por vós.

Deixo-vos aqui a bênção que o Senhor vos envia por meu intermédio e a minha própria que eu vos ofereço de todo o coração.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

CAPÍTULO XLV – Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. O perfeito funcionamento de tudo que conheceis — O encurtamento da vida humana e o uso do álcool. — A constituição de um lar representa uma bênção divina. — O desmoronamento como consequência da falta de espiritualidade.




As circunstâncias que cercam a execução dos trabalhos em desenvolvimento neste pequeno mundo terreno devem envolver numerosas almas de todas as idades, conduzindo-as de regresso aos respectivos planos do mundo espiritual. É possível que este fato seja interpretado por elas, ou pelos seus familiares, como uma desgraça, uma infelicidade talvez, porém eu vos afirmo que o não é absolutamente. Em princípio, nada acontece por acaso, seja em que sentido for, porque todo o desenvolvimento da vida universal tem uma causa, um motivo, a determinar inclusive os menores acontecimentos. Esta a razão do perfeito funcionamento de tudo que conheceis, desde o nascer do Sol todas as manhãs ao desabrochar das flores nos prados e nos jardins na época que lhes é própria. Da mesma maneira sucede a tudo o mais, desde o vosso nascimento na Terra, à partida de regresso ao Alto, segundo o plano e condições que se relacionam com a reencarnação de cada alma.

A circunstância, pois, de virem a desencarnar numerosas almas em virtude dos acontecimentos que devem ocorrer, deveis recebê-la como perfeitamente normal e para a vossa maior felicidade. As almas que vierem a desencarnar em tais condições, ou concluíram já o seu curso terreno, e por isso devem regressar a novo plano de luz no Alto, onde passarão a viver uma vida nem sequer imaginada, ou, em certos casos, nada lucrariam em permanecer na Terra por alguns anos mais de trabalho e canseiras. Uma verdade, por, conseguinte, devem guardar todas as almas encarnadas em seu coração: a Divina Providência nada faz ou determina para o mal ou sofrimento dos seus filhos. Partindo deste princípio, podeis estar certos de que o que vier a ocorrer a qualquer de vós ou à vossa roda, o será exclusivamente para a maior felicidade de todos e de cada um de vós.

Abordarei em seguida um novo tema de grande transcendência para quantos se encontram na Terra, pelos efeitos que pode provocar ao longo da vivência de cada um. Quero referir-me ao hábito ainda tão arraigado entre os seres humanos, de se entregarem aos prazeres do álcool em maior ou menor intensidade, principalmente desde a mocidade, quando precisamente se inicia a formação da personalidade. Ignoram então as pessoas que se afeiçoam ao uso das bebidas alcoólicas a extensão do mal que começam a adquirir ao ingerirem diariamente a sua porção maior ou menor. Em primeiro lugar lhes direi que o encurtamento da vida humana é devido em grande parte ao uso do álcool, responsável pela corrosão dos condutos circulatórios e também dos tecidos, cujas células se atrofiam muito cedo. A incorporação do álcool à circulação sanguínea no organismo produz um efeito semelhante ao da ação salitrosa do mar nos objetos de ferro e aço que lhe estão próximos, terminando por desintegrar suas moléculas. As pessoas que residirem próximo ao mar hão de compreender melhor o que digo, pelo fato de poderem observar os efeitos salitrados do oceano em suas janelas e portas; assim como em quaisquer outros objetos de metal que possuam. No organismo humano sucede fenômeno semelhante, com a diferença apenas de que, havendo no organismo uma atividade constante de renovação, a ação desintegradora das células e condutos sanguíneos é mais demorada do que a dos metais expostos à ação do mar. Desta maneira regressam inúmeras almas aos seus planos de vida espiritual com seus corpos fluidicos minados pela corrosão do álcool, cuja ação, deteriorando prematuramente o organismo físico, atingiu o corpo fluídico da alma. Chegam estas almas também prematuramente nos seus planos espirituais quantas delas bastante entorpecidas em virtude da ação corrosiva do álcool, havendo casos muito frequentes de internamento demorado em instituições especializadas, uma espécie de hospitais recuperadores. Muitas destas almas que usaram em demasia as bebidas alcoólicas na Terra chegaram de regresso aos seus planos como que atordoadas, semi-inconscientes, incapazes portanto de comparecer perante as Entidades a quem deveriam prestar contas de sua recém-finda encarnação. Nós lamentamos de todo o coração este fato, porém é tarde demais para corrigi-lo, como é fácil de compreender. Vindo então ao meio terreno ditar este livro, no qual eu procuro deixar exarado tudo o que possa ser útil às minhas filhas e filhos terrenos, o Senhor Jesus recomendou-me tratar inclusive deste assunto, pela importância de que o mesmo se reveste na vossa vida terrena.

Temos observado com grande melancolia almas possuidoras de um belo índice de evolução, e que no Alto têm desempenhado tarefas de serviço divino, encontrarem-se na Terra inteiramente entregues ao uso abusivo do álcool, com aspecto que muito as deprime no seu estado evolutivo. Ocupando-me, pois, do assunto, eu desejo fazer um apelo a todas as minhas filhas e filhos que eu muito amo, para que meditem demoradamente sobre ele, e aqueles que por fortuna se encontrarem imunes, secundem este apelo na extensão que puderem, na certeza de que estarão realizando uma tarefa do serviço divino, prestado à coletividade. O Senhor Jesus, que isto me recomendou, retribuirá generosamente este serviço a cada um dos filhos que assim puderem cooperar para a extirpação dos males causados pelo álcool às almas encarnadas.

Prosseguirei com outro assunto que muito apreciareis também, pelo interesse que ele certamente despertará em todos vós que compulsais este volume. Este assunto relaciona-se com a vida de todos vós, sobretudo com aqueles que já constituíram um lar em sua vida atual e nele devem encerrar a sua felicidade terrena. Desejo dizer ao coração destes filhos e filhas, que o fato de haverem conseguido constituir o seu lar terreno, representa a posse de uma bênção divina que tal coisa lhes permitiu. Efetivamente, nenhuma alma jamais constituiu um lar no mundo terreno sem que para isso houvesse recebido a bênção divina, ou seja, a divina permissão. Sucede porém, e ultimamente muito mais do que no passado, divergirem de tal modo as duas almas componentes dos lares, que eles facilmente se desfazem, assinalando isto um lamentável fracasso humano. As Forças Superiores têm-se empenhado muito seriamente em inspirar entendimento e amor nas almas responsáveis pelos lares terrenos, desejosos de que esses lares perdurem pela existência em fora, para o que foram constituídos. Têm sido por isso averiguadas as causas determinantes dos inúmeros desentendimentos ocorridos entre os cônjuges, chegando-se à conclusão de que as principais se têm originado da falta de espiritualidade das almas. A falta de espiritualidade nas almas encarnadas na Terra é muito mais séria e prejudicial à felicidade humana do que talvez possais imaginar. Ao construírem um lar na Terra, por mercê de Deus, vamos dizer assim, as duas almas estão, em regra realizando um compromisso celebrado no Alto, no momento de baixarem à Terra, sendo, em não poucos casos, almas que isso mesmo realizaram em vidas anteriores. Estas descem então ao solo terreno com aquele compromisso guardado em seus corações, embora não o recordem em sua memória física, como é óbvio a um compromisso assumido no Alto. As Forças Superiores, porém, acompanhando o desenvolvimento da vida terrena de cada alma, conseguem aproximá-las de tal modo que uma corrente de simpatia se apresenta e elas se unem finalmente sob as bênçãos de Deus na Terra.

Agora vejamos os fatos que podem determinar o desentendimento e consequente desmoronamento de tantos lares onde a harmonia e o amor deixaram de existir. É preciso dizer com franqueza que motivos podem determinar o desmoronamento dos lares terrenos nessa proporção imensa que todos conheceis. Comecemos por apontar como motivo principal a falta de espiritualidade numa ou nas duas almas construtoras do lar. Elas devem ter presente em suas mentes, que o fato de se terem unido para a formação de um lar na Terra, constitui um ato de aprovação divina, e por isso deve merecer de ambas o maior respeito e consideração. O Senhor Jesus que foi solicitado a lançar a sua bênção sobre a união das duas almas, observa com alegria ou tristeza o comportamento de ambas, e muito se abate ao verificar os primeiros vestígios de desentendimento. Se, entretanto, as duas almas tiverem sempre presente, que a finalidade da constituição de um lar tem por objetivo proporcionar a vinda de outras almas à Terra, em busca de novos conhecimentos e de aprimoramento moral, as duas almas colunas do lar se empenharão em proporcionar a essas almas que a Divina Providência lhes concedeu como filhos, um ambiente cem por cento harmonioso e feliz para que os filhos possam nele ingressar e se desenvolver.

E por que isso não acontece em todos os lares da Terra? Vamos examinar o assunto detidamente para chegarmos à sua conclusão. O que acontece muito frequentemente é a falta de oração e vigilância da parte das almas construtoras dos lares. Eu chamarei então a isso falta de espiritualidade. Encerrando um dia e começando outro, as duas almas, preocupadas ao máximo com os problemas de sua vida diária, esquecem-se de elevar ao Senhor a sua prece de agradecimento e pedido de proteção para os dias porvindouros. Este pedido, meus filhos e filhas queridas, tem uma significação muito mais importante do que talvez possais imaginar. A prece de agradecimento diário ao Senhor pelos favores e proteção recebidos durante um dia vivido na Terra é um dever indeclinável das almas encarnadas, num reconhecimento do que muito devem ao Senhor. O pedido de proteção, porém, representa uma necessidade inadiável para todos, para evitar sabe Deus quantos perigos a que estão sujeitas as almas na Terra. Nessa necessidade de proteção se inclui — muito importante isto — a segurança do afeto que deve existir entre as duas colunas do lar, em meio aos incontáveis perigos existentes no ambiente terreno. À esposa, principalmente, conferiu a Divina Providência o poder de irradiar a sua influência protetora sobre a família, inclusive a sua alma irmã que parte de manhã para o trabalho santo de cada dia. Esta alma que parte diariamente para o trabalho, principalmente nas pequenas e grandes cidades, está exposta a maiores perigos em função mesma de suas atividades. Se, entretanto, aquela que permanece no lar como rainha que é da família tiver um coração devotado à oração diária impulsionado pela fé nas Forças Superiores que dirigem a vida terrena e penetram em todos os lares, e nesta oração fervorosa rogar a divina proteção para a sua alma irmã que parte diariamente para o trabalho, a fim de que nenhum perigo ou maldade humana possam atingi-la, pode a alma do lar, a rainha da família, estar segura de que a harmonia e o entendimento perdurarão para sempre no lar. Quem, então, muito lucrará serão os filhos que a Divina Providência houver encaminhado a esse lar feliz. Crescendo e vivendo num lar harmonioso, os filhos poderão facilmente desenvolver as aptidões e capacidades que trouxeram, tendo assim também o elemento básico da sua felicidade terrena.

Apontarei então, ainda uma vez, a falta de espiritualidade das almas encarnadas como a causa principal do desmoronamento do maior número de lares na Terra. Isto não só em relação à rainha do lar como também ao chefe da família. É muito importante que o homem saiba que no seu caminho e em suas relações se encontram numerosos abismos a espreitá-lo, de cuja existência ele nem sequer suspeita. Muitos se precipitam neles inconscientemente pelo fato de se haverem tornado possivelmente invigilantes, quando se terão deixado conduzir pelos fatos. Os homens fracassam muito mais frequentemente pela sua invigilância do que de moto próprio. Por isso eu aqui recomendo a todos os meus queridos filhos que por nada se descurem da sua oração noturna, na qual se abram de coração ao Senhor, e roguem a continuação de sua proteção para as dias seguintes. Devo dizer a todos que o Senhor aprecia devidamente a oração que lhe dirigem as almas femininas viventes na Terra, mas aprecia ainda mais as que lhe dirigem as almas que se encontram vivendo em corpos masculinos. Ao receber uma prece fervorosa dum coração masculino, o Senhor tem logo a idéia da segurança que nesse coração ou nessa alma se encontra, quanto ao seu encaminhamento na Terra. Isto porque o Senhor bem sabe que um homem devotado ao cumprimento dos seus deveres espirituais já é um elemento seguro e firme no caminho do seu progresso espiritual. Assim, pois, ao receber a oração de um chefe de família principalmente, já recebeu o Senhor a certeza da harmonia e entendimento reinantes nesse lar, muito grande sendo então a sua alegria. Orai, pois, meus filhos, orai muito, orai sempre, pela vossa e pela felicidade dos filhos que a Divina Providência houve por bem confiar-vos na Terra, numa perfeita retribuição do muito que vós próprios deles mesmos ou de outros tereis recebido em vidas anteriores.

Concluindo então as razões principais do desentendimento e consequente desmoronamento de tantos lares terrenos, chegamos à evidência de que isso se deve em noventa e nove dos casos à falta de espiritualidade das duas almas por eles responsáveis. Mas eu não vos falei das consequências desses desmoronamentos na vida futura das almas responsáveis. Espero poder dizê-lo ainda neste livro, num outro capítulo.

Por hoje deixo-vos aqui a bênção que o senhor vos envia por meu intermédio, e a minha própria que eu vos ofereço de todo o coração.