Passa já da hora o vosso despertar espiritual . . . Saiba que a tua verdadeira pátria é no mundo espiritual . . . Teu objetivo aqui é adquirir luzes e bênçãos para que possas iluminar teus caminhos quando deixares esta dimensão, ascender e não ficar em trevas neste mundo de ilusão . . .   Muita Paz Saúde Luz e Amor . . . meu irmão . . . minha irmã

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

CAPÍTULO XVI - Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. A visita das almas juvenis. — Um passeio ao belo parque celeste. — Eólia, uma flor que entende e responde perguntas; permanece seis meses aberta. — Plantas que conversam entre si. — Grande e belo lago onde milhões de peixes apreciam música.




Prosseguirei na descrição da visita que me fizeram aquelas almas juvenis do capítulo anterior e que eu acomodei na minha  própria moradia. Aquela visita, quero deixar bem claro, não foi a primeira que recebi no meu plano de vida no Alto, visto como outras almas lá têm ido, levadas por Entidades evoluídas, também  em visita que fazem por vezes a outros planos. Essas visitas têm, aliás, um sentido muito elevado, permitindo às almas estagiárias em planos inferiores tomarem conhecimento do que em nosso plano  existe, resultando daí uma excelente propagação da consciência para as demais em se aprimorarem espiritualmente com vistas a uma justa promoção. Esta prática tem dado excelentes resultados, e eu gostaria imenso que as próprias almas encarnadas como vós também lá fossem em visita durante as horas de sono do corpo, o que é perfeitamente possível.  

O dia seguinte ao da nossa chegada apresentou-se particularmente belo, com os raios solares filtrando-se por entre os ramos do arvoredo, numa atmosfera que a todos convidava ao passeio campestre. Resolvi então proporcionar às minhas visitas esse tipo de passeio, durante o qual belas coisas teriam oportunidade de observar. Acomodamo-nos confortavelmente na minha  condução, um veículo desprovido de rodas ou motor que é o tipo de condução usado ali pelas almas que não tenham suficientemente desenvolvido o seu poder volitivo, e nele nos dirigimos a uma posição a muitas milhas de distância. Minhas hóspedes demonstraram-se imensamente felizes nesse passeio, e não se cansavam de admirar a paisagem que seus olhos descortinavam. Atingido o local desejado, descemos da condução e passamos a caminhar a pé até entrarmos no belo parque que ali existe, no qual são cultivadas as mais variadas espécies de flores e frutos, numa área que se pode considerar de algumas centenas de milhas quadradas. Sentamo-nos confortavelmente em meio de formosos canteiros de flores que se estendiam em várias direções, e aí permanecemos envolvidas pelo perfume irradiado das flores sobre nós. Minhas hóspedes desejavam conhecer os nomes de muitas das espécies ali cultivadas, e para satisfazê-las eu encarreguei o próprio governante do parque, uma Entidade muitas vezes centenária, de longas barbas da cor da neve, cuja maior felicidade consiste em viver naquele ambiente, dirigindo os trabalhos do parque. Ele tomou então o encargo de satisfazer a curiosidade daquelas almas juvenis, explicando-lhes em minúcias os nomes e a história das flores que cultivava.  

— Esta que aqui vedes, disse o bom velhinho, eu fui buscá-la num planeta distante; tão distante que para se chegar a ele, com a velocidade do pensamento, são precisos de doze a quinze segundos. Chama-se então eólia esta flor, o nome do seu planeta de origem. Tratada com o carinho que nós aqui lhe dispensamos, esta flor se mantém assim viva, vibrante, irradiando este perfume durante cerca de seis meses do vosso plano, que é o mesmo tempo da Terra. Ela possui uma particularidade notável, talvez única, entre flores, que é corresponder à nossa linguagem. Querem ver? Prestem atenção. Eu vou fazer-lhe uma pergunta e ela lhe dará resposta por meio da mudança de cor. Se sua resposta for de sentido afirmativo, sua cor de rosa vivo que é, se transformará em ouro, mais ou menos acentuado, segundo a intensidade de sua resposta. Se esta for de sentido negativo, a tonalidade se apresentará então num amarelo pálido, rosa claro, às vezes mesclado de branco. Que pergunta gostaríeis vós de fazer a esta bela flor?  

As jovens entreolharam-se por momentos, em particular, e resolveram fazer à flor a seguinte pergunta:  

— Bela flor que nós tanto admiramos; gostarias de ir viver também no nosso plano, juntamente com aquelas que lá cultivamos?  Todos nós passamos a observar com grande curiosidade a transformação a operar-se na coloração daquela flor. Passados os primeiros segundos de expectativa, o róseo vivo das pétalas entrou a empalidecer e assim prosseguindo até a tonalidade rosa claro mesclado de branco em todas as pétalas. Concluíram algo melancólicas aquelas almas juvenis que a bela flor não desejava ir viver também no seu plano de vida. Enquanto o assunto era objeto de comentários entre nós, todos pudemos constatar a volta da flor à sua cor habitual. 

— Minhas queridas, informou o bom velhinho: da resposta dada por esta flor extraordinária temos de concluir que ela representa já na escala vegetal a que pertence, um ser vivente, pensante, inteligente, capaz de compreender o sentido daquilo que se lhe pergunta, e responder segundo o seu próprio desejo. Mas eu explicarei ainda de outra maneira o fenômeno que acabais de presenciar. Pelo que se observa neste pequenino representante da escala a que pertence, somos levados a acreditar na existência de uma alma da mesma procedência das nossas em cada haste desta plantinha mimosa, não apenas ouvindo e respondendo às perguntas que lhe fazemos, mas ainda reunindo no ambiente a quantidade necessária de íons e elétrons para a conservar durante tanto tempo em sua plena forma, aberta, viva, numa existência jamais imaginada para uma flor.  

A explicação do bom velhinho agradou imensamente àquelas almas juvenis, muito curiosas de quanto estavam vendo e ouvindo. Prosseguimos no nosso passeio pelo parque, guiadas agora pelo seu governante, o bom velhinho que nos atendia.  

— Venham observar aqui bem perto outra autêntica maravilha da escala vegetal, um dos mais belos ornamentos do nosso parque celeste.  E conduziu-nos às proximidades de um grupo de plantas de pequeno porte a alguns passos donde nos encontrávamos. 

— Estas plantinhas que aqui vêem conversam entre si o dia todo, dando-nos a entender que possuem uma linguagem própria, como a nossa.  

Vamos vê-las de perto. Vejam como se encontram agora perfeitamente serenas, numa tranquilidade absoluta. Eu apenas tocarei numa delas e logo o diálogo começa. Querem ver?  

E tocou levemente numa delas, a qual em poucos instantes se inclinou, tocando de leve a mais próxima, como a participar-lhe que havia sido tocada por alguém. A segunda, recebendo a informação, inclinou-se até tocar a vizinha, e esta a seguinte, num entendimento visível. Como estavam localizadas estas plantas num canteiro em forma circular, e eram em grande número, logo todo o conjunto se entregou a movimento constante; seus ramos se agitavam e tocavam como se uma corrente aérea estivesse soprando sobre eles. No entanto, a atmosfera mantinha-se serena, nenhuma aragem circulando naquele momento. 

— E quando é que estas plantinhas vão voltar à serenidade?  — indagou uma das almas visitantes bastante curiosa.  

— Tão logo nós nos afastemos — foi a resposta do governante do parque.  

E esse movimento, querido velhinho — indagava outra das visitantes —, significará que elas se assustaram com a nossa presença, ou será de contentamento?  

— Segundo a observação que venho fazendo pacientemente há muito tempo este movimento que estamos observando na agitação constante dos ramos, significa uma espécie de contentamento pela nossa presença. Esta classe vegetal está situada no mais alto grau evolutivo de sua escala, e apenas pode manifestar-se por meio de seus movimentos. Assim, vendo-nos em sua proximidade, e sabendo que todos aqui só irradiamos o amor, o bem e a fraternidade, estas plantinhas sentem a nossa presença, recebem a nossa irradiação amorosa através do toque de um dos seus ramos, e logo se apressam em comunicá-la às demais, que constituem a família.
 
Escusado será dizer que a explicação dada ao fenômeno pelo bom velhinho agradou a todas as visitantes, satisfazendo sua natural curiosidade.  

Deixamos aquele local ainda a convite do governante do parque para apreciarmos outra espécie de curiosidade. Conduziu-nos então até  as proximidades do grande lago ali existente, onde várias espécies de seres aquáticos eram cultivados. Ali chegados, ele, sem dizer palavra, sentou-se na margem do lago e deu início a uma canção cuja melodia suave seria ouvida pelos peixes. Nós nos quedamos na expectativa do resultado. Pudemos apreciar, então, como alguns milhares de cabeças, grandes, médias, pequenas e minúsculas afloraram à tona, todas voltadas para o bom velhinho, como a escutar a sua melodia. O espetáculo era realmente belo. Em toda a extensão do lago, apareciam cabeças à superfície; nas proximidades, porém, do local onde o velhinho entoava a sua canção, a quantidade de cabecinhas era totalmente incontável e ali permaneceram durante todo o tempo em que a canção se fazia ouvir. Um espetáculo maravilhoso aquele, realmente, até mesmo para mim, pois que poucas vezes me afasto do meu posto de serviço para apreciar as muitas belezas e originalidades do plano espiritual em que vivo. Gostei por isto, imensamente, da oportunidade que se me ofereceu de visitar aquele grande e belo parque em companhia das minhas queridas hóspedes. Uma destas desejou fazer algumas perguntas ao bom velhinho, ao que o mesmo acedeu alegremente. Ela indagou então:  

— O querido irmão pode avaliar quantos exemplares existem neste belo lago?  

— Neste momento eu acredito que devem existir de dois a três mil a mais do que anteontem quando aqui estive. Digo isto, porque essa era aproximadamente a quantidade de ovas prestes a largar a sua carga. E como anteriormente minha estimativa era de aproximadamente dois milhões e setecentos mil seres vivos, devem existir hoje estes e mais aqueles que nasceram nestes dois dias.  

— Obrigada, muito obrigada, querido irmão, pela sua boa resposta. Permita-me ainda outra pergunta — disse a mesma alma juvenil, que exercia a função de líder do grupo. Perguntou então novamente ao velhinho: 
 
— Eu gostaria de saber a maneira pela qual o querido irmão usa alimentar uma população tão grande de peixes; — pode dizer-me?

O velhinho sorriu visivelmente feliz ao ouvir esta pergunta. Refletiu um instante e assim falou para a nossa maior atenção: 

 — Minha  querida, para poderes bem compreender este problema que é o meio de alimentar esta grande população de peixes, eu pedirei a tua atenção para o que nos sucede a todos nós filhos de Deus, vivendo em todos os planos do Universo. Quando Deus nos criou a todos, criou também ao alcance de todos nós os meios e processos de nos alimentarmos por nossa própria iniciativa. Os seres humanos como os espirituais que somos atualmente, conhecem e onde se encontram os elementos necessários à conservação da vida, cumprindo-nos apenas movimentar-nos para obtê-los. Com estes meus amados peixinhos sucede o mesmo, a mesma lei se cumpre. Quando este grande lago foi construído, cuja data contudo não nos é dado saber, o Criador se incumbiu de nele depositar uma série de elementos que cresceram e se desenvolveram, os quais haveriam de fornecer aos peixes o seu alimento. São conhecidas várias espécies de algas que se desenvolvem intensamente sob as águas e de tal maneira que jamais se extinguirão por maior que possa ser a sua destruição pelo consumo dos peixes em sua alimentação. Mas não só as algas lhes servem de alimento. Germinam, crescem e frutificam nos lagos milhares de outras plantas que apenas vivem sob as águas, graça às quais os habitantes aquáticos têm a ventura de escolher a espécie de alimento que lhes convém e jamais o extinguem.   

Pequenos animálculos que igualmente se reproduzem sob as águas fornecem outra espécie de alimento aos peixes, cuja atividade consiste unicamente em se alimentar. Como vês, minha querida, eu nenhum esforço despendo para alimentar estes meus queridos peixes. Apenas me acerco deste lago quase diariamente para lhes dirigir a minha  palavra conselheira, quanto ao seu comportamento. Tenho conseguido evitar várias lutas entre eles, aconselhando-os a que vivam felizes como bons irmãos que são, porque sendo tão grande como é o lago, cabem todos eles folgadamente, sem necessidade de se hostilizarem.   

Confesso a minha  alegria em ouvir o bom velhinho, que, entretanto, ainda não disse tudo. Voltaremos ao assunto muito proximamente, se não puder ser já no próximo capítulo.  

Por agora, deixo-vos aqui a bênção que o Senhor vos envia por meu intermédio, e a minha  própria que eu vos ofereço de todo o coração.