Passa já da hora o vosso despertar espiritual . . . Saiba que a tua verdadeira pátria é no mundo espiritual . . . Teu objetivo aqui é adquirir luzes e bênçãos para que possas iluminar teus caminhos quando deixares esta dimensão, ascender e não ficar em trevas neste mundo de ilusão . . .   Muita Paz Saúde Luz e Amor . . . meu irmão . . . minha irmã

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

CAPÍTULO XXI – 2ª Parte – livro: Vida de Jesus ditada por Ele Mesmo. Volta a dizer algo referente aos espíritos desencarnados em relação com os encarnados e combate o abuso que se faz dos chamados “mitos” para explicar personalidades que se começou por desfigurar para poderem ter o direito de negá-las depois, declarando-as “mitos”, e em conseqüência evitar o pesado trabalho de investigação. Os povos que teriam criado “mitos” de elevado significado, estariam à altura da concepção desses ideais e facilmente teriam também personalidades dessa elevação. Afirma que seus ensinamentos foram em parte adulterados ao passar para o Ocidente, principalmente em Alexandria. Que nos Evangelhos, algumas cousas não foram ditas por ele e que em suas comunicações anteriores não quis observar pelo temor de que se duvidasse principalmente da autenticidade de suas novas comunicações.



Queridos irmãos meus, algumas cousas vos hei manifestado já dos espíritos que deixaram seu corpo no meio do mundo da matéria para viver como espíritos dentro de suas famílias de espíritos. Agora volto novamente para acrescentar alguma cousa mais ao que ficou dito: porém, preciso é que entendais quão dificultosa é a compreensão do que em uma esfera acontece para os que na outra esfera¹ habitam.

A idéia do que vós chamais mitos comporta, em geral, muito mais verdades do que vós exageradamente supondes. Quer dizer que vós vedes na criação de mitos, mitos que dão forma até a personalidades sem existência real e unicamente para dar forma ao mito. Os povos que alcançaram essas concepções, possuíram também homens que a essas alturas chegaram, sendo que os rodearam, como à minha própria pessoa rodearam também, do aparatoso recurso do milagroso e sobrenatural. Quando, pois, encontraram os contemporâneos, na tradição ou história dos homens que existiram, grande quantidade de fatos meritórios e muita grandeza de alma confundidos com fábulas do sobrenatural e milagroso, repeliram tudo como se tudo fábula fosse e tal repulsão era por não quererem fazer trabalho de investigador para separar o verdadeiro do falso. Assim, pois, muito grande exagero se produz definindo como mitos o acontecido com Homero, com Pirro, com Alexandre, com Sócrates, Arquimedes, Cícero, César e todos os grandes homens que a Humanidade teve.

Grande exagero, portanto, é também e mui torpe juízo o dos que à conta de mito também levam a vida e obras de Jesus. Loucos somente poderiam compreender semelhante afirmação quando testemunhos tão numerosos aparecem da realidade de Jesus e quando o elemento espiritual humano logicamente comporta, desde muito tempo, personalidades de tais elevações como as que a Jesus se atribuem.

Porém, mais custa fazer trabalho de investigador para a separação do falso e do verdadeiro que o de adornar um pouco melhor a realidade, sem muito procurar e menos pesar e analisar para fazer de tudo um simples mito... Com que facilidade é dada assim solução a todas as cousas pelos espíritos simplistas! — Mas a verdade é sempre a verdade e não pode resultar de arranjos artificiosos, senão que, unicamente como é, há de ser. Não procureis, pois, dificultar a verdade, ó homens incapazes de senti-la ou concebê-la! Pois tanto mais próximo dela vos encontrareis quanto maior seja vossa sinceridade e mais simples os caminhos por onde a procureis.

Assim, portanto, Jesus veio ao mundo como todo homem vem a ele. Nada há que confirme o que se diz referente aos acontecimentos de que se teria rodeado seu nascimento e tanto de infantil comporta o juízo dos que viram o sobrenatural em abundância misturado com o nascimento e vida de Jesus, como o juízo dos que, aceitando as aparências disto como se o milagroso se devera ver confundido com tudo o do Cristo, tratavam depois como um mito a personalidade do Mestre. Não era de melhor juízo, de juízo mais sensato, o estudar as cousas para assinalar a Jesus no justo lugar que lhe era devido, em vez de convertê-lo em uma personalidade impossível, para qualificá-la assim de mito, introduzindo um erro grave na história humana?

É o mesmo o desfigurar a história de uma pessoa como o de fazê-la passar por um mito, o que em verdade conseqüência é do primeiro, obra de mentira é unicamente.

Assim também, em muitos outros casos, quase em todos poderia se dizer, a personalidade ficou escondida pela confusão de acontecimentos sucedidos com outras pessoas e em outros tempos.

Mas o fundo comporta a verdade sempre e não é mito. Colocam-se justamente os maiores mitos em meios de povos menos capazes de criá-los.

Em algumas ocasiões certamente, há fundamento no reconhecimento de mitos, mas muitas vezes os homens, incapazes até de compreenderem certas ações elevadas, fazem-nas formar parte entre os mitos, e mitos são também os seres capazes de pairar nessas alturas.

Sem dúvida, minha vida e minha obra sofreram uma forte alteração ao passar novamente, depois de minha morte, da Índia a Alexandria, à Grécia e à Roma. Os acontecimentos foram ganhando prestígio, alcançaram novas modalidades, de modo a encontrarem-se em Alexandria pontos de coincidência entre a nova revelação trazida pelo Filho de Deus e as velhas crenças do remotíssimo Oriente, retrotraindo depois o próprio nascimento e atuação do Messias a esses tempos antigos, mudando tudo em uma só cousa, que confundiram, fazendo de tudo carne com a pessoa de Jesus, a qual se converteu em uma cousa estranha para ele mesmo.

Assim foi a concepção virginal de Maria; a morte dos inocentes; a segunda pessoa da Divindade, sendo também Deus; os cegos que partiam vendo, os surdos que ouviam; os paralíticos que se levantavam e andavam; os mortos que ressuscitavam... Nada disto, nada, crede-me em nome do vosso Deus e do meu, em nome do vosso Soberano e do meu, em nome do vosso Pai e do meu, nada Jesus fez, e ninguém tampouco, posso assegurar-vô-lo também, ninguém tampouco antes o fez, porquanto as leis eternas e imutáveis de Deus não estão sujeitas a contradições nem sequer só por um momento. Assim também, e somente assim, pode a perfeita justiça ter no Universo inteiro seu absoluto domínio, porquanto pequenos desvios do reto caminho convertem-se em desvios infinitos quando do infinito se trata; vê-se certamente o ponto de partida, mas não o de chegada e só se percebe que a linha tanto mais sofre desvio, quanto mais por ela se avança. Quer dizer isto, que se as leis de Deus chegassem à possibilidade de modificações, prova seria da sua falta de perfeição e que a conseqüente mutabilidade tiraria toda a fixidade ao plano da Criação. Certamente, o conhecimento perfeito das leis de Deus proporciona ao possuidor meios para a execução de feitos grandiosos, impossíveis ainda de conceber por vossa inteligência atrasada, mas eis que aos seres que a tais alturas nos conhecimentos chegaram, preferível é colaborar, desde já e desde que tal progresso alcançaram, na obra imensa da evolução universal, antes que descer à Terra para fazer exibição de seu poder e de sua habilidade, entre o sobressalto da população infantil que povoa vosso diminuto planeta. — Oh, não! ... Não pretendais o absurdo e o impossível!... Muito infantil, deveis já compreendê-lo, é a idéia de um Deus abandonando o Universo para encerrar-se em um invólucro mortal, e diminuir todos os seus atributos até o ponto de igualar-se aos povoadores, tampouco inteligentes, deste pedaço de terra, com o fim de consagrar-lhes, a eles exclusivamente, toda a sua infinita grandeza, chegando até a violar suas próprias leis, antes imutáveis, para que compreendam, creiam e se salvem; e como ainda tudo isso não é suficiente, entrega-se...ele, o único que é realmente... ele, o Infinito, o Absoluto, o que não pode deixar de ser nem um instante, nem sofre mudanças, ele... Deus, feito homem, entrega-se à morte corporal, para que o homem viva vida espiritual! —

Não vedes que até blasfêmia contra Deus é o uso de tão pouco respeito para com sua excelsa pessoa? É que acontecido tem para com a idéia religiosa entre os homens, o mesmo que com a evolução dos demais conhecimentos.

Quer dizer, que de seu embrião tem ido e seguirá elaborando-se até chegar às alturas que lhe correspondam, mas em seu longo percurso, a ignorância e o fanatismo foram-na ataviando de maneira impossível e as falsas interpretações, mais tarde, desfiguraram-na muitíssimo mais. Eis que depois, ao passarem minhas doutrinas da Índia para os povos do Ocidente, quiseram embelezá-las ou dar-lhes maior importância, acrescentando-se o que nas antigas religiões do Oriente se ensinava a respeito da trindade e outros princípios que, como vos disse, eu não havia ensinado. Assim resultava também minha própria pessoa muito adulterada, escrevendo-se também o que chamado foi Evangelhos, com toda essa alteração que vos digo e que não poucas falsidades contém.

Nas comunicações que antes Jesus deu, isto dito não está, porquanto, se ainda não atacando os Evangelhos, acreditada não era minha palavra, muito menos o teria sido se em oposição a esses escritos se tivera ela desde o princípio revelado. O tempo é chegado, entretanto, de dar seu lugar verdadeiro a cada cousa, e repito-vos ainda, que ver-se-ão estas minhas novas aclarações e ensinamentos, espalhados no orbe inteiro, por aqueles mesmos que até ontem deixaram de ouvi-los e os negaram, incrédulos de sua verdadeira origem.


¹ Quer dizer sem dúvida plano. — Nota do Sr. Rebaudi.