Passa já da hora o vosso despertar espiritual . . . Saiba que a tua verdadeira pátria é no mundo espiritual . . . Teu objetivo aqui é adquirir luzes e bênçãos para que possas iluminar teus caminhos quando deixares esta dimensão, ascender e não ficar em trevas neste mundo de ilusão . . .   Muita Paz Saúde Luz e Amor . . . meu irmão . . . minha irmã

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

CAPÍTULO LXVIII – Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. Uma bela escultura simbolizando a Fé. — Um Anjo de braços estendidos para o Alto. — Prodígios da Fé. — Uma fonte luminosa realmente extraordinária. — Os segredos da Natureza. — O pensamento concentrado é força útil e poderosa.




As almas que vivem as suas encarnações neste mundo terreno, alheias, por conseguinte, ao que no Alto se passa em todos os setores da vida espiritual, não podem fazer uma idéia aproximada das atividades que no Alto se desenvolvem, nem das belezas peculiares aos planos espirituais. Esta Exposição de belas-artes, por exemplo, constitui para as almas em condições de compreender os trabalhos expostos, um verdadeiro prazer espiritual, ao mesmo tempo que uma fonte de ensinamentos para todas as almas visitantes. No dia de ontem tivemos a ventura de apreciar aquele grandioso trabalho representando o Globo terrestre em vias de transformação em diversas de suas áreas atuais, assinalando aquelas onde as modificações do solo mais se acentuarão. É um trabalho verdadeiramente notável que permanecerá exposto por muito tempo à contemplação das almas interessadas. Nós mesmas ainda voltaremos a apreciá-lo noutros detalhes para melhor conhecermos a extensão das modificações em curso neste Planeta. Aí está se aproximando a nossa bela cicerone. Vamos então prosseguir em nossa visita.

— Bela alma que vens chegando, aonde nos levarás hoje?

— Alma Excelsa que eu tanto venero, eu sugiro visitarmos nesta manhã um outro grandioso trabalho que muito vai agradar. É este aqui. Esta escultura foi elaborada por duas almas que viveram várias encarnações em corpos femininos, e pretende simbolizar a Fé. Como vê, Alma Excelsa, estas almas escolheram um tema bastante difícil para simbolizar o sentimento da Fé. Imaginaram então construir esta bela figura de Anjo de braços estendidos para o Alto, para o desconhecido, como a implorar algo do Infinito. Vemos, porém, que o pedido que faz nesta atitude de rogativa não é para ele, mas para a pequena multidão de almas esculpidas na base do pedestal que se apresentam de olhares voltados para ele. Segundo a imaginação das artistas, a ânsia demonstrada nas fisionomias que aparecem no pedestal é que deu origem ao aparecimento do Anjo a interceder pelas almas ali representadas. Consideram então as autoras deste trabalho que a prece de várias almas reunidas se transforma nesta Entidade benéfica a interceder por elas. E essa Entidade, aqui simbolizada neste Anjo, é a Fé. Ele se dirige para o mundo superior a implorar algo, já de braços estendidos com a certeza de receber esse algo que implora. Este belo sorriso que ele nos apresenta, segundo a imaginação das artistas, já representa a certeza de receber o que pede com a verdadeira Fé que ele próprio simboliza. Mas há ainda outra interpretação que é a seguinte: quando se deseja pedir seja o que for às Forças Superiores, deve-se fazê-lo sempre com fé, que é a certeza de receber. E para pedir com fé, deve-se encher dela o coração, e manifestá-la igualmente numa atitude de alegria semelhante à manifestada por este Anjo, que é a certeza prévia de atendimento. As almas autoras deste trabalho escolheram um tema verdadeiramente difícil de representar por este meio. São, entretanto, tão nítidos e perfeitos os seus detalhes que logo adivinhamos a sua significação.

— O trabalho é perfeito, bela alma. Eu o admiro verdadeiramente. É bem difícil, concordo, simbolizar a Fé numa escultura; mas isto foi feito com muita propriedade.

Concordo igualmente, almas queridas, que este trabalho seja talvez dos mais importantes da Exposição. Sendo a Fé um sentimento íntimo de cada ser humano, residindo apenas no coração das almas, é por isso indemonstrável por qualquer meio figurado. A Fé sente-se com maior ou menor intensidade segundo o grau evolutivo das almas, e apenas se manifesta por meio de atitudes positivas. A Fé representa a certeza de algo em que acreditamos sinceramente, resultando muitas vezes numa força poderosa a impulsionar as almas para o bem e para o Alto. As pessoas que souberem cultivar a Fé em seu coração, pode dizer-se que possuem consigo um Anjo semelhante ao desta escultura, o qual se encarrega de ir buscar no infinito aquilo que as mesmas houverem pedido com Fé. Chamaríamos então a esta figura simbolizada neste belo trabalho escultural o Anjo da Fé, que todas as almas possuem, mais ou menos desenvolvido, segundo a sua própria graduação da Fé. Cultivar cada qual a sua Fé é cultivar a certeza da própria felicidade.

Estas figuras humanas colocadas ao pé da estátua da Fé apresentam-se realmente na atitude das almas que emitem vibrações de Fé em suas rogativas. Vemos que a atitude de todas é uma só: os olhos voltados para o Alto, fixados na figura imaginária deste Anjo bom, a repetir e reforçar o pedido feito com Fé. O sorriso emitido então pelo Anjo bom, o Anjo da Fé, foi muito bem imaginado pelas autoras do trabalho como simbolizando a alegria prévia de poder trazer do Alto, para as almas embaixo, aquilo que constou dos seus pedidos. É desta atividade que resultou o adágio: pede com fé aquilo de que necessitas e o Céu to enviará.

Eu admiro de um modo todo particular a imaginação prodigiosa tanto dos pintores como a dos escultores, ao reproduzirem em trabalhos verdadeiramente belos, sentimentos, detalhes e idéias tão estreitamente relacionadas com a nossa existência infinita. Admiro sobretudo nos artistas do pincel e do formão a sua capacidade de sintetizar em obras como estas que estamos apreciando, as mais belas idéias e concepções da vida dos seres humanos. E quando me disponho a meditar sobre isto nos meus raros momentos de descanso, eu vejo essas almas aureoladas de luzes intensas, de colorações várias, segundo as especialidades prediletas, todas possuidoras de grande refinamento espiritual. Por isto estas grandes almas recolhem de suas meditações as mais belas idéias que ora nos apresentam através dos excelentes trabalhos aqui expostos. Considero então que o Criador tenha conferido a estas almas o poder extraordinário de edificar nestes pequenos monumentos artísticos que estamos apreciando autênticas maravilhas para o nosso estudo e meditação. Que o Pai Celestial abençoe e ilumine eternamente as almas de todos os artistas de todos os mundos do Universo.

— Vamos prosseguir, bela alma. Eu desejei dizer estas palavras às almas queridas que me acompanham, com o objetivo de fixar em cada uma o sentido destes excelentes trabalhos que estamos apreciando.

— Por minha vez eu vos confesso, Alma Excelsa, que muito tenho aproveitado também das vossas palavras, para uma compreensão ainda maior das obras que estais visitando. A seguir poderemos visitar um trabalho diferente, construído especialmente para esta Exposição. É este aqui adiante. Vamos até lá. Esta fonte luminosa, Alma Excelsa. Há aqui uma particularidade digna de nota. As águas que brotam nesta fonte são de diversas tonalidades, conforme estamos vendo. Elas apresentam exatamente as cores do Arco-Íris. Vejamos mais de perto. O fato extraordinário é este: as águas coloridas brotam cada qual da sua procedência. Misturam-se todas no pequeno lago onde se demoram por alguns minutos. Agora elas se separam pelo mesmo conduto, como estamos vendo, com uma só coloração por se haverem misturado. Em seguida, ei-las que reaparecem cada qual de sua procedência, com a sua coloração anterior. Este fenômeno, como se vê, é que reúne este grande número de almas a apreciá-lo. Mas há uma explicação para o mesmo, que é a seguinte: o construtor do lago teve em mente significar o que sucede no mundo terreno, em relação à grande variedade de tipos de água que lá existem em numerosas latitudes. Ele desejou significar neste lago um dos grandes mares terrenos, para os quais todas as águas afluem, provindas das chuvas através dos córregos, dos riachos e dos rios. Sendo a água dos mares do mesmo teor permanente, ela aparece em regiões distantes em teores e temperaturas diferentes. São conhecidos os vários tipos de águas minerais, em todo o mundo terreno, assim como as que aparecem em temperaturas elevadas e tão úteis como águas medicinais. Esse fenômeno é precisamente o que o autor desta obra pretendeu significar. O lago, representando o oceano, recebe e mistura todas as tonalidades das águas provenientes das diversas fontes da margem. Elas aqui estão aparentemente inseparáveis, porque inteiramente misturadas. Retirando-se, porém, do lago pelo único conduto aqui existente, ei-las que novamente aparecem em uma coloração anterior, fato que se nos apresenta digno da nossa meditação.

— O fato é bem significativo, bela alma, e está muito bem representado. Eu deixo aqui as minhas felicitações para os seus autores.

Neste pequeno lago nós vemos muito bem simbolizado um dos chamados segredos da Natureza. Efetivamente, sendo as águas dos mares terrenos geralmente salgadas, elas vão aparecer com características bem diversas em várias regiões da Terra, com o único objetivo de servir às almas encarnadas em suas necessidades. Conheceis no mundo os variados tipos de águas minerais naturais, desde as gasosas, alcalinas, magnesianas até às sulfurosas, tão procuradas e tão úteis no tratamento das diversas doenças do aparelho digestivo como do metabolismo. As águas, originariamente, são aquelas que vedes no mar possuidoras de determinado teor salinoso, mas que, graças à ação da Natureza, vão aparecer com as características acima, ou, em muito maior proporção, como água potável absolutamente indispensável ao funcionamento do organismo de todos os seres. O processo que tudo determina no sentido de as águas dos mares se transformarem nessas diversas espécies de águas medicinais ou potáveis, é que constitui, não segredo da Natureza, como habitualmente dizeis, porém a ação das Forças Superiores nas camadas interiores do solo terreno. Assim, por exemplo, as águas evaporadas pela ação do calor do Sol elevam-se a determinada altura da superfície terrena, onde se desfazem do teor salinoso de origem e se condensam em forma de nuvens. Conduzidas estas pela ação dos ventos, elas percorrem maiores ou menores distâncias até que a nuvem se rompe ao contato dos vapores que se elevam do solo, e ei-las caindo em forma de chuva sobre o solo terreno. Penetrando uma boa parte no solo, as águas das chuvas encontram em certos lugares determinados condutos que as levam às vezes a grandes distâncias, em cujo percurso atravessam jazidas específicas das quais retiram as características gasosas, alcalinas, magnesianas ou sulfurosas segundo as jazidas encontradas no percurso. Aquelas que lograram aproximar-se ou atravessar substâncias em estado de ignição que as há em muitas regiões do subsolo terreno, ei-las que afloram à superfície com temperaturas mais e menos elevadas, para servirem ao tratamento específico de certas doenças.

Vede pelo que acabo de dizer, quanto de sábio e de belo prepararam as Forças Superiores para uso das almas encarnadas em todas as regiões do mundo terreno. É isto que vulgarmente se denomina segredos da Natureza, à falta de explicação racional para o fenômeno. No momento que passa, pode dizer-se que toda a imensa rede de condutos subterrâneos está sendo revista e modificada pelas Forças Superiores através dos elementos constitutivos da Engenharia Celeste, com vistas a proporcionar a existência de novas fontes de água potável, principalmente, em regiões até agora privadas dessa verdadeira fortuna. A circunstância de assistirmos neste lago que estamos apreciando, o belo fenômeno de as águas se retirarem misturadas pelo mesmo e único conduto de vazamento e regressarem daqui a pouco em suas colorações separadas, servirá para nos dar a idéia perfeita de como a Natureza trabalha fora das nossas vistas. A Natureza representada pelas Forças Superiores age silenciosa e sabiamente em todas as suas atividades, nada fazendo ou determinando que não corresponda ao verdadeiro interesse dos seres da criação. Quando porventura assistimos ao desencadeamento dos elementos sobre uma ou outra regiões da Terra, por prejudicial ou nociva que sua ação possa parecer, há de haver nos desígnios das Forças Superiores algum objetivo verdadeiramente útil às almas aí encarnadas. Por isso é que se tornou patente a afirmativa de que a Natureza é sábia e perfeita em todos os seus desígnios.

Voltando a falar sobre o fenômeno deste lago, desejo dizer-vos que o mesmo é muito mais simples do que à primeira vista nos parece. Eu já o conheço de outras oportunidades, e por isso darei aqui a sua explicação que é a seguinte: as águas assim misturadas na área do lago como que perderam sua coloração, porém isto apenas na aparência. Ao se retirarem pelo único conduto de escoamento, elas se depositam na base deste lago, num recipiente de coloração magnética correspondente às cores ostentadas pelas águas. A coloração magnética tem a propriedade de atrair e selecionar as respectivas cores, e introduzi-las em novos condutos que as trazem novamente à margem do lago, exatamente aquelas fontes que ali estão tão lindamente construídas, para a nossa admiração. Desejo acrescentar apenas que tudo isto que vedes representa o resultado do pensamento sabiamente aplicado pelas Entidades construtoras deste belo lago, com suas sete fontes marginais. Concebendo a idéia inicial, o pensamento concentrado dessas Entidades bastante evoluídas, deu-nos este espetáculo magnífico que vemos, numa similitude do que existe na Terra para servir às almas encarnadas. O pensamento, vede bem, almas queridas, é uma força tão útil e poderosa, que pode levar cada uma de vós à perfeita realização dos vossos maiores anseios. Guardai esta grande verdade e aplicai-a na vossa vida atual, minhas queridas.

Deixo-vos aqui a bênção que o Senhor vos envia por meu intermédio, e a minha própria que eu vos ofereço de todo o coração.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

CAPÍTULO LXVII – Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. Um monumento à Vida. — Flores em botão como começo da Vida. — Almas que venceram e almas que fracassaram. — Necessário reformar o ensino religioso. — Entidades canonizadas voltam frequentemente à Terra. — No Alto não existem Santos.




Vamos prosseguir em nossa visita a esta bela Exposição, para cujo brilhantismo contribuíram os maiores artistas do mundo espiritual, aqui nos apresentando cada qual o resultado de suas magníficas concepções. Vamos então prosseguir, minhas almas queridas, acompanhadas desta bela alma, uma das muitas aqui destacadas para interpretar para os visitantes da Exposição, a idéia fundamental dos artistas ao elaborarem os seus trabalhos.

— Qual o trabalho que deveremos visitar no dia de hoje, bela alma?

— Para hoje, Alma Excelsa, eu sugiro apreciarem este conjunto que aqui está, executado por um dos mais renomados escultores deste plano. Trata-se de um pequeno monumento à Vida, segundo a imaginação do escultor. Vejamos o trabalho por partes. Eis na base do conjunto, simbolizando o começo da Vida, este canteiro de flores em botão, tão belamente confeccionadas, que nos dão esta impressão agradável de se tratar de flores naturais. Quer o artista significar que no começo da Vida tudo são flores prestes a desabrocharem. Um pouco acima, como vêem, já se prenunciam os trabalhos, as lutas pela Vida, aqui representadas por este grupo de jovens tentando a escalada desta muralha, aqui colocada para significar os esforços empreendidos pelas almas encarnadas desde a juventude. Vemos então que algumas destas almas alcançaram o cimo da muralha, enquanto várias outras apenas iniciaram a escalada. Já aqui podemos ver que, segundo a imaginação do artista, nem tudo são flores. Algumas não tiveram forças para alcançar o cimo da muralha e permanecem lutando com esse objetivo, agarradas fortemente, com todas as suas forças, à estrutura da muralha no seu ardente desejo de vencê-la. Agora vejamos aqui ao pé da muralha, as almas que não tiveram forças para subir ou que se desprenderam na escalada, e tombaram exaustas. 

Com este detalhe pretendeu o artista significar os inúmeros fracassos ocorridos no mundo terreno, com as almas que muito se tenham empenhado em sua escalada para subir na Vida, mas que o não conseguiram tal como desejavam. Agora o alto da muralha. Vemos aqui este numeroso grupo de almas esculturadas pela imaginação do artista, para simbolizar os seres humanos que lograram vencer a muralha da Vida. Vede, porém, Alma Excelsa, em que condições vários deles se apresentam, a julgar pelo seu aspecto fisionômico. Vemos que vários desses seres humanos como que se lamentam e outros choram de arrependimento, embora hajam todos alcançado o cimo da muralha. O motivo reside aqui, Alma Excelsa. Cada um destes seres, ou destas almas, conduziu o seu bornal no qual, segundo o artista, devem encontrar-se os seus bons atos, as ações meritórias praticadas durante a escalada da muralha. Vemos que várias dessas almas lograram conduzir o seu bornal com o maior volume desses atos bons, e aqui se encontram agora sorridentes, alegres e felizes. Estas outras, porém, quase nada ou nada conseguiram conduzir, e assim se lamentam enxugando o pranto do arrependimento. Há, ainda, este detalhe criterioso, Alma Excelsa. Estas duas almas que aqui estão debruçadas sobre a muralha a olhar para a base do monumento, representam as almas que ao fim de sua existência no mundo terreno regressam ao plano espiritual desprovidas de atos meritórios que não praticaram, e muito desejariam voltar à Terra para se recuperarem. O artista simbolizou semelhante atitude nestas duas almas debruçadas sobre a muralha, como a medirem a sua profundidade para um salto que pudessem tentar. Esta é a interpretação transmitida pelo próprio artista, e que eu tenho a satisfação imensa de reproduzir, com muitas deficiências naturalmente Alma Excelsa.

— Eu apreciei com muito agrado a bela interpretação deste trabalho notável, sobre todos os aspectos: pela sua grandiosidade e pelos detalhes tão significativos que apresenta em relação às lutas das almas encarnadas para vencerem na Vida. Eu te agradeço de todo o coração, bela alma, a tua interpretação tão inteligente para todas nós.

— Como ouvistes, almas queridas, neste magnífico trabalho que estamos apreciando, uma alma refinada de artista imaginou com rara felicidade reunir numa escultura, da melhor maneira possível, as lutas, os trabalhos, as vitórias e também as derrotas de muitas almas encarnadas. E muito bem conseguiu este grande artista fixar esses diversos aspectos. Todas vós que me acompanhais nesta visita, conheceis de perto esses aspectos por tê-los vivido já em boa parte, e estar vivendo os demais. O que, porém, mais me agradou em todo este magnífico trabalho, pelo que de advertência pode representar para todas as almas encarnadas, são estas figuras que conseguiram vencer esta alta muralha representando a Vida. Seu pensamento foi perfeito ao reproduzir aqui as almas que chegam de regresso ao nosso plano desprovidas de bagagem útil, que são aqui estes bornais vazios, tão bem reproduzidos. Estas almas viveram mais ou menos folgadamente a sua vida terrena, ganharam bastante dinheiro ou acumularam bens materiais, sem, no entanto, se preocuparem com a bagagem espiritual que vieram construir na Terra. Ao fim de sua jornada, ei-las que regressam ao seu plano no Alto de mãos vazias, tão vazias como desceram à Terra. O artista foi bem inspirado na elaboração destas figuras humanas em atitude lamentável, e até em pranto, por só então verificarem que perderam uma encarnação a mais. Estas duas almas que se debruçam sobre a muralha, espelham com muita fidelidade o que sucede no Alto, sempre que as almas se dão conta do pouco ou nada feito na Terra. O seu primeiro desejo é voltar imediatamente ao solo terreno para se recuperarem na aquisição das luzes que vieram buscar antes, mas não adquiriram. E quando essas almas se informam de que uma nova encarnação requer um período de espera que pode atingir ou até ultrapassar um século, elas se lamentam dolorosamente, mas sem remédio. E são tantas as almas regressadas nesta situação ao mundo espiritual, que nos causam a mais profunda compaixão.

É de justiça, porém, reconhecer que motivos existiram até há pouco para que tal fenômeno se verificasse neste mundo terreno, pela falta, principalmente de ensinamentos bastante claros a respeito. O ensino religioso elementar difundido entre as almas encarnadas, de tão elementar em todas as correntes religiosas, não chega a despertar o verdadeiro sentido da vida na Terra. Do Oriente ao Ocidente o que nós constatamos do Alto é mais o interesse associativo humano, do que o verdadeiro sentido espiritual da vida. Estabelecidos os dois destinos das almas, que unicamente podem escolher entre o Céu e o inferno, segundo a vivência terrena de cada uma, não conseguem elas compreender no íntimo de seu coração a razão destes dois pólos no mundo espiritual. E não chegando a compreendê-los, a grande maioria dos seres humanos passa então a viver despreocupadamente a sua vida material, apenas buscando o conforto e os prazeres que a mesma possa oferecer.

Disto se conclui, por conseguinte, que uma grande reforma se impõe no esclarecimento das almas encarnadas, visando a despertar nelas o verdadeiro sentido da vida terrena. É preciso ensinar com verdadeiro sentimento de amor a todas as almas encarnadas desde os seus primeiros anos, que elas se encontram na Terra uma vez mais após se haverem empenhado seriamente para voltar aqui, exclusivamente para progredirem espiritualmente, e jamais para enriquecerem materialmente. É preciso, inclusive, esclarecer a todas as almas encarnadas, que a idéia de Céu e Inferno se refere a um estado da alma e jamais a um destino segundo o comportamento que tiverem na Terra. Explicar-se-á, então, que o encaminhamento de uma vida moralmente correta no mundo terreno, procurando ver em seus companheiros de jornada outras almas irmãs e jamais concorrentes, desafetos ou até inimigos, uma vida vivida assim com elevação moral, é que pode levar as almas a sentir-se num verdadeiro Céu, pela paz e tranquilidade que passam a desfrutar. Ao contrário disto, aquelas que por ignorância destes esclarecimentos se entregarem a uma vivência cem por cento materialista, onde somente o próprio Eu exista, com o desprezo pelo interesse e bem-estar dos semelhantes, uma vida assim vivida poderá determinar na alma um estado de absoluta intranquilidade e mal-estar por ocasião do seu regresso ao mundo espiritual, e neste estado é que lhe ocorrerá a idéia do Inferno. É tempo já de implantar na Terra o verdadeiro ensino religioso à luz do Espiritismo, como a idéia mais perfeita e oportuna de esclarecimento das almas encarnadas. Nenhum outro ensinamento logrará interessar tão profundamente as almas encarnadas como este de que se ocupam todos os emissários do Senhor ao meio terreno. Sendo as almas realmente Espíritos encarnados em busca de maiores luzes, e estando todas elas estreitamente relacionadas com a teoria espiritualista do mundo espiritual, o mais aconselhável e mais oportuno é procurar esclarecê-las em tal sentido para o seu maior bem e progresso espiritual enquanto na Terra.

Há um ponto que eu desejo esclarecer ainda, em relação com o ensino religioso difundido na Terra, principalmente pela chamada Religião Católica, que é o culto das Entidades que viveram na Terra nos dois últimos milênios, e aqui se distinguiram por suas atividades benéficas à coletividade. Essas Entidades que regressaram aureoladas ao mundo espiritual, tendo voltado várias vezes à Terra após a sua canonização, sentem-se de certo modo constrangidas quando invocadas pelas almas encarnadas suas devotas, como seres espirituais santificados. E como a maioria dessas Grandes Almas se encontra frequentemente na Terra no desempenho de novas tarefas de serviço do Senhor, sucede que almas devotas ao se ajoelharem perante os respectivos altares e lhes implorarem proteção e graças, estão apenas irradiando seus pedidos ao Senhor Jesus, que é quem verdadeiramente atende a esses pedidos. Eu mesma devo confessar que todos os pedidos e orações que me foram dirigidos nos períodos em que me encontrava reencarnada, que foram vários nestes dois últimos milênios, foram recebidos e atendidos pelo Senhor Jesus, o Divino Pastor de todas as almas encarnadas. Deve, por conseguinte, a Religião Católica modificar este ensinamento, assim como pôr fim ao processo de canonização das almas destacadas da sua Igreja, um ato apenas confinado ao plano terreno, porque no Alto não existe a designação de Santo. Eu prefiro considerar as almas assim distinguidas no mundo terreno com o pomposo título de Santo ou Santa, como criaturas beneméritas da sociedade humana, pelos serviços relevantes que conseguiram prestar à comunidade. Sua categoria no mundo espiritual se identifica bem claramente pela luminosidade do respectivo diadema, no qual se ostentam os focos maiores ou menores resultantes de suas atividades no mundo terreno.

A propósito ainda da canonização de determinadas almas que mereceram esse honroso título da Igreja de Roma, já se contam no Alto várias dessas grandes almas que receberam esse título em duas, três e até quatro vezes, ao fim de novas encarnações, sempre com nomes diferentes. Este instrumento que me serve de intermediário, por exemplo, conta presentemente três desses honrosos títulos, em oito encarnações terrenas nestes quase vinte séculos. Talvez eu possa mencionar esses títulos ainda neste livro, se para isso eu receber a necessária aprovação do Senhor. Assim, se devotos ele tiver relacionados com as três encarnações em que foi canonizado, as rogativas desses devotos, dirigidas a cada um dos títulos que lhe foram atribuídos, têm de reunir-se na mesma alma e serão sempre atendidos pelo Senhor Jesus. Podereis talvez querer saber, almas queridas, se os santos que vivem no Alto não dispõem de poderes para atender, eles próprios, aos pedidos que lhes são dirigidos da Terra pelas almas devotas. Minha resposta é afirmativa, quanto àquilo que estiver nas suas possibilidades atender. Isto eles o fazem, da mesma maneira que um funcionário categorizado de uma repartição do governo pode atender a determinada solicitação das partes. Pela sua categoria, o funcionário dispõe de autoridade para atender a qualquer necessidade do público, desde que enquadrada nas suas atribuições. Se, entretanto, essa necessidade exceder o limite das suas atribuições, e o funcionário desejar servir a parte solicitante, ele encontrará meios de pleitear perante o chefe maior e se empenhará em obtê-la. Assim procedem também no Alto as Entidades santificadas ao receberem os pedidos ou rogativas das almas encarnadas. Sempre que os mesmos excederem as suas possibilidades, elas se dirigem ao Senhor Jesus, como eu própria tenho feito inúmeras vezes, e o Senhor concede a necessária autorização. É assim, almas queridas, que todas nós procedemos no Alto quando vos lembrais de nos endereçar os vossos pedidos, quando justos e atendíveis. É tão perfeita a nossa organização de trabalho no Alto, que nós nos desobrigamos dos nossos misteres na mais perfeita harmonia vibratória em tudo quanto nos cumpre fazer.

Deixo-vos aqui a bênção que o Senhor vos envia por meu intermédio, e a minha própria que eu vos ofereço de todo o coração.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

CAPÍTULO LXVI – Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. É preciso reconhecermos nas peças expostas o grande esforço mental dos autores. — Uma escultura grandiosa da figura da Terra com todos os acidentes geográficos. — A palavra dos autores. Uma idéia do mundo de amanhã.




Continuemos a nossa agradável visita a esta esplêndida Exposição Anual de Belas-Artes, onde tantos e tão belos trabalhos se encontram expostos à vista e análise das almas visitantes. É altamente confortador para as almas apreciadoras do refinamento artístico, verificarem a presença desta multidão enorme de almas que se movimentam em todos os setores da Exposição, interessadas, como nós, em apreciar os magníficos trabalhos expostos. Numa Exposição de Belas-Artes como esta que estamos visitando, minhas almas queridas, é mister que nos transportemos mentalmente até aos próprios artistas, com o objetivo de testemunharmos a preocupação de cada um deles em poderem captar uma idéia grandiosa, uma idéia feliz para a elaboração dos seus trabalhos. É preciso reconhecermos em cada uma das peças expostas à apreciação do público visitante, o grande esforço mental despendido por seus autores até que lograssem fixar-se na idéia final, e se decidissem a dar início à elaboração do trabalho. É necessário alguém transportar-se à situação do artista e tentar fazer-se mesmo artista, preocupado em dar forma às suas belas idéias, para que melhor se possa analisar a obra finalmente exposta com todos estes detalhes no conjunto do seu acabamento. Há mesmo necessidade de os visitantes deste tipo de exposições meditarem um pouco sobre cada um destes detalhes, para que melhor possam penetrar a concepção do artista ao se decidir por esta ou aquela expressão da sua idéia. Sem esse esforço de meditação, o visitante apenas poderá apreciar a forma externa da obra exposta, sem penetrar, contudo, no sentimento do artista. Eu procedo sempre de outra maneira. Agrada-me deter-me por longos momentos na contemplação das obras que visito, com o desejo muito meu de viver com o artista os seus momentos de imaginação, concepção e realização do trabalho finalmente exposto, algumas vezes o segundo ou terceiro iniciados. Desta maneira a minha própria alma se afina com a alma do artista, e eu consigo melhor compreender todo o esforço e valor de cada um dos autores dos trabalhos que visito e analiso. Quero dizer em outras palavras, que procuro descobrir e apreciar, não só a bela expressão da obra esculturada, mas também a alma da própria obra. Por este meu processo de admirar as obras que visito nesta, como em outras exposições, eu consigo integrar nelas a minha própria alma ao lado daquela que elas possuem. O assunto é um pouco difícil de explicar mas é fácil de entender, como todas vós já o entendestes, minhas almas queridas. Prossigamos então em nossa visita a outros trabalhos.

— Bela alma que acabas de chegar, aonde nos levarás hoje?

— Para hoje, Alma Excelsa, temos um trabalho a visitar, que eu considero dos mais importantes deste setor. Ele está aqui adiante. Ei-lo, Alma Excelsa. Este conjunto escultural foi dos últimos a chegar, tal a grandiosidade da sua confecção.

— Belo conjunto, bela alma! E qual é a sua interpretação?

— A idéia irradiada, segundo a imaginação dos autores, porque são vários, é a do mundo terreno. Apenas, em vez de construírem uma figura esférica com a semelhança da Terra, seus autores preferiram executar a idéia no plano, tal como se se tratasse de um mapa-múndi. Aqui se encontram, então, num relevo bastante expressivo, todos os detalhes do mundo terreno, suas enormes montanhas, planos, rios e mares, numa perfeita reprodução dos seus numerosos acidentes geográficos. O trabalho pode ser considerado dos mais perfeitos desta Exposição. Vejamos aqui estes detalhes. Os autores da escultura tiveram a preocupação de estudar nos mapas elaborados pelas Forças Superiores, as modificações em princípio de execução na Terra, e aqui as assinalaram em sua quase totalidade.

— Magnífico este grandioso trabalho, bela alma! Eu admiro nele, não apenas a sua grandiosidade, como também a perfeição com que tão bela idéia foi executada.

— Aqui estão-se aproximando, Alma Excelsa, duas das Entidades que executaram este grandioso conjunto. Deseja ouvi-las?

— Sim, bela alma, com grande alegria o farei.

— Artistas eméritas, que concebestes e realizastes este belo conjunto, quereis dizer-nos algo sobre o vosso trabalho?

— Com grande alegria o faremos, Mãe Santíssima, que tanto nos honrais com a vossa visita! A idéia que concebemos para concorrer a esta Exposição foi a de produzir uma obra que além de bela pela sua grandiosidade, pudesse contribuir para o maior esclarecimento das almas deste plano, acerca das transformações a serem realizadas na superfície terrena. Para isto conseguirmos, tornava-se necessário conhecermos em detalhes os planos elaborados pelas Forças Superiores, para execução na Terra. Procuramos então conhecer esses planos, o que nos foi relativamente fácil em face da excelsa bondade das Forças Superiores. Fomos convidadas a visitar aqueles planos no Palácio da Engenharia Celeste, e lá nos demoramos cerca de doze meses no estudo e anotação de todos os detalhes mais importantes. Como vedes, Mãe Santíssima, o nosso trabalho teve de ser bastante demorado para nele incluirmos aqueles detalhes. Aqui, por exemplo, estamos vendo o continente asiático, onde o regime montanhoso se apresenta como dos mais importantes da superfície terrena. Pois bem; destas montanhas que aqui vemos, várias delas se desmoronarão, segundo foi projetado pelas Forças Superiores. Desmoronadas estas montanhas, surgirão em seu lugar grandes planícies cultiváveis, destinadas à produção de alimentos para as novas e as populações atuais. Como sabemos, a falta de alimentos já é grande em toda a Ásia, onde suas populações estão ameaçadas pela fome, Uma vez concluídos os trabalhos transformatórios do solo, porém, conforme está aqui assinalado, surgirá a abundância de alimentos em todo este continente, inclusive para suprir as regiões vizinhas.

— Excelente a vossa idéia, grandes almas! A contemplação deste vosso trabalho já nos fornece uma idéia quase completa da superfície terrena transformada.

— Foi exatamente isto o que nos levou à execução deste trabalho. Como é fácil de ver, toda a região asiática está destinada a sofrer grandes transformações, em benefício do seu próprio bem. Verificando as Forças Superiores a existência de montanhas em excesso, e a carência de superfícies cultiváveis, os planos elaborados, os quais aqui se demonstram, são no sentido de transformar certas montanhas em áreas cultiváveis. Eis a sua demonstração, segundo a coloração dada a cada um desses detalhes. Estas elevações em cores amareladas representam as montanhas terrenas a serem demolidas pelos acontecimentos em curso, transformando-se em planícies cultiváveis. Para identificar essas áreas, nós demos-lhes esta coloração, podendo assim apreciar-se o mesmo fato em toda a superfície terrena.

— Pelo que aqui podemos observar, esta região asiática parece ser a mais atingida pelos acontecimentos em curso.

— Sim, Mãe Santíssima. Isso será um fato, segundo os planos das Forças Superiores. Examinemos agora o que se refere propriamente à região européia, que aqui está representada. Para evidenciar um fenômeno diferente do que se verificará no continente asiático, nós demos a certas áreas da Europa esta coloração azulada, para significar as localidades passíveis de invasão pelas águas do oceano, com risco de ficarem submersas. Vejamos isto em detalhe. Aqui temos uma grande parte da Itália, da Espanha, da França, e mais acentuadamente da Inglaterra, as quais poderão ficar submersas em grande parte. Nós demos a estas áreas a coloração azulada para melhor as distinguir daquelas áreas asiáticas. Prosseguindo veremos aqui numerosas outras áreas cobertas pela mesma coloração azulada. Elas aparecem também nas duas Américas em maior ou menor extensão, segundo os planos elaborados pelas Forças Superiores. Vemos aqui os dois pólos da Terra, o do Norte e o do Sul, ambos cobertos por outra coloração diferente, esta da cor de tijolo, para designar o aparecimento à superfície de dois novos continentes, após o degelo já em franca atividade. Estas duas regiões, bastante extensas, uma vez livres da espessa camada de gelo que as recobre, há vários milênios, tornar-se-ão áreas perfeitamente habitáveis e bastante férteis para acomodar muitos milhões de almas.

— Eu estou deveras encantada com o vosso trabalho, grandes almas. E ocorre-me aqui uma pergunta, a propósito do próximo degelo dos pólos, fato tão bem apresentado neste vosso grandioso trabalho. Esta pergunta é quanto à futura temperatura da Terra, livre da radiação gelada procedente dos dois pólos.

— Está prevista nos planos das Forças Superiores a modificação para melhor da atual temperatura da Terra, após a conclusão das modificações em curso. A temperatura acentuadamente fria da atualidade modificar-se-á segundo a posição do planeta em relação ao Sol, porém jamais haverá na Terra a época da neve e do gelo, pelo desaparecimento desses grandes depósitos gelados nos dois pólos da Terra. Os felizes habitantes da esfera terrena passarão a gozar então, de duas principais fases ou estações anuais: a Primavera, que se prolongará por um período de seis meses, e o Verão, que completará o período anual.

— Estou satisfeita com a resposta, grande alma. É exatamente o que me havia sido dito por elementos das Forças Superiores a esse respeito. Devo dizer-te, com toda a minha admiração, que este grandioso trabalho é digno de ficar exposto ainda por muito tempo, para que possa ser visto e estudado pelas almas do plano, desejosas de voltar ou não ao plano terreno. E aqui vai a minha sugestão: este vosso esplêndido trabalho melhor ficaria se exposto no próprio Palácio da Engenharia Celeste, para ser visto e examinado em todos os seus belos detalhes. É-me impossível poder examinar esta obra grandiosa numa única visita, tão interessante e objetiva ela se apresenta. Eu pretendo voltar aqui amanhã e nos dias seguintes, para ver e apreciar outros detalhes, todos tão bem elaborados por vossa comprovada capacidade. Eu vos felicito desde já pelo vosso grandioso e belo trabalho, grandes almas. Vejo, porém, algo mais que ainda desejo examinar detidamente nesta visita. Vejamos o que se prenuncia nesta obra em relação à América do Sul. Ela aqui está assinalada em parte pela coloração azulada, o que quer dizer que deverão ocorrer submersões também nesta região.

— Sim, Mãe Santíssima; mas apenas ao longo do litoral e só uns dois ou três lugares. Aqui, por exemplo, no extremo do continente, poderão submergir algumas áreas habitadas, mas só em parte, em consequência do crescimento do nível do mar. De um modo geral esse nível deve crescer em todo o planeta, em face do volume líquido resultante do degelo dos pólos. Bom seria, por conseguinte, que as populações residentes nas cidades marítimas fossem delas se afastando para o interior, estabelecendo-se nos lugares mais elevados. O fenômeno do crescimento do nível dos mares é de todo inevitável, como é fácil de deduzir após o degelo de centenas de milhares de toneladas de gelo acumulado nos dois pólos terrestres. Sem pretender referir números exatos, eu direi que o nível dos mares terrenos poderá crescer em doze a vinte graus sobre os números atuais. Desta maneira, partindo os habitantes das cidades marítimas deste pressuposto, já poderão formar uma idéia da região em que poderão encontrar-se a salvo da submersão pelas águas dos mares.

— É uma boa advertência, grande alma, essa que acabas de fazer. Vamos procurar difundi-la na superfície terrena e por toda a parte, como um bom aviso, não apenas aos habitantes, como também aos responsáreis pela administração das cidades marítimas da Terra, para que voltem os seus olhares para determinados locais onde possam edificar outras cidades a salvo da invasão pelas águas do mar.

Eu recomendaria, inclusive, aos industriais, a iniciativa do desdobramento de suas indústrias atuais, procurando localizar alguns setores de suas fábricas no interior, a pelo menos vinte graus acima do nível do mar, a fim de se prevenirem contra qualquer eventualidade. Se tal fenômeno — a inundação da cidade — se verificar, as indústrias e a mão-de-obra encontrar-se-ão a salvo, o que é muito importante decidir desde já. E se tal não acontecer, ou acontecer em grau mínimo, nada evidentemente se perderá. Devo confessar aqui de todo o coração, que muito temo pelo que possa suceder a esta bela cidade³ na qual estou ditando este livro desde o mês de maio do ano findo. E muito feliz me sentirei em saber que sua boa população nada terá sofrido com o desenrolar dos acontecimentos em curso na Terra. Até amanhã.

Deixo-vos aqui a bênção que o Senhor vos envia por meu intermédio, e a minha própria que eu vos ofereço de todo o coração.
³ cidade do Rio de Janeiro