Passa já da hora o vosso despertar espiritual . . . Saiba que a tua verdadeira pátria é no mundo espiritual . . . Teu objetivo aqui é adquirir luzes e bênçãos para que possas iluminar teus caminhos quando deixares esta dimensão, ascender e não ficar em trevas neste mundo de ilusão . . .   Muita Paz Saúde Luz e Amor . . . meu irmão . . . minha irmã

domingo, 20 de outubro de 2013

A vida de Jesus ditada por Ele mesmo - Livro - Preâmbulo


Leitor espiritualista.

Em tuas mãos depositamos este presente do céu. São páginas buriladas pelo espírito de Jesus de Nazareth, que mais uma vez nos visita para mostrar-nos os caminhos que engrandecem a alma e dão felicidade ao homem. Queres seguir a Jesus tendo Sua palavra por guia de teus passos para pores em prática as Suas instruções? Aqui está o código de amor que Ele ditou para os Seus novos discípulos.

Com a Sua nova descida à Terra, o Filho de Deus veio realizar uma das suas mais importantes promessas, a saber: a vinda do Espírito Consolador. A história mais uma vez se repete. Ali na Judéia, vemos João Batista, o Precursor, preparando os caminhos espirituais para que Jesus lance com a maior segurança os alicerces de sua doutrina, doutrina que tem vencido o decorrer dos séculos e a má vontade dos homens.

Quando no Gólgota os padres fizeram levantar a cruz supliciadora do divino enviado, completava-se a segunda revelação: estava fundado o Cristianismo. Na França, em 1865, Allan Kardec publicou o primeiro
volume de coordenação da doutrina dos espíritos e em 1885, em Avinhão, antiga cidade do sul desse país, outrora residência dos
papas franceses, Jesus de Nazareth consubstanciou nestas páginas
de Sua Vida, por Ele mesmo ditadas, este grandioso monumento de história e de religião. Não é admirável que Jesus escolhesse a mesma cidade onde os papas imperaram para dali ser espalhada a sua nova mensagem?

Por Jesus, o mesmo celeste embaixador, recebíamos a luz da terceira revelação: estava, pois, fundado o Espiritismo. Debalde a intolerância dos sacerdotes da igreja romana, demonstrada no memorável auto-de-fé, de Barcelona, reduziu a cinzas os livros do Coordenador; debalde a destruição sistemática fez desaparecer, um a um, os exemplares da VIDA DE JESUS DITADA POR ELE MESMO. Ela aqui está! Ressurge no momento mais propício, exatamente quando o nosso país encontra-se espiritualmente melhor preparado para recebê-la e para assimilar os seus inigualáveis ensinamentos.

A despeito das minuciosas buscas que se tem procedido na França e em outros países, da edição francesa atualmente, não se conhece o paradeiro de um único volume e o mesmo pode se dizer com referência à edição italiana feita pelo ilustre e intimorato capitão Ernesto Volpi. Desta, apenas um exemplar veio para a América, onde as almas boas e dedicadas a Jesus trabalharam a semente que lhes foi confiada e fizeram-na reproduzir aos milhares. Uma senhora, médium, que da Argentina trasladou-se para as plagas brasileiras, trouxe em sua bagagem um exemplar da segunda edição espanhola, publicada em 1909; este volume veio ter às nossas mãos; achamos a obra admirável mas não pensamos traduzi-la devido aos nossos escassos conhecimentos da língua castelhana.

À médium do Centro Espírita Apóstolos de Jesus, D.Theolinda Bittencourt, que também leu o exemplar que nos havia sido emprestado por um espiritista, deve-se a tradução que agora apresentamos àqueles que amam e seguem o Messias. Tanto esta senhora se entusiasmou pela leitura da VIDA DE JESUS DITADA POR ELE MESMO, e tanto instou para que a traduzíssemos, que afinal venceu a nossa resistência. A vaidade que nos acompanha é bem grande ainda pela imperfeição do espírito que dá vida ao nosso corpo, mas isto não impede que reconheçamos que o trabalho que realizamos deixa muito a desejar; erros sabemos que ele contém e muitos, alguns não soubemos corrigir, outros a nossa falta de visão espiritual não viu e a maior parte deles deixamos passar.

Entregamos aos habitantes do Brasil a primeira edição desta grandiosa obra; ela é, sem favor, a mais bela manifestação do gênio através da perfumada flor da mediunidade. Nenhuma outra se lhe aproxima. É ao mesmo tempo um livro de história e um compêndio didático de espiritismo, ensina com segurança os caminhos da espiritualidade e esclarece as páginas até aqui nebulosas da passagem de Jesus-homem pela face da Terra, onde viveu, amou e sofreu. Tudo o que andava oculto pelo interesse dos homens ou por estes vinha sendo mal explicado, recebe do insigne autor um poderoso jato de luz. Em suas páginas de uma filosofia profunda, moderna e comprovada pelos fatos, já agora em grande parte ao alcance do investigador, o estudioso encontra tudo quanto necessita para, sem outro auxílio qualquer, saber qual foi a sua origem e qual é o seu destino; onde está localizado o Inferno e onde fica o Céu, ou seja, a casa de Deus, e como se consegue penetrar ali; como a criatura deve agir no presente para ser feliz ao transpor a porta estreita da morte, dessa parca tirana que a todo o instante nos espera. Com o que aqui aprende-se com Jesus de Nazareth, a morte perde o seu prestígio e deixa de ser apavorante para tornar-se apenas um incidente na vida daqueles que se vão espiritualizando.

Não conhecemos outro livro que ensine e deleite como este. A sua leitura nos comove até às lágrimas, ele tem um poder espiritual tão grande que desperta a alma do pecador endurecido, a ponto deste, espontaneamente, dispor-se a passar pelas mais duras provações desde que possa redimir as faltas que cometeu. É um milagre de amor! Aos vencidos na luta da vida terrena, que são muitos na hora que atravessamos, enche a alma de fé, dessa fé que se dinamiza em heroísmo, desse heroísmo que tudo vence e que triunfa das enfermidades do corpo, das misérias e das dores morais que oprimem a criatura. Ao que vence as tentações da Terra e os sofrimentos, no outro mundo abrem-se-lhe de par em par as portas
de uma vida mais bela e muito mais gloriosa. Quando esta doutrina estiver bem disseminada neste planeta, não haverá mais suicídios, nem assassinatos e nem guerras. Além disto, a doutrina que Jesus aqui explana é o caminho para a solução racional e positiva de todos esses problemas sociais que agitam as nações nestes dias tão cheios de angústias e que vêm desafiando a acuidade dos homens de Estado.

O nosso maior desejo seria ver este livro nos lares de todos os habitantes desta grande nação e que as mães amorosas quotidianamente, o lessem como seu breviário e fizessem dele o fundamento da educação de sua adorada prole. Assim esta cresceria robusta na fé e se tornaria digna perante sua própria consciência. Desejamos também que os educadores da geração que vem surgindo bebessem nestas páginas os conhecimentos da doutrina do insigne Mestre para incuti-la nas almas que, sob seus cuidados, vão desabrochando para a vida, a fim de extirpar os males do mundo.

Leitor amigo; se a tua alma abriga o desejo de ser útil aos teus companheiros da Terra, auxiliando-os para o seu progresso, amparando-os em seus sofrimentos e encaminhando-os para a espiritualidade, introduze em cada lar onde tenhas uma amizade, uma destas mensagens do divino enviado para que todos recebam os altos benefícios da nova peregrinação do Mestre excelso pelo planeta terráqueo. Somente assim, semeando nas almas a doutrina de Jesus, pura como aqui se encontra, teremos amanhã uma
sociedade mais espiritualizada e por conseguinte melhor. 

Os elevados conhecimentos espirituais que aqui nos são tão singelamente transmitidos são tão bem explicados como ainda não vimos em nenhum outro livro. Se outros méritos não tivesse esta obra admirável, preparadora da evolução da criatura para a vida eterna, lapidadora de caracteres, suavizadora de sofrimentos, ao menos serviria de pedestal ao grandioso monumento de paz que se vai levantando entre as humanas criaturas que ouvem a voz do Espírito e põem em prática a sua doutrina.

A leitura desta mensagem nos predispõe para o vôo alto da espiritualidade, para a conquista dos dons de Deus — a mediunidade — ainda que isto seja, como quase sempre acontece,
com o sacrifício dos bens passageiros da Terra.

Aqueles que não quiserem progredir pela ciência e pelo amor, fechem o livro porque os seus ensinamentos muito avançados lhes não convêm. Ele foi ditado para os trabalhadores e não para os comodistas; veio à luz para os inteligentes e para os pensadores que repelem os dogmas, porque estes escravizam o pensamento e embotam o espírito. E o tesouro daqueles que sabem que o pensamento não se apaga e “segue através dos mundos, comunica-se nos espaços, liga entre si os espíritos, sanciona os princípios da fraternidade e realiza milagres de amor”.

Além de tudo isto, praticando esta doutrina elevada e pura do Messias, teremos numa arrancada prodigiosa deitado abaixo o castelo dos milagres, espavorido os ardilosos defensores dos dogmas religiosos, banido os sentimentos malsãos desta morada
dos filhos de Deus e palmilhado o mais belo caminho que é o da crença em Deus com uma consciência limpa.

Aos novos apóstolos do amor concitamos tomar a peito, levarem a palavra de Jesus a todas as partes, disseminando a religião por ele pregada, com as suas belezas, a sua ciência profunda e a sua espiritualidade segura.

Se o leitor tiver interesse em conhecer a história da época em que os romanos dominavam o mundo, ela aqui está narrada pelo mais erudito historiador; se desejar conhecer os fundamentos de uma ciência vasta, profunda e evolutiva, que muito de perto se relaciona com os homens de todos os hemisférios, aqui está o abençoado manancial onde a alma se ilustra e dessedenta; é aqui onde o espírito ávido de luz prepara-se para a grande caminhada através do espaço e do tempo. Se quiser saber de religião, duma religião que não é imposta porque não tem dogmas, que não anda atrás de predomínio porque não tem um corpo luzidio de sacerdotes e que não persegue ninguém porque o “seu reino não é deste mundo”, aqui está o seu código escrito pelo sábio legislador.

Tome-o, estude-o com carinho e que sua alma se encha de luz e compreenda afinal Deus manifestando-se ao homem por intermédio do seu Messias.

Para o sábio, para o sacerdote de idéias elevadas, para o pastor de almas, para os governantes de povos, para o chefe de família e finalmente para o povo, este é o livro imprescindível, ele completa a educação e dilata ainda mais o horizonte da vida terrena.

Nestas páginas falam Jesus de Nazareth, Maria Sua mãe, João o Batista, os apóstolos Pedro, João o Velho, Barnabé, Mateus e Paulo de Tarso.

Aos homens, o Mestre vem lembrar as coisas que por ele já foram ditas e acrescentar uma porção de novos ensinamentos que não puderam ser dados aos pagãos, nem aos hebreus, mas que agora a nossa inteligência, um pouco mais esclarecida, já pode suportar.

As palavras de Jesus são como que um avivamento de nossas idéias para que a Sua doutrina retome o fulgor dos áureos tempos apostólicos, quer dizer, pura e simples, como era naqueles dias memoráveis em que não havia uma corporação sacerdotal enfatuada de teologia, mas que os predicadores — homens do povo — tinham convicções e o Espírito descia sobre eles para que bem cumprissem suas missões. Belos tempos!

Examinando-se com atenção o que se passou no tempo de Jesus e o que agora em nossos dias se repete, não deparas, leitor amigo, com uma certa analogia entre os seguidores do filho do carpinteiro e os espiritistas desta geração? Certamente a semelhança é grande, mas nós não vamos analisá-la porque Jesus é quem está com a palavra. E como é interessante ouvi-lo falar de Sua missão terrena, de Sua meninice e de Sua juventude, da profissão humilde de Seu honrado pai, de Sua querida mãe que O adorava mas que não soube compreender a grandeza de Seu trabalho messiânico; de Seus irmãos e de suas irmãs, apontando os nomes de cada um deles; lembrar-se por onde andou e de tudo quanto fez, inclusive de Sua primeira visita ao Templo de David, em Jerusalém, acompanhado de Lia, viúva de um negociante, que ainda hoje tem a felicidade de ser abençoada pelo celeste mensageiro, apesar dos vinte séculos decorridos!

Estamos bem certos que, somente para conhecer estes detalhes tão interessantes da vida de Jesus, não faltará quem deseje ler esta sua mensagem com acurado interesse. Agora não há mais mistérios sobre a vida do Mestre, já se sabe como decorreram os dias de Sua mocidade e como, e onde foram feitos seus estudos sob a proteção de José de Arimatéia, esse grande amigo do carpinteiro José e de seu filho, o carpinteiro Jesus.

Foi Arimatéia quem abriu a Jesus as portas da Cabala¹ onde se estudava a ciência dos espíritos e praticava-se o espiritismo antigo. Logo, Jesus de Nazareth era espiritista, ninguém pode fugir à lógica dos fatos. E como José de Arimatéia explica em síntese um mundo de conhecimentos em uma página admirável, como aponta a lei que o Mestre tinha que respeitar para se manter em constante comunicação com os espíritos! Vede bem, leitor, que é o próprio Jesus quem agora vem recordar as palavras de seu amigo e esta recordação é como que a bússola que nos há de servir para as nossas relações de todos os dias com os habitantes do mundo invisível. 

Ninguém menospreze os conselhos dados por Arimatéia a Jesus e que este, certamente, deseja que sejam seguidos com carinho para que o intercâmbio entre os dois mundos prossiga nessa marcha gloriosa que os espíritos vão dilatando por todos os recantos da Terra, com real proveito para aqueles que aqui se encarnam em busca de espiritualidade. 

Talvez cause estranheza aos menos aprofundados no conhecimento das leis espirituais o fato singular de José de Arimatéia ter levado Jesus a uma reunião composta de homens chegados à idade madura, e não ao Templo, para assistir a uma sessão onde se tratou “da luz espiritual e dos meios para transformá-la em mensageira ativa dos desejos do Ser Supremo”, e que “quando deixou de ouvir-se a voz eloquente, um estremecimento magnético deu-lhes a conhecer uma adoração inefável”.Mas que tem isso? Não era no Templo, como não é na Igreja, o lugar onde a voz eloquente do Espírito se faz ouvir, e nem no Templo, nem na Igreja, as correntes fluídicas banham os assistentes.

É nos Centros Espíritas onde a voz eloquente do Espírito a cada momento inunda a alma do crente e as nossas perguntas recebem “respostas sábias e conscienciosas, e se estudam páginas magníficas, e se explicam e desvanecem contradições aparentes e dúvidas passageiras”. 

A escola é a mesma, os processos postos em prática são os mesmos, e os espíritos — sábios professores — assim como ensinaram a Jesus na memorável sessão daquela noite em que a alma do jovem Messias se sentiu arroubada diante da manifestação dos Espíritos que lhe vinham falar em nome do Pai e, como Ele mesmo confessa, na qual se sentiu ainda mais desejoso das alegrias de Deus e o Seu espírito mergulhou em profundo recolhimento para merecer essas mesmas alegrias, do mesmo modo os filhos de luz vêm ensinando aos espíritas, em nossos dias, os caminhos do Senhor, sem pedirem licença à clerezia afoita. Será bom lembrar aqui que no dia seguinte José de Arimatéia presidiu à primeira sessão de desenvolvimento da mediunidade de Jesus de Nazareth. Jesus-homem preparava-se assim para receber as comunicações dos espíritos de Deus.

Para que se possa compreender a lei que rege as comunicações dos espíritos, torna-se necessário salientar que em Jesus se confirmava que o veículo da vontade de Deus é o homem. “É preciso repetir bem que estes nunca deixam de ser homens, no pleno exercício de suas
faculdades, porque foram assim iluminados. Essas revelações eles
não as recebem muitas vezes por seu prazer, mas lhes vêm a contragosto; e quando vêm, eles as recebem como recados mesmos de Deus, seus juízos e intentos; e a sua convicção de que são órgãos deles é a melhor prova possível de que são verdadeiros oráculos divinos. Nesse caso esses inspirados não exprimem as suas próprias idéias, apesar de que seu é o modo de expô-las, e de que suas são as palavras.

Se Deus ou o Espírito Santo é quem inspira as revelações, estas são divinas, mas o órgão delas é sempre o homem, com suas limitações, sendo por isso essencial que, nessa inspiração, assim recebida e revelada, se reconheça sempre, repetimos, o elemento humano”.²

E ainda devemos acrescentar aqui: os homens médiuns que recebem as ordens de Deus para serem transmitidas aos homens, seus irmãos, todos eles já viveram na Terra e o próprio Jesus nos diz Ele “o Messias já tinha vivido como homem sobre a Terra e o homem novo tinha cedido seu lugar ao homem compenetrado das grandezas celestes, quando o espírito se viu honrado pelos olhares de Deus para ser mandado como enviado e mediador. O Messias tinha vivido sobre a Terra porque os Messias jamais vão como mediadores a um mundo que não tenham habitado anteriormente”. Logo, além de homem, é necessário que o espírito traga a experiência das vidas anteriores para ser distinguido com o mandato divino.

Será bom não esquecermos que as revelações sempre tiveram a sua origem fora das igrejas e longe da influência da casta sacerdotal. O padre é como que um fantasma que afugenta o espírito e por isso o espírito somente se manifesta onde a mão do sacerdote não amordaça a consciência. Enquanto o padre espiritualmente não se reformar, não poderá ser útil à coletividade, não servirá para nada nesse trabalho preparatório de reformas grandiosas que o mundo tanto necessita e que vagarosamente, mas com segurança admirável, vão se realizando sob a direção dos Espíritos. Assim, como o padre está vivendo, político apaixonado no seio da mais política das instituições, ambicionando e empregando todas as suas energias para conquistar as mais altas posições sociais e fortuna, não poderá de forma alguma nos servir de guia, nem mesmo para que bebamos das águas límpidas das fontes do Cristianismo, dispensamos permissões de sacerdotes ou de quem quer que seja. “Precisamos lembrar que nem o Velho nem o Novo Testamento têm por base ou esteio o sacerdotalismo.

Na Velha Aliança existiam sacerdotes como em todas as religiões; mas quem ensinava os mandamentos de Deus aos homens de Israel não eram os sacerdotes mas sim Moisés, leigo, e os Profetas, sendo que só dois destes foram da classe donde saíam
os sacerdotes.”

O que Deus quer é que todos os homens sejam sacerdotes e formem assim a Sua “nação sacerdotal”. E no Novo Testamento Jesus Cristo provir não da tribo dos Levitas, mas da de Judá, e nenhum de seus discípulos era sacerdote ou da classe sacerdotal.”³

Por que a segunda revelação (cristã) seguiu os passos da primeira (mosaica), e não irrompeu no meio dos sacerdotes que afirmam serem os representantes autorizados de Deus na Terra?

E por que o mesmo aconteceu com o Espiritismo (terceira revelação), que teve a sua origem fora do domínio das igrejas?

Fora, sempre fora dos templos e do convívio dos padres, é onde imperam o sentimento religioso e a humildade, e onde o Espírito de Jesus e os espíritos de Deus encontram os humildes homens do povo e por ele se manifestam aos homens, seus irmãos. Esta preferência tão significativa não estará indicando que as igrejas
abrigam uma religião aparatosa, amparada por dogmas insensatos e falha em seus fundamentos? Esta verdade felizmente começa a ser compreendida pelos homens inteligentes.

A deplorável cegueira humana, vagarosamente, vai se libertando da ignorância na qual tem vegetado e os padres, já meio atemorizados, começam a verificar que o espantalho dos dogmas principia a se tornar impotente para deter a marcha triunfante do Espírito que, sem lhes pedir licença, se comunica em todas as partes, fala em nome de Deus como seu mensageiro que é e fundamenta suas instruções sobre a imortalidade e a reencarnação do espírito do homem. Agora, com estes fatos, a vida é mais bela e a Justiça de Deus muito mais compreensível, porque Satanás, o Demônio ou Lúcifer, esses papões do passado, já não mais amedrontam os homens que se vão preparando para a aurora espiritual que vem surgindo no horizonte de sua vida.

O observador sente que a era espiritual está bem próxima e vê, fora das igrejas e do controle da casta sacerdotal, muita gente se purificando para entrar em constante comunicação com os espíritos puros. O espírito, em cumprimento da profecia, vai se derramando por toda a carne e a mediunidade aflora em todos os lares mesmo aqueles que, melhor trabalhados catolicamente, pelo atavismo de seus ancestrais, se mostram mais infensos às manifestações dos espíritos.

É justamente no momento em que os espíritos forçam a passagem estreita da incredulidade e deitam por terra os preconceitos humanos, o castelo dos dogmas e as superstições religiosas, que o povo brasileiro recebe a VIDA DE JESUS DITADA POR ELE MESMO, e oxalá a mensagem do embaixador das celestes moradas deposite um raio de luz em cada alma que a leia e amplie a visão do leitor para que compreenda os seus altíssimos ensinamentos sobre a doutrina do espírito.

À meditação dos crentes, ao raciocínio dos sábios, à investigação dos filósofos, ao estudo do povo deste grande país que muito ama a Jesus, oferecemos este repertório de verdades, único no mundo.

¹ Cabala ou Kabbála designa recepção da Lei revelada da ciência de comunicar com os entes sobrenaturais, em uma palavra: – Espiritismo.

² Considerações gerais sobre a Bíblia, por José Carlos Rodrigues, Cap. III, página 38.

³ Idem. Cap. X, pág. 170.



SEBASTIÃO CARAMURU