Passa já da hora o vosso despertar espiritual . . . Saiba que a tua verdadeira pátria é no mundo espiritual . . . Teu objetivo aqui é adquirir luzes e bênçãos para que possas iluminar teus caminhos quando deixares esta dimensão, ascender e não ficar em trevas neste mundo de ilusão . . .   Muita Paz Saúde Luz e Amor . . . meu irmão . . . minha irmã

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

SÓ PELO AMOR SERÁ SALVO O HOMEM PREÂMBULO DA SEGUNDA EDIÇÃO livro: Vida de Jesus ditada por Ele mesmo


    Meu conhecimento com Antônio Gama de Paula, o introdutor deste livro no Brasil, surgiu ocasionalmente, vai para quinze anos, quando ambos nos encontramos na diretoria da Tenda Espírita Mirim, nesta cidade afortunada de S. Sebastião do Rio de Janeiro.         Já então havia eu lido a VIDA DE JESUS DITADA POR ELE MESMO, em serões de família, calma e compassadamente, para que minha esposa e nossos quatro filhos pudessem participar, crianças estas embora, do encanto e bem-estar que sua leitura transmitia ao meu espírito.
       O fato de ter sido Gama de Paula o elemento escolhido pelo Alto para difundir na “Pátria do Evangelho e Coração do Mundo” no dizer de Humberto de Campos, esta obra magnífica de claridades celestiais, de parceria com Sebastião Caramuru - uma das personalidades mais atraentes por sua pureza d’alma que conheci - e o perfeito espírito de compreensão que entre nós se desenvolveu, fez que nossas constantes palestras girassem quase sempre em torno da VIDA DE JESUS DITADA POR ELE MESMO.       
    Muitos foram, sem dúvida, os que saíram a campo para dar combate a este livro, na sua primeira edição, em português, na tentativa de arrasá-lo se tal possível lhes fosse, e o fizeram inegavelmente, alguns deles, com argumentos aparentemente irrespondíveis, tão brilhantes se mostraram no manejo de uma inteligência de escol. Ao contrário, porém, do que supunham esses denodados combatentes, tanto mais acirravam o combate ao livro, mais numerosos se mostravam os interessados em conhecêlo por aí em fora. Necessária não foi a defesa da obra para que a mesma se difundisse. Sua luz assumiu uma tão grande força de expansão, que de muitos lugares chegaram pedidos de novos interessados em recebê-lo quando a edição desde muito se esgotara. Mas, para que defesa? Lá estão as palavras do Autor à pág. 252: “Irmãos meus: revelando as causas de minha condenação e os juízos errôneos de meus atos, desejo que minhas palavras não sejam defendidas a não ser por mim somente; é preciso, pois, deixá-las tal como as exponho”. E mais adiante: “Não acreditais muitos de vós que sou eu quem vos fala e nem mesmo vendo-me o acreditaríeis, e tão-pouco o acreditaríeis se
novamente crucificados vos exibissem os meus pobres despojos; porém, isto é porque fechados conservais os olhos da vossa fé, fechadas as portas da humildade, fechados os caminhos de vosso coração”. Para que defesa, pois?
      Ligado desde agora à difusão deste livro no Brasil, atendendo a um apelo fraternal do meu amigo Antônio Gama de Paula que me solicita o patrocínio desta segunda edição, faço-o com o sentimento mais puro e santo que animar me pudesse para proporcionar a mais alguns milhares de leitores, o incomparável prazer de receberem também em seus espíritos ansiosos de luz e progresso as claridades celestiais que a leitura atenta, paciente, meditada, da VIDA DE JESUS DITADA POR ELE MESMO, faz projetarem-se em jorros bem-aventurados sobre tão afortunados irmãos.
     Para encerrar este preâmbulo da segunda edição, desejo fornecer aos leitores algumas breves notas acerca da personalidade do Dr. Ovídio Rebaudi, a meu ver suficientes para
demonstrar todo o valor moral e científico do tradutor desta obra do italiano para o espanhol. Encontram-se as notas abaixo no discurso proferido pelo Sr. Juan Olivero, na noite de 24 de outubro de 1937, na Associação Cristã “Providência”, em Buenos Aires, ao comemorar-se o sexto aniversário da desencarnação daquele culto e elevado espírito . . . . . . . . . . . . . . .
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     “Deve-se recordar — diz o Sr. Olivero — que, em mais de uma ocasião, havia manifestado Rebaudi que seus sentimentos foram espiritualistas desde sua infância, porém os estudos das “Ciências Naturais”, mal dirigidos, como o são sempre pela cegueira dos professores universitários, que não examinam senão a materialidade do que nos rodeia, foram talvez os que retardam a manifestação de suas faculdades supranormais; por isso seu cérebro não dava ensejo, senão melhor se firmava nas afirmações da escola materialista.
  “Mais ou menos pelo ano de 1884, observou e estudou os fenômenos chamados “transcendentais”, logrando também reproduzir muitos deles em forma experimental e científica. 
  “Teria então os seus quarenta anos quando ingressou na Sociedade Constância, ao tempo em que praticava estudos de magnetismo nos laboratórios da Sociedade Científica de Estudos Psíquicos, que o levaram à doutrina da destrutibilidade da matéria, chegando a completar a teoria com numerosas provas, demonstrando que a matéria é um estado transitório da energia. Com este título apresentou um de seus trabalhos juntamente com outro¹ ao Terceiro Congresso Científico Pan-Americano reunido em Lima em 1924.
      “Muito tempo antes da descoberta do rádium, o Dr. Rebaudi havia notado que o acetato de urânio possuía propriedades biopsíquicas e mais tarde, quando se descobriu o rádium, comprovou a presença de pequenos vestígios deste; designou o primeiro como sal radiomagnético, por sua radioatividade. Assim, por seus múltiplos trabalhos científicos e seu saber, Rebaudi era conhecido pelo nome de “Sábio Paraguaio”. Recordarei que ele foi reitor da Universidade — Professor de Biologia e Química Médica, Diretor do Laboratório Químico e Bacteriológico de Assunção — como dos Laboratórios Químicos, Nacional e Municipal, de Buenos Aires, tendo o Município lhe concedido o título de Químico Honorário; possuindo ainda numerosas outras distinções de instituições científicas tanto do país como do estrangeiro.
      “O Dr. Rebaudi somente procurou obter renome científico, para que sua palavra tivesse autoridade ao manifestar-se sobre Espiritismo e Cristianismo.
       “Assim o vemos provando cientificamente suas teorias com investigações realizadas no Instituto Metapsíquico, cujos trabalhos foram publicados em revistas. Entre outras, La Magnetológica e Metapsíquica, em livros e folhetos, como também em conferências públicas, de onde pontificou que:

                    A matéria é um estado transitório de energia; que                               a realidade reside mais no invisível e intangível                                 do que no visível e tangível; que, entre o material                                e o elétrico e o corporal e o extracorporal, existe
                     uma substância intermédia; que a personalidade
                     humana pode agir independentemente do corpo;
                     que experimentalmente, por processos magnéticos, 
                     se pode determinar a separação da personalidade                             humana; dita personalidade exteriorizada não é
                      mais do que a alma humana; que a mesma perso-
                      nalidade, separada definitivamente do corpo pela                              morte, tem dado provas de sobrevivência; a volta                                da alma ao mundo de relação mediante um novo
                       corpo; a pluralidade dos mundos habitados; a
                       idéia de justiça; a lei iniludível do progresso; e, 
                       no fim de tudo, encontra-se a Deus.

   “Seja por disposição natural ou por meio de exercíci-os realizados, Rebaudi havia conseguido desenvolver faculdades
supranormais em alto grau, sendo-lhe possível o desdobramento, até haver chegado em certas oportunidades a fazer-se visível longe de seu corpo. Em vários ensaios de exteriorização, conseguiu visitar distantes regiões planetárias, onde recolheu sensações das quais guardou clara impressão de sua rápida visão.
 “Ele próprio também conservava recordações de diversas existências passadas que tinha bem presentes, referindo-nos encarnações, algumas delas de épocas bem remotas.
        “Tudo isto eu ponho de manifesto a fim de que seja compreen-dido que necessariamente deveria ser muito elevada sua personalidade espiritual para possuir um organismo de condições excepcionais por sua sensibilidade, dotado de faculdades notáveis. “Por sua mesma sensibilidade devia arrostar com inteireza de ânimo e superior firmeza a contínua avalanche das
forças do mal que, em constantes arremetidas, pretendiam aniquilá-lo. Mas Rebaudi, com pureza de seus pensamentos e agindo com a consciência de sua missão, passou sua vida na Terra em intensa luta para sustentar a luz pura, porque amava a Verdade.                          “Conhecemos seus esforços, suas obras e seus sacrifícios; por isso dizemos que Ovídio Rebaudi foi um ser superior, porque sustentou bem alto o ideal do Cristianismo e continua do espaço alentando com suas comunicações em apoio de seus irmãos da Terra a prosseguirem a obra de amor, como o ensinara o Divino Mestre Jesus”.
        Eis, para os leitores desta segunda edição da VIDA DE JESUS DITADA POR ELE MESMO, estes expressivos esclarecimentos acerca da personalidade do tradutor da edição italiana para o espanhol, o que deve constituir, por isto mesmo, um valioso testemunho do valor que o mesmo reconheceu nos fundamentos da obra.

Rio de Janeiro, julho de 1948  


DIAMANTINO COELHO FERNANDES

¹ Mineração Paraguaia e Química Aplicada à Higiene.