Passa já da hora o vosso despertar espiritual . . . Saiba que a tua verdadeira pátria é no mundo espiritual . . . Teu objetivo aqui é adquirir luzes e bênçãos para que possas iluminar teus caminhos quando deixares esta dimensão, ascender e não ficar em trevas neste mundo de ilusão . . .   Muita Paz Saúde Luz e Amor . . . meu irmão . . . minha irmã

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

COMUNICAÇÃO DE SARA A HEBRÉIA¹


Haviam transcorrido muitos dias depois dos fatos referidos e nada havia eu tornado a saber de Jesus, quando tive de ir ao templo devido às festas de Páscoa, que ali se realizavam. No átrio encontrei-me com algumas moças, entre as quais estava Maria, a irmã: vinham desfiguradas e correndo. Eu perguntei a esta: Maria, me dás notícias de Jesus? — Vem, me respondeu, se ainda queres vê-lo. — Corri, e todas partimos juntas. — Aonde me levas? perguntei. — Vem, se queres, me respondeu novamente Maria.                 

Em meio do caminho nos encontramos com a bela Maria, conhecida pela Madalena, que chorando desesperadamente nos acompanhou, e chegamos assim correndo à porta do palácio do governador de então de Jerusalém, o qual se chamava Pilatos.

Havia um gentio tão numeroso diante dessa porta, que era impossível passar, e uns vociferavam, outros batiam ferros ruidosamente, outros gritavam com voz rouquenha, enfim, jamais tinha eu ouvido uma barafunda tão grande — À força de irmos empurrando, chegamos ao pátio e pude ver. — Deus meu! — quem me houvera dito que tornaria a vê-lo, ao meu Jesus, em semelhante estado? Estava quase despido, com todo o corpo ensangüentado, com o cabelo e a barba em parte arrancadas, com os olhos inundados de lágrimas, porém com o semblante tranqüilo; nós, as mulheres, não pudemos resistir a tal espetáculo: Madalena desmaiou, Maria chorava, e eu, eu nada via já.

Saímos de entre a turba e para nos vermos livres mais depressa dela, atravessamos o pórtico do palácio; um homem chamado Saimod estava sentado nos degraus do pórtico; tinha a cabeça apoiada entre as mãos e grandes gotas de suor lhe corriam pela fronte e caíam no solo. Eu amava muito a Saimod e por isso me aproximei dele. Ouvi que falava sozinho e parei para escutá-lo: “O corpo sofre, o espírito ora, o filósofo luta; eis Jesus”. — Saimod, disse-lhe eu, a quem falas assim? — Apercebeu-se então de minha presença e me disse: Que fazes aqui, Jones? — Vim para ver Jesus, lhe respondi, mas, por que sucedeu isto? — Vem, prosseguiu ele, agora Jesus descansa, porque seus verdugos estão cansados; vem e te contarei o que tem sucedido, porém lembra-te, ó Jones, que grandes coisas estão por suceder, lembra-te que acontecimentos que não tornarás a ver se apresentarão hoje. Vês o sol que resplandece? — Daqui a poucas horas se escurecerá; vês a Terra imóvel? — Daqui a algumas horas se agitará. — Quem te disse isso?, lhe perguntei.— Os astros e o vento.

Saimod era um homem original e incompreensível, que sempre falava de um modo enigmático; por isso nada mais lhe perguntei, restringindo-me a saber se devia permanecer com ele. — Fica-te, me respondeu, até amanhã. — Entretanto voltou a sentar-se no degrau da escada e eu a seu lado, e não falou nada mais.

Eu pus-me a olhar o que se passava ao derredor de mim. As mulheres que me acompanhavam todas tinham saído; Madalena, tendo recuperado os sentidos, entrou novamente, e se havia atirado ao solo, com os cabelos empapando-se no sangue de Jesus, chorava, chorava. Jesus se encontrava sentado ao pé duma coluna, imóvel como um cadáver, com o olhar fixo no solo, apercebendo-se a gente de que estava vivo por um tremor que por momentos lhe percorria todo o corpo; uma infinidade de soldados dava voltas pelo pátio dirigindo palavras ignominiosas a Madalena, enquanto se riam parvoamente entre eles. Oh! — Quão negras eram suas almas! — Como eram maus todos eles! — O pobre Jesus não os maldizia, pelo contrário calava-se.

Amigos meus, semelhantes recordações não sabeis vós quanto me fazem sofrer; permiti-me, pois, que eu vá retemperar minhas forças nos espaços superiores. Voltarei outra vez.

                                                                                                  SARA

¹ Esta importante comunicação, devo-a à amabilidade de meu distinto amigo, o Capitão Ernesto Volpi. — Nota do Sr. Rebaudi.