Passa já da hora o vosso despertar espiritual . . . Saiba que a tua verdadeira pátria é no mundo espiritual . . . Teu objetivo aqui é adquirir luzes e bênçãos para que possas iluminar teus caminhos quando deixares esta dimensão, ascender e não ficar em trevas neste mundo de ilusão . . .   Muita Paz Saúde Luz e Amor . . . meu irmão . . . minha irmã

segunda-feira, 23 de março de 2015

Capítulo XXXI - Livro: Elucidário – pelo espírito de Paulo de Tarso através do médium: Diamantino Coelho Fernandes. É necessário que os encarnados façam a sua parte - Um fato ocorrido em outra esfera - Apresentação de missionários em forma visível, travando diálogos - Os discordantes - “Seja feita, pois, a vossa vontade” - Todos salvos por fim



Ao iniciar-se a fase transformatória desta pequena esfera terrestre, com o objetivo de a converter em mundo espiritualizado, encontram-se já situados no solo terreno alguns milhares de emissários do Senhor Jesus, com o propósito de ajudar os homens e mulheres que necessitarem de ajuda. São Entidades de grande luminosidade que se prontificaram a cooperar nos trabalhos de assistência espiritual aos nossos irmãos encarnados, numa emergência que pode surgir a qualquer momento e em qualquer parte.

O que, entretanto, depender dos próprios irmãos encarnados, somente os próprios poderão fazer, conforme vem sendo dito e repetido desde algum tempo. Essa parte, por depender exclusivamente de cada um dos encarnados, é necessário que eles a façam para se acharem em condições de poderem ser assistidos a seu tempo.

Os tempos, que muito próximos da Terra se encontram, não darão margem a grandes reflexões porque se desencadearão de maneira a tudo decidirem em questão de segundos ou minutos quando muito.

Por isto é que se encontram já na Terra aqueles emissários do Senhor para assistir e receber quantos possam encontrar-se em meio aos acontecimentos anunciados.

Em face disto, bem avisados andarão os irmãos encarnados para que se preparem enquanto é tempo, para receberem com a maior tranqüilidade possível o que vem sendo anunciado para ocorrer na Terra.

No momento em que as presentes linhas estão sendo redigidas, alguns fatos lutuosos acabam de suceder neste país, motivados por excessivas e demoradas descargas pluviométricas, ceifando numerosas vidas e destruindo lares que constituíam a única fortuna de seus humildes habitantes (1).

Esses fatos já fazem parte dos planos destinados a modificar parte da topografia terrena, e poderão repetir-se aqui e alhures. As almas vitimadas nos fatos recentes, assim como nos porvindouros, receberão a necessária assistência espiritual que desde algum tempo se preparava para esse momento.

Podem os sobreviventes estar tranqüilos quanto às almas que partiram em meio aos acontecimentos, porque todas foram recebidas carinhosamente e devidamente acomodadas no plano espiritual a que pertencem.

A seguir ocupar-me-ei de um fato ocorrido há vários séculos numa esfera habitada também por seres espirituais semelhantes aos que habitam a Terra, em busca, como os terrenos, de novas luzes para o seu diadema espiritual.

Cogitava-se de implantar nessa esfera uma série de melhoramentos de que a mesma estava necessitando para maior comodidade dos seus habitantes, e chegara o momento derradeiro para isso.

Tratando-se de seres já possuidores de certas faculdades mediúnicas em franco desenvolvimento, foi deliberado materializarem-se entre eles numerosas Entidades missionárias com o objetivo de lhes falarem de viva voz a respeito dos planos em andamento.

No princípio o aparecimento de Entidades materializadas entre os seres planetários causou desusada excitação entre eles, porque todos acreditavam tratar-se provavelmente do fim do seu belo planeta, tal como a imaginação poética de alguns companheiros já havia divulgado, porém uma pura fantasia.

Assim, o aparecimento das primeiras Entidades em forma visível à grande maioria, foi recebida com aquele significado imaginado pelos seus poetas.

Com o decorrer dos dias, porém, cessara a excitação imaginativa e os habitantes da esfera passaram a dispensar sua melhor atenção à palavra das Entidades materializadas.

E o que lhes diziam elas? - podereis desejar perguntar-me. O recado que todas procuravam divulgar em toda a extensão daquela esfera, para que todos os habitantes dele tomassem conhecimento, era no sentido de se conservarem atentos aos fatos que pudessem ocorrer aqui ou ali, porque nada de mau podiam significar para os respectivos habitantes.

E as Entidades ampliavam aquele recado, explicando que as Forças Governantes haviam planejado a implantação de certos melhoramentos naquela esfera com o objetivo de melhorar a vivência de todas as almas que a habitavam, e, por conseguinte, tudo quanto pudesse acontecer teria este único objetivo: a maior felicidade de todos.

Alguns diálogos surgiram então, entre os seres viventes na referida esfera e as Entidades missionárias, as quais não perdiam oportunidade de esclarecer da melhor maneira possível os seus ouvintes.

E como acontece em todas as latitudes e circunstâncias, apareceram a dialogar com as Entidades missionárias algumas pessoas a se mostrarem mais sábias ou melhor preparadas que a maioria, chegando a pretender discordar dos esclarecimentos que as mesmas ali estavam para divulgar.

Sucedeu então se apresentar um homem (digamos assim para melhor compreensão) a defender o princípio de que sendo a população da esfera soberana em seus desejos e prerrogativas, e não desejando porventura participar dos melhoramentos anunciados, se não lhe caberia o direito de assim permanecer até ao fim da vida.

- Claro que sim - respondeu bondosamente a Entidade. Se alguns de vós - prosseguiu - não desejarem participar dos melhoramentos que viemos anunciar para a maior felicidade de todos, poderão permanecer em seu estado presente, visto como nos planos divinos não existe nenhuma espécie de imposição nem de violência.

A resposta da Entidade foi recebida com grande agrado pelos ouvintes, os quais confabularam por alguns instantes, voltando então o mesmo homem a dirigir-lhe a palavra nos seguintes termos:

 - Estamos todos de perfeito acordo em que nos seja facultado aceitar ou não participar dos melhoramentos que viestes anunciar. Nossa vida decorre-nos tranqüila, próspera e feliz. Não desejamos por conseguinte participar de outras condições de vida.

- Quantos irmãos deste auditório se encontram de acordo com o que acabas de exprimir? - indagou a Entidade missionária acrescentando:

 - Peço àqueles que estiverem de inteiro acordo com o orador que se levantem por dez segundos.

Apenas o orador e uns cinco ou seis irmãos se levantaram por dez segundos, sentando-se novamente.

A Entidade agradeceu, proferindo estas palavras: - Eu vos agradeço a manifestação. Seja feita, pois, a vossa vontade. 

A seguir desmaterializou-se.

O fato provocou os mais diversos comentários entre os presentes, tendo sido os discordantes alvo do descontentamento dos demais pelo fato de haverem-se manifestado contrários aquilo que desconheciam totalmente, e que se destinava à melhoria das condições peculiares ao mundo em que viviam.

O líder dos discordantes, contudo, mostrava-se satisfeito consigo mesmo em face de haver podido discordar em voz alta de uma Entidade do mundo espiritual, e isto lhe dava a satisfação de se julgar também num nível superior aos seus companheiros presentes.

Passaram-se os tempos. Decorreram os meses e pouco mais de dois a três anos até que os fatos anunciados se positivaram naquela esfera. Ocorreram abalos sísmicos em várias regiões, sucederam alguns deslocamentos do solo com desabamento de numerosas habitações nas cidades mais e menos importantes, com as conseqüências fáceis de prever.

Numerosas vidas foram assim interrompidas em sua vivência planetária, recebidas e conduzidas com o maior carinho e conforto espiritual ao plano a que pertenciam. E de tal maneira se sentiram desde sua chegada e instalação no seu plano de vida espiritual que bem se deram por compensadas do que lhes sucedera. Agradeciam essas almas do seu íntimo os avisos e conselhos recebidos antes, no sentido de construírem elas próprias as suas ligações espirituais com seus luminares do Espaço, mercê do que puderam receber o desejado socorro no momento oportuno.

Ei-las agora genuflexas agradecendo ao Senhor Deus todo o bem que lhes proporcionara no momento crítico porque haviam passado, graças aos amorosos conselhos das Entidades missionárias que se deslocaram do Alto para o desempenho dessa nobre missão em sua esfera.

No que diz respeito às modificações ocorridas na superfície planetária em referência, bastará registrar que foram substanciais. Dos noventa e tantos mares, entre grandes, médios e menores, as transformações operadas na superfície, por meios e processos que não me compete definir neste relato, esvaziaram cerca de vinte e poucos, cujas águas desapareceram totalmente ou se transferiram a outras regiões. Das numerosíssimas montanhas de que era dotada aquela esfera, cerca de um terço se desmoronou enchendo de pedregulho e massa os extensos vales que lhes ficavam próximos. Habitações rurais e citadinas, todas elas deram a sua contribuição aos planos transformatórios de cada região habitada.

Se grandes foram os abalos registrados durante o período em que perduraram as operações transformatórias da esfera em referência, a verdade é que as populações que permaneceram, encontraram bem depressa as maiores alegrias e consolações. A Natureza toda se engalanou a partir da primeira primavera, cujos prados e montes se abriram em folhagens e nas mais belas flores, cujas promessas se cumpriram no verão e outono com a apresentação de saborosos frutos, algumas de suas espécies ainda desconhecidas para muitos dos habitantes.

Mas uma agradável compensação ainda se oferecia aos habitantes que permaneceram na esfera. Suas almas irmãs que tiveram de partir em conseqüência das operações transformatórias do planeta, suas almas queridas agora confortavelmente instaladas no plano espiritual, vinham visitá-los em determinados dias da semana em forma visível para eles, com quem trocavam palavras audíveis, relatando-lhes o nível de felicidade que haviam alcançado no mundo espiritual onde tudo era amor, paz e bem-aventurança.

Estou imaginando a vossa curiosidade em saber algo a respeito dos irmãos discordantes que deixamos no princípio desta narrativa. Para satisfazê-la eu vos direi o seguinte: - O líder do pequeno grupo residia numa habitação de sua propriedade na pequena cidade em que o diálogo ocorreu. Na profundidade da referida cidade ocorreu um dos abalos sísmicos de que falei, cujo efeito na superfície logrou desmoronar noventa por cento das construções ali existentes. A habitação do líder dos discordantes não foi sequer atingida, permanecendo de pé, firme, na pequena área em que se fixava. À sua volta, porém, tudo fora destruído, permanecendo ao longe uma ou outra habitação intocada mas totalmente isolada. Grande percentagem da população da mencionada cidade fora conduzida para o Alto, nas condições já citadas. A parte remanescente ali se encontrava em pequena parcela por ter uma parte dela fugido para o campo. O irmão líder dos discordantes, praticamente isolado em sua habitação, sem meios de subsistência no local porque ao abalo sísmico seguira-se o incêndio, contemplava o triste panorama e meditava profundamente sobre quanto ocorrera por desígnios de Deus, contra os quais ele se insurgira. Este estado emocional perdurava já por mais de uma quinzena, tempo em que, por falta de tudo à sua volta, o nosso irmão líder dos discordantes quase não se alimentou.

Seu estado agrava-se de dia para dia. Ninguém o pôde socorrer por não haver com o quê, após a destruição e incêndio do que ficara na cidade. Certa tarde ele ouviu passos em torno e abriu os olhos para ver quem seria. Reconheceu a presença de dois dos irmãos discordantes da assembléia memorável. Não vinham, porém, socorrê-lo, porque não possuíam meios para isso. Vinham, sim, em busca de algo para se manterem, visto nada lhes restar com que se alimentarem. Suas habitações - disseram - haviam ficado intactas por verdadeiro milagre, no bairro em que viviam. Suas famílias também.

Mas, e agora? - indagavam. O que haviam de fazer se tudo em volta se extinguira? O líder retrucou-lhes melancolicamente que infelizmente também permanecera no seu domínio com sua família, mas não estava em condições de poder ajudá-los no mínimo que fosse porque nada lhe restava. E ajuntou que havia assistido a partida de alguns dos seus também por falta de alimentos, caminho que ele próprio estava a pique de seguir também. Nesta altura em que todas as esperanças se haviam dissipado, em que nada mais restava a nenhum daqueles irmãos, surgiu uma idéia que reputaram a salvação de todos. Era invocarem a Entidade missionária e rogou-lha um derradeiro conselho para todos. Foi o que fizeram em profunda concentração.

- Eis-me junto de vós, meus queridos irmãos! Aqui estou visível para vós, porque no estado de invisível nunca vos abandonei. Vós seguistes vossas próprias idéias, e a Divindade preservou os vossos lares. Isto, entretanto, não foi o bastante, como acabais de convencer-vos. Respondei então ao que vou perguntar-vos, para que a vossa vontade seja feita: - Desejais permanecer em meio às circunstâncias que vos rodeiam, ou preferis desferir um vôo suave com os vossos para um plano em que o amor, a paz e a bem-aventurança serão a vossa constante por alguns séculos ou milênios?

A resposta não se fez esperar, dada pelo líder dos discordantes.

- Entidade santa, que tão bondosamente voltas a aconselhar-nos. Nossas energias estão totalmente esgotadas. Com a grandiosidade do que aconteceu em torno de nós, um único desejo agora alimentamos. Preferimos partir agora mesmo para termo do nosso sofrimento, para este belo plano de que nos falas. Conduze-nos, pois, Entidade santa!


- Acalmai-vos então. Entregai-vos ao sono reparador de que estais carecendo, e eu vos conduzirei nesse estado aonde ireis repousar. Os desígnios de Deus vos acompanharão.

(1) A tromba d'água caída na Serra das Araras - Estado do Rio de Janeiro em janeiro de 1.967.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Capítulo XXX - Livro: Elucidário – pelo espírito de Paulo de Tarso através do médium: Diamantino Coelho Fernandes. A benemérita Igreja de Roma - Reconhecimento dos serviços prestados ao Cristianismo - Numerosos ex-sacerdotes galardoados por Jesus - Aguardado novo e grande passo em sua liturgia milenar - Novo conceito do juízo final – A confissão auricular



Quando o Nosso Divino Mestre Jesus aceitou a árdua incumbência de reencarnar na Terra há mais de dois mil anos, Ele trazia bem presente em seu Espírito a necessidade da convocação de toda a humanidade para que se preparasse devidamente para assistir a grandes modificações no planeta, por serem necessárias e urgentes ao seu progresso planetário.

Sucedeu entretanto o que todos conheceis através dos registros históricos, inclusive que o Senhor Jesus foi expulso deste mundo por aqueles a quem suas idéias incomodavam. Regressou assim ao Espaço a maior Entidade que já passou pela Terra em corpo físico, onde relatou ao Pai Celestial todo o insucesso da sua grandiosa missão junto à humanidade encarnada.

Nem tudo, entretanto, se perdeu da semente lançada pelo meigo Nazareno, graças aos esforços posteriormente desenvolvidos por essa poderosa organização religiosa que é a Igreja de Roma, que no decorrer destes dois milênios muito tem feito para perpetuar a luminosa pregação da doutrina de Jesus.

Não cabe nestas páginas analisarmos em detalhe o que tem sido o trabalho desenvolvido através de esforços sem conta em todas as religiões da Terra, onde a fundo se empregaram numerosas Entidades que deram a vida pela difusão do Cristianismo junto às mais diversas categorias de seres humanos. Integram-se nesse conjunto que nós denominamos Forças Superiores, inúmeras Entidades possuidoras da mais alta luminosidade conquistada em sua última vivência terrena, em que se dedicaram de coração e alma ao serviço da Igreja de Roma. É portanto, de elementar justiça reconhecer como efetivamente todos no Alto reconhecemos, o valor dos trabalhos realizados por essa poderosa organização religiosa principalmente no Ocidente, mas também em várias outras regiões geográficas do mundo terreno. Todos no Alto reconhecemos o valor dos serviços prestados ao Cristianismo pela sábia Igreja Católica que soube firmar no solo terreno um sólido pedestal à doutrina de Jesus de Nazareth.

Não cabe aqui, repito, uma análise de seus acertos e possíveis erros que devem ter sido muitos, mas apenas evidenciar para as gerações atuais e futuras o quanto deve a implantação do Cristianismo aos valorosos missionários disseminados por todo o orbe a levar a palavra do Senhor a todos os povos. O Senhor Jesus tem reconhecido sempre o valor desse belo serviço divino, recompensando com os mais belos galardões numerosos sacerdotes da Igreja romana por ocasião de seu regresso ao plano espiritual.

Os tempos, entretanto, como tudo no Universo, avançam continuamente, assinalando cada passagem milenar um novo e grandioso passo em direção ao progresso espiritual. Assim pois, o terceiro milênio que traz uma nova categoria de seres espirituais para habitar a Terra, está a requerer da conceituada e bem organizada Igreja romana um novo e grandioso passo em sua liturgia milenar. Cessaram os tempos em que se poderia ensinar que a morte era o fim definitivo da pessoa humana, terminando no túmulo quanto o homem ou a mulher houvessem podido alcançar durante os decênios de sua existência física.

Hoje está mais do que demonstrado e provado que assim não é em verdade, e que apenas o corpo, a máquina, o organismo físico termina no túmulo, mas que esse amontoado de carne e ossos não representa mais do que um vestuário que se tornou imprestável pelo uso do Espírito. Pelo fenômeno da morte o Espírito liberta-se de sua máquina exausta e se eleva de regresso ao plano espiritual de onde proveio, onde passará em demorada revista os atos que teve ensejo de praticar ao longo de sua existência terrena. Dessa revista ou exame mais e menos demorado, o próprio Espírito ajuizará do que houver feito em prol ou contra o seu progresso evolutivo, preparando desde então um novo plano de vida terrena para quando uma nova oportunidade lhe puder ser concedida.

Isto que exponho sucintamente está inscrito nas leis divinas que regem a vida em todos os planos do Universo, e não pode ser ocultado nem contestado por nenhuma confraria religiosa sem grave prejuízo para os seus adeptos. Já não se pode mais ensinar que as almas são criadas com os corpos que vão nascendo e que morrem com eles, para ressuscitarem por ocasião do Juízo Final. Não, meus estimados irmãos encarnados. A construção dos corpos desde o ventre materno é já uma operação dos Espíritos que devem ocupá-los em sua nova peregrinação terrena, sendo por eles responsáveis até ao momento do seu sepultamento. Uma vez consumado este, regressam os Espíritos ao seu plano da vida espiritual também chamado mundo dos Espíritos, a fim de aguardarem a oportunidade de uma nova encarnação.

Se a benemérita Igreja de Roma se dispuser a ouvir em seu próprio seio, porque dispõe de meios para isso, a palavra iluminada de alguns milhares de seus ex-sacerdotes que hoje se integram no luminoso conjunto das Forças Superiores, ouvirá de viva voz ou em palavras escritas que é verdade o que digo nestas linhas, e que o chamado Juízo Final é simples figura de retórica. Cada vez que uma alma ou Espírito regressa da Terra por haver encerrado sua peregrinação, ela se submete realmente ao exame e posterior julgamento de todos os seus atos praticados na Terra, podendo esse julgamento ser então considerado o juízo final daquela sua encarnação. Assim que lhe for concedida nova permissão para reencarnar, e dando por terminada esta, ao  regresso novamente ao seu plano de vida espiritual, um novo exame seguido de novo julgamento ela defrontará, ou seja, portanto, um novo juízo. Há por conseguinte necessidade da Igreja rever os seus cânones milenares e inscrever neles a sobrevivência do Espírito, que não morre nunca, porque é imortal, infinito, como a própria Divindade.

Uma outra revisão a ser procedida pela benemérita Igreja de Roma é no que diz respeito ao cânone da confissão auricular. Com o advento destes novos tempos essa prática não mais se justifica aos olhos do Senhor, porque não foi por Ele instituída nem se torna necessária. O homem como a mulher devem habituar-se a se dirigirem diretamente ao Senhor em suas preces e meditações, a Ele se confessando se algo necessitarem de confessar, porque o Senhor os atenderá e perdoará o que mereça ser perdoado, ou enviará forças suficientes para se penitenciarem.

Ouvidos no Alto os mais destacados ex-sacerdotes católicos na Terra, todos são unânimes em considerar o Divino Mestre Jesus como a única Entidade autorizada a receber a confissão de seus guiados em peregrinação na Terra, porque o único também em condições de perdoar e ajudar os faltosos a se recuperarem.

Perdoai estimados leitores esta minha incursão em assunto que me não diz respeito, porém eu recebi do Senhor Jesus instruções que procuro cumprir através das páginas deste livro, e uma delas se refere ao que venho de escrever, pelo desejo que o Senhor alimenta de ver corrigidos na prática religiosa certos preceitos incompatíveis com a grandeza das leis divinas. O ser humano dos dias presentes possui condições, conhecimentos, e portanto possibilidades de realizar grandes coisas em sua vida terrena, necessitando apenas de despertar no âmago de seu coração a faculdade de se dirigir diretamente ao Senhor no Alto, sempre que algo suceda que isso requeira.

As religiões cumprirão sua grandiosa missão na Terra no desdobramento dos ensinamentos de ordem moral e espiritual, procurando despertar nos corações de seus adeptos exatamente a idéia da vida espiritual que se segue à vida terrena. É preciso, por conseguinte, reformar a doutrina que construiu um céu, um purgatório, e um inferno, transformando tudo isso em simples estágios espirituais de cada ser humano, segundo a bagagem que consiga portar da Terra ao fim de cada uma de suas encarnações.

Dizendo estágios espirituais estarei dizendo mais propriamente estado d’alma, em relação à soma dos atos que houver praticado na Terra. O nosso querido irmão e grande amigo Dante Alighieri, uma das radiosas Entidades do conjunto das Forças Superiores, confessa que o Inferno que escreveu na Terra e tanto tem sido citado pelas gerações que se sucedem, é o que foi vivido por ele próprio no seu país, onde tanto sofrem através da perseguição e maldades dos homens. Inferno – repete este iluminado Espírito – foi o que ele próprio viveu em sua última passagem pela Terra, cujo fogo simbólico bem serviu para calcinar algumas imperfeições de que fora portador.

Assim pois, segundo aquele Grande Espírito, o inferno é a soma dos sofrimentos impostos pelas circunstâncias ao ser humano, ao fim dos quais ele se liberta muito semelhantemente ao calcete que vence a fase de sua condenação.

São portanto estágios espirituais ou estados d’alma esses dois conceitos apresentados pelas religiões terrenas aos seus adeptos, dos quais tem resultado certa confusão em muitos dos Espíritos que regressam da Terra desejosos de os identificarem. Melhor será por conseguinte, ensinar aos seres humanos a construírem o céu em sua própria alma através da prática somente de boas ações, a fim de que possam alcançar ainda na Terra esta bela realidade: viverem um céu de felicidade ainda mesmo encarnados. Isto se consegue bem facilmente, conforme já estais perfeitamente informados. Aquele que se dispuser a viver uma vida terrena pautada pelos salutares princípios de uma perfeita harmonia com os postulados das Forças Superiores, logrará viver uma vida próspera de felicidade e elevação espiritual, ou seja um autêntico céu ainda na Terra.

Falarei ligeiramente do que entendo ser o purgatório também anunciado pelas religiões terrenas. Eu definirei o purgatório dizendo-vos do remorso que se apodera de não poucos irmãos que regressam da Terra com sua consciência bastante enegrecida pela prática de atos maus ou inconvenientes. Essa classe de irmãos fica envolvida pelos remorsos durante tempos e tempos, sem ânimo nem mesmo de poderem libertar-se. Esses remorsos tomam por vezes a forma da suas vítimas que eles enxergam não raro como aves ou animais terríveis tentando atacá-los, e sofrem dolorosamente em seu coração.

Esta é uma das muitas definições que se podem imaginar para traduzir o purgatório construído pelas religiões para atemorizar seus adeptos. Não resta dúvida, porém, que é mesmo para atemorizar.

Capítulo XXIX - Livro: Elucidário – pelo espírito de Paulo de Tarso através do médium: Diamantino Coelho Fernandes. Nova modalidade educacional por meio da imagem – A simplificação do vestuário, uma inovação em estudo – Como atingir a longevidade - Mais vive quem melhor respira do que quem melhor se alimenta - Alimentação, respiração e higiene



Prepara-se no Alto para descer à Terra dentro de bem poucos anos, uma nova modalidade de educação para a juventude. Essa nova modalidade educacional destina-se a oferecer à juventude um maior volume de ensinamentos que os atuais, e por processo de mais rápida assimilação. A imagem será usada fundamentalmente, por meio da qual os ensinamentos serão absorvidos pelos olhos mediante os aspectos focalizados, acompanhados de referências e explicações faladas de modo a completar o ensinamento. Por este novo processo educacional será possível às novas gerações gravarem mais nitidamente as lições focalizadas, pela circunstância de que as imagens gravam-se mais facilmente na memória do que as palavras.

Por meio da imagem tanto os jovens como as crianças aprenderão muito mais rapidamente os ensinamentos projetados, cabendo aos professores a tarefa de explicar detalhes que forem considerados necessários. Haverá ainda a vantagem dos jovens e as crianças poderem adquirir os quadros de suas aulas e projetá-los em seus lares à vontade, de maneira a apreenderem de forma completa os ensinamentos relacionados com suas aulas. Este novo processo de ensino se estenderá a todos os ramos escolares e universitários, tal a facilidade que trará aos estudantes de todas as categorias.

Uma outra inovação que se estuda presentemente no Alto para ser igualmente implantada na Terra é referente à indumentária dos seres humanos. Também se ultimam estudos no sentido de simplificar o vestuário dos homens e mulheres no sentido de que uns e outras possam gozar de maior comodidade em suas atividades, tornando a indumentária em geral de confecção bastante simplificada, apenas adaptada às condições climatéricas das respectivas regiões. A inovação a ser trazida à Terra não constitui, aliás, nenhuma invenção recente, porque já existe pelo menos em mais dois planetas mais evoluídos do que a Terra. Apenas está sendo estudada a sua adaptação ao solo terreno e suas condições peculiares de ar e luz, em relação às necessidades do corpo humano. Acreditam as Forças Superiores que a inovação virá agradar bastante aos encarnados de ambos os sexos, como tem agradado nos planetas em que já está em uso desde séculos.

Dadas estas interessantes notícias aos meus estimados leitores, eu tratarei a seguir de outro assunto que eu considero do interesse de todos, que é o seguinte: - Sabido como é que a grande maioria dos seres humanos gostaria de prolongar sua existência na Terra até às proximidades do centenário, se possível, eu desejo transmitir aos meus leitores algumas instruções acerca de como isso se possa conseguir em perfeito estado de saúde, que é a base essencial de tudo. Assim, pois, começarei por dizer que a manutenção da saúde do corpo decorre principalmente destes três fatores: alimentação,  respiração e higiene.

Em matéria de alimentação há que ter em vista utilizar somente alimentos puros produzidos na terra, como os legumes, os feculosos e as frutas, em cuja extensa variedade encontram os seres humanos a sua melhor alimentação. Estes elementos provenientes da terra fornecem ao organismo humano todo o suprimento necessário de vitaminas e nitrogênio, recebido por eles através da chuva e do sereno. Uma alimentação baseada neste tipo alimentar só pode contribuir para a manutenção da saúde de todo o organismo humano. O uso de peixe uma a duas vezes por semana, se o houver, completará o suprimento de fosfatos ao organismo. Tudo isto, naturalmente se fará acompanhar das quantidades necessárias de pão de milho, de trigo, de centeio ou de cevada, segundo o paladar e possibilidades de cada ser humano.

Estou falando de um modo geral, sem a pretensão de formular qualquer espécie de dieta. Cito apenas os elementos considerados de maior teor alimentício. Afasto, por conseguinte, por absolutamente prejudicial à saúde e à longevidade do corpo o uso de qualquer espécie de carne, seja de que animal for, a qual só pode contribuir para o embotamento das aptidões intelectuais do Espírito, e por conseguinte da pessoa humana, com a agravante de reduzir sensivelmente o seu período de vida.

Falarei a seguir do que diz respeito à respiração como fator de longevidade. Devo iniciar dizendo-vos que uma boa respiração metodicamente praticada é capaz de proporcionar ao indivíduo um grande número de vantagens em toda a sua vida. A propósito citarei um conceito bastante divulgado na Terra, o qual afirma que mais vive quem melhor respira do que quem melhor se alimenta. E isto é muito certo. A respiração praticada metodicamente nas horas convenientes, tem a virtude de renovar completamente a carga de ar acumulado nos pulmões, não obstante o seu funcionamento normal durante as vinte e quatro horas do dia. Por isso é aconselhável a prática de um exercício respiratório durante uns três a cinco minutos duas vezes ao dia, ao levantar e ao deitar, isto feito calmamente de pé, rosto voltado para o ar livre, se possível, a fim de receber com a inspiração certa quantidade de prana para o organismo. Deixarei de oferecer aqui um método para o exercício respiratório por julgá-lo desnecessário, face à existência de numerosos deles nas livrarias ao alcance de todos. O que reputo essencial é que a inspiração se faça de maneira a encher ao máximo a capacidade pulmonar de cada um, o que contribui para ampliá-la naqueles que possuem pulmões de reduzida capacidade.

Uma capacidade pulmonar desenvolvida oferece entre outras muitas, a facilidade de subir escadas ou ladeiras sem cansaço, e também o mesmo na locomoção a pé. Outra vantagem do desenvolvimento da capacidade pulmonar, o que vale dizer capacidade respiratória, está no fornecimento de ar puro em abundância ao coração para alimentação e fortalecimento dos glóbulos vermelhos do sangue, os quais, sem esse fornecimento vital, irão decaindo, se enfraquecendo, cedendo lugar por fim aos glóbulos brancos, e com isto o enfraquecimento geral e até a enfermidade dos seres humanos.

Poderei afirmar finalmente em relação à utilidade da respiração praticada metodicamente de manhã e à noite, que um dos efeitos sensíveis por quem a praticar é a sua maior resistência às gripes e resfriados. Efetivamente, um indivíduo habituado aos exercícios respiratórios metódicos, resiste muito mais à ação dos germes da gripe e resfriados do que os demais. O que tudo somado a outras mais vantagens, resulta para o ser humano no prolongamento de sua existência terrena até aos limites de sua própria vontade. Tudo aconselha, por conseguinte, a adotar cada qual a sua prática deste exercício.

Falarei a seguir do terceiro ponto ou meio de conseguirdes todos vós a vossa longevidade no gozo de saúde e bem-estar físico. Falarei então da higiene no que se refere à saúde do corpo humano. Um método neste particular se faz aconselhável a todos os homens e mulheres, praticado este o quanto possível de acordo com as necessidades do organismo. Iniciarei mencionando a parte eliminatória como a mais importante de todas as funções orgânicas.

A eliminação residual do organismo é ainda mais importante para a saúde do corpo do que a própria alimentação. A eliminação deve ser processada rigorosamente todas as vinte e quatro horas, preferivelmente na parte da manhã, ao levantar. O organismo trabalhou a sua parte durante o dia e a noite, e por isso acumulou uma carga de resíduos que necessita de ser eliminada, embora o indivíduo não sinta essa necessidade. É que, terminada a função orgânica, os resíduos acumulados no intestino grosso entram em estado de fermentação com a produção de toxinas que se irradiam por todo o organismo, atingindo grandemente o sangue e o coração.

Por isto é que se torna necessária a eliminação ao amanhecer, descarregando assim o organismo das toxinas em princípio de irradiação. O efeito salutar invisível desta prática pode ser constatado na limpidez e maciez da pele das pessoas cuidadosas com a sua eliminação. Aquelas que disto se descuram e só se dispõem à eliminação tarde demais, apresentam - com raras exceções – uma pele menos límpida em conseqüência de terem os poros recebido a sua carga de toxinas para eliminar. Esta parte, por conseguinte, da higiene individual, deve merecer de todas as pessoas a maior atenção, tendo-se em vista que um organismo inteiramente descarregado de toxinas resiste muito mais do que os demais às mudanças de temperatura e às enfermidades.

Resta-me falar sobre outros aspectos da higiene corporal, todos bastante conhecidos dos meus estimados leitores. São eles o banho de limpeza geral muito necessário a todas as pessoas diariamente, mas sobretudo àqueles cujas atividades se processam em locais impregnados de pó ou detritos que facilmente se agregam ao corpo.

Esse banho de limpeza tem a virtude de desobstruir os poros para que eles possam continuar a sua função eliminatória do organismo, indispensável à manutenção da saúde do corpo. Direi ainda duas palavras sobre a conservação da saúde da boca, onde os dentes devem receber cuidados permanentes durante toda a vida por parte daqueles que os conservarem. Os dentes são em geral muito afetados pela maior ou menor quantidade de acidez produzida pelo metabolismo, estando por isso sujeitos a vários tipos de enfermidades, notadamente a cárie e a piorréia. Deve haver, pois, um cuidado constante com o estado dos dentes para evitar não só a sua perda, como também a irradiação no organismo de certos estados infecciosos bastante prejudiciais. Pessoas de dentes sãos ou convenientemente tratados estão isentas de vários tipos de enfermidades, uma das quais se apresenta em forma de reumatismo.

É sabido pelos estudiosos do assunto que o reumatismo é produzido por focos infecciosos do organismo, algum deles possivelmente localizados nos dentes.

Concluindo, desejo repetir o que disse em princípio sobre a longevidade. Estou repetindo apenas uma verdade sabida por quantos atingiram os oitenta, noventa e até cem anos, que os princípios aqui expostos podem conduzir os seres humanos a essa desejada meta.

Com uma alimentação constituída de alimentos puros, o organismo humano recebe todas as substâncias de que carece para a sua manutenção em plena forma com um desgaste insignificante de sua máquina. Está excluída, de maneira total, a alimentação constituída pela carne de qualquer animal, boi, carneiro ou porco, esta última então a mais prejudicial de todas, pelos elementos deletérios que contém. Podem ser usados entretanto os produtos de origem animal como o leite, o queijo, a manteiga, cuja passagem pelo organismo quase ou nenhum mal lhe causam.

O álcool e o fumo, conforme referi em outro capítulo, devem ser totalmente eliminados, ou, quando isso se torne de todo impossível, usados em escala mínima.

Se, por conseguinte, ao lado de uma alimentação constituída de alimentos puros em que é rico o solo terreno, decidirdes adotar os outros métodos especificados, e se, além disso, vos empenhardes em eliminar todos os pensamentos e atos que a vosso próprio juízo considerardes menos dignos para a pessoa humana, então, meus queridos irmãos, podeis estar certos de varardes mais de um século de vida terrena se isto vos causar algum prazer. Experimentai e vereis todo o acerto das minhas palavras.

Capítulo XXVIII - Livro: Elucidário – pelo espírito de Paulo de Tarso através do médium: Diamantino Coelho Fernandes. Novo ensino religioso - O problema alimentar - Alimentação concentrada cientificamente preparada - A instrução, outro grande problema - Um professor de religião vindo do Alto - As duas primeiras aulas - Os Espíritos não morrem nunca



As circunstâncias em que a Terra se encontra, com sua população já bastante preocupada com o problema alimentar, é que determinaram as modificações a serem operadas em sua superfície, tal como foi projetado há muitos séculos. Isto prova que estas circunstâncias não estão sendo agora consideradas pelas Forças Superiores para inspirarem as providências, mas foram previstas de longa data em face do crescimento anual da população terrena.

O problema, aliás, não existe apenas na Terra porque é comum a todos mundos habitados e requer em todos eles soluções muito semelhantes às que foram preparadas para implantar neste mundo terreno. O problema alimentar será solucionado concomitantemente pela qualidade e quantidade dos alimentos a serem utilizados pela população. Pela qualidade, com o aparecimento de outros tipos de alimentação concentrada cientificamente preparada, aos quais aludi em capítulo anterior. Estes alimentos concentrados oferecerão aos seres humanos uma alimentação completa, mais eficiente do que o uso da carne na alimentação atual. Pela quantidade, com a ampliação das áreas de cultura agrícola, onde se desenvolverá notavelmente produção de legumes de grande teor alimentício, alguns ainda desconhecidos do homem. Desta maneira será solucionado por alguns séculos ou talvez milênios o grande problema alimentar de vários milhões de almas a reencarnar na Terra.

O outro grande problema terreno também em vias de solução dentro de alguns anos é o da instrução envolvendo a educação em geral. O processo atual, por excessivamente materializado, retira aos alunos toda idéia de que são seres espirituais provindos de outro plano para progredir na Terra, com o que se embotam suas melhores tendências espirituais, para só admitir o corpo como centro e causa da sua existência. Resulta deste ensinamento errado, palmilharem os Espíritos encarnados os longos caminhos terrenos preocupados exclusivamente com sua existência material, ignorando quase todos que essa existência é apenas mais uma dentre muitas outras que aqui viveram nas mesmas condições. Em face desta verdade constatada desde muito no Alto, é que se tornou necessário modificar verticalmente o tipo de instrução ministrada às crianças e aos jovens, preparando-os carinhosamente para uma vivência espiritual através do corpo, a fim de que todos possam firmar no íntimo de seus corações o conceito de que são Espíritos em tarefa de aprendizado na Terra, objetivando unicamente o aperfeiçoamento moral e a prática de ações meritórias aos olhos das Forças Superiores.

Efetivamente, se ensinardes às crianças desde os primeiros anos que seu corpo é apenas uma roupagem de carne de que o Espírito carece para permanecer na Terra, mas que elas, as crianças, não são o corpo que fala e se move, se alimenta e dorme, que elas são a inteligência que conduz e movimenta o corpo, a inteligência que estuda, pensa e raciocina, exatamente por serem Espíritos encarnados naquele corpo, se isto ensinardes às crianças desde o berço, estareis contribuindo decisivamente para despertar nelas as excelentes qualidades do Espírito, suas tendências e aptidões. Um tipo de ensino baseado nestes princípios imprimirá um extraordinário impulso à evolução de todos os homens e mulheres na direção de suas metas espirituais, reduzindo ao mesmo tempo suas enormes preocupações de enriquecimento, considerado geralmente como o grande objetivo da vida humana. É necessário reconhecer e proclamar bem alto que os seres humanos são apenas Espíritos em tarefas de serviço na Terra, e por conseguinte a preocupação número um em todos eles deve consistir na aquisição de novas e maiores luzes espirituais, único patrimônio que podem conduzir ao deixarem o solo terreno, uma pequena ou grande fortuna que jamais se apagará.

A propósito relatarei aqui um episódio registrado na vida de um ser humano há vários séculos quando o progresso da Terra se encontrava ainda bastante atrasado. Esse ser humano costumava entregar-se diariamente por alguns momentos a um tipo de meditação que ele considerava de grande utilidade para pensar nos seus negócios, conforme dizia. Terminada a refeição da noite ele acomodava-se confortavelmente, cerrava os olhos e assim se entregava à sua meditação por meia hora ou algo mais. Recomendava antes que o não incomodassem nesses momentos, o que todos obedeciam. Na verdade porém, aquele homem não meditava, porque adormecia todo aquele tempo. O fato é que se sua intenção era meditar nos seus negócios, e essa era a idéia do Espírito, este se desprendia e seguia a rota dos interesses materiais a que estava ligado. Numa daquelas meditações o Espírito foi atraído por um pequeno grupo de outros Espíritos que o convidaram a visitar no Espaço uma escola infantil, já que ele mantinha à sua custa na Terra uma escola para os filhos dos seus obreiros, que eram cerca de meia centena. Disseram-lhe então os amigos no Espaço que ele prestaria um assinalado serviço à Providência Divina se concordasse em acrescentar aos deveres das crianças um pouco de espiritualidade traduzida em conselhos e ensinamentos de grande valor para elas em sua vida terrena. Ele apreciou muitíssimo o ensino ali ministrado às crianças, cujos Espíritos emitiam vibrações de contentamento ao fim da aula.

Estava tudo muito bem, declarou o Espírito do homem que meditava. Gostaria em verdade de instituir na escola, que mantinha na Terra, também aquele tipo de ensinamentos; havia, porém, esta grande dificuldade: quem e onde buscar o professor, dada a falta de pessoa assim capacitada na localidade onde vivia. Não fosse essa a dificuldade, esclareceu um dos amigos presentes, acrescentando que ele próprio se materializaria para cumprir essa tarefa e iria ministrar aqueles ensinamentos em sua escola. Declarou ainda que faria isso sem que as crianças chegassem a perceber a sua manifestação. Desejava apenas que se fizesse silêncio à sua entrada, que seria igual à de qualquer outro professor, e ele daria as aulas duas vezes por semana. Assim combinado, assim se fez.

O negociante compareceu pessoalmente à sala de aulas da escola e avisou em palavras impregnadas de bondade, que havia contratado um professor muito longe dali, para dar aulas de religião das quais as crianças necessitavam para melhor se relacionarem com a Divindade. Informou que as aulas de religião seriam apenas duas vezes por semana, porém, requeriam esta condição, sem a qual o professor não voltaria: silêncio absoluto.

As crianças demonstraram-se contentes com a novidade e prometeram manter rigoroso silêncio. Tudo assim convenientemente preparado, todas as crianças ansiavam pela chegada do dia em que iriam receber a primeira aula de religião.

Este dia chegou finalmente e com grande alegria para todos. Estava presente à hora convencionada o comerciante e alguns dos seus auxiliares que manifestaram desejo de assistir àquela primeira aula.

O professor, entretanto, só o negociante o conhecia. A ninguém ele dera conhecimento do assunto tratado no Espaço. Quatro horas da tarde. Hora de encerramento das aulas na escola. Solicitado silêncio pela professora às crianças e atenções voltadas para a entrada da sala à espera do professor de religião.

Ei-lo que aparece, cumprimenta com um aceno de cabeça às crianças e aos presentes e se coloca em frente ao quadro negro, olhando serenamente aquele grupo de crianças que o fitavam embevecidas. E assim principiou sua aula inicial em palavras bem claras, perfeitamente audíveis em toda a sala:

 “Meus filhos! Venho hoje à vossa escola para vos ensinar a amar a Deus sobre todas as coisas. Mas também quero ensinar-vos a amar a todas as outras crianças porque todas as crianças são filhas de Deus, embora os seus pais na Terra sejam diferentes. Isto é um pedaço da religião que todos necessitais de conhecer. A religião nos ensina que todos os seres humanos, os homens, as mulheres e as crianças, são filhos de Deus, de um só Deus, do mesmo Deus, que é o Pai Espiritual de todos nós. A religião nos ensina, por conseguinte, a olharmos para todas as pessoas como se irmãos fossem de pai e mãe, porque sendo também filhas de Deus, são igualmente nossas irmãs”.

“Desejo ensinar-vos agora a vos dirigirdes diariamente a Deus e a Jesus que é o seu representante na Terra, para agradecerdes a proteção recebida cada dia, e pedir nova proteção para o dia seguinte. Isto se faz ajoelhando junto ao leito na hora de deitar, de mãos postas e o pensamento em Deus, para que Ele receba a vossa oração e vos lance a Sua bênção. Fazei isto todos vós a partir de hoje.”

Esta foi em síntese a primeira aula de religião ministrada pela Entidade materializada, com uma duração de cerca de cinco minutos. Terminada que foi, a Entidade cumprimentou a escola com novo aceno de cabeça e dirigiu-se para a saída. O grupo de crianças ficou como que magnetizado. Elas entreolhavam-se sem proferir palavra. Assim permaneceram alguns instantes até que a professora, ela própria também magnetizada, indagou do negociante mantenedor da escola:

- Quem é este professor, Senhor. . . ?
- Este professor foi-me recomendado por um amigo, como um grande professor de religião, declarou o negociante.

- Pareceu-me realmente extraordinário – acrescentou a professora, olhando pela janela a estrada que levava à escola, e voltando-se para o mantenedor da escola, exclamou:

- Mas, extraordinário! O professor saiu daqui há poucos momentos e ainda não apareceu na estrada! Eu vejo a estrada desde a escola e ele não apareceu!

- Falaremos a respeito desse professor oportunamente - disse-lhe o mantenedor, acalmando-a.

Chegado o dia da segunda aula, tudo ocorreu como na primeira. O professor ingressou na sala, cumprimentou a todos com o aceno de cabeça e postou-se no seu lugar em frente ao quadro negro. A atenção das crianças assim como o silêncio eram completos. Só a professora o olhava com visível curiosidade. O professor iniciou com estas palavras a sua segunda aula:

“Meus filhos, a quem muito estimo em meu coração! Para a nossa aula de hoje, eu vou falar-vos do vosso Espírito. Ficai sabendo que todos vós, meninos e meninas, tendes um Espírito. Direi melhor esclarecendo-vos que todos vós sois Espíritos. E sendo Espíritos, já tivestes muitas vidas na Terra animando outros corpos que não esse que possuís agora. E sendo Espíritos, já regressastes ao Espaço outras tantas vezes a fim de lá descansardes e vos preparardes para voltar à Terra em outro corpo. Hoje vós sois crianças apenas porque vosso corpo atual ainda está crescendo, mas logo será adulto, e então vosso Espírito encontrará meios de manifestar as qualidades e aptidões que já possui. Ficai sabendo então que esta não é a primeira vez que nascestes na Terra e que sois crianças. Todos vós já fostes grandes, tivestes um lar vosso, tivestes filhos que também criastes e educastes. Agora sois novamente filhos e haveis de crescer e construir novos lares, porque isso faz parte da lei da vida.

“Estais presentemente nesta escola para aprenderdes a lidar com as coisas da Terra, para o que se torna indispensável saber ler e escrever corretamente. Depois desta escola vosso Espírito vos guiará aonde tiverdes de ir, sempre com o objetivo de aprimorardes os vossos conhecimentos e a vossa moral. É necessário, entretanto, que procureis ver em todas as outras crianças e em todas as pessoas, criaturas filhas de Deus como vós próprias, e por isso merecedoras da vossa amizade e respeito. Quando vossos corpinhos de hoje se tornarem velhinhos e imprestáveis ao seu uso pelos vossos Espíritos, eles, os corpos, morrerão, serão sepultados no seio da terra. Vós porém, filhos meus, vós não morrereis nunca, porque os Espíritos não morrem jamais. A vida do Espírito é eterna, infinita. Quando, pois, os vossos corpos se tornarem imprestáveis ao uso deles pelo Espírito, vós os abandonareis e regressareis ao mundo espiritual, onde tendes estado muitas vezes nos intervalos das vossas encarnações, e onde encontrareis todas as pessoas que foram vossos parentes e muitos conhecidos que partiram da Terra antes de vós.

“O que então eu quero deixar bem claro ao vosso entendimento é isto: os Espíritos não morrem nunca. A vida do Espírito é uma sucessão de encarnações e desencarnações neste pequeno mundo terreno. Por isso é preciso que procureis aprimorar as vossas boas qualidades e orar constantemente a Jesus para que vos abençoe, guie e proteja nesta nova vida que estais iniciando. Amai, portanto, a Deus e a Jesus de todo o vosso coração e amai aos vossos amigos e conhecidos como se irmãos vossos também fossem, filhos dos vossos pais. Esta é a lei da vida, e portanto, a lei de Deus.”

O professor despediu-se e se retirou como da primeira aula. Os ouvintes, crianças e adultos manifestaram-se maravilhados com esta segunda aula, ministrando ensinamentos jamais ouvidos na localidade. A professora sentiu-se um tanto enciumada em face dos ensinamentos dados aos seus alunos, e que ela se sentia incapacitada para dar. Resolveu por isso tomar as suas notas com o objetivo de se preparar para ministrar futuramente aulas semelhantes para as novas turmas de alunos.


O mantenedor da escola mostrava-se radiante e continuava as suas meditações diárias, durante as quais muito ouvia e aprendia no Espaço. As aulas de religião continuaram naquela escola duas vezes por semana durante algum tempo.

terça-feira, 10 de março de 2015

Capítulo XXVII - Livro: Elucidário – pelo espírito de Paulo de Tarso através do médium: Diamantino Coelho Fernandes. Nada acontece por obra do acaso - A realidade que se aproxima - Condições para nova reencarnação neste plano -Redenção de um Espírito após uma série de encarnações em que foi imperador, pirata, mercenário e por fim religioso



As coisas que acontecem ao longo dos séculos e dos milênios, em todos os mundos em rotação permanente no espaço cósmico, obedecem invariavelmente a estudos e planificações realizados com uma grande antecedência pelas Forças Superiores, incumbidas da direção da vida em cada um desses mundos. Nada acontece por obra meramente do acaso, ainda porque o acaso também não existe. A vida dos seres humanos foi planificada de há muito, conseqüentemente, de tudo quanto está para se positivar na Terra em dias muito próximos nada deve surpreender aos seres humanos porque, não apenas estão sendo despertados a respeito, como também seus Espíritos já encarnaram perfeitamente cientificados de tudo quanto está para acontecer. Como, entretanto, quase todos os homens e mulheres olvidaram os fatos registrados em sua memória espiritual, ao mergulharem no seio materno para a construção do corpo físico no qual se locomovem, tornou-se necessária à vinda de emissários de Jesus a despertá-los para a realidade que se aproxima. Esta realidade consiste nas operações transformatórias de uma grande parcela da superfície terrena, adaptando-a às necessidades de uma população maior e mais refinada dos hábitos e sentimentos, necessitando por isso de grandes adaptações do que ora existe. Lucrará com isso também o planeta, que passará de sua presente condição à condição de mundo espiritualizado ostentando uma população de Espíritos muito mais evoluídos que os atuais, de cujas vibrações o planeta grandemente se beneficiará.

Isto não significa absolutamente que os atuais habitantes da Terra não possam a ela voltar, após o necessário estágio que irão fazer no seu plano espiritual, ao deixarem seus corpos atuais. Acredito sinceramente que a grande maioria dos homens e mulheres da atualidade terrena, aqui voltarão, se nisto se interessarem realmente. Eu digo isto porque conheço bem de perto as condições da grande maioria dos irmãos encarnados, dos quais unicamente dependerá o seu regresso ou não à vivência nesta pequena esfera, após a sua transformação em mundo espiritualizado. Para isso conseguirem, necessitarão apenas de harmonizar suas vibrações com aquelas emitidas pelos habitantes do futuro na Terra, todas do mais alto nível, para que não venham destoar desse conjunto. Imaginai uma grande orquestra constituída por elementos realmente preparados a executar cada um a sua parte numa execução harmoniosa, entre os quais um ou outro, por falta de preparação, desafinassem o conjunto. Está claro que esses elementos assim despreparados não poderiam fazer parte dessa orquestra até que se preparassem convenientemente.

Pois o conjunto populacional dos habitantes da Terra, será constituído em verdade de Espíritos selecionados no Alto pelo Grande Regente da orquestra que deverá transformar num conjunto da mais perfeita harmonia, as vibrações emitidas pelos habitantes deste pequeno planeta. Não vejais, porém, dificuldades insuperáveis na aquisição das condições exigidas pelas Forças Superiores dos novos habitantes deste mundo terreno de que ora me ocupo. Nada disso estimados irmãos leitores. As condições para essa nova vivência na Terra todos vós as possuís desde muito para alguns e recentemente adquiridas por outros. Necessitais apenas de evidenciá-las mediante a concentração da vossa vontade em alcançar esse novo degrau que tendes à frente, perseverando em vos manterdes em contato com as Forças Superiores pela maneira que conheceis, a fim de que vossos nomes possam ir sendo anotados entre os daqueles que já se encontram registrados ou já estão descendo à Terra.

A verdade, filhos meus, é a seguinte: ao deixardes a Terra pelo encerramento da vossa presente encarnação, todos vós tereis de permanecer em algum lugar do Universo, seja um plano espiritual e portanto em Espírito, ou um mundo físico, onde continuareis vosso aprendizado que é infinito. Se, por meio de uma determinação exclusivamente vossa, preferirdes voltar à Terra quando este pequeno planeta já deverá constituir um autêntico paraíso, podereis realmente voltar a reencarnar aqui, seja neste país ou seja em outro, o que é mais certo, e aqui desfrutar as vantagens dessa nova encarnação. Ao contrário disso, se nada fizerdes em tal sentido, de certo permanecereis em algum ponto do plano espiritual, onde, aliás, vivem muitos milhões de almas orando e trabalhando pelo próprio engrandecimento. Está por conseguinte em vossas mãos decidir acerca do vosso futuro próximo, e eu só desejo que opteis livremente a respeito.

Em seguida relatarei uma pequena história de algum modo relacionada com o que acabo de escrever. É a história de um Espírito que viveu na Terra algumas encarnações, adquirindo aqui um bom cabedal de experiência e um belo foco de luz espiritual. Regressando ao Espaço ao fim de uma dessas encarnações optou pela sua permanência ali, para descansar um pouco - declarou - antes de empreender novo destino. Como no Alto a verdade de cada um é soberana, assim sucedeu àquele Espírito. Ele repousou o quanto lhe aprouve enquanto passava em revista os fatos registrados em sua última peregrinação terrena. A certa altura desejou relacionar-se com a vida universal em seus numerosos detalhes, desejoso de ilustrar-se o quanto possível, e recolheu-se à grandiosa biblioteca do seu plano, onde mergulhou, por assim dizer, lendo, estudando, anotando quanto lhe pareceu interessante. Voltando páginas sobre páginas da História da Terra, riquíssima como se encontra de acontecimentos lamentáveis, promovidos pelas gerações que aqui viveram, e demasiado pobre, paupérrima, de fatos grandiosos, aquele Espírito deparou com o registro relacionado com uma de suas existências em que fora grande, poderoso entre os seus contemporâneos. A leitura que ia prosseguindo como se transformava num verdadeiro espelho de sua própria vida, tendo ele então deixado de ver aquele registro histórico para ver-se a si mesmo no centro dos acontecimentos. Estes, lamentavelmente, não eram de natureza a causar-lhe entusiasmo, porque as conseqüências o abatiam, humilhavam, reduziam, na constatação que fazia do quanto fora impensado, orgulhoso, ambicioso e violento para com seus contemporâneos mais fracos. Teve por efeito dessa recordação, de interromper a leitura que vinha fazendo profundamente interessado na História da Terra. Deixou a biblioteca e mergulhou no seio da Natureza, num recanto absolutamente silencioso, onde apenas o borbulhar de uma fonte cristalina lhe chegava aos ouvidos em repouso. Entregou-se nesse lugar aprazível às suas meditações. Sentiu-se transportado a um passado de vários séculos em que fora elevado pelos homens à chefia de um grande império na Terra, prometendo promover a felicidade dos seus súditos e a grandeza incomparável dos seus domínios. Desfechou com tal propósito quantos conflitos lhe pareceram úteis, não levando em conta o número de vidas humanas sacrificadas nem o de bens destruídos. Lutou, lutou muito, e como era rico o seu império, a vitória lhe sorria invariavelmente. Os domínios do império cresceram, ampliaram-se a um limite jamais sonhado pelo grande imperador. Como tudo, porém, tem o seu limite no plano físico, um dia fatídico raiou e com ele a derrubada de todos os castelos de cartas do imperador. A sorte das armas fora-lhe contrária em sua última batalha, e o grande imperador, senhor absoluto de uma grande parcela da população terrena, via-se em mãos do inimigo, irremediavelmente aprisionado. Com o fim de conseguir a liberdade ofereceu ao inimigo tudo o que possuía, fortuna, castelos, o próprio império. Nada disto convinha ao inimigo. O valor maior consistia na propriedade de sua própria pessoa, porque, prisioneira e bem guardada, nenhum perigo oferecia jamais a nenhum país vizinho. Seu império foi assim ocupado pelo inimigo, seus castelos, seus bens e fortuna mudaram de mãos enquanto o antigo grande imperador descansava bem guardado por seus vencedores.

Nosso irmão reviveu assim mentalmente todos os fatos e acontecimentos em que fora parte ativa numa de suas passadas encarnações, sentindo ao fim um justificado abatimento moral. Ele que já podia ostentar um tão belo diadema de luzes espirituais, contava no seu passado fatos que tanto o entristeciam. Resolveu então prosseguir no exame de suas recordações em torno de suas diversas existências verdadeiramente punitivas ou cármicas, em decorrência do muito que fizera antes. Foi homem do mar num navio pirata, daqueles que todos conheceis de há bem poucos séculos. No decorrer de uma abordagem foi ferido mortalmente e caiu ao mar sem possibilidade de socorro. Assim transtornado, os peixes se banquetearam no seu cadáver sem meios de poder impedi-lo. Permaneceu após, anos e anos nesse local impossibilitado de abandoná-lo, onde sofreu moralmente, duramente. Certo dia lembrou-se de orar a Deus pedindo clemência e logrou ser socorrido e conduzido ao Espaço onde repousou confortavelmente. Passado algum tempo nessa situação onde procurava reunir seus pensamentos, alguém que dele se aproximou, gritou-lhe ao ouvido: vamos para a Terra! Recebendo a ordem e sem poder analisá-la partiu com aquele alguém, sentindo-se em breve construindo novo corpo no seio materno de quem não conhecia. Nasceu e cresceu então no meio de uma família paupérrima onde a fome morava continuamente. Convidado a entrar na vida militar onde havia comida bastante, ingressou num exército mercenário como havia muitos antigamente. Sua profissão seria, pois, batalhar em troca da alimentação e de algumas moedas muito estimadas. Teve por isso de lutar permanentemente como era da profissão. Teria portanto de contar também com o pior, como de fato aconteceu. Caindo prisioneiro com alguns companheiros, viu-se com eles passado a fio de espada como a maneira que os vencedores encontravam de não despender ração com os prisioneiros. Aquele Espírito regressou, pois, uma vez mais ao Espaço numa situação de causar dó, sem que tivesse podido adquirir algumas onças de luz também nessa última viagem a Terra.

Outras e outras recordações ainda se apresentavam ao Espírito de quem tratamos, durante os longos momentos, dias talvez, em que esteve entregue às suas meditações. Entre elas surgiu uma, pelo menos, que lhe proporcionou momentos de alegria. Foi uma encarnação em que ingressou no serviço religioso, e de tal modo se dedicou às suas tarefas, que desejou partir numa caravana missionária junto aos aborígines da América, com a elevada finalidade de os conquistar para a santa doutrina de Jesus. Nesta sua existência muito se empenhou de todo o coração, conseguindo ser ouvido pelos nativos, embora com resultados bastante precários. Distinguiu-se, porém, de tal modo no desempenho dessa tarefa, pregando e exemplificando a doutrina cristã, que ao regressar ao seu plano espiritual constatou com justificada alegria haver conseguido, realmente, cumprir uma existência bastante útil aos trabalhos do Senhor neste pequeno mundo terreno.

Posteriormente viveu aquele Espírito outras vidas particularmente felizes no solo terreno servindo como podia ao Senhor Jesus, a quem verdadeiramente se afeiçoara. Nosso Senhor então, com o desejo de recompensá-lo, ofereceu-lhe o governo de uma grande nação da Terra, se isto lhe aprouvesse, para que pudesse apagar completamente a mancha que ainda restava de quando se encontrara à frente do grande império muitos séculos antes. O nosso estimado irmão aceitou por se tratar de uma tarefa de reabilitação espiritual, mas rogou de joelhos ao Senhor que da mesma o retirasse instantaneamente quanto estivesse na iminência de levar a efeito algum procedimento em desacordo com a vontade do Senhor. Aquele nosso irmão retornou então a Terra, sendo conduzido pelas circunstâncias ao governo de poderosa nação, onde os seus melhores momentos, conforme referiu mais tarde, eram aqueles em que se recolhia ao sagrado aposento que mantinha, e orava ao Senhor para dar conta dos seus atos e rogar inspiração para os que tivesse de praticar.


Foi realmente modelar a sua administração como chefe que foi durante muitos anos de uma grande nação latina. Ao desencarnar, cercado da admiração e do amor dos seus governados, nosso estimado irmão foi recebido no Alto pelo Senhor Jesus, que o felicitou vivamente pela correção de sua última existência terrena, somada ao grande bem e felicidade que havia proporcionado aos seus governados. Um belo galardão foi então colocado pelo próprio Senhor Jesus no peito daquele estimado irmão inteiramente redimido.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Capítulo XXVI - Livro: Elucidário – pelo espírito de Paulo de Tarso através do médium: Diamantino Coelho Fernandes. Tal como no mundo terreno - Grande estrondo assusta a população - Caravana de curiosos partiu para o local – Alta cordilheira projeta-se no lago - Operação dirigida pelas Forças Superiores - Acontecimentos semelhantes esperados na Terra para breve





Aconteceu certa vez, milênios decorridos, estar a população de um determinado mundo na expectativa de acontecimentos surpreendentes, em face de certos avisos nitidamente percebidos, de que o seu mundo iria acabar, desintegrando-se na imensidade do infinito. Essa expectativa da maior ansiedade para toda a população prolongava-se já desde muitos anos, fazendo com que, com o decorrer do tempo, ela fosse abrandando, diluindo-se até ficar em parte esquecida pelas gerações mais recentes.

Os avisos difundidos, contudo, eram verdadeiros porque realmente algo teria de acontecer àquela esfera dentro de um período maior ou menor. Havia sido planejada pelas Forças Superiores uma grande modificação nas condições de vida na referida esfera, tal como está acontecendo ao mundo terreno, e era imprescindível prevenir sua população acerca dos fatos em perspectiva. O estado evolutivo da grande maioria dos habitantes daquele mundo era um pouco inferior ao da atual população da Terra, havendo por conseguinte uma grande dificuldade em fazê-los compreender o real objetivo dos avisos difundidos por toda a sua superfície. Foi deliberado anunciar-se o próximo fim daquele mundo em vez das modificações a operar na sua estrutura, por ser a notícia que mais fundo calaria no coração dos habitantes, levando-os à prática de atos preparatórios de sua partida pela morte de todos, e isto ajudaria bastante o trabalho de recuperação das almas que viessem a desencarnar. Assim deliberado, assim se fez. Apareceram por toda a parte Entidades reconhecidas pela maioria da população, anunciando-lhes, em palavras perfeitamente audíveis, o próximo fim daquele mundo pela desintegração lenta, havendo por isso a maior conveniência em que a população inteira se preparasse para o acontecimento, porque estava escrito que ninguém permaneceria em sua superfície.

Estes avisos lograram impressionar profundamente os habitantes da esfera em referência, por serem difundidos por Entidades nela veneradas por todos como homens que muito se destacaram por seus feitos em benefício de todos, a maioria dos quais eram venerados como mestres, instrutores e santos, para mencionar títulos designativos de fácil compreensão dos leitores. Os homens do governo, os líderes da população, os seus clérigos e quantos possuíam uma parcela de autoridade, passaram a promover reuniões públicas onde compareciam algumas das Entidades espirituais incumbidas de preparar a população para aceitar o fim do planeta com demonstrações de tranqüilidade e fé na sua salvação como almas que eram, e por isso sua existência era infinita, eterna, e dali seriam retiradas para outros planos onde nada lhes faltaria. O assunto era exposto pelas Entidades e pelos promotores daquelas reuniões com muita propriedade, sendo aceito sem reservas por todos os ouvintes, e levado por estes para seus lares e daí propagado aos que não podiam comparecer.

Em resultado da excelente pregação que era difundida por toda a parte, foram desaparecendo gradativamente da população em peso, todas as idéias malsãs até então existentes, para dar lugar à consolidação da idéia mater em todas as mentes, a respeito da necessidade de entendimento sincero entre todos, mútuo auxílio e cooperação fraterna como preparação necessária à perfeita salvação de todos.

Citavam as Entidades espirituais em seus avisos a necessidade absoluta de que todos deixassem naquele mundo toda espécie de ambições de grandeza e prepotência sobre os demais, porque tais sentimentos, por demasiado densos, impediriam as almas de se elevarem do solo, o que resultaria na sua desintegração juntamente com a esfera em que viviam. Esse plano de trabalho havia sido longamente meditado no Alto, devendo a sua aplicação atingir todos os objetivos visados, em beneficio de quantas almas teriam de ser preparadas, cientificadas, e por fim conduzidas ao espaço sideral.

Concluída a campanha preparatória em seus mínimos detalhes ao longo de muitos anos, meio século talvez, foi dado início aos trabalhos transformatórios do planeta em referência para introduzir em seu solo condições julgadas necessárias ao bem-estar dos seus habitantes. Esses trabalhos foram iniciados no centro do planeta por meio da colocação de elementos apropriados à produção dos efeitos esperados em sua superfície, em grande parte muito semelhantes aos que se processarão nesta vossa pequena esfera.

Lá, como aqui, havia grandes áreas inteiramente inaproveitáveis pela população, as quais necessitavam de ser revolvidas em profundidade. Para esse fim é que os trabalhos fundamentais eram iniciados no centro do planeta, e daí dirigidos técnica e cientificamente às regiões por eles visadas. E eu me permito relatar-vos o que sucedeu em determinada região nas condições citadas. Tratava-se de longa cordilheira bastante pobre de vegetação, desprovida de qualquer utilidade para a população, visto não ser sequer utilizada para pastagem do gado de qualquer espécie. Tal cordilheira marginava um lago imenso que, por sua localização em região desabitada, nenhuma utilidade oferecia também aos habitantes dessa esfera. Foram por este motivo incluídos, tanto a cordilheira como o lago imenso, no plano transformatório do mundo em referência. Certa madrugada a população distante desta região acordou assustada com o estrondo que todos ouviram e sentiram estremecer o solo em derredor. O que terá sido, o que terá acontecido, será então o fim do mundo, todos se indagavam, preocupados, decidindo reunir-se uma vez mais em prece de socorro para todos. Vinte e poucas horas mais tarde um novo grande estrondo abalava fortemente o solo, sem contudo causar qualquer efeito na região habitada. É que o epicentro do acontecimento se encontrava a muitos e muitos quilômetros de distância. Passados os primeiros dias após o fato, e nada mais se ouvindo nem sentindo, os habitantes dessa região se acalmaram e voltaram aos seus trabalhos normais. Concluíram que embora o seu mundo tivesse sofrido um grande abalo repetido, não tinha acabado, uma vez que tudo continuava em paz à sua volta.

A curiosidade que é humana e universal, e se manifesta a mesma em todos os planos ou mundos do Universo, contribuiu decisivamente para o esclarecimento do fenômeno que acabo de referir. Uma caravana de curiosos se constituiu entre os habitantes da região que ouviu e sentiu os dois grandes estrondos, e partiu em direção à região em que se localizava a cordilheira e o lago imenso, desejosos de identificar o fenômeno ocorrido naquela direção. Partiu a caravana de curiosos preparados para uma longa excursão, munidos, portanto, do que necessário fosse para a sua manutenção e vivência por largo período de tempo. Partiram na caravana alguns homens melhor preparados técnica e cientificamente para apurar e registrar o que quer que fosse em relação ao que fora ouvido e sentido em sua localidade. Esses homens, aparentemente movidos por mera curiosidade, não teriam decidido só por si tão longa caminhada se não tivessem a incentivá-los no plano invisível as Forças Superiores para que fossem tomar conhecimento dos fatos que a todos tanto preocuparam. Partiram assim verdadeiramente decididos a observar e registrar os efeitos do fenômeno, para elucidação de toda a região em que viviam, quiçá do resto do planeta.

Decorridas aproximadamente umas três semanas do vosso calendário, a caravana regressava com alvoroço, a relatar o que vira, observara e documentara no local de sua excursão. Declaravam então os membros daquela caravana que não mais existiam as montanhas altíssimas que formavam a longa cordilheira dantes situada à margem do lago imenso que para nada servia, por se encontrar inteiramente encurralado entre montanhas. Repetiam os excursionistas, verdadeiramente eufóricos, o que haviam observado e documentado fotograficamente. Não mais existiam, nem a longa cordilheira nem o lago. Aquela, impulsionada pela força do tremendo terremoto, projetara-se sobre as águas do lago, aterrando-o quase de maneira completa, havendo agora uma planície gigantesca em processo de decantação. Verificaram os excursionistas que o deslocamento da cordilheira fez aflorarem das muitas nascentes a preciosa linfa que procurava encontrar caminho por entre os destroços das montanhas arremessadas em direção ao lago. E concluíram que a antiga região absolutamente inútil à população do planeta, seria de agora em diante, possivelmente, uma região fértil que era necessário aproveitar de imediato.

E assim se fez. Na região antes descrita, reunindo a cordilheira de montanhas altíssimas e o lago imenso, existem desde então extensos campos de grande fertilidade na produção de alimentos, tendo-se edificado em seus arredores um volumoso núcleo populacional, graças às operações transformatórias empreendidas pelas Forças Superiores no mundo referido.

Este é um fato apenas entre muitos outros que se registraram em numerosas regiões daquele planeta, todos coroados do mais completo êxito, tal como previsto fora no plano longamente meditado e pacientemente elaborado pelos Dirigentes Superiores desse plano de vida física.

Não necessitarei de dizer que o plano foi igualmente coroado de êxito na parte que diz respeito à condução das almas aí desencarnadas por efeito dos acontecimentos citados. Se na região que acima descrevi o processo telúrico não alcançou nenhuma vida humana pelo fato de ter ocorrido em local inteiramente desabitado, é preciso esclarecer que outros fatos semelhantes se verificaram em locais mais ou menos povoados, em cidades inclusive, onde a colheita de almas necessitou de grande atenção e esforço para que nenhuma se transviasse. Muito ajudou o êxito deste tipo de operação espiritual, a circunstância da quase totalidade das almas viventes ter-se preparado para esperar o fim do planeta, purificando o quanto possível seus sentimentos e atos, com o pensamento firmado na sua própria salvação espiritual. Esta circunstância permitiu às Forças Salvadoras aplicarem sua força magnética atrativa, atraindo desta maneira as almas em sua vivência física, para o plano de vida espiritual respectivo.

Este breve relato, além de produzir em todos vós um grande desenvolvimento em vossos conhecimentos espirituais, serve para elucidar-vos acerca do que deve acontecer ao vosso pequeno mundo em tempos muito próximos, também necessitado de algumas transformações estruturais. Também se operarão na Terra deslocamentos em várias regiões por meio de processos telúricos, com objetivo idêntico ao registrado no planeta de que falei: aumentar as áreas de produção de alimentos para atender às necessidades de uma população algumas vezes maior do que a atual. Se, por efeito desses processos, houver desencarnação de almas, como, aliás, está previsto, todo socorro já está providenciado para que nenhuma se desvie do caminho do Senhor, onde serão carinhosamente recebidas quantas tiverem encerrada sua vivência na Terra. Com a vantagem seguinte: como compensação do abalo porventura recebido em conseqüência dos fatos que provocaram sua desencarnação, as almas que assim partirem da Terra encontrarão a esperá-las um belo foco de luz espiritual como jamais terão imaginado, foco que se incorporará definitivamente ao seu diadema espiritual.

Eis aí caros leitores, um elemento a mais para vosso estudo e meditação sobre a grandiosidade da sabedoria divina, manifestada em todas as suas atividades envolvendo seres humanos e espirituais.


Louvores sejam dados, pois, ao Nosso Divino Mestre e Senhor Jesus por sua dedicação imensa e incontido amor aos seus guiados deste pequeno mundo que é a Terra.