Passa já da hora o vosso despertar espiritual . . . Saiba que a tua verdadeira pátria é no mundo espiritual . . . Teu objetivo aqui é adquirir luzes e bênçãos para que possas iluminar teus caminhos quando deixares esta dimensão, ascender e não ficar em trevas neste mundo de ilusão . . .   Muita Paz Saúde Luz e Amor . . . meu irmão . . . minha irmã

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

CAPÍTULO VI - Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. A alma, suas origens e crescimento. — O sopro divino. — Integração no núcleo de vidas da escala animal. — Sua chegada à condição de ser espiritual. — Possível retorno ao planeta primitivo. — Cruzada Espiritual Feminina. — Eliminação do sofrimento físico na Terra.






Um assunto que eu considero da maior importância para conhecimento das almas encarnadas, é sem dúvida a origem de suas numerosas vindas à Terra durante séculos e milênios, com o fim de aqui aperfeiçoarem qualidades e aptidões para poderem alcançar, de degrau em degrau, toda a escala espiritual. 

Devo começar então por dizer às minhas queridas filhas terrenas, que suas almas se originaram de um quase nada, e simples desejo do Criador em dar vida a novos seres, no início de cada um uma simples idéia na Mente divina. Uma vez a idéia mentalizada, foi projetada na imensidade do éter universal, onde perdurou por milênios de milênios como um átomo em processo de desenvolvimento. 

Passados os períodos de tempo necessários, a idéia mentalizada pelo Criador adquiriu luminosidade e se movimentou em busca de crescimento, dentro das suas possibilidades. A idéia foi pouco a pouco adquirindo a consciência de si mesma como ser existente no Universo, tratando então de buscar em torno,  condições e ambiente que lhe permitissem o próprio desenvolvimento.

Certamente, a idéia já não estava sozinha em seu núcleo de vida. Muitos milhares de outras idéias semelhantes assim conviviam. na absoluta ignorância de tudo quanto não fosse ela própria, assim como todas as demais. Com o perpassar dos milênios foi a idéia agraciada com o que eu poderei denominar o sopro divino, que é o sopro de vida emanado do Criador, e a idéia se metamorfoseou em alma, em toda a simplicidade e pureza.  

Uma segunda fase então se manifestou ao longo dos novos milênios de milênios, num processo de crescimento anímico para esse ser pouco mais do que imperceptível, durante o qual ele próprio passou a reunir e absorver do núcleo a que pertencia, os elementos constitutivos de que carecia para o seu desenvolvimento anímico. 

A esta altura, a idéia mentalizada na Mente divina, já progredida na categoria de ser anímico, passou a viver sua própria vida e a se movimentar segundo as suas possibilidades anímicas. A continuidade dos tempos e a atividade desenvolvida no campo mental da sua existência, granjearam-lhe novos graus de luminosidade, chegando desta maneira a se constituir no que poderei denominar uma fagulha divina, embora sem qualquer espécie de autonomia no campo mental da sua existência.  

Nesta altura de sua constituição, foi o ser anímico conduzido à vivência no plano físico, integrando o núcleo de vidas dos seres mais ínfimos da escala animal, onde peregrinou durante milênios, com alternativas de idas e vindas do plano físico ao mental e vice-versa, galgando lentamente os degraus que lhe tiver sido possível galgar dentro do respectivo núcleo de vida. 

Concluída a escala na qual tiver ingressado, esse ser anímico logrou transferir-se a outro setor de vida animal, a fim de despertar e desenvolver o próprio sistema, e conquistar novas aptidões de autodefesa, já então em maior contato com novos elementos de progresso na circunscrição da sua vivência.     

Desnecessário será descrever todo o processo de desenvolvimento anímico enfrentado e percorrido pelo ser até alcançar o reino animal mais desenvolvido, conseguido finalmente ao cabo de uma trajetória tão longa e sofrida, que não será possível traduzir em números de séculos ou milênios. O certo é que, cumpridas as existências necessárias em meio a todas as vicissitudes da espécie, e que muitas foram, para todos os seres, chegou o ser anímico a seu tempo à condição de ser espiritual, desprovido, porém, de experiência em todos os setores, necessitando, então, de mergulhar num veículo físico para adquiri-la. 

Isto equivale a dizer que chegada foi a fase em que o sofrimento começa para as almas, com o mergulho que se lhes depara num mundo onde a luta constante pouco difere daquelas que tiveram de sustentar em sua vivência puramente animal. Nesse mundo em que vai ingressar receberá um veículo de forma humana, é verdade, porém bastante mais grosseiro e rude do que os da Terra, e nesse veículo a alma aprenderá a conviver com milhares de outras iguais, em cujo contato se desenvolverão novas aptidões, mercê das lutas que terá de enfrentar para sobreviver. 

Não estará, porém, abandonada a alma ingressada nesse mundo inferior. Ela terá a seu lado Guias e Protetores espirituais empenhados em a proteger contra os percalços, de lhe inspirar idéias necessárias à sua felicidade relativa, e, através dessa inspiração e ajuda a alma desenvolverá preferencialmente a sua faculdade intuitiva da maior utilidade em toda a sua vida ocasional e futura.  

A permanência duma alma nesse mundo bastante primário de vida não obedece a um período determinado de tempo. Em regra, porém, contam-se por doze a quinze mil anos os períodos de vivência das almas primárias nesse mundo, com alternativas de regresso e repouso no Espaço que lhe é próprio. Há, porém, numerosos casos em que almas de tal modo se empregaram na sua vivência nesse plano, que lograram alcançar o termo de sua experiência relativa em pouco mais de cinco mil anos.

Desenvolvendo empenhadamente várias das aptidões peculiares ao plano físico, muitas almas têm logrado alcançar justa promoção a mundos melhores, mais adiantados, tendo inclusive algumas delas sido trazidas a encarnar na Terra.  Bem verdade é, contudo, que algumas destas aqui se perturbaram ante a absoluta liberdade que encontraram em sua vivência, e tais distúrbios praticaram, que estão sendo devolvidas àquele mundo donde vieram, provando com isto que ainda não mereciam a promoção recebida. 

E essas almas retiradas da vossa convivência após períodos mais ou menos longos entre vós, não irão, certamente, voltar ao estado de materialidade no qual lá se desenvolveram. Tendo aprendido em sua estada na Terra muitas coisas que lhes permitirão implantar novidades e descobertas de grande utilidade nesse plano físico de vida primitiva, as almas retiradas da Terra e a ele recambiadas estão aptas a conquistar a admiração e o respeito dos seus contemporâneos. 

Entre os seres humanos em referência, muitos há de haver que aqui se relacionaram no campo da física e da mecânica, assim como nos transportes e também na indústria alimentar, estando por isso em condições de implantar nesse mundo em que vão reingressar os melhoramentos que puderem recordar nesses setores, o que lhes granjeará a auréola de grandes inventores.

Bem, minhas filhas muito queridas, toda esta longa história, se bem que apenas sintetizada, em torno das origens da alma, eu quis trazê-la para vós com este grande objetivo: fornecer-vos uma idéia do estado de adiantamento em que já vos encontrais a esta altura da vossa existência multimilenar, após haverdes percorrido os caminhos mais áridos e pedregosos que jamais podereis rememorar. 

Desde a simples idéia criada na Mente Divina até ao vosso estado presente de almas superconscientes como já o sois, responsáveis por todos os vossos atos e pensamentos, capazes inclusive de operar o próprio milagre ao vosso semelhante, eu não errarei em vos dizer que sois nesta altura de vossas vidas autênticos pequenos deuses, porque realmente o sois. 

E se assim é, dada a posse das excelentes qualidades e sentimentos que lograstes conquistar ao longo dos vossos quase cem mil anos desde o sopro inicial do Criador, eu venho dizer-vos ao vosso coração de filhas que muito quero e estimo, que a partir de agora vos considereis cada uma, uma representante minha  na Terra, para operar em meu nome todo o bem que entenderdes possível operar. 

Sempre que uma oportunidade se vos deparar em que podereis realizar uma ação meritória, não vacileis em fazê-lo em meu nome, que eu me prontifico a confirmar o vosso ato. Sempre, pois, que no vosso entender puderdes proporcionar ao vosso semelhante um conselho necessário, uma vibração amorosa num caso de sofrimento ou acidente, eu vos peço e autorizo: enviai-me um pensamento de prece, e eu estarei prontamente convosco para confirmar a boa ação que praticardes. 

Eu desejo manter-vos bem perto de mim desde agora, minhas queridas filhas, um dos motivos pelos quais resolvi descer à Terra para ditar este livro. E mantendo-vos bem perto de mim, minhas queridas, nós constituiremos juntas uma força poderosa quanto eficiente, contra a qual nenhuma vibração maligna poderá prevalecer. 

Assim autorizadas por mim, cada uma das minhas filhas terrenas  terá oportunidades várias de usar o poder que eu aqui lhes confiro, e com ele enxugar muitas lágrimas à sua volta. Fazei isso, minhas queridas! Eu estarei atenta no Alto a todos os vossos pensamentos, e atenderei no mesmo instante aos pedidos que me dirigirdes. A distância que só aparentemente separa este plano do plano espiritual, nossos pensamentos — o meu e os vossos — a transpõem numa fração de segundo, um milésimo, quando muito.

No Estatuto que espero enfeixar ainda neste livro, regulando a Cruzada Espiritual Feminina já organizada no plano espiritual, encontrareis, segundo espero, as regras e maneiras de vos conduzirdes como membros da Cruzada e minhas representantes no ambiente terreno. Isto constituirá apenas o início da vossa cooperação nos meus trabalhos espirituais, porquanto, uma vez ingressadas na Cruzada na Terra, sereis automaticamente consideradas minhas auxiliares categorizadas também no plano espiritual, quando a ele regressardes.  

Agora algumas palavras apenas para concluir o capítulo. Dir-vos-ei, então, minhas filhas, que se prepara no Alto, igualmente, uma atividade a ser implantada no meio terreno, destinada a reduzir ao mínimo o sofrimento das almas encarnadas, mediante a aplicação de certos princípios já em curso em planetas mais adiantados.  Um destes princípios consiste, por exemplo, no uso de determinadas fórmulas mentais para minorar ou mesmo eliminar sofrimento físico, de grande eficiência. Eu não estou autorizada por enquanto a pormenorizar o de que se trata, porém desejo assegurar-vos que isso não demorará, segundo o conhecimento que tenho do andamento do assunto.  

Nosso Senhor Jesus muito se preocupa em minorar os sofrimentos peculiares ao meio terreno, a fim de tornar bem mais alegre e feliz a permanência das almas encarnadas neste planeta. Um regular número de Entidades assessoras se empenha no momento em ultimar os trabalhos necessários à implantação neste plano físico, de vários processos para aquele fim. Aguardai, pois, filhas e filhos meus, o que muito breve conhecereis, segundo o que venho de antecipar-vos. Meu empenho, muito grande também, de me aproximar de vós todas que vos encontrais na Terra, tem o objetivo de vos unir a mim numa estreita união de vontades, a fim de que, assim unidas, possamos colaborar com grande eficiência nos trabalhos do Senhor neste plano terreno. 

Os dias que se aproximam hão de requerer muita união de pensamentos e de esforços, e eu assumi para com o Senhor o compromisso de conclamar as minhas filhas terrenas para fazerem parte da obra que pretendo realizar. Juntas, eu do Alto e vós na Terra, mas unidos os nossos pensamentos, havemos de operar maravilhas de socorro e atendimento aos necessitados de toda a esfera terrestre. Havemos de expandir de tal modo as vibrações puríssimas do nosso amor ao semelhante, e em tal magnitude o faremos, que os vossos e o meu Espírito celebrarão a seu tempo, no Alto, a confraternização gloriosa que nos reunirá para sempre.

Devo esclarecer ainda, minhas filhas, que abrigais cada uma no vosso coração uma tão grande parcela de poder, que se vos dispuserdes a utilizá-la para o bem e só para o bem, está claro podereis tornar-vos cada uma, uma Segunda Maria Santíssima no sentido do bem-fazer. Havemos de somar, então, o meu e o vosso poder em favor dos nossos irmãos terrenos, pela alegria e felicidade que isso proporcionará aos nossos Espíritos. E mais tarde, quando o tempo chegar, eu terei a satisfação de vos levar pela mão à presença do Senhor e lhe dizer: Eis aqui, Senhor Jesus, uma filha que  muito nos ajudou na Terra. Ela bem mereceu esse galardão que ora vem receber pela minha  mão!  

Deixo-vos aqui a bênção que o Senhor vos envia por meu intermédio, e a minha  própria que eu vos ofereço de todo o coração.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

CAPÍTULO V - Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. História espiritual do Espiritismo. — Seleção das almas que devem reencarnar. — Descem à Terra três categorias de almas. — Reencarnam em França os líderes do movimento espiritualista.





Quando eu me dispus a descer ao ambiente terreno para ditar o conteúdo deste livro, tive em vista duas grandes finalidades: aproximar-me o quanto possível das minhas queridas filhas terrenas para melhor poder falar ao seu coração, e colaborar no empreendimento elaborado por meu filho para despertar a quantos tomarem conhecimento das minhas palavras.  É certo que muitos dos meus leitores de ambos os sexos já terão tido conhecimento dos trabalhos desta Cruzada de Esclarecimento e se estão preparando para a vida futura, segundo as obras já em circulação, ditadas pelos mais categorizados enviados do Senhor, entre eles o nosso querido Irmão Thomé, o valoroso Espírito de São Paulo, e algumas dezenas de outras Entidades que vos falaram através das páginas de Vida Nova, nas quais eu também colaborei. Nunca será demais, contudo, o aparecimento de mais um livro a engrandecer aquela Cruzada, porque, como no meu caso, eu vos relatarei fatos e detalhes da vida espiritual para vós desconhecidos, e que decerto muito vos interessarão. 

Dizendo fatos desconhecidos para vós, eu quero referir-me ao vosso estado atual de almas encarnadas, não podendo por isso recordar muito do que já conheceis no estado de desencarnadas. Depois, cada capítulo divulgado na Terra com este propósito que todos trouxemos até vós tem o objetivo de contribuir para o aprimoramento do vosso viver terreno, para que possais alcançar o máximo de luz e de progresso em vossa presente estada no corpo.

Preparei então para vos relatar no presente capítulo um acontecimento acorrido no mundo espiritual não faz muito tempo, pelo qual ficareis conhecendo um pouco mais em relação à vida espiritual. Processava-se no Ato, há coisa de três a quatro séculos, uma espécie de seleção das almas que deveriam reencarnar proximamente, e esse trabalho estava a cargo de uma grande Comissão de Entidades de grande evolução, a quem competia dar a palavra definitiva acerca daquelas que preenchiam as condições requeridas pelas Forças Superiores para virem constituir a Humanidade terrena daquela época. Foram por esse processo selecionadas milhares de milhares de almas consideradas nas condições desejadas, as quais seriam encaminhadas à Terra à proporção em que as circunstâncias o permitissem. 

Requeria-se em primeiro lugar, das almas candidatas a reencarnar, a posse de um determinado patrimônio espiritual constituído de experiências adquiridas através de várias vidas passadas, mas sobretudo a posse de um grau regular de fé em seu coração. Muitas foram, por conseguinte, as que assim se apresentaram e foram selecionadas. Numerosas almas demonstraram a posse de um grande cabedal de conhecimentos e de experiência, às quais faltava entretanto a fé. Estas almas haviam desenvolvido o seu aprendizado através de suas antigas encarnações, voltadas exclusivamente para a materialidade da vida, habituando-se por isso a somente crer naquilo em que pudessem tocar e sentir, e jamais no que tivessem de admitir de abstrato. 

Muitas das almas nestas condições foram igualmente selecionadas para reencarnar, tendo-se então o cuidado de as encaminhar aos lares terrenos nos quais lhes fosse possível desenvolver esse poder extraordinário que é a fé. Outras muitas, cujo patrimônio espiritual se demonstrava carente ainda dos elementos capazes de as conduzir ao êxito na Terra, foram deixadas para mais tarde. Estas assim desprovidas de conhecimentos e experiência, em grande parte devido à sua juventude espiritual, foram reservadas para serem distribuídas aqui e ali, nos lares terrenos constituídos de almas experientes, onde se desenvolveriam à sombra das suas irmãs terrenas.  

Vieram assim à Terra, em consequência da seleção procedida no Alto, estas três categorias de almas a constituírem novos corpos: as já possuidoras de conhecimentos, experiência e fé, as evoluídas na experiência mas desprovidas de fé, e as almas ainda jovens, pouco vividas ainda em corpo físico neste plano terreno, apenas bastante sofridas ao longo de suas encarnações em planeta inferior à Terra. Todas essas almas mergulharam por sua vez na carne, acompanhadas de perto por Entidades protetoras, como de resto o são todos vós, meus filhos e filhas que eu muito estimo. 

Deste amálgama de almas encarnadas foi possível obter-se certa homogeneidade espiritual desde os dois últimos séculos, não obstante as lutas guerreiras que a História registra, e que ainda não foi possível banir por completo deste planeta. Do resultado obtido, muito lentamente, é verdade, chegamos finalmente ao aglomerado humano deste século, onde todos temos a ventura de destacar muitas e muitas almas que lograram atingir um elevado grau de evolução moral que as conduzirá em breve, ou à vivência no plano de grande luminosidade, ou lhes permitirá reencarnar neste mundo na qualidade de verdadeiros luminares a conduzir os semelhantes.

Nosso Senhor Jesus, em sua preocupação ininterrupta em prol da felicidade e bem-estar dos seus guiados terrenos, empreendeu esta Grande Cruzada de Esclarecimento precisamente para os preservar de sofrimento em caso de virem a ser atingidos pelos acontecimentos em curso, e também de os despertar para as coisas do Alto, que é a vida espiritual à qual todas as almas se destinam. 

Muito está sendo conseguido, aliás, nestes pouquíssimos anos da Cruzada, segundo temos observado pelo aprimoramento das vibrações mentais partidas da Terra. Com a continuação deste aprimoramento mental, espera o Senhor conseguir este grande, imenso resultado: executar as operações projetadas para a transformação da Terra com um mínimo de sacrifício de vidas humanas. 

E como corolário, a promoção de quase todas as almas atualmente encarnadas a novo e importante degrau em sua escala espiritual.  Mas eu não concluí ainda a narrativa em torno da seleção procedida, no Alto, das almas que deviam reencarnar. Ocorreu ali um episódio que eu desejo trazer ao vosso conhecimento, episódio bastante significativo que foi o seguinte: — Prosseguiam normalmente os trabalhos de seleção através do exame a que todas as candidatas se ofereciam, desejosas de poderem ser consideradas nas condições desejadas para participar da nova humanidade terrena. Surgiu a certa altura um grupo assaz numeroso de almas já possuidoras de um grau bastante satisfatório de iluminação, que manifestaram desejo de voltar à Terra, juntas, se possível, com o propósito de promoverem na Terra uma verdadeira revolução em torno dos princípios da fé. 

Achavam aquelas almas, à época em que o caso se passava, que a fé ensinada na Terra estava como que escravizada a princípios religiosos que a circunscreviam cada qual a seus próprios dogmas. Era necessário e urgente, no entender daquelas almas, quebrar as correntes religiosas existentes em determinadas regiões terrenas, e gritar, gritar, sim, segundo diziam, aos ouvidos dos filhos de Deus viventes no solo terreno, que o Espírito é tudo, que o Espírito não pode ser escravizado porque é livre, foi criado livre, e livre há de viver sempre através de todos os milênios de milênios do porvir. 

Propunham então as almas em referência o propósito de empreenderem na Terra a propagação de um tipo de fé diferente da então ensinada, de maneira a poder acordar nos homens a força enorme adormecida no íntimo, a força do Espírito, do Espírito livre e eterno.  

O fato causou enorme alegria entre as Entidades da Comissão Selecionadora de almas porque representava na idéia concebida por aquele grupo de almas um dos maiores impulsos já dados ao progresso das almas encarnadas. Foram examinadas detalhadamente as condições religiosas de todas as regiões da Terra, do Oriente ao Ocidente. Constatou-se que nesta segunda parte do globo terrestre, a humanidade se encontrava assaz tolhida no desenvolvimento da fé, em consequência dos métodos usados no ensino religioso, considerado no Alto bastante precário.

Constatou-se que, enquanto nos países orientais as religiões admitiam a vinda das almas à Terra em vidas sucessivas, assim como já praticavam o intercâmbio inteligente com os “mortos”, no Ocidente o ensino religioso circunscrevia-se à simples adoração do Criador e das Entidades canonizadas, Jesus inclusive, sem nenhuma margem ao desenvolvimento dos poderes espirituais de cada criatura humana. 

Bem certo é, porque absolutamente fora de possível contestação, que o ensino religioso ministrado no Ocidente construiu não apenas grandes obras religiosas, como o florescimento de grandes Espíritos encarnados nesta parte do mundo, Espíritos que, à sombra da venerável Igreja de Roma, puderam difundir ensinamentos e exemplos de fé que hão de perdurar ainda por muitos séculos. 

Trata-se de almas escolhidas pelo Senhor para virem à Terra difundir Sua Doutrina do amor e da fraternidade, e muito bem se desempenharam da incumbência. A circunstância, entretanto, de aquele grupo de almas desejar reencarnar no solo terreno com o propósito de aqui abrir novos caminhos à fé, determinou o estudo demorado dos seus objetivos e a maneira de os porem em prática, o que foi imediatamente submetido a outra grande Comissão que passou a ser designada no Alto por Comissão da Fé. 

A essa Comissão se apresentaram as trezentas e tantas ou quatrocentas almas candidatas à reencarnação, as quais lograram convencer facilmente as Entidades membros da mesma, da inteira viabilidade dos seus objetivos. Uma vez concluído o exame dos argumentos apresentados por aquele grupo de almas, assim se manifestou um dos membros da Comissão da Fé reunida:   — Almas estremecidas dos nossos corações! Há mais de quatro séculos que projetadas foram, neste plano, as idéias agora enunciadas por vós, já bastante amadurecidas pela graça do Senhor. Há mais de quatro séculos por conseguinte, que o Senhor deu início à irradiação, neste plano de luz, da idéia de uma reforma do ensino religioso no mundo terreno, visando a acelerar o despertamento da fé raciocinada em todos os corações. 

A Humanidade terrena já se encontra amadurecida para caminhar por si mesma nos caminhos da fé, mas é necessário despertá-la nesse sentido. Esta idéia irradiada através de todo este plano em que vivemos já conseguiu empolgar a todas vós aqui presentes, o que constitui motivo de grande alegria para todos nós e também para Nosso Senhor. Assim, eu vos declaro com o coração em festa, e o faço em nome de todos os membros desta Comissão, que estais autorizadas a reencarnar no Ocidente, apenas com a seguinte modificação nos vossos planos: não devereis surgir no mesmo local e tampouco no mesmo país. É preferível que reencarneis em países e lugares diferentes do Ocidente a fim de que a idéia divulgada num país seja recebida e logo proclamada nos demais, para o maior êxito da boa nova. Ide, pois, almas queridas. Ide propagar a boa nova na Terra, a idéia que há de empolgar desde logo todas as almas sensíveis, cujo êxito todos nós aqui vos asseguramos.  

Havia, integrando o grupo de almas presentes, algumas que mais se destacaram na apresentação de argumentos em favor da idéia nova. A Entidade membro da Comissão aproximou-se delas, em número de dez ou doze, e disse-lhes:   — A vós, já portadoras de tão belo foco de luz espiritual, nós entregamos a tarefa de liderar o movimento espiritualista na Terra, por ser o movimento destinado a evidenciar toda a potência da alma ou Espírito encarnado. Para o maior êxito, ireis nascer num país dos mais iluminados pela cultura e pelo amor às ciências, onde a boa nova rapidamente se desenvolverá. Ireis aparecer no território da França onde vivem numerosas almas bastante amadurecidas e por isso em condições de receber e aceitar prontamente a idéia espiritualista que ides levar à Terra. É conveniente, então, que as demais almas presentes se disseminem por outros países e cidades, para o fim de se constituírem sólidos pontos de apoio à boa nova irradiada da França. Ide, pois, com as bênçãos do Senhor, ao desempenho de tão luminosa missão junto aos corações humanos que vos aguardam.  

Aquele numeroso conjunto de almas missionárias partiu então para a Terra em princípios do século XIX e aqui deu início à propagação do fenômeno espírita, logo recebido pelas almas puras com grandes demonstrações de alegria. Essa pode ser tida como a história espiritual do Espiritismo no Ocidente.  

Deixo-vos aqui a bênção que o Senhor vos envia por meu intermédio, e a minha  própria que eu vos ofereço de todo o coração.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

CAPÍTULO IV - Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. Visita de uma grande dama recém-desencarnada. — Uma retribuição de ação. — Duas almas secularmente rivais reencarnam como mãe e filha. — Todos os atos praticados na Terra são conhecidos no mundo espiritual. — A criatura que viajou inesperadamente.





As dificuldades encontradas vida afora pelas almas encarnadas na Terra constituem os pequenos problemas que lhes são propostos como parte das lições que vieram aprender em sua nova encarnação. São pequenas lições que lhes cabe estudar ao longo dos seus dias terrenos, como exercício que todas devem fazer para marcharem adiante, em busca de cursos mais adiantados. Não há, por conseguinte, problemas, superiores à capacidade de cada alma, porque tudo é determinado exatamente segundo as possibilidades de cada uma. 

Paralelamente é facultado às almas encarnadas apelarem aos céus em qualquer momento em que defrontem dificuldades aparentemente superiores às suas forças, e receberão então do Alto o socorro, ajuda ou esclarecimento que lhes permita vencer o impasse. Bom seria para todos os encarnados firmarem-se nesse princípio de recorrerem ao Alto o mais frequentemente possível, porque essa prática lhes proporcionaria sem dúvida uma trajetória terrena bem mais suave e tranquila do que possam imaginar.

Todos nós que vivemos no Alto após havermos percorrido seguidamente os vários caminhos da Terra, onde logramos acumular os conhecimentos e experiências que possuímos, todos nós nos empenhamos de toda a maneira em cooperar com as almas encarnadas, sempre que um pedido nos chega nesse sentido. Da observação que habitualmente fazemos do nosso plano de vida, temos constatado que ainda vivem muitas almas encarnadas no solo terreno, inteiramente desligadas do seu plano espiritual, onde não chega um pensamento sequer, por se encontrarem completamente mergulhadas nos interesses da vida material. Muitas há, inclusive, que nesse estado de absoluto desinteresse partem de regresso deste mundo terreno, onde não cuidaram, mesmo por alto, da vida espiritual. 

Essas almas assim desencarnadas sem o menor cabedal de conhecimentos da vida espiritual e inteiramente desprovidas da luz que teriam adquirido através do hábito da oração diária, encontram-se numa situação deveras lamentável. Não tendo adquirido a luz que vieram buscar na Terra, motivo principal da sua encarnação, não podem ascender, em muitos casos, aos planos que lhes estavam reservados. Eu vos apresentarei uma imagem terrena que poderá ajudar a compreensão do que venho dizer-vos.  

Imaginai uma criatura humana que, por motivos superiores à sua vontade, foi retirada da cidade em que vivia confortavelmente, mas absolutamente despreocupada de seu futuro, e foi levada para bordo de um navio juntamente com muitas outras, cujo destino ignorava. Isto não fora, entretanto, uma surpresa, porquanto todas aquelas criaturas sabiam que um dia isso aconteceria, mas sem saberem quando. Uma vez a bordo, essa criatura da minha  imagem começou a pensar seriamente em sua situação, uma vez que não se prevenira de recursos para viver no porto onde tivesse de desembarcar. Chegado então o momento de desembarcar, teria essa criatura verificado tratar-se duma bela cidade muito bem construída, muito ampla, dotada de excelentes casas de hospedagem, hotéis de fino trato, etc. Verificou porém, profundamente constrangida a criatura imaginária, que não dispunha sequer de um mínimo que lhe permitisse tentar viver nas condições mais precárias da cidade. 

Seus pensamentos voltavam-se, desolados, para a vida que logrou construir na cidade que deixara para trás, donde não trouxera o necessário, o indispensável mesmo para viver em sua nova situação. E o que testemunhava, então, a nossa criatura imaginária? Apenas isto: outros passageiros do mesmo navio em que viera, iam-se acomodando confortavelmente nos melhores hotéis e outras casas de hospedagem, para o que se encontravam fartamente providas da moeda que tal situação lhes permitia. E depois de muito peregrinar através dos vários bairros de sua nova cidade, sentindo já necessidades alimentares impossíveis de satisfazer, o que é que restava à nossa criatura imaginária? Nada mais do que estender a mão à caridade pública para poder sobreviver.  

Transportemos em seguida esta imagem para o plano espiritual, e facilmente vos convencereis, filhas e filhos meus, do valor da oração sincera, com o mesmo propósito com que diariamente cuidais da alimentação do corpo. As almas que aportam ao plano espiritual desprovidas de um foco de luz própria, objeto fundamental de sua vinda à Terra, podem ser comparadas àquela criatura da imagem precedente. Não possuindo luz própria decorrente de seus atos e pensamentos vividos no corpo, as almas nestas condições ou permanecem estacionadas no local em que foram deixadas após largarem na Terra os seus despojos, ou se decidem a implorar a caridade daquelas que lhes passarem próximas, para que as ajudem a caminhar. 

Direis vós talvez: e essas almas não possuíam luz antes de reencarnarem? Sim, é a resposta certa. A luz anteriormente alcançada pelas almas em referência pertence-lhes, efetivamente, mas está-lhes reservada para ser entregue no momento oportuno.

No regresso ao mundo espiritual, deve viver cada alma daquilo que logrou adquirir em sua última existência no corpo, como prova e consequência do que tiver alcançado ao longo dessa existência. Já tem acontecido, serem tão precárias as condições em que regressam ao Espaço certas almas que não se preocuparam jamais com esse momento, que muitas outras se reúnem para orar por elas, com o objetivo de implorar ao Senhor uma velinha que seja para que possam caminhar.  Isto que aqui escrevo, filhas e filhos a quem muito quero e estimo, tem o propósito de radicar em vossos belos Espíritos a idéia da necessidade que a todos assiste de vos preparardes para a vivência nos planos do Além. 

Nenhum de vós aqui se encontra pela primeira vez, nem provavelmente pela última, tendo reencarnado muitas e muitas vezes nas várias regiões do mundo terreno, mas sempre com este único objetivo: aumentar a luz do vosso Espírito por meio da prática de ações meritórias, mas também da oração constante, como alimento que é do vosso Espírito. Efetivamente, enquanto o corpo se alimenta e conserva por meio do alimento material oriundo do solo terreno, o Espírito, que é luz, só se alimenta de luz, luz e mais luz, mediante a qual se engrandece e progride. A luz espiritual, o Espírito a adquire em primeiro lugar por meio da oração proferida como hábito diário em momentos de recolhimento, nos quais ele se dirige ao Senhor Jesus para agradecer as graças recebidas nesse dia e pedir sua continuação para o dia seguinte. Recebe igualmente luz o Espírito que ora pelos semelhantes, os quais lucram com isso esclarecer-se e vencer possíveis dificuldades momentâneas, graças à oração proferida em seu favor pelos Espíritos bondosos, a quem a Misericórdia divina distribui porção igual à que solicitaram para outrem. É, pois, da prática da oração que resulta a iluminação das almas encarnadas, para o seu engrandecimento. É também a oração uma das maneiras ao alcance dos mais humildes, para praticarem a caridade aos semelhantes. Enquanto a prática de obras assistenciais requer a posse de recursos que a possibilitem, a caridade por meio da oração depende exclusivamente do desejo de praticá-la, de boa-vontade apenas.  

Em seguida eu vou narrar-vos uma pequena história que muito haveis de apreciar pelo ensinamento que da mesma há de resultar para os vossos Espíritos. Eu recebi certa ocasião, em meio às minhas ocupações habituais de orientação e ajuda a quantas almas boas apelam para mim de muitos recantos da Terra, uma comunicação dos meus assessores de que uma grande dama da Terra, recém-desencarnada, desejava muito falar-me e solicitava dia e hora para ser recebida. Este protocolo era comum na Corte donde provinha a grande dama, e por isso assim marcava o seu pedido de audiência. Recebida a comunicação dos meus auxiliares, eu determinei que mandassem entrar imediatamente a ilustre dama, porque eu a atenderia naquele mesmo momento, como costumo fazer a quantas almas me procuram, e que são muitas diariamente.

Levada a minha  resolução à visitante, ela surpreendeu-se com a minha  disposição de a receber prontamente, porém pediu para a receber no dia seguinte, visto desejar apresentar-me certos documentos que não estavam presentes. Ela estava habituada, como é óbvio, às audiências em seu palácio deixado na Terra, e por isso desejava apresentar-me elementos que possuía e que julgava importantes. Cientificada deste fato, resolvi dirigir-me ao seu encontro no salão em que se encontrava, e isto surpreendeu-a bastante. Com o propósito de a deixar à vontade, fui-lhe dizendo que era meu o interesse em receber naquele momento a sua visita, cuja vivência terrena eu acompanhara atentamente do Alto. E quanto aos documentos, seria bastante citá-los ela mesma, porque eu lhe daria ali mesmo o conteúdo de cada um. A minha  visitante ficou maravilhada com este fato, mas ao mesmo tempo notei o seu receio de que eu conhecesse em minúcias todos os detalhes da sua última existência terrena. Para a tranquilizar eu disse-lhe mais ou menos o seguinte:  — Minha  filha muito querida: não há um único ato praticado no mundo terreno, pelas almas que nele se encontram, que não seja aqui conhecido por nós, sobretudo pelo Senhor e por mim, pelas responsabilidades que nos pesam em relação à vivência de cada uma. No teu caso, por exemplo, eu te direi que conheço todos os atos que praticaste nos setenta anos que na Terra estiveste, tanto aqueles extremamente meritórios, em que muitas lágrimas enxugaste graças à generosidade do teu coração, como alguns outros que não desejo recordar, mas que estão visíveis na tela da tua consciência. 

A milha filha presente, ao ouvir minhas últimas palavras, perturbou-se e arrojou-se aos meus pés em pranto e implorando perdão pelo que de injusto e condenável praticou na Terra. Eu levantei-a carinhosamente, abracei-a e sentei-a novamente no lugar próprio. E prossegui:  — Como vês, minha  filha querida, aqui não necessitamos de comprovantes para ajuizarmos da conduta dos filhos que se encontram na Terra. No teu caso particular, eu verifico que possuis uma percentagem muito alta de atos bons, mediante os quais proporcionaste internação e assistência hospitalar a milhares de criaturas necessitadas. No caso o teu mérito inconteste reside na tua ação decidida no sentido de que o Estado construísse os hospitais para a população pobre; ainda assim, vale a tua iniciativa e determinação de insistir para que os homens do governo fornecessem os recursos para as obras. Verifico, igualmente, com grande alegria que muito te empenhaste em povoar de escolas o território do teu país, em virtude das quais muitos milhares de seres infantis lograram despertar a inteligência para a vida terrena. Sim, minha  filha; louvo e muito a tua decisão de angariar recursos através das reuniões sociais que organizaste, e que muitas foram, para atender aos necessitados de tudo: roupas e alimento. Observo que boa parte da tela na qual a tua vida se reflete, está iluminada de estrelas muito belas, nela incrustadas por esses atos bons, altamente meritórios. 

A sombra do brilho refletido para esse conjunto de estrelas é que produz este belo foco de luz que ostentas e pelo qual eu te felicito, minha  filha muito estimada.  Ela, profundamente emocionada, desejava falar-me. Desejava dizer-me algo que eu bem conhecia. Concedi-lhe a palavra, porém aquela filha ali presente, envolvida na intensa onda de amor que eu projetava sobre ela para seu maior conforto na minha  presença, não conseguia articular as palavras. Para a consolar eu disse-lhe que apenas pensasse o que desejava dizer-me, e eu lhe responderia o que fosse necessário. Ela assim fez. Projetou na tela de sua consciência alguns fatos em que fora parte principal na Terra, entre eles, lamentavelmente, o sacrifício de uma criatura por motivo de zelos excessivos. Contribuíra, se não mesmo determinara o extermínio de uma vida que não lhe pertencia, mas desejava livrar-se de sua presença. Eu conhecia realmente o fato lamentável, e assim lhe falei:  — Filha do meu coração: a vida terrena, infelizmente, ainda comete dessas infrações às leis divinas, uma vez que a ninguém é dado interromper o fio da vida do semelhante. Compreendo bem, que esse ato condenável muito influiu para que te dedicasses posteriormente à prática de todos aqueles atos meritórios já mencionados. Isto redimiu em boa parte a falta que cometeste. 

Devo acrescentar, porém, que a tua falta ainda sofreu uma redução bastante notável, por se tratar duma retribuição de ação, na qual a vítima foste tu própria em vida precedente. As circunstâncias determinaram que novamente vos encontrásseis no mundo, e os fatos assim aconteceram. Houve, por conseguinte, aí, uma retribuição pela lei de causa e efeito. Levanta, pois, o teu moral, minha  querida. Eu me incumbirei em seguida de vos reaproximar, não mais como rivais, mas como boas amigas, numa encarnação em que sereis mãe e filha. Acalma-te, pois, minha  filha. Afasta essa triste recordação da tua memória, e prepara-te para regressares à Terra, onde receberás em teu lar como filha a quem muito hás de amar, essa nossa irmã.  Foi assim que eu me desempenhei da visita daquela filha muito querida. Devo acrescentar, para finalizar, que ambas voltaram à Terra como eu desejei, aqui viveram uma longa existência como mãe e filha, através da qual se constituíram em verdadeiras e grandes amigas.  

Deixo-vos aqui a bênção que o Senhor vos envia por meu intermédio, e a minha  própria que eu vos ofereço de todo o coração.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

CAPÍTULO III - Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. Cruzada Espiritual Feminina. — Sua constituição no Alto. — Organizada agora para funcionar também no plano terreno. — Entidades missionárias se tornarão visíveis e dirigirão a palavra aos encarnados.




 O meu maior desejo ao me dispor a ditar um livro na Terra, no qual espero poder dizer algo de muito importante ao coração das minhas queridas filhas, é o de contribuir com a minha  palavra para a maior e mais completa felicidade de cada uma. As almas que descem ao plano terreno para uma nova existência no corpo, perdem quase por completo a recordação do muito que já aprenderam antes, através de um sem-número de vidas, tornando-se aqui uma espécie de alunos do primeiro ano primário, quando tudo na escola lhes parece inteiramente desconhecido. 

As almas encarnadas, porém, possuem a faculdade de recorrer à memória espiritual que deixaram no Alto ao reencarnarem, podendo por isso recordar conhecimentos que muito as ajudarão em sua presente viagem à Terra.  Isto é uma lei que todas as almas podem utilizar, com resultados nem sequer imagináveis. Como, entretanto, nem todas se dispõem a buscar suas próprias recordações no plano espiritual onde possuem seus arquivos milenares, a grandiosidade da misericórdia do Senhor envia à Terra seus dedicados mensageiros com o fim de procurar despertar nas almas que aqui vivem o interesse pelas coisas do Espírito, e, consequentemente, o seu progresso evolutivo. 

Eu pedi então ao meu amado filho uma tarefa ao alcance das minhas possibilidades, pelo desejo imenso que me anima de despertar no coração das minhas estimadas filhas encarnadas o interesse pela sua mais rápida evolução espiritual. Recebi então do Senhor esta agradável missão que ora estou desempenhando por meio da palavra escrita, um dos meios mais eficazes de nós, Espíritos, falarmos ao vosso coração. 

Mas esta missão é tanto mais agradável para mim, quanto a certeza que eu tenho de que as minhas palavras vão penetrar como um bálsamo no coração da totalidade das minhas queridas filhas terrenas, e certamente também no dos muitos milhares ou milhões de filhos a quem eu também muito quero.  A circunstância de  eu resolver pedir ao Senhor esta missão, explica-se muito facilmente e de várias maneiras. Em princípio devo confessar a carência de um instrumento devidamente preparado para gravar no papel a minha  palavra, a minha  idéia, o meu pensamento, o que agora encontrei neste que me serve de intermediário. 

Não quero dizer com isto, que não se encontrem encarnados outros espíritos em condições de receber telepaticamente o meu pensamento e o transportar para o papel, tal como agora ocorre. Existem, sim, numerosos encarnados portadores de poderes e capacidade de produzir este fenômeno mediúnico. O que sucede, então, é que ou não conseguiram desenvolver esta maravilhosa faculdade psicográfica, ou se nela se iniciaram, faltou-lhes a perseverança necessária ao seu aperfeiçoamento. Constituiu por isto para todos nós, no Alto, um motivo de grande contentamento, o encontro deste querido intermediário, perfeitamente apto a receber nossa mensagem com uma dedicação e boa-vontade que todos louvamos e agradecemos. É bem aquele canal cósmico de que falais, através do qual estão sendo escritos na Terra os valiosos livros divulgados e ainda os que se encontram em andamento, este inclusive.   

As referências que faço à faculdade mediúnica deste querido intermediário não têm, nem de longe, o objetivo de lhe tecer elogios, que a bondade do seu Espírito só receberia constrangida; têm, antes, a finalidade de incentivar em cada uma de vós, minhas filhas, assim como nos meus filhos que eu estimo e quero igualmente, o desejo de vos tornardes também intermediários dos enviados do Senhor, todos desejosos de grafar palavras do maior valor para todos os viventes. E o melhor processo para isso é precisamente o desenvolvimento da faculdade psicográfica que todos vós possuís, só dependendo de um pouco de exercício para entrar em pleno funcionamento. 

Nosso Senhor retribuirá generosamente a todos que na Terra se prepararem para receber e divulgar quantos conselhos Ele desejaria ver circulando em livros no meio terreno. Preparai-vos, pois, filhas e filhos meus, para este elevado mister, na certeza de que estareis com isso praticando um verdadeiro serviço apostolar ao Nosso Querido Mestre Jesus.  

Eu sei de antemão que não há de faltar quem se disponha a contestar, provavelmente, a autenticidade da minha  palavra através deste livro, isto não, certamente, por não lhe reconhecer o mérito; mas por supor, na elevação da dedicação em que conserva a minha  personalidade espiritual, julgando por isso impossível àquele Espírito que teve a felicidade imensa de trazer o Senhor à Terra em corpo físico, deslocar-se da Corte Celeste para mergulhar no ambiente perturbado da Terra, com o objetivo de ditar um livro para conhecimento de quantos tiverem a ventura de possuí-lo. Eu esclarecerei de todo o coração os meus dedicados filhos e filhas que assim pensarem, que a circunstância de uma Entidade haver prestado serviços à Humanidade terrena, merecedores ou agraciados com a santificação do seu nome pela venerável Igreja Católica, não a impede, absolutamente, não só de reencarnar com outro nome em cada novo mergulho na carne, e muito menos de prosseguir em seu trabalho meritório no Espaço, da maneira pela qual possa melhor servir aos desígnios do Senhor. Este tem sido o meu, e o caso de numerosas Entidades que lograram receber de Roma o elevado grau de sua santificação, galardão que ostentam com sincera humildade. Eu voltei à Terra várias vezes após o fato histórico de Jerusalém, tendo sido religiosa em duas delas pelo menos, e a última vivida fora de qualquer laço religioso, para me dedicar com toda a minha  alma à difusão dos princípios espiritualistas, aos quais me referi no capítulo anterior. 

Assim, pois, eu rogarei aqui aos meus filhos e filhas que porventura se sentirem inclinados a recusar-me a autoria deste livro, que antes de externarem essa idéia, me solicitem um esclarecimento espiritual direto, pessoal, que eu acorrerei com alvoroço a fornecer-lhes as provas insofismáveis de que sou eu mesma, a Mãe do Senhor Jesus que vim grafar na Terra quanto consta das páginas deste volume, cujo título nesta altura ainda não escolhi.  

Isto dito, queridas e queridos filhos a quem amo verdadeiramente de todo o coração, quero falar-vos de outro assunto que no Alto preparei durante a semana para constar deste capítulo. Desejo alertar-vos a todos para uma série extensa de fenômenos que devem aparecer entre vós, nos próximos anos, fenômenos estes oriundos do processo em curso desde agora visando à modificação de certas condições existentes presentemente no meio terreno. À parte o que se refere propriamente à geologia e à topografia atuais, nas quais se operarão transformações mais ou menos profundas, aparecerão entre vós e se mostrarão aos vossos olhos materiais, numerosas Entidades a dirigir-vos a sua palavra iluminada, no sentido de que compreendais devidamente a nova situação em que podereis encontrar-vos de um momento para outro. 

O Senhor programou este gênero de avisos a serem divulgados por meio da manifestação espiritual de Entidades missionárias, considerando a possibilidade de que os livros que estão sendo divulgados a este respeito, não consigam chegar ao conhecimento de todos os filhos encarnados. Tereis então oportunidade de dialogar com as Entidades missionárias, como se o fizésseis com irmãos encarnados, e delas recebereis então os mais úteis conselhos, que elas vos transmitirão como emissários do Senhor Jesus, para que estejais preparados para partir, se for o caso, de regresso ao vosso lar espiritual. 

Este fato ainda se revestirá de importância maior, por se tratar da concessão da vidência espiritual a todos os encarnados, fenômeno ainda circunscrito a um pequeno número de pessoas, conforme deveis saber. Trata-se, evidentemente, de providência determinada pelo Alto com a finalidade não apenas de confirmar o que vem sendo escrito pelas Entidades que me precederam, como pelas que ainda virão a utilizar este e possivelmente outros instrumentos mediúnicos.  

O meu grande desejo consiste, então, em que minhas palavras possam encontrar guarida nos corações de todas as minhas filhas e filhos que as lerem, e que dessa leitura resulte uma forte decisão de cada um em se voltar dia e noite para o Senhor, ligando-se dessa maneira àquele poderoso sistema de salvamento já em funcionamento no plano espiritual. 

Todo o empenho do Senhor consiste em livrar de sofrimento, por menor que ele seja, as almas atualmente na Terra e que tenham de partir próxima ou remotamente, em virtude dos fenômenos que aqui se verificarem, e isto porque, sendo Jesus a Bondade, o Amor e o Socorro de todas as almas, Ele tudo está empreendendo no sentido de as preservar de quanto possa suceder-lhes de desagradável. 

Eu venho dizer-vos então por minha  vez, minhas filhas do coração, que eu também me preparei para cooperar decisivamente nos trabalhos do Senhor. Organizei e já está operando no Alto uma Cruzada Espiritual Feminina constituída por um numero bastante avultado de Entidades que me rodeiam, com o objetivo de secundar na Terra os trabalhos de despertamento dos corações. Ingressaram  na Cruzada Espiritual Feminina as Entidades mais evoluídas que se encontram ao meu lado no Alto, e se tornaram minhas colaboradoras em numerosos empreendimentos que temos organizado desde séculos, todos em serviço divino prestado às almas necessitadas. 

Eu superintendo assim no Alto uma vultosa organização assistencial, que muitos e bons serviços tem prestado através dos tempos a muitos milhares de almas que partem da Terra em condições precárias, Temos então um corpo de pioneiras que permanecem nas fronteiras dos diversos planos espirituais, com a missão de receber e conduzir aos centros de assistência que mantemos aos milhares, essas almas necessitadas, a fim de lhes serem prestados os serviços assistenciais e que são vários, desde o socorro médico ao conforto espiritual de que todas chegam necessitadas. 

E graças ao esforço incansável e boa-vontade dos meus numerosos grupos de pioneiras, temos a alegria de constatar o elevado grau de felicidade em que passam a viver no Alto todas as almas por nós socorridas em nossa já tradicional organização assistencial.   Agora concluímos a organização de uma Cruzada Espiritual Feminina destinada a funcionar no plano terreno, e para a qual eu venho convidar por este meio todas as minhas filhas que nela desejem  ingressar. 

Esta Cruzada terá o seu Estatuto que eu pretendo ditar por este mesmo processo, logo após a conclusão do livro que aqui está. Creio mesmo fazer do Estatuto da Cruzada Espiritual Feminina parte integrante deste livro, se isto puder ser. De posse do Estatuto, cada uma das minhas queridas filhas poderá nela  ingressar e tornar-se então uma das minhas estimadas cooperadoras na Terra.

Uma vez investida nesta função, minha  querida, eu a considerarei, pelos seus serviços, dedicação e boa-vontade, desde aqui  ingressada também na minha  organização assistencial do meu plano, como uma nova operária do serviço divino que juntas prestamos ao Senhor Jesus. Certo? Acredito sinceramente em que desta minha  vinda em Espírito ao meio terreno, muitas e muitas almas, iluminadas pela bondade e o amor ao próximo, eu poderei acrescentar ao elevado número das que já se encontram inteiramente devotadas ao serviço do Senhor no Alto. 

Voltarei a falar na minha Cruzada com novas referências em capítulo posterior.   Deixo-vos aqui a bênção que o Senhor vos envia por meu intermédio, e a minha  própria que eu vos ofereço de todo o coração.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

CAPÍTULO II - Livro: Corolarium – ditado pelo Espírito de Maria de Nazareth ao médium Diamantino Coelho Fernandes. Orai, orai muito, orai sempre. — Conheço todos os vossos problemas. — As dificuldades da vida terrena são peculiares a todas as Entidades por mais evoluídas. — Também tenho participado dessas dificuldades. — Um exemplo de fé na oração diária.




Desejo manifestar a todas as minhas filhas terrenas a minha  maior disposição em cooperar na medida em que puder, para a solução dos seus problemas pequenos ou grandes, pelo desejo que me anima de tornar mais alegre e feliz a sua permanência na Terra. Eu falo desta maneira porque conheço de ciência própria os problemas com que se defrontam a cada passo, principalmente as mulheres na Terra. Devo dizer-vos que ainda no século XIX aqui estive e muito lutei para poder manter-me na minha  determinação de viver independente para melhor servir aos desígnios do Senhor. E foi tão árdua para o meu Espírito essa minha  última estada na Terra, que eu procuro recordar apenas os momentos de êxito, quando pude verificar que algo havia produzido em favor do esclarecimento dos demais. Lutei por isto intensamente porque o meu Espírito ansiava por espalhar luz em meio à treva da ignorância de então. Podereis pensar talvez, minhas filhas, que sendo eu já portadora de um intenso foco luminoso como de fato era, não poderia encontrar dificuldades nem obstáculos ao cumprimento da minha  tarefa. Eu vos direi então, minhas queridas, que assim não é, desde que tenhamos mergulhado na carne, assim como ora vos encontrais. O mundo terreno está cheio de obstáculos à realização de todas as idéias alevantadas, colocados estes pelos homens que preferem prosseguir na comodidade dos seus interesses pessoais. Por isto é que aqui têm vindo, seguidamente, Entidades de grande luminosidade para o cumprimento de belas tarefas em prol do progresso e da felicidade dos seres humanos, e acontece regressarem ao Alto sem poder cumpri-las ou as cumprindo pelo mínimo.  

Uma prova disto vós a tendes na vinda do Senhor Jesus há quase dois mil anos, animado dos melhores propósitos em relação aos viventes de então. Jesus lutou denodadamente pela idéia fundamental que o Pai Celeste lhe entregara, que era incutir no coração de todos os homens a necessidade de se amarem uns aos outros, e não a prática condenável de se considerarem uns superiores aos outros devido a circunstâncias fortuitas. O Senhor palmilhou longos caminhos, como sabeis, na pregação daquele luminoso princípio, e todas sabeis igualmente como encerrou os seus dias na Terra. Se ao Senhor fizeram o que fizeram, com o propósito de impedirem a continuação de sua sementeira de amor e entendimento entre os homens, quanto mais o fariam e têm feito realmente a outros emissários menores que vieram pregar também o doce princípio da igualdade humana perante as leis divinas.  

Eu aqui me encontrei, por conseguinte, fartamente munida do desejo de iluminar pela palavra e pela pena, se possível, a uma grande parcela da humanidade. Para esse fim estabeleci a norma de vida que me convinha, que era a minha  independência econômica que a princípio me pareceu fácil de conseguir. Em pouco, porém, dadas as idéias que enunciava, compreendi que teria de lutar muito e sofrer bastante para poder manter-me na situação idealizada. Aconteceu, entretanto, algo de muito triste logo no começo de minha  mocidade, algo que eu rezarei muito para que não aconteça a nenhuma de vós minhas filhas queridas. Meus olhos passaram a preocupar-me de tal maneira, porque deles dependia o meu pão de cada dia, que me encontrei em breve quase completamente privada da visão de que tanto eu dependia para viver. Eu estou vos relatando este fato, minhas queridas, com este duplo objetivo: para fortalecer em vós a convicção de que podeis vencer todo e qualquer obstáculo que porventura se vos defronte, e para que saibais igualmente que nenhuma Entidade, por mais elevada no mundo espiritual, escapa às contingências da matéria, uma vez ingressada na vida terrena. Na triste situação em que então me encontrei, quase totalmente privada da luz dos olhos, eu apenas podia apelar para a Misericórdia Divina, para que me socorresse em sua magnanimidade, a fim de que eu não sucumbisse à míngua naquela situação. Foi o que fiz, minhas queridas, e tive a alegria de receber o socorro divino por mãos humanas, uma maneira muito comum de a Providência Divina atender aos filhos encarnados. Recebi certo dia a visita de uma criatura de Deus, que me vinha informar que havia na mesma cidade um núcleo de trabalhos espirituais, onde algumas pessoas quase cegas haviam recuperado a visão. Esse núcleo ficava bastante afastado do local em que eu vivia, e para me locomover até lá eram necessários recursos que me faltavam por me encontrar inteiramente privada de trabalhar. Eu resolvi então o problema transferindo-me para as proximidades desse núcleo para assim poder frequentá-lo. Foi uma resolução inspirada certamente pelo Alto, a qual eu muito agradeci na ocasião e ainda hoje recordo reconhecida. Passei então a receber passes na vista, proporcionados por um senhor que para mim era um santo, tal o poder de que dispunha para curar ou amenizar situações semelhantes à minha. Com o perpassar dos dias comecei a sentir melhoras que muito me alegraram, e que eu agradecia comovida à Divina Providência. Com as primeiras melhoras pareceu-me que já poderia trabalhar para ganhar o meu sustento, e tentei. Verifiquei, porém, que a minha  visão ainda não resistia ao esforço do trabalho manual. Eu tentei então escrever para a imprensa alguns artigos que me pudessem render o suficiente para me alimentar, e assim fiz. Enviei o primeiro artigo a uma revista de  estudos filosóficos da cidade onde morava, e foi com grande alegria que recebi dias depois a visita do diretor da revista com o meu artigo publicado, e pedindo-me outros no mesmo sentido. Ele compreendeu desde logo a minha situação e me ofereceu pelos artigos uma quantia bem superior ao que eles podiam valer. Era a ajuda, ainda, da Providência Divina que chegava uma vez mais pela mão humana. Agradeci, comovida, esta retribuição, e passei a considerar-me nessa ocasião a criatura mais feliz do mundo. Os meus olhos estavam melhorando sensivelmente com os passes magnéticos do núcleo espiritualista, e já me permitiam redigir alguns artigos para poder alimentar-me. Isto tudo, minhas queridas, na situação em que então me encontrava, era para mim a felicidade, por me proporcionar a esperança da recuperação total da minha visão, da qual havia certamente de depender a minha  alegria de viver. 

Eu não desejo transportar para este livro a biografia da minha  última estada na Terra, por ser outra a finalidade que agora me traz em Espírito ao meio terreno. As referências que aqui vos deixo servem para todas ou qualquer de vós que porventura se encontrar momentaneamente em situação menos favorável ou menos feliz, não perca jamais a esperança de vencer a dificuldade, firmando-se na idéia luminosa do socorro espiritual, que nunca falta àqueles que souberem apelar para essa fonte inesgotável de assistência em todas as circunstâncias. 

Uma conclusão ainda se oferece em face do pequeno relato que aqui vos deixo, e esta é que qualquer Espírito por mais evoluído, uma vez encarcerado pelo invólucro carnal, perde totalmente a própria idéia ou a lembrança de quem foi, e todo o seu poder de superação das dificuldades, para se lembrar apenas quem é, e de estar inteiramente sujeito às contingências da vida terrena como qualquer dos seus contemporâneos. O que unicamente subsiste nos Espíritos evoluídos quando encarnados, é a fé nas Forças Superiores que dirigem o Universo, e para elas apela frequentemente ou diariamente, como meio e esperança de proteção e ajuda nas suas dificuldades. A propósito e como exemplo do que acabo de dizer, eu vos apresentarei o caso deste meu estimado intermediário, Espírito particularmente querido do meu coração, porque meu conhecido desde os primórdios do Cristianismo, quando se constituiu, já então, um dedicado servidor do meu filho Jesus. Em sua presente romagem terrena este querido intermediário teve como berço um lar bastante modesto, constituído por Espíritos de grande elevação. Muito cedo ele emigrou do seu país para este em que passou a viver sem nenhuma ajuda que não fosse a da sua própria fé e devoção ao Senhor Jesus, e – por que não dizê-lo? – também a mim. Neste país ele cresceu e muito lutou, valendo-se unicamente da sua oração diária, e muitas vezes até em suas horas de trabalho, com o fim de amenizar dificuldades que ele considerava superiores à sua capacidade de as vencer. Assim esta alma atravessou vários decênios, orando, trabalhando e orando, o que nós, o Senhor e eu muito apreciávamos do Alto, como uma das mais belas facetas do seu Espírito. Ele, que viera à Terra desta vez com a missão que hoje desempenha, era acompanhado de perto por Entidades incumbidas de o proteger contra os perigos de que está semeado o ambiente terreno, deixando-se, porém, à sua própria capacidade, a tarefa de reunir os elementos necessários à sua sobrevivência, foi, porém, o seu apego à oração em várias horas do dia, mas sobretudo ao deitar, que pôde conservar bem próximos os seus Protetores, empenhados estes em contribuir para que esta vida perdurasse para a execução que ora realiza a serviço da Grande Cruzada de Esclarecimento de que este livro faz parte como o quinto  volume.  

Vedes, portanto, filhas do meu coração, que todas as almas grandes, quando encarnadas, necessitam de apelar constantemente para as suas forças internas que são bastante poderosas, para superarem dificuldades ou circunstâncias aparentemente insuperáveis. Deus, em sua infinita misericórdia, e o Senhor Jesus em sua permanente dedicação ao bem-estar de quantas almas se encontram na Terra, jamais deixaram nem deixarão de atender e socorrer as que souberem utilizar as forças internas, apelando por meio da oração quando se sentirem necessitadas.  

Eu disponho na Terra de duas categorias, pelo menos, de filhas, a quem estimo e quero igualmente. Uma dessas categorias é constituída pelas filhas abastadas, aquelas que, ou nasceram em berços de ouro ou foram conduzidas pelas circunstâncias a elevadas situações materiais. A outra categoria é formada pelas filhas mais modestas ou desprovidas de reservas financeiras, vendo-se na necessidade de prover à própria subsistência para viverem condignamente. Eu recebo desta categoria de minhas filhas terrenas o maior volume de pedidos de proteção e ajuda, tantos e tantos são eles, que toda a minha  equipe de assessores se movimenta ininterruptamente para atender a todos, e com a graça do Senhor, jamais deixei ou deixarei um desses pedidos sem a devida e pronta atenção. 

Eu identifico, então, nas filhas que mais se me dirigem, as almas mais evoluídas, precisamente porque a circunstância de uma alma se dirigir constantemente às Entidades protetoras, já a identifica como possuidora de uma dose maior de fé, do que aquelas que apenas se lembram de apelar para o Alto, em seus momentos mais difíceis. As almas que oram constantemente, e o fazem munidas de sua maior sinceridade, embora atravessem por vezes fases algo mais difíceis, podem alimentar a convicção de serem já possuidoras de um determinado grau evolutivo, que as qualificará em seu regresso ao mundo espiritual na categoria de Espíritos Superiores, que realmente são. As demais, as filhas que ainda se não lembram, ou apenas se lembram muito raramente de apelar para a minha ajuda, essas estão desfrutando uma existência bastante tranquila, e eu regozijo-me com isso por não estarem necessitando de nada. Eu amo, porém, estas filhas, com o mesmo amor que dedico às demais.  

Concluindo o presente capítulo, desejo exortar a todas as filhas terrenas, para que se firmem mais ainda nos milagres da oração, uma vez que ela foi instituída precisamente para pedir, rogar, suplicar às Forças Superiores do Universo, aquilo de que os filhos, encarnados ou não, estejam necessitando. Orai, pois, orai muito, orai sempre, filhas e filhos queridos, porque a oração vos confortará, uma vez chegada ao coração do Senhor. 

Deixo-vos aqui a bênção que o Senhor Jesus vos envia por meu intermédio, e a minha  própria que eu vos ofereço de todo o coração.