Passa já da hora o vosso despertar espiritual . . . Saiba que a tua verdadeira pátria é no mundo espiritual . . . Teu objetivo aqui é adquirir luzes e bênçãos para que possas iluminar teus caminhos quando deixares esta dimensão, ascender e não ficar em trevas neste mundo de ilusão . . .   Muita Paz Saúde Luz e Amor . . . meu irmão . . . minha irmã

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

CAPÍTULO XXVII – 2ª Parte - Livro: Vida de Jesus ditada por Ele Mesmo. Estão próximos os tempos em que a verdade e a justiça hão de dominar no mundo, vendo-se desalojados os espíritos retardatários, que passarão a povoar outras esferas. Os bons sentimentos, as boas idéias elevam a alma dando-lhe mais clara visão em tudo o que é próprio do ambiente espiritual.



Próximos estão os tempos para o restabelecimento da verdade e da justiça sobre a Terra e percebe-se por toda parte os celestes mensageiros que vos trazem as palavras do Senhor para sua glorificação na hora atual e por toda a eternidade. Regozijai-vos, pois, os que tanto haveis clamado pela chegada de uma nova era de paz e de justiça entre os homens, regozijai-vos, porquanto são já inequívocos os sinais que tais mudanças indicam e que nas próprias consciências dos homens resplandecem como testemunhos inconcussos da era de bonança que à Humanidade se oferece finalmente, embora com exclusão dos retardatários do progresso, os quais descerão a esferas próprias de seu escasso adiantamento.

Assim, pois, notai a era da vinda e morte de Jesus e observai quanta luz se difundiu a partir desse sacrifício. Grande foi a abnegação, grandes as virtudes, muito grandes os elevados exemplos de altruísmo, de apostólica renúncia, de intensos esforços pelo império da verdade sobre a Terra. Bem, pois, tudo destinado está a frutificar e a vontade divina considerou suficiente já o labor e o esforço levados a cabo pelos que tal luta sustentaram, e em sua eterna sabedoria e justiça lhes fará entrega do campo, ficando desalojados assim os refratários a todo o regime de eqüidade, os quais abusaram sempre em seu próprio benefício de tudo o que Deus colocou ao alcance do homem para o comum adiantamento de todos, enquanto que dele, estes se apropriaram mediante maus manejos e com um fim puramente pessoal e egoísta.

Sendo assim, portanto, sirva-vos como sinal de chamada, a voz de vosso Messias que vos vem recordar o que antes já vos disse. Mantende-vos, pois, unidos e firmes sobre a fé que vos foi comunicada e sede principalmente humildes porque nada sois e porque é a humildade a chave que melhor abre as portas do céu. Quantos erros, quanta mentira, quanta obscuridade tem acumulado o orgulho humano em volta da obra de Jesus como o único fim da dominação! Os que se declararam meus representantes sobre a Terra, assenhoreando-se de todo o fruto de minha sementeira na vinha do Senhor e proibindo tudo quanto não saísse deles, porquanto unicamente deles havia de receber-se o que de Deus vem, mantiveram a Humanidade no erro, impedindo-lhe toda a visão clara a respeito do que é próprio do espírito e no qual se encontra o seu adiantamento, pela visão e o conhecimento do que corresponde à sua própria natureza.

Assim: a elevação cheia de fé que fizerdes de vosso pensamento para o Pai, o arrependimento sincero das faltas cometidas, o decidido propósito de emenda, o esforço contra as vossas paixões, o predomínio sobre a vaidade, o perdão das ofensas, etc., são cousas que, em si mesmas, possuem a propriedade de aumentar a visão do espírito, de dar-lhe lucidez e elevação, quer se encontre encarnado, quer esteja desencarnado.

Sede, pois, humildes de coração e fortes de alma, para dominar as baixas paixões que vos mantêm perturbados sobre a superfície da Terra, mantende fechados vossos sentidos às tentações que vos vêm da matéria e abri, em compensação, quanto vos seja possível, os olhos da alma para que vejais por eles todo o esplendor da morada que o Filho de Deus vos tem destinado,¹ se a ele vos unirdes pelo acatamento das leis divinas, por vossa consagração à prática de seus ensinamentos e pelo amor que vos fará partícipes de todo o calor de seus sentimentos. Coragem, pois, irmãos meus, agora principalmente em que as preocupações, os vícios, as mentiras e as maldades das maiorias vos afastam dele, isolando-vos das trevas de que estão rodeadas, e entre as quais cairão envolvidas, até ocuparem o plano que lhes corresponde por seu atraso, enquanto que, purificado o ambiente com sua partida, vos encontrareis no meio da felicidade que proporciona a própria pureza do ambiente que habitais, e a bondade e inteligência dos que constituem convosco os eleitos² do Senhor.

Recordai-vos quanto a isto, que “Deus é Espírito; e é mister que aqueles que o adoram, o adorem em espírito e em verdade”. E recordai-vos também que “o que ceifa, recebe salário, e colhe fruto para a vida eterna, para que gozem ao mesmo tempo o que semeia e o que ceifa”, porque, em verdade vos digo, que unicamente alcançarão a pátria celestial aqueles que para ela tenham caminhado pela elevação de seus espíritos, mediante o trabalho constante na vinha do Senhor, que vinha é espiritual, onde a própria grandeza de cada um colhe para maior glória também do mesmo Senhor, que o princípio é e o fim de todas as cousas.

Regozijai-vos, pois, os que haveis tido fé e haveis permanecido acordados porque chegada é a hora de vossa justificação. Não vos olvideis tampouco que um só há de ser o rebanho e um só o pastor. Abrigai-vos pois sob estas minhas novas palavras que eco encontrarão, sem sombra de dúvida, no coração dos eleitos, enchendo seus espíritos das brilhantes promessas que vim renovar em vossas consciências de adeptos da lei de amor e ante a fé de iluminados, que haveis merecido, os que até aqui me tendes acompanhado com a simples certeza dos que claramente distinguem sua rota.

Que Deus vos ilumine ainda mais, são as palavras com as quais Jesus se despede de vós, ao terminar estas paginas destinadas para complemento de sua vida, que por outro conduto vos ditou.

JESUS DE NAZARETH


¹ Isto está dito seguramente em linguagem figurada, pois não parece referir-se a lugar. — Nota do Sr. Rebaudi.

² Já se viu que Jesus entende por eleitos os que, por natural seleção, quer dizer por seus próprios méritos, chegaram a formar parte do núcleo dos melhores; nada pois tem que ver aqui esta palavra com a doutrina da graça. — Nota do Sr. Rebaudi.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

CAPÍTULO XXVI – 2ª Parte – Livro: Vida de Jesus ditada por Ele Mesmo. O Reino dos Céus sofre violências e somente os violentos entram nele.



Estranhas pareciam estas palavras de Jesus a seus ouvintes o mesmo que outras: “Eu não trago a paz, senão a guerra”, e isto é porque esquecem que não há paz sem guerras, nem vitórias sem violências.

Não são guerras e violências o que a verdade e o bem promovem, senão que em sua própria defesa se vêem estes obrigados a sobrelevarem-se mais; ai da virtude, quando em meio da perversidade dos homens carece de força para sustentar-se!

O universo inteiro move-se ao impulso das forças contrárias, que no mundo físico podem ser definidas como forças de atração e repulsão e no mundo moral, como o mal e o bem.

A luta é, pois, condição necessária da vida e tampouco há virtude sem esforços e sacrifícios.

Sem dúvida, a verdade vence sempre afinal e o bem chega a predominar sempre, e diversamente Deus não seria Deus, mas sim há de ser sempre mediante a luta e o trabalho.

É assim no mundo material como no dos espíritos. Bem equivocados estão, portanto, os que crêem que, mediante lutas temporais na Terra, podem conquistar a felicidade eterna no Céu!

Grande é o dano que os falsos profetas e maus mestres têm causado à Humanidade devido à sua propensão de sempre escutar mais o mau que o bom, porém jamais deixou faltar Deus aos bons, um farol de bem definida luz para guiar com segurança seus passos pela senda que para Ele conduz, sendo que os próprios enviados para amparar o homem entre a escabrosa rota da verdade, fraquejam as mais das vezes pelos estorvos e inúteis dificuldades com que lhe agravam e até lhe impossibilitam a marcha.

O homem é, pois, o único culpado de seu próprio estacionamento e da maior parte de seus sofrimentos que se derivam da falta de acatamento das leis com que Deus governa o universo moral.

Enviou entre vós a seu próprio filho para que abrísseis finalmente os olhos de vosso entendimento, mas foi desconhecido, escarnecido, torturado e morto, os poucos que deram ouvidos às suas palavras somente em mínima parte as compreenderam, transfigurando-as depois de tal maneira os que lhes seguiram que chegou-se a matar e incendiar em nome do humilde carpinteiro de Nazareth que palavras de vida e não de morte tinha trazido e como se pequeno tivesse sido seu martírio e o sacrifício de sua própria vida, deduziram-se estranhas teorias das simbólicas palavras pronunciadas na última ceia, derivando delas o festim de carne humana em que voltou a ser sacrificado e comido durante a missa, sob o símbolo eucarístico que o dogma converte em fato real.

A este conceito errado e nocivo ajunte-se o mais prejudicial ainda do quietismo como finalidade do espírito que passaria à eternidade completa na estéril e incompreensível contemplação da face de Deus, formando-se com isto e o que disto derivou uma religião que se algum bem fez no meio do atraso e maldade humana, imensamente maior é o dano que a ela se deve, sendo seus piores vitimários os seus melhores cultores, como de momento a momento se observa com os que voltam dentre vós ao mundo dos espíritos.

O temor aos infernos, entre outras cousas, prolonga e faz mais dolorosas as enfermidades inevitavelmente mortais, vendo-se agonias terríveis no crente, que perdidas todas as suas relações com o mundo mortal, permanece ainda ligado à vida pelo horror à morte e às conseqüências que com respeito a ela sua religião lhe ensinou.

Observa-se aqui que por outro lado também os seres virtuosos que viveram dentro da prática austera do Catolicismo e que fizeram ao mesmo tempo todo o bem que puderam, se os vê aqui sofrerem cruelmente por sua incapacidade para a vida do espírito e clamam contra o engano de seus confessores, diretores e mestres, sem recordarem que ninguém sofre por culpas alheias, pois a justiça de Deus é inquebrantável, determinando a cada qual o que estritamente lhe corresponde.

É que estes seres fizeram o bem pensando na generosa retribuição que por ele receberiam no Céu. Pensaram ver quintuplicados pelo Pai os benefícios por eles outorgados a seus irmãos e se encontram, em compensação, sofrendo sob o peso de sua incapacidade para a vida do espírito porque muito pouco e mal cultivaram seu espírito, que não pode dispor do que não alcançou por seus próprios méritos e esforços.

Os espíritos que são verdadeiramente virtuosos, que fazem o bem pelo próprio bem, apesar de sacrifícios e dissabores, são espíritos evolucionados já, que muito viveram, lutaram e aprenderam; a estes a felicidade espera sem demora na vida espiritual.

Tendes convertida a existência vossa em uma contínua mentira em que pareceis não ter outro objetivo que o de parecer cada um o que não é, diante dos demais. Por isso, inúteis vos resultam vossas lutas, esforços e sacrifícios, porque mal dirigidos, eles não podem constituir elementos de progresso para vossos espíritos, que portanto voltam e vão do mundo dos espíritos ao dos homens e deste ao outro, milhares de vezes, assim, sem o menor progresso.

Fora da verdade tudo é estéril e a verdade é o bem. Apressurai-vos, pois, porque a hora das responsabilidades é chegada e, embora tenhais que passar ainda por cima de horríveis transtornos, felicitai-vos os que sinceramente tiverdes entrado pelas vias indicadas por vosso Messias, que para maior claridade delas volta agora desta maneira entre vós, depois de haver mandado a Pedro, João, Marcos, Mateus e Barnabé, os quais haveis desconhecido, novamente no mundo dos espíritos de volta se encontram, Paulo também entre vós esteve mas desviado do caminho trocou a cruz pela espada, transtornando seu próprio progresso em lugar de adiantar o de seus irmãos! Tal é a cegueira que a matéria traz ao espírito do encarnado! Mas Paulo, que também entre os espíritos voltou, vendo e sofrendo as conseqüências de seu erro, arrependido e entristecido mas não debilitado, entre vós novamente se encontra para reconquistar o posto que ele considera ter perdido, apesar de muito ter feito também, sendo que as vias hão de ser bem definidas para que a meta se veja claramente explorada diante do obreiro da vinha do Senhor.

A ele sim, muito o tendes conhecido, porém nem sempre haveis deixado passagem livre às suas palavras, demasiado entregues à vida dos sentidos, vos assusta quando vos fala do além e não acreditais em suas recordações do passado.

Do muito que tinha que dizer, pouco falado, se bem que completamente para isso autorizado se encontra, porém muito pôde dizer a respeito da doutrina e com isto Jesus satisfeito está, tendo sido muito maiores seus esforços do que encarregado estava.

O mais a seu critério e possibilidades fica confiado. Jesus havia anunciado a seus discípulos que nos séculos dezenove e vinte faria sua reaparição na Terra, embora sob outra forma, quer dizer, medianimicamente acompanhado por eles e como quanto sua natureza de elevada espiritualidade lho consentisse, pondo-se em contato com os homens mediante a sensitividade de Paulo, pela qual salva tinha sido já sua doutrina, que, sem ele, quase desconhecida do mundo teria ficado, circunscrita unicamente na Judéia e regiões circunvizinhas.

Paulo, em comunicação com Jesus, então como agora, se bem que muito melhor agora, divulgou, dando-lhes também maior amplitude, aos ensinamentos do Messias, melhor preparados que os orientais para a nova forma de religião, não amalgamados já com as confusões, como o judaísmo, dos interesses e paixões humanas, para deslindar as cousas divinas das humanas, segundo já disse: “Dai a Deus o que é de Deus e a César o que é de
César”. O costume hebreu, apesar de fazer depender das cousas do culto também as cousas humanas, buscava a supremacia religiosa também no civil, pronto a impor seu prestígio entre os cristãos que, como já em outra ocasião vos disse, haviam estado um tanto sob a influência de Tiago meu irmão, que professava o antigo culto, pois nada chegado havia a compreender do novo.

Esta foi a verdadeira causa das perseguições contra os cristãos porquanto, em verdade seja dito, os Romanos respeitavam todos os cultos e faziam respeitar a seus próprios súditos a religião dos povos que conquistavam; por outra parte, eu lhes havia intensamente recomendado que jamais pretendessem impor-se mas sim que se insinuassem pela simpatia ensinando o amor entre os homens, e fazendo todo o bem que pudessem em nome de Deus e de seu enviado Jesus.

Não se conformavam, porém, com aquilo os Cristãos, principalmente os que vinham a Roma desde a Judéia, pois que antes faziam alarde da grandeza da nova revelação e de suasuperioridade sobre a religião do Estado e de seus falsos ídolos.

Desprezavam assim e insultavam as crenças dos que em sua própria casa os admitiam e deixavam exercer livremente suas práticas, chegando também, mediante sua assídua e audaz propaganda, a intrometer-se nas intimidades da vida dos Romanos, estes orgulhosos e convencidos de sua superioridade sobre todo o mundo, bem depressa respondiam com a violência à audácia desses desprezíveis e adventícios praticamente favorecidos nos trabalhos e ofícios mais humildes, até nas idéias e práticas do governo real pretendiam os cristãos fazer chegar suas opiniões e suas críticas.

Eis as origens das perseguições como do mesmo modo os primeiros passos dessa tendência avassaladora anticristã, que constitui a origem do que mais tarde foi o Catolicismo.

O reino dos céus admite violência, porém violência destinada a dominar os perversos, os avassaladores da verdade e da virtude, repelindo com a força as imposições da força do mal que pretende cortar toda a liberdade e o direito, para escravizar a Humanidade inteira sob o capricho dos viciosos e malvados, levantando o império das trevas acima do da luz, com cujos resplendores vem Jesus, em nome do Pai, iluminando desde já a Terra desde seus quatro âmbitos.

A história foi, pois, adulterada sobre este particular, pois unicamente os cristãos foram os culpados das perseguições de que foram vítimas, assim como foram eles próprios, conforme iam alcançando importância, que foram humanizando o que era divino, das cousas do Pai cousas de homens fizeram, resultando enganosa aliança, porque impossível entre os cristãos e o paganismo; quer dizer, entre o amor e a prepotência sanguinária, o fruto que conheceis e que sob o nome de religião encheu de horrores e ódios a Humanidade inteira.

Por isso volta o Messias com seus apóstolos para o restabelecimento do que se disse: “Ama a Deus sobre todas as cousas e ao próximo como a ti mesmo, esta é a lei e os profetas”.

“Mas somente com a humildade não se alcançará a meta, armado e horripilante como o mal por todas as partes se apresenta.”

Todas as cousas, pois, hão de ser em seu tempo e oportunidade. Mal interpretaram certamente os que deduziram de meus ensinamentos uma religião de caráter passivo e mística contemplação, pois procurei sempre dar às minhas palavras um valor positivo, e se no ensinamento da fé e da oração, assim como na prática austera das virtudes que ensinei e que importam principalmente no sacrifício de si próprio em bem dos demais, quis ver-se tão-somente misticismo é porque os homens são cegos e ignorantes, porquanto a luz e a força do espírito importam no único caminho a seguir-se, a única forma e meio de desenvolvimento do ser para a sua vida eterna; o sacrifício pois, a dor com a fé e com propósito de bem, são o caminho para o progresso e a felicidade eterna.

A fé e a oração encerram em si mesmas uma grande força, como disto a cada passo tendes exemplos, e os estados de elevado misticismo colocam o homem ao alcance de forças ocultas, cujos efeitos apalpais a miúdo, em tais casos sem dar-vos conta do porquê, é que as leis de Deus contêm em si mesmas seu cumprimento do qual aproveitam os espíritos do bem, que por serem do bem chegaram às alturas da evolução e do progresso que sobre o indicado caminho se encontra.

Nisto, compreenderam bem meus discípulos os ensinamentos do Mestre, porquanto vidas de lutas e trabalhos levaram buscando o bem de seus semelhantes pelos meios que lhes indiquei, dando lugar muitas vezes aos chamados milagres que vós também produzis, nenhum de meus discípulos entretanto levou a estéril vida contemplativa que foi ensinada mais tarde como virtuosa por aqueles mesmos que chegaram a matar em meu nome, colocando a fogueira e o ferro aí, onde o Messias havia gravado as palavras: “Ama a Deus sobre todas as cousas e ao próximo como a ti mesmo, esta é a lei e os profetas”.

A fé e a oração sincera repartem entre si o estado de misticismo com o grande poder que lhes deu o Pai, um estado porém, um meio, não podem senão ser transitórios, jamais formam a base e a razão de uma existência, valem somente naquele momento e oportunidade, para seu elevado objetivo.

Se minhas palavras não lhes ensinou o meu proceder para com os escribas e fariseus, a maneira como tratei os mercadores do templo e a guerra que sempre fiz a todos os ricos e malvados, principalmente entre poderosos, demonstraram sobejamente que não baixou Jesus à Terra para estabelecer uma seita de rezadores.


De meus ensinamentos tudo deve ser tomado em seu lugar e em sua época. Nada tenho que emendar do que disse, o crente deve saber quando deve apresentar também a face esquerda e quando deve açoitar os mercadores do templo, conquanto que o propósito seja sempre o bem de nossos semelhantes.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

CAPÍTULO XXV- 2ª Parte – livro: Vida de Jesus ditada por Ele Mesmo. Jesus assinala o caráter progressivo do Cristianismo, fustigando os que, com enganosos sofismas, se esforçam em demonstrar o contrário.



A desgraçada condição humana filha da cegueira de seu espírito, perversa obstinação a travar os caminhos da luz que do alto vem, levantou altares à mentira, enquanto que a verdade, muda, em desconhecimento permanece para seu coração e para seus ouvidos.

É por isso que a verdade que de Deus vem não é recolhida em sua essência, antes confusão e mutação em seus entendimentos encontra, até chegar ao contrário do que ela é.

Disseram, igualmente, que os ensinamentos que do Pai lhes trouxe o filho a cegueira da Fé somente conseguem impondo sem brilho as luzes para o porvir, sendo a razão do descanso do Espírito que não marcha atrás do progresso do intelecto e do engrandecimento da Alma, antes que encerra o Espírito no círculo estreito do que pela Fé foi ensinado.

É, apesar disso, que deles mesmos, em completo desconhecimento, se ouve o que é a Fé e até onde ela alcança, isto é, até o Pai e dizerem de Jesus o que de seus lábios jamais saiu, mas sim de Roma.

Quando ensinou Jesus que a Fé deve entender-se em crer no que não se viu? A Fé transporta montanhas sim, foi dito e isto deve ser repetido cem vezes, e cem vezes cem, volta o Filho de Deus, a repetir-vô-lo, vindo porém agora para explicação também do que pela Fé deve entender-se, o que não podiam alcançar os entendimentos de quem primeiramente o ouviu.

Não disse Jesus das virgens que deviam esperar o Esposo, acesas as lâmpadas? Que era essa luz, senão a atividade e a luz do espírito, que em cuidá-las sempre despertas, devem ocupar-se?

Não ensinou à Samaritana que tempo chegaria que nem no Templo de Jerusalém, nem na Samaria, viria para orar ao Pai, mas sim em todas as partes, isto quer dizer, em espírito e em Verdade, como em outras ocasiões acrescentou?

Tais cousas não foram claros ensinamentos do Progresso? Não disse aos hebreus tardios em entendimento que escutaram minha palavra que viria o espírito de verdade, quer dizer, o progresso a dar luz ao que ainda seus entendimentos não puderam alcançar? — O espírito de verdade ou verdade alcançada em cada época, quer dizer o progresso, deve entender-se também pelo “consolador”, pois que no conhecimento da verdade se encontra o Verdadeiro consolo, comporta cada vez mais a idéia do progresso e não a da falta de movimento dessa Fé cega de que eles vêm falando, mas não o Messias que em nome do Pai veio endireitar os caminhos tortuosos que a Humanidade tem seguido e endireitou-os para conduzi-los para o progresso, lei fundamental do Universo, inculcando nesses homens atrasados e duros da Judéia o pouco que em seus entendimentos pudesse penetrar, dizendo-lhes portanto: “Muitas moradas tem a casa de meu Pai”, e também: “Necessário vos é nascer, renascer e tornar a nascer”.

“Em verdade te digo, que não verá o reino dos céus aquele que não nascer de novo, como disse ele mesmo.”

“Deus não quer a morte do pecador senão que ele viva e se converta porque finalmente todos serão salvos.” Lei de vida trouxe pois o Messias e não de morte; lei de progresso portanto e não as recomendações de uma fé cega e fria, que o fanatismo dos tais pretende falsamente atribuir-lhe, que entretanto, somente nos seus corações puderam abrigar-se pelas trevas da maldade e do erro de que cheio estão.

Hipócrita simulação é a de quererem encontrar no Messias a culpa da falta de compreensão de seus incultos ouvintes e torpe falsidade comportam as palavras daqueles que fazem maliciosa confusão do amor que ele inculcou e perdão das ofensas, com a sanguinária maldade dos que derramaram em torrentes o sangue de seus irmãos na Inquisição. “Não matarás”, repetiu Jesus com as antigas escrituras, acrescentando: “Ama a Deus sobre todas as cousas e a teu próximo como a ti mesmo, esta é a lei e os profetas”. É o orgulho o que aos tais em funda obscuridade traz e neles sopra sem cessar o espírito do mal que ódio eterno dirige contra mim, os advogados do espírito das trevas são eles portanto e não é de duvidar-se que tudo o que é de Jesus com ódio o recebem e com ódio o demonstram para os incautos que não descobriram ainda o lobo no meio do rebanho.

O espírito de verdade, porém, de século em século, de idade em idade, luz vos traz no caminho que vos conduz em marcha constante para o porvir, levando pela mão ao homem de boa vontade, como verdadeiro consolador, pelo êxito no labor sincero e paciente para o eterno progresso. Meus próprios apóstolos não entenderam minhas palavras, esquecendo delas o mais importante: as reencarnações, a pluralidade de mundos habitados e a idéia do progresso; escreveram-no, porém, nos Evangelhos, sem darem por isso. Quer-se maior milagre que este? Isto é em parte do que por eles foi dito como ensinamentos do Messias, muitas mais cousas, porém, de meus lábios lhes foi dado escutar, pois que, na intimidade com seus discípulos, Jesus os instruía daquelas cousas mais elevadas que não lhe era possível levar ao conhecimento do povo, apesar de que eles também muito curtos eram e cheia a cabeça dos preceitos da religião imperante, pouco mais lhes era dado alcançar e não era pois para eles a lei do progresso; a qual ainda agora mesmo os homens não compreendem em sua essência, aplicando-a somente para as cousas humanas, porquanto para as cousas do céu morta é para eles a idéia do progresso, acontecendo portanto que as suas próprias religiões destes tempos, todas elas encerram a verdade absoluta, o que quer dizer que não há progresso para elas porque toda a verdade nelas está.

Meus discípulos, somente as cousas mais simples e mais repetidas conservaram e ensinaram, nelas, porém, o suficiente ficou para conhecerem meus ensinamentos e poderem dar aos homens bom adiantamento nos caminhos do Pai, que o infinito compreendem, porque para o Pai conduzem.

Dizia a meus discípulos em ocasiões que me enchiam de perguntas sobre o que é do Pai: Se não compreendeis as cousas da Terra, como quereis que vos fale das do céu? Isto também digo agora aos que, com raciocínios puramente humanos, querem falar das cousas do Pai e pensam que Jesus nesta sua nova manifestação outras grandes cousas deveria ensinar, porém o que seu raciocínio não alcança, não o crêem, sendo por isso que, o que o Messias lhes traz, agora ao alcance dos homens deste tempo está, apesar de cheia terem sua cabeça das trevas do orgulho para rechaçar a luz da fé que não alcançam.

Todas as grandes cousas somente pela fé têm sido alcançadas e sem fé nada se engrandece e tudo morre, em tudo o que é humano, assim também em todas as cousas nada se faz sem fé, para as cousas superiores, porém superior também deve ser a fé, como já em outra parte vos ensinei também, encontrou-se erro em minhas palavras quando disse que o homem é formado de três partes: o espírito, o perispírito e o corpo, nada dizendo do corpo que eles chamam fantasmático porque, segundo eles, envoltura é do fantasma dos vivos, eis porém, como as cousas são. Três são em verdade; como já vos disse, as partes que formam o homem: espírito, perispírito e corpo, sendo o perispírito a envoltura permanente do espírito, pois que o perispírito não se relaciona com a matéria sem auxílio do elemento intermediário do magnetismo humano, pelo qual se une ao corpo. Primeiramente, o magnetismo dos pais forma conjunção do espírito com o que há de ser seu corpo para viver como homem, depois, o exercício da vida, o que se chama assimilação, forma a matéria do novo corpo e os fluidos que o vão ligando ao perispírito do espírito para quem destinados estão estes fluidos ou magnetismo humano envolvendo o perispírito, fazem- no mais denso até ver-se em certas ocasiões como fantasma, separando-se o espírito do corpo durante o sono profundo, este não é, porém, outro corpo como se diz e sim o mesmo perispírito vindo com maior densidade pela acumulação dos fluidos vitais ou magnéticos a que chamam também fluidos animalizados, os quais se formam durante a vida material e desaparecem com ela, não sendo portanto outro corpo.

Muita importância tem certamente a tal envoltura porque com ela vive o espírito outra vida fora do corpo durante o sono profundo, não se guardando memória dessa vida de libertação porque o cérebro não teve participação nela, não podendo guardar impressões do que por ele não passou. Não quer dizer que os espíritos dos homens dormidos vão ocupar o plano ou planos espirituais, mas sim uma região intermediária mais baixa, de pouca elevação, acima do mundo material que mal denominam plano fantasmático. Nesta região os espíritos dos vivos relações estabelecem com os espíritos livres, baixando estes com o auxílio desses mesmos fluidos magnéticos que os corpos dos vivos lhes proporcionam. Quase sempre os espíritos dos vivos seguem dominados pela materialidade da vida terrestre, sendo sua vida fora do corpo pesada e grosseira como a que com o corpo levam, não poucas vezes lhes aproveitando estes desprendimentos, alguns, porém muito poucos, estimulados por suas aspirações e conduzidos por seus protetores, alcançam as mais elevadas regiões, colhendo maior luz e energias espirituais que em parte conservam ao despertar pela ajuda dos mesmos protetores.

Sede, portanto, assim, puros em vossos espíritos, mantendo-vos tais como eu vos ensinei em nome do Pai, assim também muito alto ascendereis pelas vias do progresso, as únicas que até Deus conduzem.

Para estabelecer a confusão entre os cristãos, dizem os mal intencionados que os espíritos desprendidos dos vivos são os que vêm dar comunicações com os médiuns, cousa sempre impossível pelo desconhecimento que os tais têm de seu estado; podem, sim, perturbar algumas vezes com seu desconhecimento e cega torpeza as comunicações, porém não dá-las, dos espíritos mais adiantados, mas também costumam servir-se os espíritos livres para suas comunicações com os homens de sua maior relação com o corpo.

Agora mesmo quando têm sucedido comunicações de um espírito de homem dormido com um médium distante tem sido para ensinamento, com o auxílio de seus protetores, sendo em ocasião diferente das outras comunicações, e tendo um propósito humano de progresso conduzido por homens adiantados, inspirados e ajudados por espíritos mais adiantados, não sendo portanto obra de mistificação.


O que fica dito não há de trazer confusão com as comunicações mentais que podem ter lugar a grandes distâncias também entre homens de linguagem diferente, porque o pensamento nesse caso não precisa de idioma.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

CAPÍTULO XXIV – 2ª Parte – livro: Vida de Jesus ditada por Ele Mesmo. Jezeus Cristna e Jesus Cristo. Como se explica a semelhança da revelação cristã com a muito anterior da Índia, contida principalmente nos Vedas.



Irmãos meus: A predicação de Jesus, já vos disse, sofreu alteração desde seu começo, pelo atraso dos homens que mal a compreendiam e pelo próprio fanatismo e ignorância dos apóstolos, quando a obra do Messias foi substituída pela de seus discípulos depois do cruel sacrifício do Gólgota. Não vos deixa compreender assim vossa própria consciência, quando pensais nestas palavras que também vos foram transmitidas: Ama a Deus sobre todas as cousas e ao próximo como a ti mesmo, esta é a lei e os profetas? O principal, o fundamental, a essência do que se me atribui, como dito por mim e repetido por meus apóstolos, não vos instrui do errôneo e contrário à minha missão de todo o conjunto de maravilhosos aditamentos que às minhas palavras se fizeram e aumentaram paulatinamente, por meio da tradição de meu apostolado?

Como se pode manter confusão entre o fim grandioso que a palavra de Deus trazia ao mundo, pela própria boca do Enviado Celeste, e as aparatosas demonstrações do culto idólatra, que mais tarde se constituiu com os reflexos de antigas religiões, com velhos mitos e até com dogmas escolhidos das primitivas tradições sagradas do longínquo Oriente?

No que das palavras de Jesus se diz, o suficiente se conservou do que por ele dito foi realmente para compreender seu espírito, cuja confusão jamais a divina vontade do Pai teria consentido.

É justamente o espírito, queridos irmãos meus, o que de Deus vem, porquanto a palavra é do homem e somente se ajusta ao espírito enquanto a luz da alma a consinta em cada caso, de acordo com a pureza do pensamento e elevação da idéia em cada homem.

Assim, pois, se sempre falei do meu Deus e do nosso Deus, se em cada instante dei provas de minha completa submissão ao Pai, que me enviou e nada disse de nenhum Espírito que não fosse significação do espírito de luz, espírito de graça ou espírito de verdade, não “Espírito de Verdade” e tampouco “Espírito Santo”, como mais tarde se acrescentou, por que se tomam de minhas palavras tão estranhos ensinamentos, formando três Deuses, para virem a ser finalmente um só Deus, dando-me, a mim próprio, culto divino e fazendo do que chamado é em geral Espírito, uma pessoa com o Espírito Santo?

Quando foi dito por Jesus: de seu nascimento de uma virgem, por obra do espírito, de sua essência como segunda pessoa da Divindade e de seus muitos milagres, endireitando aleijados, fazendo caminhar a paralíticos, dando vista aos cegos, ouvidos aos surdos e ressuscitando os mortos, tudo o que referido é já da pessoa de Cristna?

Quando dito foi por Jesus alguma cousa referente à morte dos inocentes (que não sucedeu), mandada por Herodes e que referido se encontra já com relação ao nascimento do mesmo Cristna?

Assim, muitas cousas mais são referidas como procurando semelhanças entre o Filho de Deus, entre o Messias, entre o verdadeiro enviado do Pai para os homens e esse personagem da mais remota tradição da Humanidade; mas nenhuma relação guarda, em verdade, um com outro, a não ser essa eterna intervenção de Deus sob formas diferentes, no meio da vida humana, para seu adiantamento e sua marcha por direitos caminhos.

Não deis importância à forçada semelhança de dois nomes escritos em idiomas diferentes, diversamente pronunciados e habilmente acomodados para trazer confusão entre os crentes, pelos que não o são. Posso portanto assegurar-vos que, se no tempo de minha morte, pouco ou muito tempo depois que ela sucedeu, um adepto do que se chamou Jezeus Cristna o tivesse articulado e meu nome fosse pronunciado por um hebreu cristão, nenhuma aparência de semelhança teria suscitado, existindo maior diferença entre seus nomes que o de Pedro com o de João, o de peixe com o de pássaro.

Assim, portanto, não vos deixeis levar pelas estranhas fantasias que vieram lançar sobre a obra de Jesus as aparências do mito, mediante maliciosas confusões entre o que realmente se disse e se fez em nome do Pai e o que se acrescentou de fabuloso e sobrenatural.

Oh!... Repetir-vos-lo-ei com as mesmas palavras: — Oh!... Não me rechaceis agora vós, porque não me apresento com os característicos da evidência material e com o prestígio de mentirosos milagres!... Não me rechaceis, pois, e abri antes vossos corações aos celestes eflúvios que de Deus vêm, abri vossas almas ao eterno movimento do eterno amor e dilatai vossos espíritos até uni-los com o de vosso Messias e mestre, unido quanto à grandeza que de Deus vem e até Deus alcança, colocando-se assim ao vosso lado e elevando-vos a vós até minha própria altura, para que, em estreita aliança, no Pai nos encontremos, e pelo Pai testemunho tereis do filho, sendo a voz santa da fé sincera a que tal mensagem carne fará com vosso próprio ser. Então, também chegado tereis ao perfeito domínio da mísera natureza humana e próximos vos encontrareis da conquista que no céu vos é reservada ao termo de vossa jornada.

CAPÍTULO XXIII – 2ª Parte – livro: Vida de Jesus ditada por Ele Mesmo. Volta a referir-se sobre a extensão que abrangeu seu apostolado e à intensidade de seu labor de propaganda.



Queridos irmãos meus: Bem sabeis, pois já vô-lo disse, que muito maior extensão e muito mais tempo levaram as obras de meu apostolado do que os homens guardam memória. Muito pequena em verdade foi a obra do Messias, se no que escrito está, somente se encontrasse compreendida. Porque certamente todo o seu tempo ocupava-o Jesus em suas sementeiras por toda a herdade do Pai que lhe coube palmilhar. Assim foi nas longínquas terras, mais além de Filipópolis, Cesaréia e Tiro, mais além ainda de Sidon e Damasco, até pelos confins da Síria. Mas careciam ainda nesses tempos da necessária unidade os ensinamentos de Jesus, os quais se iam entretanto orientando para formas mais bem definidas, inspiradas pela própria ignorância dos povos que ele visitara e que mudos e estáticos permaneciam ante suas entusiásticas demonstrações, mais impressionados que amestrados por elas.

Tão depressa arrancava o Messias suas calorosas arengas dos esplendores do firmamento, de onde as infinitas moradas da casa do Pai se preparavam para receber seus filhos da longínqua Terra, que o quisessem adorar em espírito e em verdade; tão depressa recebia seus ensinamentos das harmonias da Natureza; tão depressa deduzia da razão pura seus argumentos ou aproveitava, como ponto de partida, as misérias e as injustiças de que os pobres eram vítimas, e até da própria paixão que corrói os espíritos, arrancava vibrantes demonstrações em favor da fraternidade e para os esplendores do brilhante porvir que aos resignados, aos humildes, aos caritativos, aos Messias de fé, tem o Senhor reservado.

Estes sermões cheios de entusiasmo, porém muito difusos as mais das vezes e abundantes em abstrações, impressionavam vivamente o meu auditório no princípio, mas fatigavam-no depressa, revelando-se-me sua falta de atenção pelos olhares vagos e os semblantes distraídos. Os povos da Judéia mais facilmente recebiam a palavra do Messias, porquanto eram-lhes mais familiares as questões da religião e maior era o costume entre eles no que respeita aos trabalhos dos sacerdotes, dos oradores sagrados e dos mestres particulares ou livres que os mantinham em prática no que se refere a essa espécie de certames exteriores ao templo, embora mantendo estreita relação com ele.

Esses outros povos eram de maior movimento mercantil, mais dados às tarefas da vida e com maior indústria de fiação, mercadorias, peles, artigos de bronze, barro, madeira, etc., porém pouco dados à instrução e cheios de espantosas superstições que pouco favorável relação guardavam com os ensinamentos de Jesus. Era entretanto evidente o desejo dessas gentes de escutar a palavra do estrangeiro e de compreender seu alcance, assim como ele de inspirar-lhe sentimentos de afeição para eles, sendo que logo que deixavam de ouvir ao orador, voltavam a tomar o lugar de seus ensinamentos, as velhas superstições prestigiadas pela recordação dos antepassados.

Certamente Jesus ia conhecendo os homens e aprendendo os caminhos para chegar a seu entendimento e alcançar seu coração; porém, se bem que não deixasse de colher alguns frutos de seu passado apostolado e, cada vez mais, fosse conquistando o apreço e a consideração dessas gentes, que chegaram às manifestações das mais altas considerações e carinho para com sua pessoa, compreendia o Messias que não eram esses os lugares de seu ministério, e um secreto impulso arrastava sem cessar seu pensamento para a Judéia e levantava-se constantemente, em meio de suas reflexões, a visão imponente do Templo de Jerusalém, base do imenso poder desse clero fanático, egoísta e hipócrita, que ele vinha para combater. Não era um sentimento de temor pelo instinto da própria conservação, mas sim o temor de não chegar a tempo para a terminação da grande obra que me fora confiada.

O favorável acolhimento encontrado em minha peregrinação e as simpatias e afetos de que me vira rodeado, davam-me maior confiança e avigoravam a fé em meus destinos. Muitas foram as povoações visitadas e tornadas a visitar, durante as missões dirigidas às terras dos gentios, sem encontrar maior oposição a meu ministério de parte do clero dos variados cultos que encontrava nas diversas povoações visitadas. O clero parecia em verdade geralmente superior à idolatria professada pelo povo e nascida, ao que parece, da personificação das virtudes e das forças em nome das quais eram dados os ensinamentos, e o respeito e adoração especiais que se tributavam ao Grande Deus ou Deus dos Deuses, também chamado Baalsão ou Baalresão (não encontro nome parecido em vossos cérebros) e ao qual grande culto todos os povos tributavam, ainda que variando sempre a palavra de seu nome, faziam supor que em princípio em um só Deus acreditavam, sendo as demais entidades também designadas como Deuses mas de natureza diversa e inferior a esse Grande Deus, que seria portanto o verdadeiro. Mas tudo isso era tão confuso e enredado que resultava uma idolatria muito complicada e de muita inferioridade com relação ao culto do povo judaico.

Havia nesses tempos, no caminho de Corozain para Damasco, uma cidade à qual os conquistadores deram o nome de Filipópolis, que não era a mesma a que também chamaram Cesaréia Philippi, pois que eram dois povoados, sendo o mais antigo e o mais próximo de Corozain do que eu falo, porque as construções romanas, fortalezas, quartéis, palácios da administração pública e do governo militar, um grande templo, depósitos, etc., constituindo uma posição fortificada, assim como os grandes muros de defesa e as muitas habitações novas ocupadas por civis e militares, todas essas construções vieram formar uma cidade nova que era propriamente a Cesaréia, terminando por ficar separada da primitiva povoação que pouco a pouco foi ficando abandonada até perder-se sua memória como se a cidade Cesaréia houvesse sido edificada sobre um lugar deserto.

Assim, portanto, entre a pobre casaria que nos arrabaldes ficava do que se chamou depois Pancas e mais tarde Filipópolis, próximo à margem de um pequeno afluente do Jordão, encontrou o Messias em mais de uma ocasião lugar propício que lhe servia de albergue e também de repouso para seu espírito, em meio dessas almas pobres e simples que de tudo careciam, menos do impulso de afeições e dos doces reflexos da simpatia; mas seus conhecimentos nas ciências divinas eram nulos, sendo sua religião um amontoado de idéias diversas, idólatras, judaicas e baalitas,¹tudo confundido no meio das mais vergonhosas superstições.

Em uma das ocasiões em que se havia Jesus detido por essas terras alguns dias, visitando e levando o ensinamento da nova doutrina entre os arrabaldes de Filipópolis, sendo sempre unicamente na dita casaria o lugar de preferência como morada de seu retiro diário, na vivenda de um velho pescador que de muito longe trazia o fruto de sua pesca, de alguns riachos e lagoas por eles formadas, cujas águas todas iam desaguar no Jordão, soube de um sonho em que prometido havia sido como o Salvador do mundo o próprio Messias.

O tal velho pescador não atinava em muitas palavras para as manifestações de seu espírito e do que lhe era dado para compreender como ensinamento, entre os outros, pelo Messias; maior parecia seu interesse pelo que dos lábios de Jesus saía, não somente pelo que à doutrina dizia respeito, mas quanto a seu cumprimento também, sendo que de sua pobreza alívio tirava em algumas ocasiões para os mais pobres do que ele.

Jeová mandou-o à minha casa, ouvia-se-lhe dizer, para aviso das grandes desgraças que hão de acontecer pelo abandono que se tem feito de sua lei entre os homens e para que prevenido esteja eu para nossa salvação. Assim também, sonhei com o Mestre, vendo-o rodeado de anjos e de velhos profetas, aos quais uma voz, que vinha do alto e que a mesma de Jeová havia de ser, desta maneira lhes falou em meio de uma grande luz de retumbantes trovões: “Aí tendes o filho meu, pelo qual virei a glorificar-me na Terra; escutai-o e o ajudai porque para salvador dos homens eu o enviei”. Ouçamos portanto a este novo profeta que o próprio filho de Deus é, acatando seus ensinamentos de amor e praticando-os sem covardias.

Em grande estima tinha-se aí a esse ancião, dizendo-se também dele que se lhe apresentava em sonhos o porvir. Motivo foi isto para que a voz de meu ministério corresse com maior velocidade e prestígio entre as gentes dessas paragens que, se bem escutaram a Jesus com verdadeiras demonstrações de afeto, não manifestaram maior entusiasmo quanto à afirmação da origem divina de seus ensinamentos.

A notícia do que foi dito correu de aí para todas as partes, variando-se-lhe a forma e exagerando-se até afirmar-se que Jesus em muitas ocasiões, conversação havia mantido com o próprio Deus, que o enviara.

Isto acontecido havia, nos últimos tempos de minhas digressões distantes, durante meu definitivo regresso para as terras da Judéia, pouco antes de minha última estada em Cafarnaum, quando já a obra do Messias próximo estava de sua madureza.

Certamente, todos esses territórios havia-os minuciosamente percorrido, não tanto nem durante tanto tempo como os da Judéia, mas por todas as partes tinha levado o Messias seus ensinamentos, sempre rodeado de muita gente, acompanhado sem cessar em suas viagens por homens e mulheres que o mantinham cercado de admiração e de carinho. Mas não tinha ainda os que chamados foram seus discípulos e dentre os quais verdadeiramente saíram seus apóstolos, se bem que o apostolado se havia apresentado quase repentinamente em quase todos os que a ele se consagraram, porém sua seleção dentre os discípulos foi feita, o que aconteceu no que há de chamar-se o período derradeiro da grande obra do Messias que, como já vos disse, muito longa foi e muito grande extensão alcançou, ocupando sua vida inteira desde que saído tinha de completar seus estudos na Cidade Santa.

É portanto ao último período do apostolado de Jesus a que a tradição unicamente se refere e dele unicamente falam os que chamados foram Evangelhos. Nada se perdeu entretanto de minhas sementeiras na seara do Pai porquanto tudo frutificou melhor, depois de minha morte, entre os homens. Assim, portanto, aconteceu que, quando chegaram a essas regiões meus discípulos, grandemente facilitada encontraram a obra de sua predicação e com felicidade acreditavam as gentes na origem divina de seu ministério até admitir a própria divindade do Messias, o que um grave mal foi para mais tarde, mal que a muitos afasta agora das palavras de vida que, em nome do único Deus, trouxe Jesus a seus irmãos da Terra.

Pensai pois agora vós nessas palavras tal como acabais de saber como elas foram ditas e crede que o seu objetivo primordial foi o de desenvolver o sentimento da fraternidade entre os homens, arrancando também dele o verdadeiro fundamento da adoração para Deus, a quem unicamente com amor e por amor se serve.

Compreendei também que o verdadeiro amor eleva o homem, desmaterializando-o, quer dizer, vigorizando sua personalidade de espírito. O espírito depois, livre assim das cadeias que o sujeitam sob a forma de baixas paixões, entre as trevas do ambiente material, abre os olhos à luz espiritual e eleva-se facilmente também em conhecimentos pela maior claridade que alcança sua inteligência. É então que melhor compreende o que lhe convém desenvolver em seu próprio ser e o que deve procurar, pois é muito diferente a verdade e a ciência do que a vossos sentidos materiais se vos oferece.

Não olvideis que a finalidade é o Pai e que tudo o que para ele não conduza, da verdade se afasta.


¹ Perguntado Jesus a respeito dos adeptos deste culto, manifestou que assim havia designado ele os adoradores do Deus Baal, porém que na realidade havia notáveis diferenças entre eles, tendo cada cidade seus deuses próprios, com seus cultos peculiares, se bem que existia também nisto uma espécie de intercâmbio, adotando-se a miúdo as divindades de uma ou outra, nas outras cidades. — Nota do Sr. Rebaudi.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

CAPÍTULO XXII- 2ª Parte – Livro: Vida de Jesus ditada por Ele Mesmo. Fala Jesus dos esforços despendidos por Ele nas cidades da Galiléia e de seu pouco êxito, insistindo novamente no poder da verdadeira fé. Refere-se também à sua limitada atuação na Samaria e dá as razões dessa limitação.


Depois de suas novas predicações da proximidade do reino de Deus, em todo o território da Judéia, e de que todas as cousas deviam para ele mesmo antecipadamente preparar-se, levantando templo de amor e de justiça nos corações dos homens; com muito mais energia tinha voltado às terras da Galiléia que mais que nenhuma refratárias foram às palavras do Messias, e ainda que um pouco melhor de disposição tivesse alcançado, de Cafarnaum entretanto muito bons elementos para a sua obra se lhe ajuntaram, assim como que setenta discípulos conseguira, e ainda mais, em encarregar do ensinamento das novas doutrinas pelas paragens que se estendiam nos seus arredores. Quer dizer, portanto, que antes e depois de minhas longas peregrinações por terras distantes, desde Filipópolis, Sidon, Tiro, Damasco e mais longe ainda, na Síria e na Fenícia, muitas vezes por Cafarnaum principalmente, Betsaida e Corozain, passara e detivera-se em sua passagem o Messias, para dar também por elas testemunho evidente de seu ministério, tanto quanto comportavam os costumes e exigências desses tempos em que se pretendia que todo o verdadeiro messianismo havia de impor crença de si, não somente na sabedoria das ciências divinas e na santidade da vida e no domínio da verdade de suas palavras sobre a dos outros oradores nas Sinagogas, como também no poder do sobrenatural que havia de acompanhar a todo o verdadeiro profeta.

Jesus encontrava-se colocado muito mais alto que os profetas, como o Filho de Deus, o Messias prometido nas Sagradas Escrituras, o Salvador do mundo, e tal comportava realmente sua elevada missão, como bem o sabeis, mas não havia de ser o milagre, certamente, a violação das leis imutáveis de Deus, o absurdo, enfim, não havia de ser, nem podia ser, o testemunho evidente de seu messianismo cujas demonstrações em compensação deviam-se assentar na evidência mesma de seu elevado ministério, evidência que ficara comprovada já com as particularidades que rodearam o nascimento de Jesus, multiplicadas e engrandecidas pela fantasia popular, assim como com os primeiros passos de sua atuação no Templo e em meio da família, antes ainda de que fosse mandado estudar em Jerusalém. Não é falar certamente dos milagres, que não existiram; “mas preciso é, irmãos meus, inclinarmo-nos perante os altos desígnios de Deus, que por meios incompreensíveis para o homem rodeia a verdade em cada tempo da forma de prestígio que mais lhe convém, para que sejam cumpridos os propósitos de seu novo ensinamento entre seus filhos”.

Não é falar certamente dos milagres, que não existiram, repito-vos, mas o elevado misticismo evidenciado por Jesus desde sua primeira infância, suas celestes visões e a forma sentenciosa e a miúdo profética de suas palavras e até seu próprio retraimento em meio da solidão, procurada para a elevação de suas preces ao Senhor, colocavam-no em uma posição de muita superioridade em frente dos demais jovens da povoação e também dos homens que vigiavam as estranhas manifestações dessa superioridade geralmente a miúdo com mal dissimulada inveja ou com manifesto despeito.

Já vos disse que em nenhuma parte foi tão pouco aceita no princípio a atuação de Jesus como em Nazareth, se bem que muita mudança houve depois em seu favor, para o fim do que estabelecido estava como obra encomendada a ele pelo Pai. Ao menos que tivesse escondido o pai, mãe e irmãos, antes de apresentar-se-nos como filho de Deus, dizia-se, confundindo assim minha filiação divina com a carnal, que era comum ao Messias como aos demais homens. Assim também procurava-se comparação entre as palavras de Jesus, pronunciadas em demonstração da nova doutrina, com os ensinamentos das Sinagogas em que se defendia a velha doutrina, encontrando-se facilmente motivos de contradição baseados mais nos velhos dogmas que na justiça. Causa, pois, é esta pela qual distanciado quase sempre andou o Messias do lugar de seu nascimento entre os homens. Mas não foi unicamente Nazareth a terra que demonstrou ingratidão ao Messias, mas também esses mesmos povos em que maior havia sido o esforço de sua palavra, como Cafarnaum, Betsaida e Corozain, principalmente, e que mal corresponderam, durante muito tempo, aos amorosos chamados que em nome do Pai lhes fizera obstinadamente o Celeste Portador da Boa Nova.

Assim, portanto, no último período de seu ministério, viu-se um tanto exasperada a imperturbável paciência e o amor para os homens do Filho de Deus, quando, não obstante a importância que em Cafarnaum havia começado a obter a nova doutrina e não obstante os bons e bastante numerosos discípulos que conseguira, assim como os sinceros afetos de que rodearam ao Mestre os simples povoadores das praias do mar de Tiberíades, voltaram assim mesmo a persegui-lo a maioria dos povoadores, não somente com sua incredulidade, mas também geralmente com mal dissimuladas demonstrações de hostilidade para quem vinha exprobrar-lhes, em nome do Pai, seu completo olvido das cousas celestes e seu vergonhoso apego aos bens materiais.

Irritava-os minha prédica persistente em anunciar a proximidade do reino de Deus e a derrocada de todas as instituições que não correspondiam à nova revelação trazida, para os homens, pelo próprio Filho de Deus. Tenho-vos dito já tudo o que em Jerusalém recolhera como aproveitamento dos conhecimentos que me haviam de servir para o exercício de meu ministério, assim como do que na Cabala alcancei para o bem dos desgraçados. Porém, também em aproveitamento do que havia de revelar-se mais tarde na pessoa do Messias, com relação às suas elevadas alianças no reino dos céus, muito tirou daí e esses foram portanto os meios que, em virtude também de sua superioridade, lhe serviram para livrar muitos homens das obsessões do espírito do mal. Isto e a cura de muitas enfermidades, assim como o conhecimento profundo que Jesus tinha dos homens e que lhe ditavam meios de previsão do porvir, sua penetração também no conhecimento das intenções dos que o rodeavam, a facilidade de solução rápida de todas as dificuldades que se lhe apresentaram, a veemência de suas afirmações e o tom profético de suas palavras, por tudo isto e pelo mais que foi dito, havia-se esforçado Jesus com seu maior desejo e com a maior habilidade de que era capaz, para que fosse recebido como o testemunho evidente de sua missão e que formou depois a prova externa irrecusável do que internamente era a ele somente revelado, mediante as elevadas alianças celestes que o acompanhavam e o ajudavam invisivelmente na grande obra da redenção humana.

Assim, portanto, não é de estranhar-se que alguma vez, no último período de sua estada entre os homens, quando a negra ingratidão dos mesmos se preparava para aniquilá-lo corporalmente, não é de estranhar-se que um profundo sentimento, uma grande dor lhe arrancasse palavras de exprobração e de ameaça principalmente contra essas cidades, nas quais sua predicação tanto se havia esmerado. É de justiça, não obstante, dizer que muito de bom se conseguiu em meio dessas populações que padeciam afinal da geral descrença, tendo-se chegado, não somente nessas cidades da Galiléia como também na Judéia, até a olvidar o que sempre por dogma se havia tido, isto é, o da ressurreição, que alguns tomavam pelo que vós chamais reencarnação e outros por sua volta à vida como espírito, no céu, depois da morte do corpo, e outros ainda como voltando à Terra com os mesmos corpos, e era assim a ressurreição para alguns na Terra e para os outros nos céus, porém, para a maior parte fábulas chegaram a ser, nada vendo fora da vida que levavam na época de sua presença no mundo. Tudo assim, para a maioria, levado era com indiferença e melhor lugar, de costume que de devoção, tomavam em seus corações as práticas religiosas.

Recordai, irmãos meus, o que já vos disse sobre como devia ser a fé com relação às cousas que do Pai trouxe o filho. Recordai, do mesmo modo, o que do poder da fé também vos foi dito com palavras como estas: “Em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: levanta-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará, quanto disser, tudo será feito”. É, pois, que a fé tanto pode quão grande é e tanto alcança quanto em intensidade aumenta. Seja portanto vossa intenção posta no bem e firme vossa fé e assim também o que disserdes: seja, assim será e o que disserdes: faça-se, assim mesmo será feito. Quero também dizer-vos que não deveis estranhar se de Samaria muito pouco testemunho vos dou, porque certamente no meio dessas gentes foi dado testemunho de meu ministério e mais de uma vez também as elevadas manifestações de que encarregado fora o Mestre foram-lhes oferecidas para seu conhecimento; mas era também este povo refratário a tudo o que na Judéia tivesse nascimento e era considerado como da Judéia saído Jesus, quanto à palavra dos ensinamentos que levava às gentes. Mas, justo é dizer, que bons crentes também dali surgiram, sendo que era tal o pensamento dessa gente que com muita dificuldade dele se apartavam para aceitar crenças de outro povo e ainda que com mais prestígio e importância muitíssimo perdia, para com as gentes da Judéia e da Galiléia e demais denominações, todo mestre de religião que em Samaria ensinasse e daí saísse levando também a palavra aos outros povos. Até proibição absoluta havia para os judeus, para tudo o que fosse trato com os samaritanos. Jesus, portanto, desempenhou seu encargo levando a boa nova entre os samaritanos também e até como exemplo tomou-os ante os judeus em muitas ocasiões para despertar seu amor próprio em favor da nova doutrina, mas sem ultrapassar os limites que comportava o interesse da propaganda, a maior probabilidade de êxito para os ensinamentos que o Filho de Deus trazia à Terra para a salvação de seus moradores.

Se dessa fé de que vos falo vestígios houvesse encontrado nos tempos que digo, certamente desde o princípio a grande altura minhas doutrinas teriam alcançado, mas nem sequer essa fé consegui formá-la e tampouco estavam para ela preparados os tempos, pois que tal elevação na fé, como já vos disse, elevação primeiro exige de todas as virtudes do espírito.

Obtive, apesar disto, em numerosos discípulos, essa fé simples que cegamente se apoiava na autoridade do Filho de Deus, a quem eles reconheciam, fé suficiente para levar em proveito da divulgação da doutrina já completamente formada, porém insuficiente para exaltar-se em alianças superiores com os espíritos do Senhor, impulsionando a alma humana até a inspiração clara das eternas verdades que somente de Deus vêm.

Isto foi a causa, mais tarde, dos desvios que os ensinamentos de Jesus sofreram até ao ponto de chegarem aos criminosos absurdos que encheram o mundo de ódios em vez do amor, que se ensinara, de guerras em lugar da paz fraterna predicada, de divisões profundas entre os homens, em troca da unidade de vistas sobre uma moral comum.

Dessa fé simples muitas provas colheu seguramente o Messias em todas as partes; mais a doce impressão repetidas vezes colhida entre os simples povoadores das praias do mar de Galiléia em Cafarnaum, gravou-se profundamente no coração de Jesus, acompanhando-o e dulcificando, em mais de uma ocasião, os duros transes do apóstolo e do mártir.

Oh!... esse tão suave bálsamo para o sentimento que só amor buscava, porque só amor semeava, esse, como todos os que em minha longa e dolorosa carreira baixaram com alguma abundância sobre minha alma suavizando suas penas e alentando-a, resplandece agora sob a forma de brilhantes diademas que coroam a centenares de espíritos de luz, espíritos do Senhor, que, na felicidade completa, rodeiam hoje a Jesus no céu, como o rodearam nesses longínquos tempos dando-lhe o apoio de sua fé e o alento de seu carinho

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

CAPÍTULO XXI – 2ª Parte – livro: Vida de Jesus ditada por Ele Mesmo. Volta a dizer algo referente aos espíritos desencarnados em relação com os encarnados e combate o abuso que se faz dos chamados “mitos” para explicar personalidades que se começou por desfigurar para poderem ter o direito de negá-las depois, declarando-as “mitos”, e em conseqüência evitar o pesado trabalho de investigação. Os povos que teriam criado “mitos” de elevado significado, estariam à altura da concepção desses ideais e facilmente teriam também personalidades dessa elevação. Afirma que seus ensinamentos foram em parte adulterados ao passar para o Ocidente, principalmente em Alexandria. Que nos Evangelhos, algumas cousas não foram ditas por ele e que em suas comunicações anteriores não quis observar pelo temor de que se duvidasse principalmente da autenticidade de suas novas comunicações.



Queridos irmãos meus, algumas cousas vos hei manifestado já dos espíritos que deixaram seu corpo no meio do mundo da matéria para viver como espíritos dentro de suas famílias de espíritos. Agora volto novamente para acrescentar alguma cousa mais ao que ficou dito: porém, preciso é que entendais quão dificultosa é a compreensão do que em uma esfera acontece para os que na outra esfera¹ habitam.

A idéia do que vós chamais mitos comporta, em geral, muito mais verdades do que vós exageradamente supondes. Quer dizer que vós vedes na criação de mitos, mitos que dão forma até a personalidades sem existência real e unicamente para dar forma ao mito. Os povos que alcançaram essas concepções, possuíram também homens que a essas alturas chegaram, sendo que os rodearam, como à minha própria pessoa rodearam também, do aparatoso recurso do milagroso e sobrenatural. Quando, pois, encontraram os contemporâneos, na tradição ou história dos homens que existiram, grande quantidade de fatos meritórios e muita grandeza de alma confundidos com fábulas do sobrenatural e milagroso, repeliram tudo como se tudo fábula fosse e tal repulsão era por não quererem fazer trabalho de investigador para separar o verdadeiro do falso. Assim, pois, muito grande exagero se produz definindo como mitos o acontecido com Homero, com Pirro, com Alexandre, com Sócrates, Arquimedes, Cícero, César e todos os grandes homens que a Humanidade teve.

Grande exagero, portanto, é também e mui torpe juízo o dos que à conta de mito também levam a vida e obras de Jesus. Loucos somente poderiam compreender semelhante afirmação quando testemunhos tão numerosos aparecem da realidade de Jesus e quando o elemento espiritual humano logicamente comporta, desde muito tempo, personalidades de tais elevações como as que a Jesus se atribuem.

Porém, mais custa fazer trabalho de investigador para a separação do falso e do verdadeiro que o de adornar um pouco melhor a realidade, sem muito procurar e menos pesar e analisar para fazer de tudo um simples mito... Com que facilidade é dada assim solução a todas as cousas pelos espíritos simplistas! — Mas a verdade é sempre a verdade e não pode resultar de arranjos artificiosos, senão que, unicamente como é, há de ser. Não procureis, pois, dificultar a verdade, ó homens incapazes de senti-la ou concebê-la! Pois tanto mais próximo dela vos encontrareis quanto maior seja vossa sinceridade e mais simples os caminhos por onde a procureis.

Assim, portanto, Jesus veio ao mundo como todo homem vem a ele. Nada há que confirme o que se diz referente aos acontecimentos de que se teria rodeado seu nascimento e tanto de infantil comporta o juízo dos que viram o sobrenatural em abundância misturado com o nascimento e vida de Jesus, como o juízo dos que, aceitando as aparências disto como se o milagroso se devera ver confundido com tudo o do Cristo, tratavam depois como um mito a personalidade do Mestre. Não era de melhor juízo, de juízo mais sensato, o estudar as cousas para assinalar a Jesus no justo lugar que lhe era devido, em vez de convertê-lo em uma personalidade impossível, para qualificá-la assim de mito, introduzindo um erro grave na história humana?

É o mesmo o desfigurar a história de uma pessoa como o de fazê-la passar por um mito, o que em verdade conseqüência é do primeiro, obra de mentira é unicamente.

Assim também, em muitos outros casos, quase em todos poderia se dizer, a personalidade ficou escondida pela confusão de acontecimentos sucedidos com outras pessoas e em outros tempos.

Mas o fundo comporta a verdade sempre e não é mito. Colocam-se justamente os maiores mitos em meios de povos menos capazes de criá-los.

Em algumas ocasiões certamente, há fundamento no reconhecimento de mitos, mas muitas vezes os homens, incapazes até de compreenderem certas ações elevadas, fazem-nas formar parte entre os mitos, e mitos são também os seres capazes de pairar nessas alturas.

Sem dúvida, minha vida e minha obra sofreram uma forte alteração ao passar novamente, depois de minha morte, da Índia a Alexandria, à Grécia e à Roma. Os acontecimentos foram ganhando prestígio, alcançaram novas modalidades, de modo a encontrarem-se em Alexandria pontos de coincidência entre a nova revelação trazida pelo Filho de Deus e as velhas crenças do remotíssimo Oriente, retrotraindo depois o próprio nascimento e atuação do Messias a esses tempos antigos, mudando tudo em uma só cousa, que confundiram, fazendo de tudo carne com a pessoa de Jesus, a qual se converteu em uma cousa estranha para ele mesmo.

Assim foi a concepção virginal de Maria; a morte dos inocentes; a segunda pessoa da Divindade, sendo também Deus; os cegos que partiam vendo, os surdos que ouviam; os paralíticos que se levantavam e andavam; os mortos que ressuscitavam... Nada disto, nada, crede-me em nome do vosso Deus e do meu, em nome do vosso Soberano e do meu, em nome do vosso Pai e do meu, nada Jesus fez, e ninguém tampouco, posso assegurar-vô-lo também, ninguém tampouco antes o fez, porquanto as leis eternas e imutáveis de Deus não estão sujeitas a contradições nem sequer só por um momento. Assim também, e somente assim, pode a perfeita justiça ter no Universo inteiro seu absoluto domínio, porquanto pequenos desvios do reto caminho convertem-se em desvios infinitos quando do infinito se trata; vê-se certamente o ponto de partida, mas não o de chegada e só se percebe que a linha tanto mais sofre desvio, quanto mais por ela se avança. Quer dizer isto, que se as leis de Deus chegassem à possibilidade de modificações, prova seria da sua falta de perfeição e que a conseqüente mutabilidade tiraria toda a fixidade ao plano da Criação. Certamente, o conhecimento perfeito das leis de Deus proporciona ao possuidor meios para a execução de feitos grandiosos, impossíveis ainda de conceber por vossa inteligência atrasada, mas eis que aos seres que a tais alturas nos conhecimentos chegaram, preferível é colaborar, desde já e desde que tal progresso alcançaram, na obra imensa da evolução universal, antes que descer à Terra para fazer exibição de seu poder e de sua habilidade, entre o sobressalto da população infantil que povoa vosso diminuto planeta. — Oh, não! ... Não pretendais o absurdo e o impossível!... Muito infantil, deveis já compreendê-lo, é a idéia de um Deus abandonando o Universo para encerrar-se em um invólucro mortal, e diminuir todos os seus atributos até o ponto de igualar-se aos povoadores, tampouco inteligentes, deste pedaço de terra, com o fim de consagrar-lhes, a eles exclusivamente, toda a sua infinita grandeza, chegando até a violar suas próprias leis, antes imutáveis, para que compreendam, creiam e se salvem; e como ainda tudo isso não é suficiente, entrega-se...ele, o único que é realmente... ele, o Infinito, o Absoluto, o que não pode deixar de ser nem um instante, nem sofre mudanças, ele... Deus, feito homem, entrega-se à morte corporal, para que o homem viva vida espiritual! —

Não vedes que até blasfêmia contra Deus é o uso de tão pouco respeito para com sua excelsa pessoa? É que acontecido tem para com a idéia religiosa entre os homens, o mesmo que com a evolução dos demais conhecimentos.

Quer dizer, que de seu embrião tem ido e seguirá elaborando-se até chegar às alturas que lhe correspondam, mas em seu longo percurso, a ignorância e o fanatismo foram-na ataviando de maneira impossível e as falsas interpretações, mais tarde, desfiguraram-na muitíssimo mais. Eis que depois, ao passarem minhas doutrinas da Índia para os povos do Ocidente, quiseram embelezá-las ou dar-lhes maior importância, acrescentando-se o que nas antigas religiões do Oriente se ensinava a respeito da trindade e outros princípios que, como vos disse, eu não havia ensinado. Assim resultava também minha própria pessoa muito adulterada, escrevendo-se também o que chamado foi Evangelhos, com toda essa alteração que vos digo e que não poucas falsidades contém.

Nas comunicações que antes Jesus deu, isto dito não está, porquanto, se ainda não atacando os Evangelhos, acreditada não era minha palavra, muito menos o teria sido se em oposição a esses escritos se tivera ela desde o princípio revelado. O tempo é chegado, entretanto, de dar seu lugar verdadeiro a cada cousa, e repito-vos ainda, que ver-se-ão estas minhas novas aclarações e ensinamentos, espalhados no orbe inteiro, por aqueles mesmos que até ontem deixaram de ouvi-los e os negaram, incrédulos de sua verdadeira origem.


¹ Quer dizer sem dúvida plano. — Nota do Sr. Rebaudi.